domingo, 29 de agosto de 2021

Golpes e contragolpes no Brasil

Brasil: Golpes, contragolpes e democracia O quê comemoramos no 7 de Setembro? Tradicionalmente, comemoramos a Independência do Brasil. E que país o Brasil se transformou? Um país continental, controlado por brancos, conservador nos seus valores e fazendo parte do bloco ocidental controlado pela Inglaterra, enquanto esta era o principal império na Terra, e depois, naturalmente passou a fazer parte do bloco controlado pelos Estados Unidos. Neste contexto, o golpe de Estado consagrado em 2016, contra o PT e as esquerdas, deve ser visto como parte da normalidade e da regra do jogo nacional. No Brasil, toda vez que os conservadores se desentendem, há um golpe de Estado, com o objetivo de “dar uma parada para arrumar a casa e depois voltar à normalidade. Normalidade que significa, voltar a ter uma democracia consentida, isto é, pode haver vários partidos, pode haver eleições, mas não pode haver “quebra das regras”. Não pode haver rupturas estruturais. Por exemplo: A proclamação da República e a Revolução de 1930. Modernizações conservadoras, mas superaram às estruturas esclerosadas. Golpes e Contragolpes de Estados, mais recentes. Em 1964, sobre o pretexto de que os Estados Unidos não podiam aceitar o Brasil se transformar numa “grande Cuba”, os conservadores deram o golpe de Estado contra AS REFORMAS DE BASE modernizadoras de Jango. Foi a união do útil ao agradável. A elite golpista nacional achou que, dado o golpe de Estado, tudo continuaria como dantes, eles mandando normalmente... Lacerda, Juscelino, Magalhães. Como os golpes de Estado se espalharam pela América Latina, quintal americano, os militares brasileiros, articulados com os militares americanos e com a elite empresarial, resolveram consolidar seu projeto de guerra fria com ditaduras. 1968 foi o golpe dentro do golpe. E acabou a brincadeira para uma parcela expressiva dos que participavam das benesses do Estado. Consolidado o projeto econômico, político e militar, as ditaduras foram substituídas por democracias. De 1970 em diante o mundo viu o povo, liderado pelos jovens, buscarem por mais liberdade, novas culturas e mais internacionalização. Até a América Latina e a África começaram a ter democracias mais participativas... Com a implosão da União Soviética e a queda do muro de Berlim, o comunismo deixou de ser pretexto para novos golpes de Estado. O mundo começou a viver Novas Primaveras Algo parecido com Reformas de Base, chamada agora de Reformas Estruturantes e Políticas Públicas passaram a ser reivindicadas pelo povo. Estas reformas demandam reorientações orçamentárias e compartilhamento dos espaços públicos, gerando tenções e clamores por novos golpes de Estado. No Brasil de Lula, além da economia viver um boom superavitário, facilitando a inclusão econômica e social de todos os segmentos da população, serviu de modelo político para o mundo todo. A nova esperança por uma democracia que realmente significasse “de todos, com todos e para todos”, respeitando-se as diferenças. As elites ainda não estavam prontas para as primaveras e organizaram novos golpes de Estado no Brasil e em vários outros países. Estes golpes foram realizados não com as tropas nas ruas, mas com “as togas” nas ruas. Isto e, usaram o Poder Judiciário e a imprensa como principais bases de sustentação dos golpistas. O golpe no Brasil aconteceu em 2016. Da mesma forma que 1964 gerou 1968, estamos vivendo um grave impasse entre o clamor de parte dos golpistas de 2016 que querem acabar com as leis que possibilitam que candidatos progressistas que defendem governar com o povo e fazendo reformas de base com políticas públicas, tornando-os inelegíveis, e outra parte dos golpistas que aceitam o restabelecimento de democracia para ampla e participativa. O dilema brasileiro atual é que, o maior beneficiário do golpe de Estado, que foi Bolsonaro e seus mercenários, buscou criar uma base reacionária com apelo social e em função desta novidade disputar a maioria do eleitorado contra Lula e seu carisma, o segmento que organizou o golpe mas não se sente representado por Bolsonaro está propenso a aliar-se com Lula para definir um mandato e um governo de transição. Se o filho da ditadura militar foi uma transição conservadora, a novidade é que o Brasil pode passar por uma transição em que se recupere o governo com o Estado de Bem Estar Social moderno. Na verdade, a grande crise que o Brasil passa é a crise do Brasil urbano, informatizado, com 213 milhões de pessoas reivindicando seus direitos e seus deveres como CIDADÃOS. O restabelecimento dos direitos políticos de Lula foi um grande gesto do Judiciário. Porém, ainda falta a imprensa, liderada pela Folha e pela Rede Globo, fazerem seu gesto de respeito ao povo brasileiro e à democracia com participação efetiva do povo. Quanto aos militares, por mais que Bolsonaro fale suas agressões verbais, os militares são o reflexo dos civis, quanto estes se entendem, os quartéis se calam e respeitam á ordem e á Constituição. Que todos os setores da sociedade, incluindo os empresários e os trabalhadores, cumpram com suas responsabilidades sociais, políticas e econômicas. O preço da liberdade é a eterna vigilância. Democracia não se ganha, conquista-se. Viva o 7 de Setembro.Viva o Brasil.

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