quarta-feira, 16 de junho de 2021

Delfim fala de inflação, do dólar e da seca

O economês, o virus e o professor Todo mundo sabe que Delfim Neto é um grande conhecedor da economia e da política, mas, mesmo Delfim, quando fala da inflação, ele fala melhor para os conhecedores do tema do que para o cidadão comum. Além da crise com as 500 mil mortes no Brasil, temos uma profunda crise política, além da inflação ou custo de vida que está matando muita gente. O diagnóstico parece que não é difícil, com as importações chinesas comprando muito do Brasil, os preços internos tendem a subir, provocando inflação; o dolar está fazendo o seu estrago e estamos tendo falta de chuva – culpa de Deus e não da falta de planejamento. Se os especialistas conhecem o diagnostico, porque os preços não baixam, os empregos não aparecem e os salarios ficam cada vez menores? Vejam o resumo de Delfim: A difícil inflação de Delfim Neto A situação é desconfortável e acentua a perda de renda dos mais pobres em um momento de elevado desemprego 15.jun.2021 – Coluna de Delfim Neto na Folha. A inflação preocupa. Atingiu 8,1% nos 12 meses terminados em maio, acima da meta de 3,75% para 2021 (e do limite de tolerância, 5,25%). Ainda que sobre a base deprimida do ano passado, a situação é desconfortável e acentua a perda de renda dos mais pobres em um momento de elevado desemprego Alguns fatores explicam a dinâmica da inflação desde o 2º semestre de 2020. O primeiro é o comportamento dos preços internacionais das commodities, impulsionados pela forte demanda internacional, notadamente da China. O segundo se deve à monumental desvalorização cambial, ocorrida primordialmente pela protelação do desfecho do Orçamento e do flerte com o rompimento do regime fiscal. Com a resolução deste impasse —e com o início da elevação da taxa de juros pelo Banco Central, o câmbio já aprecia e começa a amortecer parte da pressão das commodities em vez de reforçá-la. Por fim, há o impacto do encarecimento da energia elétrica pela falta de chuvas. Mesmo que a chance de racionamento ainda seja baixa, o choque sobre preços será salgado. É preciso compreender, entretanto, que nem todos os elementos são idiossincrasias nossas. A força e a rapidez do movimento de “reflação” global têm surpreendido a todos. Países emergentes têm registrado inflação de 5%-6% e a inflação ao consumidor americano atingiu seu pior resultado dos últimos 13 anos: 5% em 12 meses. Os preços dos bens duráveis nos EUA subiram mais de 10% no período, e os de energia 28,5%. Por trás desse padrão, está a recuperação global em ritmo mais acelerado que o previsto. Esperava-se que o corte de demanda produzisse queda generalizada dos preços na pandemia. O que se viu, entretanto, foi a canalização de boa parte da demanda de serviços para bens, sem que houvesse ajuste na oferta. Setores não foram capazes de antecipar a demanda (e sua intensidade) e houve uma completa disrupção dos processos produtivos. A indústria de semicondutores sofre com a falta de insumos, e no setor de logística faltam embarcações para o transporte. Os EUA chegaram a ter um déficit de 500 mil containers na China para realizar importações. O mercado que operava com uma taxa de média de rolagem de embarque próxima a 8% no pré pandemia, trabalha hoje acima de 37%. Mesmo setores que não paralisaram suas atividades preveem normalização apenas em 2022. Assim, a inflação corre acima do esperado em diversos países, emergentes ou não. O segundo semestre deve trazer algum alívio à inflação brasileira, que encerrará o ano em ainda elevados 5,5%-6%.

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