domingo, 22 de agosto de 2021

Brasil - 40 anos de sindicalismo - Da Conclat à CUT.

Brasil: Da CONCLAT, em 1981, à CUT, em 2021 40 anos de novo sindicalismo Da luta pela redemocratização do Brasil à luta pela sobrevivência da Classe Trabalhadora e do seu principal instrumento de luta: o sindicalismo. Por ter participação ativa no movimento sindical brasileiro e internacional, não podia deixar de fazer uma breve avaliação deste período. Nunca, na história deste país, se teve tanta liberdade para os setores da sociedade se organizarem e construir ou aperfeiçoar suas instituições. São 35 partidos políticos, 15 centrais sindicais e milhares de Igrejas pentecostais funcionando como centros comunitários de militância política, religiosa e social. A imprensa tem podido falar e escrever o que quiser, pode até organizar e dirigir golpes de Estado. Já a esquerda, além de constituírem seus partidos, também multiplicaram suas centrais sindicais. Ironicamente, nos sentimos como na “Lei Áurea”, da libertação da escravidão. Temos liberdade mas não temos empregos, não temos salários, nem temos mais a “burguesia nacional” para gerar renda e progresso. Tivemos muitas vitórias e muitas derrotas. Nestes 40 anos, podemos destacar alguns desafios: 1 – Getúlio Vargas e o populismo dos anos 50 trouxeram a organização urbana do Brasil, criando também a Estrutura Sindical patronal e dos trabalhadores, sempre priorizando a conciliação e subordinação dos trabalhadores aos patrões e ao Estado. Para manter esta “modernidade pós revolução de 30, criou-se o Imposto Sindical, remunerando os sindicatos, as federações e confederações e dando-lhes representação plena por categoria profissional, tornando assim a filiação como algo secundário. A principal receita sindical era do imposto. A CUT teve como uma das suas principais bandeiras “o fim do imposto sindical”. Porém, quando teve oportunidade de acabar com o imposto no governo Lula, os sindicalistas combativos e não combativos se uniram para mantê-lo.. Um grande erro histórico. Já que os governos das esquerdas não acabaram com o imposto, precisou que fosse eleito um presidente neoliberal e mercenário para acabar totalmente com o imposto sindical, extinguindo para os trabalhadores mas mantendo o “Sistema S” como garantia de renda para os patrões. Peleguismo patronal.... 2 – Com a Anistia e a Constituinte, a esquerda passou a registrar os mais diversos partidos políticos, criando condições para eleger vereadores, prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente. Muitos sindicalistas começaram a se eleger, provocando uma migração do movimento sindical para o partidário. A maior revelação de todas foi o papel de Lula neste processo. Lula mudou a história do Brasil. 3 – Com o aprendizado como políticos eleitos em todo território nacional, começamos a ter prefeitos, governadores e, finalmente, um presidente da República operário metalúrgico, imigrante nordestino e com pouca escolaridade. Lula em dois mandatos, conseguiu ser o melhor presidente que o Brasil já teve. Mudando a imagem nacional e internacionalmente fazendo o Brasil brilhar no mundo. O movimento sindical brasileiro expandiu-se internacionalmente, elegendo representantes em todas organizações e em todos os continentes. 4 – A direita brasileira, por inveja e por incompetência, ao ver Lula brilhar e conseguir eleger como sucessora, pela primeira vez na história, uma mulher, ex-presa política e petista, Dilma Russeff. Com quatro mandatos consecutivos, a direita sempre perdendo nas urnas, resolveu partir para o golpe. Para isto contou com o poder judiciário, a imprensa, os empresários, os militares e os Estados Unidos. Derrotaram o PT mas destruíram o Brasil. 5 – Alguns erros no governo facilitaram o golpe de Estado e os empresários partiram para privatizar, vender a preço de bananas o que restava do Estado brasileiro. O neoliberalismo teve e tem um papel internacional de acabar com o Bem Estar Social e colocar o capitalismo financeiro como instrumento de dominação internacional. A elite brasileira se vendeu barato. Muito barato. 6 – O neoliberalismo contou com um aliado estratégico para destruir o Bem Estar Social e implantar a flexibilização dos direitos dos trabalhadores. Todo o processo produtivo industrial a nível mundial passou a ser realizado na China e no seu entorno asiático, acabando com regiões industriais competitivas. A China cobrou caro pela opção neoliberal. Hoje é o maior produtor industrial do mundo e está ganhando a competição contra os Estados Unidos. 7 – O Brasil, ao ficar sob controle dos Estados Unidos, perdeu competitividade, perdeu empregos, salários e, principalmente, perdeu a soberania nacional. Com a destruição do parque industrial brasileiro, as Comissões de Fábricas foram fechadas, já que não existia mas fábricas, deixando a Organização por Local de Trabalho – Comissão de Empresa – de ser o principal espaço de formação de quadros para ser prioridade as organizações de bairros. Com o enfraquecimento do movimento sindical, as centrais sindicais passaram a ter as mesmas funções das ONGs. E voltou à cena a “CUT movimento”, em detrimento da CUT sindical. 8 – A CUT sindical, estruturada a partir das categorias profissionais, nacional e internacionalmente, como a CNM – Confederação Nacional dos Metalúrgicos e a Contraf’-CUT , dos bancários, representando 18 ramos de trabalhadores e trabalhadoras, viu-se fragilizada, enquanto as lutas transversais como gênero, raça, religião e cultura passaram a ter mais atividades no quotidiano das centrais do que as negociações trabalhistas e salariais. Reforçando a imagem de CUT ONG e de movimentos. 9 – Internacionalmente, as grandes organizações sindicais passaram a priorizar campanhas em defesa dos trabalhadores imigrantes, que não têm direitos nem proteção previdenciária, perdendo seu papel de destaque conquistado no fim das guerras mundiais. O sindicalismo internacional procura seu novo papel... 10 – Enquanto o movimento sindical tenta sobreviver, buscando novas atividades e novos segmentos sociais, no Brasil, Lula continua sendo seu maior protagonista. LULA é o Princípio, o Fim e o Meio. O PT e a CUT só começaram quando Lula jogou pesado para isto, para eleger pela primeira vez um operário e ter sucesso, precisou ser o Lula e, para recuperar a dignidade nacional e a autoestima internacional, o povo brasileiro já decidiu que quer Lula novamente! Em 1982, quando candidato a governador de São Paulo, Lula foi perguntado se ele era de direita ou de esquerda, Lula pensou um pouco, deu risada e, timidamente disse: “Eu sou metalúrgico”. Este é o Lula que o Brasil precisa. O Lula, acima de tudo, brasileiro, que gosta do povo, gosta de viajar por este Brasil e ajudar o povo a melhorar de vida. Sem ódio e sem rancor... Nestes 40 anos, mudamos o Brasil, mudamos nossas vidas e de nossos familiares. Mas o mundo também mudou. E precisamos de muita unidade, muito respeito e muita humildade para reconstruir o Brasil. E, para isto, além de gostar de Lula, nós precisamos organizar nossas comunidade, construir projetos de gestão participativa, inclusão social, respeito às diferenças e gratidão aos parceiros internacionais. Lula, mais do que “a mosca na sopa”, Lula é o nosso símbolo de sucesso e prova viva de que é possível ter um Brasil do povo, com o povo e para o povo. Isto Lula sabe que se chama DEMOCRACIA. E para os sindicalistas, democracia, sem participação não é democracia. Liberdade e direitos não se ganham, CONQUISTAM-SE! Com orgulho de nosso passado. Consciente do nosso presente e, SEM MEDO DE SER FELIZ.

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