segunda-feira, 31 de maio de 2021

CUT, PT e Igreja - Pérsio - Um grande exemplo

CUT, PT e Igreja - Pérsio - Um grande exemplo Neste periodo tão hostil que passa o Brasil, para todos que têm compromisso com o povo, com a classe trabalhadora, e com a militância, é muito reconfortante ler o depoimento do nosso colega de formação da CUT nacional, Pérsio. Se para ser solidário, fraterno, respeitoso com as pessoas e, principalmente, com os militantes, for preciso ser chamado de socialista, comunista, de esquerda, assumiremos nossas posições. Se, para assumir opções de gênero, ainda corremos risco de agressões verbais e físicas, assumiremos o risco. A vida só é transformadora, quando assumida. Há luz entre as trevas. Um outro Brasil é possível. Leiam abaixo esta carta lindíssima de nosso militante e companheiro da Formação Nacional da CUT, Pérsio Plensack. CARTA DE ‘ATÉ LOGO’ Companheirada, Embora alguns de vocês já estejam sabendo, a partir do dia 1º de junho, deixarei de fazer parte do valoroso e comprometido quadro de assessoria da CUT Nacional. Trata-se de uma decisão de foro íntimo amparada por minha família e amigos mais próximos. Rosane Bertotti e Sueli Veiga, secretária nacional e adjunta de formação, acompanharam o processo e buscaram, de forma muito fraterna e acolhedora, alternativas para que eu pudesse rever minha decisão, mas tão logo tive a oportunidade de expor os motivos, elas muito sensivelmente compreenderam, respeitaram e encaminharam meu pedido. Me profissionalizei em formação sindical no ‘quintal’ da CUT. Ainda garoto em meados dos anos 80, em Santo André/SP. A combinação Igreja - Partido - Sindicato, alavancada pelo processo de redemocratização da América Latina, sob a orientação da teologia da libertação, semeou em mim o desejo por um mundo mais fraterno, justo e igualitário. (Re)Conheci na CUT muitos companheiros e companheiras dessa ‘safra’ da militância, o que demonstra a importância e amplitude deste processo país afora. Sindicalizado desde o 1º emprego de carteira assinada, aos 14 anos pelo SENAI, trabalhei como aprendiz de torneiro mecânico e auxiliar de laboratório nas empresas que compõem a base dos Químicos do ABC e foi de lá que o saudoso companheiro Agenor Narciso me convidou para trabalhar numa relação mais próxima da CUT SP ainda localizada na rua Tamandaré, no bairro da Liberdade. No processo de organização de Plenárias e Congressos, fui me formado e conhecendo vários companheiras e companheiras, dentre os quais, a diretoria do SINDSAÚDE-SP que após uma campanha de sindicalização implementada na categoria, conseguiram garantir as condições para que eu pudesse ser contratado, em 1995, como Assessor da Diretoria e logo em seguida Assessor de Formação e Organização Sindical. Em 1999 fui para a Escola Sindical São Paulo onde trabalhei como Educador no Programa Integrar de Formação de Dirigentes - estratégia da CNM em torno do debate sobre Sindicato Nacional - num processo de formação política com elevação de escolaridade no diálogo com a estratégia de formação da CUT, que naquela oportunidade, disputava pelo reconhecimento e certificação dos saberes. Ainda na Escola Sindical São Paulo tive a oportunidade de trabalhar como assessor de formação para entidades do Ramo Químico da CUT - Químicos do ABC e SP, Papeleiros e na própria CNQ - tendo o Programa Formaquim como uma das referências de formação para o Ramo. Em 2008 retorno ao SINDSAÚDE-SP trazendo na bagagem esse caminhar pela Rede de Formação da CUT. Construímos coletivamente no sindicato, estratégias de fortalecimento das bases através de um amplo processo de formação cuja ‘porta de entrada’ era a relação: vida, saúde e trabalho. Tal possibilidade garantiu a conexão do sindicato à outras redes de formação nacional e internacional como a Tie Global e a ISP-Brasil, oportunizando-nos contato com novas experiências e metodologias. Até aqui minha interação com a Rede Formação da CUT era de um agente da formação - vinculado a um sindicato de base - nos fóruns da formação e nas integrações com outras categorias como bancários, professores, municipais, construção civil e tantas outras articuladas pelo Coletivo Estadual de Formação da CUT/SP. Em 2013 fui para assessoria da CUT Nacional trabalhar na Secretaria Nacional de Formação. A acolhida foi facilitada pelo fato de já conhecer muitos dos companheiros e companheiras e por já ter auxiliado em processos formativos, de planejamentos e de cerimoniais de abertura em Plenárias e Congressos da CUT, sindicatos e ramos. Na SNF meus primeiros anos de trabalho se deram em torno do monitoramento e execução dos programas nacionais de formação, mas foi em 2016 como coordenador da secretaria que me deparei com o gigantesco desafio da gestão do Plano Nacional de Formação de modo a salvaguardar as diretrizes da Política Nacional de Formação e a integração dessa imensa e valorosa Rede formada pelas Escolas Sindicais, SEFs, Ramos e Equipe Nacional de Formadores (militantes e profissionalizados). Aqui trabalhamos juntos e não preciso relatar os momentos de glórias e tristezas que enfrentamos. Acertando mais, acertando menos, mas sempre mirando o enfrentamento aos desafios colocados e aprovados pelos Congressos e pela Direção da CUT. O diálogo nos processos formativos me permitiu aprender e ensinar. Nesta perspectiva da construção do fazer coletivo tive a oportunidade de interagir com a executiva, o secretariado, os trabalhadores da CUT, a rede de formação, estaduais e ramos. Agradeço por tudo que me propiciaram em sabedoria e experiência, e também peço desculpas a cada um se - por alguma razão - em algum desses processos tenhamos tido alguns descompassos em nossas compreensões. Deixo a assessoria da CUT Nacional, mas não deixo a CUT e tampouco a Rede Nacional de Formação! Volto para o SINDSAÚDE-SP que, de forma extremamente acolhedora, me permitirá como assessor de formação sindical contribuir para um dos maiores desafios da CUT neste momento. A formação, organização e representação sindical de trabalhadores e trabalhadores da saúde, em especial, àquelas cujas formas de contratação - precarizadas e pulverizadas - através das OSS se espalham pelo estado de São Paulo, além, obviamente, de lutar para sepultar a dobradinha Bolsodória. Continuarei na SNF num processo de transição e acompanhamento da gestão da rede nacional de formação e nas ações de coordenação pedagógica do Projeto Juventude CUT DGB até o final do contrato com este importante parceiro internacional. Com o SINDSAÚDE-SP, poderei contribuir para o fortalecimento das ações da Escola Sindical e da Secretaria Estadual de Formação da CUT SP. A expectativa nesta retomada é estabelecer um processo de escuta junto aos trabalhadores, militantes, delegados sindicais de base e direção do sindicato de modo a reorientar meu processo pessoal de aprendizagem e ao mesmo tempo construir coletivamente com essas pessoas, formas, metodologias e diálogos capazes de transformar realidades concretas. Nesta trajetória de vida, reconheci e assumi minha orientação sexual com apoio, respeito e proteção dos homens e mulheres que fazem da CUT, a Central Única dos Trabalhadores e das Trabalhadoras! Casei e incorporei essa causa em todas as frentes da vida, do trabalho e do movimento sindical. Não se trata de uma despedida, vamos chamar isso de ‘até logo’, afinal, estarei logo ali e certamente nos encontraremos em muitas e diversas oportunidades, na luta, nas atividades e nos processos de formação. Meu contatos e endereço continuam os mesmos assim como minha gratidão a cada um de vocês. Um abraço, Pérsio Plensack - Outono 2021

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