sábado, 13 de março de 2021

XP, os bancos e o povo brasileiro

XP mostra que é possível ajudar o povo Mesmo priorizando ter como clientes pessoas de alta renda, a XP vem obrigando o “mercado financeiro” a se reestruturar e a correr atrás da concorrência. Desde o surgimento da XP, além de compartilhar os ganhos financeiros com os clientes, os estimula a serem seus próprios gestores nas aplicações – é a cogestão ou gestão compartilhada. Isto é si já é uma revolução no Brasil. Mas a XP não quer ser apenas uma financeira que aplica na Bolsa para ganhar dinheiro, o pessoal da XP quer ter um banco tipo Safra ou Santander, para disputar o mercado. O perfil atual da XP é mais para fazer do seu banco um tipo Banco Safra, mas a grande esperança é que o novo banco da XP venha para disputar todo o mercado financeiro, tanto no atacado como no varejo. A XP já está lançando seu cartão de crédito. Inicialmente será voltado para clientes com investimentos iguais ou superiores a R$.50 mil, e a XP vai oferecer juros inferiores à média do mercado, não terá anuidade e contará com Investback. O cartão tem um formato parecido com os modelos de pontuação e “cashback”, mas, em vez de devolver pontos ou dinheiro para o consumidor, a parcela é diretamente investida em um fundo de investimentos que tem retorno de 99,5% do CDI. A média de juros cobrados pelo rotativo de cartão da XP será de 5,9% ao mês – a média do mercado ficou em 12,9% ao mês. No parcelado do cartão, os juros cobrados pela XP serão de 3,9% ao mês – ante 8,3% ao mês cobrado pelo sistema financeiro tradicional. Para este ano, o banco da XP vai lançar conta digital, da função de débito e outras funcionalidades. Os juros cobrados no Brasil transforma este tipo de investimento uma agiotagem legalizada e protegida pelo Banco Central. É o segmento de investimento mais rentável do Brasil. Se a XP pode oferecer empréstimos e créditos pela METADE DOS JUROS DOS OUTROS BANCOS, significa que o Banco Central vinha e vem protegendo empresários e investidores que ganham muito dinheiro, enquanto o povo de média e baixa renda vem pagando juros assassinos, tipo cartão de crédito a 14% ao mês, cheque especial a 8% ao mês, enquanto estes bancos captam no mercado aplicações tipo poupança que não remuneram nem a inflação... O que vemos hoje é que “quem mais tem dinheiro são os que mais ganham”; enquanto que ”quem menos tem, além de não recebem, pagam muito”, aumentando assim a CONCENTRAÇÃO DE RENDA no Brasil. A tentativa de se criar bancos cooperativos de economia solidária enfrenta grande dificuldades em função da subordinação ao sistema tradicional dos bancos, aumentando os seus custos e suas estruturas, inviabilizando-os. Com a privatização dos bancos estaduais e o fim da maioria dos bancos de varejo no Brasil, regiões como Nordeste e Norte estão sem agências bancárias nos municípios menores e esta descapitalização leva ao aumento da pobreza e da desigualdade. Num país com 210 milhões de habitantes e mais de 5.500 municípios, obrigatoriamente precisamos ter Redes de Bancos de Atacado, redes de Bancos de Varejo e Redes de Bancos Solidários. Os bancos estatais como o BB e a CEF, precisam ter estruturas segmentadas separadamente, atacado, varejo e solidário e, estes bancos mais o BNB e o BASA, devem como missão principal estimular o crescimento, o desenvolvimento e a distribuição de renda. O BB opera em Bolsa, mais não precisa espelhar-se no Itaú e Bradesco para medir sua lucratividade e distribuição de dividendo, o resultado deste bancos devem ser medidos pelos impactos sociais, econômicos e culturais... Se um outro mundo é possível para a XP, seus acionistas e investidores, este mesmo mundo também pode ser possível para todo o povo brasileiro. Eu tenho um pouco de dinheiro na XP, tenho um pouco de experiência em economia solidária, estive em Bangladesh e outros países, como Holanda e Canadá, para estudar as experiências e ofereço-me para contribuir neste debate. Ser rico num país pobre é bom, mas, ser rico num pais rico e solidário, é muito melhor.

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