quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Elias, locutor e agitador, morreu. Morreu um pedaço de nós

Elias morreu! Morreu também um pedaço da nossa vida política e sindical. Todos que participaram da vida política brasileira conheceram Elias.... Suas histórias dão um bom livro. Vejam como estes três casos representam bem o que era o Brasil dos anos 90. 1 - Elias foi o coordenador da minha candidatura a deputado federal, em 1994, juntos percorremos de carro todo o Estado. Numa destas paradas, chegamos em Ribeirão Preto, e, ao ser perguntado onde íamos almoçar Elias respodeu todo orgulhoso: Já marquei com o prefeito e será no restaurante tal. Fomos para o restaurante e logo em seguida chegaram Palllocci e o Dr. Sócrates. Isto mesmo, formamos uma mesa com Pallocci, o prefeito de Ribeirão, o Dr. Sócrates, Elias e eu. Pena que naquela época não existia celulares e ficamos sem fotos para registrar a façanha de Elias. 2 - Numa outra viagem para o interior de São Paulo, fomos parar em Lins, cidade histórica. Coincidiu que isto aconteceu logo depois que Collor tinha renunciado por corrupção e os moradores de Lins estavam fazendo o maior barulho na cidade para ver se destituiam o prefeito de Lins. A festa estava animada, e em determinado momento chegou um senhor e reclamou que era errado querer tirar o prefeito. Afinal, ele fazia o que todo mundo faz no Brasil? Elias mandou parar tudo, para fazer silêncio para todo mundo ouvir. Com o microfone na mão foi perguntando ao cidadão: - O senhor acha que o prefeito pode comprar voto, dando para as pessoas coisas compradas por corrupção? O cidadão respondeu. - Veja bem, está vendo este sapato velho que estou usando? Eu ganhei do prefeito na eleição passada. E se ele me der outro par de sapato, eu garanto meu voto e de toda família lá de casa. Elias olhou para o público e perguntou: - Voces concordam com este senhor sobre os sapatos? Todo mundo respondeu: Não!!! 3 - O preconceito racial e social no Brasil aparecem nas pequenas coisas. A campanha de Lula para presidente crescia e muitos empresários ficaram preocupados como ficariam seus ivestimentos. Um dia determinado banco estrangeiro convidou-me para eu falar para os diretores do banco o quê era a CUT, o PT e se Lula era perigoso ou não. Chegamos cedo no banco e eu tinha ido com Elias. Quem conviveu com Elias sabe o quanto ele era desinibido. Começamos a conversar com as pessoas e Elias sempre trazia uns recadinhos com pendências para resolver. Curioso, o diretor do banco estrangeiro aproximu-se de mim e falou baixinho: - Seu segurança é muito prestativo... E eu respondi: Elias é nosso assessor especial no Sidicato e na CUT. E eu fiquei com aquela imagem do lugar do preto no Brasil: Antes era escravo, depois passou a ser motorista, segurança, domésticas... Pois é, o tempo passou, Eloy Pietá foi eleito prefeito de Guarulhos e Elias foi morar e trabcalhar lá. Hoje, 25 de agosto, às seis horas da manhã, quando levantei-me e peguei o celular, a primeira mensagem foi esta: ELIAS MORREU! Uma grande perda para todos nós. Todos estamos chocados. Uma AVC fulminante levou Elias. Vamos registrar muitas histórias de Elias. Tivemos belas histórias das eleições dos bancários de RECIFE, onde Elias foi fundamental. Como também foi imprescindível na eleicão dos bancários do Rio de Janeiro. A história das pessoas e dos países é a história de pessoas como Elias. Com Elias, morreu também um importante pedaço de nós.

Um comentário:

  1. Meus sentimentos aos familiares, aos companheir@s e amig@s. Elias, presente!

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