terça-feira, 9 de março de 2021

Eleições presidenciais e Lula

Lula está voltando? “Mercado” precisa de alguém para acalmar o Brasil. Lula errou quando não saiu candidato em 2014, apoiou a manutenção de Dilma, e assim facilitou a ação dos golpistas. Com Lula na presidência não teria havido o golpe? Com certeza não. Lula sempre foi um grande conciliador. Tanto que os empresários nunca ganharam tanto dinheiro… Mais do que ser de “esquerda”, Lula sempre respeitou às regras do jogo. Mesmo que Lula não seja liberado para ser candidato, ele já mostrou que tem sete-vidas e pode ajudar muito o Brasil. Vejam este bom artigo do jornal Valor… “Subestimam a força da esquerda e superestimam a rejeição”, diz Garman Para diretor da Eurasia, houve um erro de cálculo entre analistas político e pessoas do Mercado. Valor - Por César Felício — De São Paulo Atualizado há 6 horas Política 09/03/2021 Garman: esquerda é forte no Brasil, mas Bolsonaro tem tempo para reagir O mercado e analistas não precificaram a força da esquerda no Brasil e a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostra que uma candidatura deste campo ideológico em 2022 pode ser competitiva. Para o diretor executivo para Américas do Eurasia Group, Christopher Garman, não há porque o Brasil destoar do padrão latino-americano. “Quando os governos de centro-direita do México, da Argentina e do Equador entraram em crise de popularidade, quem se beneficiou politicamente foi aquele que estava na posição mais clara de oposição. Se as coisas com a direita andam mal, porque a esquerda não estaria forte na eleição seguinte?”, indaga. Segundo Garman, “estão subestimando há tempos a força de Lula e superestimando a sua rejeição, sem entender que o tempo passa”. De acordo com Garman, as preocupações do eleitor brasileiro mudaram nos últimos anos. O passivo do PT e de Lula, que é a associação com a corrupção, permanece, mas este não é mais um tema que emociona a sociedade como antigamente. “O eleitor agora quer renda, emprego e saúde, e não combate à corrupção. A agenda mudou e portanto não é possível achar que a rejeição a Lula é intransponível”. A Eurasia normalmente procura quantificar em porcentagem as chances de um determinado evento acontecer, mas em relação à eleição presidencial de 2022 Garman prefere não arriscar-se nesse exercício por enquanto. “Ainda há variáveis que não estão dadas”, explica. “É preciso verificar se a recuperação da economia virá no segundo semestre do ano. É preciso ver como se resolverá o drama sanitário do país, que está fazendo um enorme estrago na popularidade do presidente Bolsonaro, com tendência a piorar. O auxílio emergencial virá menor e não terá o mesmo efeito político”, diz. “Os próximos dois meses serão cruciais”, conclui. Garman concorda que o quadro do Brasil em 2021 está parecido com o dos Estados Unidos no ano passado, onde o tropeço na economia e sobretudo a incompetência do governo em lidar com a pandemia de covid-19 fez com que o então presidente Donald Trump perdesse uma eleição ganha. “A diferença é que Bolsonaro conta com um tempo que Trump não teve. Ele pode se recuperar em um ano e meio. A eleição não será em abril”, diz. Garman é cauteloso ao avaliar as chances do centro no Brasil. “O cenário pode mudar caso haja uma articulação que impeça uma fragmentação entre várias candidaturas”, pondera. Mas enfatiza que o centro não ocupa o espaço do antibolsonarismo com a clareza que Lula pode ter. “De um lado temos Bolsonaro. Do outro ex-ministros ou exapoiadores dele, com exceção do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). Por que não deveríamos achar que Lula não se beneficia da rejeição ao presidente?” Para o diretor da Eurasia, também não se pode descartar que estratégia política, dificuldades judiciais ou de saúde impeçam a candidatura de Lula. Neste caso, ele vê possibilidades de Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT) herdarem sua competitividade. Caso a candidatura presidencial de Lula se consolide, Garman acha possível que o expresidente, mais adiante, refaça suas pontes com o mercado. “O discurso dele tornou-se mais radical nos últimos tempos, mas as pessoas sabem o que o PT representa. Percebem a diferença entre o que significou o governo de Lula e o que representou o governo de Dilma Rousseff. A reação inicial é de aumento de risco, mas sempre é possível refazer ligações com o setor privado, sobretudo para ele”. Garman diz que a surpresa com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin aumentou o grau de incerteza no mercado. “Foi um evento completamente inesperado. Aparentemente, no empenho para salvar a Operação Lava-Jato, Fachin não hesitou em salvar o Lula. Não era previsível”, diz. Até a decisão de Fachin, o cenário tido como mais provável na cena política era que o Supremo Tribunal Federal (STF) colocasse em pauta a ação que pede a suspeição do ex-juiz Sergio Moro nos processos em que Lula foi condenado, o que poderia abrir portas para a anulação das sentenças, embora isso não fosse absolutamente claro.

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