sábado, 13 de fevereiro de 2021

A Folha é outra. Viva Mario Sergio Conti

A Folha tinha charme e nós tínhamos sonhos A Folha é outra. Nós também. Da janela do apartamento olho a chuva deste domingo, enquanto não para de cover, faço o sudoku e depois procuro o artigo de Mario Sergio Conti, na Folha, para ver sobre o que ele escrevera. Escreveu sobre a Folha, a maldita Folha, que nos deu tanta alegria e ultimamente tem nos dado tanta tristeza... Fui lendo o artigo e fui percebendo que convivemos o esmo período de militância, mas não me lembro de ter tido contato direto com ele... mas, vou compartilhar sobre aquele Brasil dos anos 70. Em 1977, eu e Gushiken, ainda estudávamos na GV, mas já fazíamos forte militância nos bancários. “Foi um período de greves, passeatas, assembleias... de manhã, ajudava em piquetes de bancários, professores, eletricitários... Até que em maio de 1979, os jornalistas entraram em greve." Um erro de leitura e de comportamento. 1979 foi depois de 1978, quando aconteceram as greves de São Bernardo: Braços cruzados – Máquinas paradas. A Libelu tentou generalizar o modelo de “braços cruzados – máquinas paradas”. Este modelo já não tinha dado certo nos bancários em 1978. Tentar reproduzi-la nos jornalistas, foi insistir num erro. Mesmo com as greves derrotadas, elas foram importantes para derrubar a ditadura e para ganhar as eleições dos sindicatos... "Cismei de reinventar o Folhetim." Ótima ideia. O interessante foi que ao propor a materialização da ideia, o dono do jornal, respondeu: "É interessante, mas você não fará isso. Você irá tirar os acadêmicos do Estadão e trazê-los para a Folha. Temos de ser o jornal da intelectualidade, da USP." Isto é visão estratégica! O dono da Folha, o pai, sabia que, trazendo a intelectualidade para a Folha, esta seria o maior e melhor jornal do Brasil. E a esquerda o ajudou a viabilizar o objetivo. O que foi correto. A Folha é outra... conclui melancólico Mario Sérgio Conti. Realmente, enquanto o pai, dono da Folha, soube tornar o jornal o maior e melhor jornal do Brasil, o filho não soube manter a mesma ousadia. A Folha teve seu clímax na campanha das Diretas Já, e, de lá para cá, foi interferindo na democracia, tornou-se braço do PSDB e do governo americano, culminando com a participação direta no golpe de Estado contra Lula, Dilma e o PT. Um erro histórico... Eu sempre assinei a Folha. Continuo assinando, embora com uma tristeza, por vê-la ter preferido ser um negócio, a ser uma bandeira à serviço da liberdade, da democracia e da coragem de ganhar ou perder, sem abrir mão dos recursos e instrumentos democráticos. A opção errada da Folha ajudou a levar o Brasil para o que é hoje no governo Bolsonaro. Todos perdemos. A Folha é uma das poucas empresas ainda controladas por brasileiros. O Brasil já não têm indústria nem industriais. A Fiesp perdeu sua autonomia e seu brilho. As forças ocultas, como a Folha, que apoiaram o golpe, também entregaram a nossa soberania nacional. A Folha pode estar inquieta na política, mas economicamente, continua neoliberal e a serviço da linha intervencionista americana. Um outro Brasil ainda é possível. Nossos sonhos continuam. A luta não foi em vão. Ainda há um resquício de liberdade e pluralidade na Folha, e é este pequeno espaço que mantêm pessoas brilhantes como MARIO SERGIO CONTI.

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