sexta-feira, 4 de junho de 2021

Eleições no Peru e na América Latina

Eleições no Peru, Argentina, Colômbia, Equador, Brasil... O povo quer governo que priorize a solução de seus problemas, tenha compromisso com honestidade e transparência. E a economia tem que funcionar, gerando empregos, salários e qualidade de vida. O povo não quer governos que priorizem as empresas ou o “mercado”, em detrimento das necessidades básicas. Economia de mercado, sem políticas públicas sociais, só leva ao aumento da pobreza e da violência. A tradição de a imprensa conservadora fazer campanha para os candidatos da direita, dizendo que os candidatos mais comprometidos com as bandeiras sociais são comunistas, ou de esquerda, já não intimida tanto como antes. Já não existem governos comunistas, o debate real é se os governos estarão à serviço do povo ou se estarão à serviço do mercado financeiro e das grandes companhias multinacionais. O dilema é que, se por um lado a direita em vez de explicar porque não fez o que prometera para o povo, fica acusando a oposição de comer criancinhas; a oposição precisa combinar uma campanha eleitoral que dialogue com setores mais amplos da sociedade, ter um programa básico e mostrar como vai viabilizar suas propostas. Dois grandes obstáculos dificultam a materialização de políticas sociais, combate ao desemprego, viabilização de escolas de qualidade e rede pública de saúde. O primeiro grande obstáculo é o desequilíbrio orçamentário. Os governos não têm dinheiro e o custo de manutenção dos aparelhos dos governos é muito alto. O segundo grande osbstáculo é o poder de obstrução do poder judiciário e do legislativo, inviabilizando grandes transformações. Esta equação: (governo sem dinheiro) + (custo de manutenção dos órgãos públicos) + (boicote do judiciário e do legislativo) + (boicote da imprensa), torna a democracia como algo que se fala mas não se pratica. Quando a direita ganha, as instituições do Estado, sob controle da direita, facilita a governabilidade sem o povo; Quando a esquerda ganha, as instituições do Estado, por estarem sob controle da direita, boicotam a governabilidade com o povo. Daí que surge a necessidade de uma nova Constituinte como no Chile. A herança deixada nas instituições pelas ditaduras militares na América Latina é o pior obstáculo ao avanço da Democracia com participação popular. Este é um dos grandes desafios que Lula vai encontrar na campanha eleitoral do ano que vem. Novamente um país da América Latina será submetido ao debate público eleitoral se o povo vai votar no candidato que prioriza as demandas do povo, como saúde, educação e combate ao desemprego, ou se vai votar num candidato conservador, louco varrido, irresponsável, mas populista e aventureiro. A economia vem determinando o resultado das eleições presidenciais, com o surgimento da pandemia, com o vírus mortal que está destruindo o mundo, a saúde está em primeiro lugar, ficando a economia em segundo. E o povo, sabiamente, ora vota nos candidatos sociais, ora vota nos candidatos do “mercado”. O pior é que nem um nem outro tem “curado o paciente” – o povo. Na verdade, o sistema político e social dos três poderes, como são estruturados hoje, já não respondem mais às necessidades do povo, nem do mercado. O povo em primeiro lugar, com mecanismos de gestão mais ágeis, transparentes e participativos. Isto que é a Democracia moderna. Quem viver verá...

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