sexta-feira, 2 de abril de 2021

O povo em primeiro lugar, ou, as pessoas em primeiro lugar?

Todo mundo quer falar em nome do povo Em qual posição você fala do povo? - O pessoal da esquerda acha que são a voz do povo por direito definido por Marx, e, como eles dizem que não acreditam em Deus, o direito de ser porta-voz do povo vem do fato de serem “classistas”, isto é , terem o compromisso de conhecer os desejos e as necessidades do povo; - A direita acha que são porta-voz do povo porque suas empresas garantem produtos que o povo compra. Afinal, o povo não quer lero-lero, o povo que comida, cultura e vida boa... E isto quem garante é a direita; - A imprensa acha que fala pela direita e pela esquerda, é mais pretenciosa ainda que a própria esquerda e a direita; - Os pastores e bispos acham que são o porta-vozes do povo de Deus, que sãos os bons e abençoados; - Os especialistas – acadêmicos ou não – acham que falam em nome do povo por conhecerem as pesquisas, lerem os livros onde todos se comparam com todos e todos concluem quase a mesma coisa, com uma condição: ninguém cientificamente entende de povo mais que eles – os especialistas; - Os movimentos sociais acham que falam pelo povo porque é da natureza dos movimentos sociais serem representantes do povo; - Os juízes, como sempre, acham que estão acima do povo, acima da direita e da esquerda e que a palavra final, abaixo de Deus, cabe a eles, os juízes. Quem tem lado no meio judiciário são os advogados, afinal eles ganham para isto: ter lado. Curiosamente, com tanta gente falando em seu nome, o povo continua sendo excluído, tanto pela direita, como pela esquerda; tanto pelos religiosos, como pelos materialistas; tanto pelos juízes, como pelos advogados; tanto pelos jornalistas e especialistas, como pelos leigos e sem escolas; tanto pelos movimentos sociais; como pelos políticos... Porque não deixam o povo falar? Porque não deixam o povo julgar? Porque não deixam o povo escolher? Porque não deixam o povo consertar? Mauricio Tratemberg, professor da FGV nos velhos tempos e auto-ditada, deu como trabalho escolar para os ilustres alunos da GV que devessem ler e fazer resenha do livro “Se me deixam falar... , de autoria de Domitila de Chungara ou Xungara, não me lembro o nome, isto foi em 1976, e imagino que Domitila era boliviana ou peruana... Um depoimento muito bonito de uma indígena que queria falar, contar a sua história e a história do seu povo. Todo este pessoal que gosta de falar pelo povo, se quiser ajudar mais efetivamente, pode seguir a recomendação de Domitila, abrir espaço para o povo falar, das seus depoimentos e participar das decisões... Na crise atual, tem mais gente falando do que escutando. Nota: O nome correto de Domitila é Domitila Brrios de Chungara e ela fez o depoimento no México, durante o Ano Internacional da Mulher, em 1975.

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