quarta-feira, 7 de julho de 2021

No Japão todos reconhecem o erro da NIssan

Na Nissan, foi bom enquanto durou o lucro intense Um ótimo relato sobre o que aconteceu na Nissan. Mas ficou faltando a outra parte. Isto é, tanto Ghosn, como as centenas de executivos nos Estados Unidos e em outros países ganharam muito dinheiro, mais até do que os acionistas das empresas porque as empresas nunca tinham ganhado tanto dinheiro fácil. Isto foi a base do neoliberalismo, a sua comemoração com o fim da União Soviética e o milagre da China, ao produzir para abastecer o mundo, substituindo a mão de obra local e mais cara, por uma mão de obra baratíssima e um país cheio de subsídio tributaries e outros custos. Mais importante se as decisões dependem de um ou de vários dirigentes, o mais importante é a transparência interna e externa. Mas isto não é fácil. É dificílimo! No momento em que o Brasil vive a maior vergonha em sua história, este depoimento japonês é de extrema importância. Mais uma vez o jornal VALOR está de parabéns. NISSAN - Carlos Ghosn tinha um ‘poder absoluto’, admite chefe da Nissan Makoto Uchida disse que o reinado de 20 anos de Ghosn levou a graves lapsos na governança e no ambiente de trabalho. Por Kana Inagaki, Financial Times — Tóquio 07/07/2021 O executivo-chefe da Nissan desculpou-se perante um tribunal em Tóquio e comprometeu-se a consertar os problemas que levaram Carlos Ghosn a acumular um “poder absoluto”, criticando o chefe anterior por ter se aferrado ao poder por demasiado tempo. Makoto Uchida, que assumiu o comando da montadora japonesa um ano depois de o ex-presidente do conselho de administração ter sido preso em novembro de 2018, disse que o reinado de 20 anos de Ghosn levou a graves lapsos na governança e no ambiente de trabalho, onde os funcionários “apenas queriam agradar o chefe”. “Tentávamos tocar apenas as melodias que soavam bem aos ouvidos de nosso chefe”, disse Uchida no tribunal federal de Tóquio, nesta quarta-feira (7). “A falta de transparência originou a causa da má conduta em questão. Colocou toda a autoridade nas mãos de uma pessoa. Esse poder absoluto se aplicou à remuneração e a assuntos pessoais.” Uchida depôs como testemunha da Nissan, que foi acusada, juntamente com Ghosn, de contabilizar no balanço uma remuneração menor do que a real para o ex-presidente do conselho, por meio de um programa de pagamento diferido. A empresa não contestou as acusações. “Sinto muito por todos os problemas que causamos, e por fazer com que vocês perdessem a confiança”, disse Uchida. “Reconhecemos que agimos de forma errada, nos desculpamos e consertamos isso.” Fuga Ghosn fugiu do Japão para o Líbano no fim de 2019, uma fuga orquestrada por um ex-boina verde americano, que, em junho, admitiu ser culpado no tribunal federal de Tóquio. Greg Kelly, ex-auxiliar de Ghosn, também é acusado de conspirar com Ghosn para divulgar que a remuneração de Ghosn era menor do que a real. Tanto Kelly quanto Ghosn negam as acusações. Ushida disse ter se sentido “envergonhado e péssimo” depois de tomar conhecimento das prisões de Ghosn e Kelly.“ A marca da Nissan foi prejudicada, a motivação dos funcionários da companhia foi lesada e a confiança deles no alto comando foi prejudicada”, disse. Em seu depoimento, Uchida também contestou diretamente as declarações de Kelly e da equipe legal dele, que retrataram Ghosn como um executivo do qual dependia completamente o futuro da Nissan. De acordo com Kelly e outros ex-executivos da Nissan, as preocupações sobre a retenção de Ghosn no cargo se intensificaram depois de sua remuneração ter sido reduzida para atender a mudanças nas regras japonesas sobre a divulgação dos salários, introduzidas em 2010. Ghosn, um dos executivos mais bem pagos do Japão, temia que a divulgação de sua remuneração total provocasse indignação pública e desmotivasse os funcionários da Nissan. “Acredito que ele esteve no cargo de executivo-chefe por tempo demais”, Disse Uchida, acrescentando que, em sua opinião, a Nissan não teria enfrentado dificuldades se Ghosn saísse da empresa. Desde a prisão de Ghosn, contudo, as ações da Nissan caíram 42%, enquanto a empresa se depara com o terceiro ano consecutivo de prejuízo líquido. Com a formação de uma nova equipe executiva e a criação de novas estruturas de governança, Uchida disse que a empresa não voltará a permitir que uma única pessoa tenha tanto poder. “Rumamos a uma cultura na qual as pessoas se sentem livres para falar”, disse. Want to read more from the FT? Sign up for a free corporate trial for you and your team at: www.ft.com/am730.

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