domingo, 28 de fevereiro de 2021

Mais um debate sobre a Folha de 100 anos

A Folha das mil folhas... Da ditadura da minoria à ditadura da maioria O pós segunda guerra mundial espalhou pela Terra ditaduras civis e militares que, combinadas com a guerra fria, legalizava o terror e a repressão. Os conservadores que vinham governando e se apropriando da maior parte da riqueza gerada se juntaram para preservar seu status quo. Da mesma forma que a primeira guerra mundial ajudou a reduzir às monarquias, a segunda guerra estimulou a independência das colônias, mesmo com guerra civil com Angola e Moçambique, ou com ditaduras civis ou militares. O mundo enfrentava três modelos de governos: as ditaduras de direita sustentadas política e militarmente pelos Estados Unidos, as ditaduras de esquerda, aliadas ao bloco soviético, e, uma parcela, minoritária porém importante, de países que praticavam governos democráticos, sem ditadura militar ou civil. O Brasil manteve-se aliado aos Estados Unidos, que unificou a classe dominante nacional em 1964, contra qualquer possibilidade de o Brasil tentar copiar Cuba de Fidel. A classe dominante aqui inclui a imprensa, a Igreja católica, o judiciário e o legislativo. Com o crescimento econômico e a inclusão da maioria da população aos bens de consumo, além da estruturação e consolidação do Estado como instrumento de dominação conservadora, isto é, o povo pode ser consumidor e mão de obra, mas não pode ser hegemonia. O melhor argumento para se defender esta forma de governo era a necessidade de concentrar a riqueza para gerar poupança e investimentos que dariam competitividade econômica internacional. O bolo deveria crescer para depois ser distribuído. Com o período de redemocratização no mundo, principalmente depois que a União Soviética implodiu, abriu-se a possibilidade de o povo ter direito de se organizar em partidos, sindicatos e imprensa livre. Mas, o judiciário e o legislativo continuaram com estruturas conservadoras. A grande maioria de juízes manteve-se conservadora – até hoje – e a legislação partidária e eleitoral faz com que o povo eleja presidente mas não tenha maioria progressista no legislativo. Facilitando a aplicação de impeachments contra candidatos progressistas e obstruções aos modelos econômicos distributivistas. Isto é, de inclusão econômica e social. No novo impasse de crise de hegemonia vivido pelo Brasil, a imprensa continuou posicionando-se por golpes civis e militares. A Folha continuou como ideóloga conservadora. Tendo agora a concorrência dos Evangélicos Pentecostais... A esquerda, mesmo pela primeira vez na história, tendo amplo direito de registrar partidos e ter seus meios de comunicação, continuo fraca organicamente. O Brasil se deu ao luxo de ter 35 partidos políticos, sendo 30 de centro direita e 5 de centro esquerda... A Folha, como principal jornal do país, até pelo desgaste que teve ao apoiar mais uma vez um golpe de Estado, contra o PT e contra Dilma Russeff, partiu para fundamentar sua proposta de “ditabranda”- ditadura com margem de liberdade e menos violência que outros países. O melhor exemplo de ditabranda são os Estados Unidos. Lá tem ampla liberdade cultural, esportiva e até política, desde que o negros e hispânicos não se transformem em maioria nacional, ameaçando a hegemonia branca, protestante e capitalista imperialista internacionalmente. Lá, nos Estados Unidos, tem a democracia do big stick, ou obedece ou apanha... As críticas aos modelos imperialistas capitalistas, não significam que os modelos stalinistas sejam ou seriam melhores. Ao contrário, nestes modelos, o que menos se tem é liberdade. Precisamos criar novos modelos de hegemonia, tanto para a esquerda como para a direita. Na Folha que se comemora os cem anos, com mil folhas, as representações institucionais desapareceram, os partidos políticos, o judiciário, o legislativo, os movimentos sociais de esquerda, todos eles não estavam presente no jornalzão, que pareceu o Estadão de domingos dos anos 70. A Folha, ao estimular a sociedade civil, sem partidos, sem judiciário e sem esquerda, reforça o niilismo cínico e quase fascista representado pelos apoiadores de Bolsonaro. A própria Folha, entre um governo democrático com o PT no governo e um governo irresponsável e provocador de Bolsonaro que apoie o neoliberalismo com o enfraquecimento do Estado e o fortalecimento das empresas sobre as instituições, incluindo partidos políticos, a Folha prefere este governo de Bolsonaro. ”Delenga Cartago”, já dizia o imperador de Roma, destruam Cartago, como de fato foi destruída. A Folha lidera uma campanha permanente contra o PT e contra Lula. A Folha, como tradicionalmente a elite nacional, aceita oposição deste que esta seja consentida, isto é, não questione a hegemonia do neoliberalismo nem da subserviência aos Estados Unidos. A Folha também não defende um Brasil soberano e competitivo internacionalmente. FHC explicitou bem esta política e o PSDB continua defendendo esta posição subserviente. Como isto reflete na disputa presidencial de 2022? Reflete com a tentativa da Folha em cooptar pessoas como Ciro Gomes, Boulos e todos aqueles que aceitem, direta ou indiretamente, fazer este jogo de destruição da fora eleitoral do PT e de Lula. Todos dizem diariamente que é necessário criar uma força eleitoral de centro, que possa derrotar Bolsonaro pela direita e o PT pela esquerda. O problema continua o mesmo: E se o povo votar novamente no PT para presidente, a Folha e seus parceiros vão organizar novo impeachment ou novas campanhas para tornar pessoas como Lula inelegíveis? A Folha diz que a partir de agora acatará a vontade eleitoral do povo. Mas, só o tempo vai provar isto. Por enquanto, todos sabemos o que a Folha fez no verão passado... Se a Folha deve mudar para melhor, o mesmo deve acontecer com o PT. O PT deve superar o ressentimento por ter sofrido um golpe de Estado que só aconteceu porque o PT também facilitou, cometendo erros de formas e de conteúdo. O novo desafio de todos nós é: Vamos ajudar o povo brasileiro, principalmente os pobres e a classe média a ter um país rico com um povo que participa efetivamente dos seus benefícios, ou vamos deixar o neoliberalismo acabar de destruir o que vem sendo destruído desde a posse de FHC? Voltando à Roma mais uma vez: A sorte está lançada!

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