quinta-feira, 6 de maio de 2021

Para que servem os Sindicatos?

Para que servem os sindicatos, no mundo neoliberal? O pragmatismo responsável, pragmatismo conformista e a negação da realidade. De forma bem simplória, toda vez que alguém perguntava “para que servem os sindicatos”, a gente respondia, para representar os trabalhadores na defesa de seus direitos, na defesa de melhores salários e melhores condições de vida. Como nosso sindicato sempre foi muito ativo, os bancários ficavam e ficam sócios e uma parcela, além de ficar sócia, passa a frequentar e a participar das atividades. Aos poucos tende a ser um militante... Isto foi na época das vacas gordas, quando ainda não existia o neoliberalismo. Existiam no Brasil um milhão de bancários e 300 mil terceirizados, pessoas que prestavam serviço ao sistema financeiro mas não se beneficiavam diretamente dos acordos salariais. Com o neoliberalismo, a pirâmide foi invertida. Hoje temos 300 mil bancários e mais de um milhão de terceirizados que prestam serviços aos bancos. Com o neoliberalismo, a classe média foi espremida para baixo e os pobres voltaram a ficar mais pobres. E quando surgiu o neoliberalismo? Exatamente com o fim do comunismo e a implosão da União Soviética. Os patrões e os conservadores já não se sentiam mais ameaçados. Era hora da revanche, isto é, de tirar os direitos dos trabalhadores... E os desempregados, os subempregados, os precarizados e os pobres em geral perguntam: O que nós temos a ver com isto? Para os desesperados da vida, o nome do sistema político e econômica não importa, o que importa é ter comida, educação para os filhos, moradia para a família e emprego ou trabalho. Assistindo uma belíssima apresentação sobre o sindicalismo internacional, todos ficaram encantados com a quantidade e a qualidade dos trabalhos de renovação do trabalho de base, de forma como se está ouvindo efetivamente o clamor da base e do povo. A grande maioria das pessoas que estando prestando algum tipo de serviço não faz negociação com os patrões nem com os governos, ficando expostos à exploração e à precariedade. Onde estão as maiores oportunidades para os sindicatos prestarem serviço e terem respostas positivas? Nos trabalhadores de aplicativos, nos entregadores de comida e todo tipo de produto e nos imigrantes. Quando indagados sobre os estudos macroeconômicos e políticos, por exemplo, sobre a História do sindicalismo pré segunda guerra mundial, quando as relações de trabalho eram tão precarizadas quanto o neoliberalismo vem praticando. Sobre o sindicalismo na época da guerra fria, quando existiam três centrais sindicais mundiais – uma vinculadas aos comunistas, outra à social democracia e outra mais conservadora vinculada à Igreja, eles responderam que as demandas prioritárias com a base são tão grandes que optaram por deixar estes estudos para mais tarde. É claro que a missão dos sindicatos é defender e organizar os trabalhadores por melhores salários, melhores de condições de trabalho e de vida. Mas, estas “bondades” nunca caem do céu, elas sempre foram e continuam sendo conquistadas com muita luta, muitas greves e muitas demissões. Este processo histórico tem sido a garantia de melhores condições de vida para a classe trabalhadora e para os pobres. O pragmatismo responsável, pragmatismo conformista e a negação O pessoal que foi demitido nas privatizações, no arrocho salarial e na recessão criada artificialmente pelos neoliberais, será que não percebem que uma coisa tem a ver com a outra? Com a precarização da vida e com o cinismo dos neoliberais, os estudiosos de História e de Economia Social, como os estudiosos de Medicina para políticas públicas como o SUS e os professores das redes públicas, estão ficando cada vez mais fragilizados economicamente. Estão ficando pobres. Se o passado não volta, qual será o futuro? O sindicalismo que está renascendo no mundo todo, no Brasil, tem na história da CUT, como porta-voz do novo sindicalismo dos anos oitenta do século passado, também está precisando conhecer mais esta dinâmica chamada relações de trabalho. O modelo que preponderou por décadas acabou, não existe mais Imposto Sindical nem mesmo Negociação Coletiva anual entre todos os empregadores e os empregados. Roosevelt, Keynes, Marx e tantos outros tiveram importância fundamental na reorganização do mundo do trabalho contaminado com infinitas guerras, como foram as duas guerras mundiais. Com o Novo Modo de Produção Asiático, ou o mundo se articula para preservar as qualidades de vida básicas, ou presenciaremos novas guerras e talvez a última guerra com a explosão do Planeta Terra. E, se sobrar algum sobrevivente, este será chinês...

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