domingo, 28 de fevereiro de 2021

Mais um debate sobre a Folha de 100 anos

A Folha das mil folhas... Da ditadura da minoria à ditadura da maioria O pós segunda guerra mundial espalhou pela Terra ditaduras civis e militares que, combinadas com a guerra fria, legalizava o terror e a repressão. Os conservadores que vinham governando e se apropriando da maior parte da riqueza gerada se juntaram para preservar seu status quo. Da mesma forma que a primeira guerra mundial ajudou a reduzir às monarquias, a segunda guerra estimulou a independência das colônias, mesmo com guerra civil com Angola e Moçambique, ou com ditaduras civis ou militares. O mundo enfrentava três modelos de governos: as ditaduras de direita sustentadas política e militarmente pelos Estados Unidos, as ditaduras de esquerda, aliadas ao bloco soviético, e, uma parcela, minoritária porém importante, de países que praticavam governos democráticos, sem ditadura militar ou civil. O Brasil manteve-se aliado aos Estados Unidos, que unificou a classe dominante nacional em 1964, contra qualquer possibilidade de o Brasil tentar copiar Cuba de Fidel. A classe dominante aqui inclui a imprensa, a Igreja católica, o judiciário e o legislativo. Com o crescimento econômico e a inclusão da maioria da população aos bens de consumo, além da estruturação e consolidação do Estado como instrumento de dominação conservadora, isto é, o povo pode ser consumidor e mão de obra, mas não pode ser hegemonia. O melhor argumento para se defender esta forma de governo era a necessidade de concentrar a riqueza para gerar poupança e investimentos que dariam competitividade econômica internacional. O bolo deveria crescer para depois ser distribuído. Com o período de redemocratização no mundo, principalmente depois que a União Soviética implodiu, abriu-se a possibilidade de o povo ter direito de se organizar em partidos, sindicatos e imprensa livre. Mas, o judiciário e o legislativo continuaram com estruturas conservadoras. A grande maioria de juízes manteve-se conservadora – até hoje – e a legislação partidária e eleitoral faz com que o povo eleja presidente mas não tenha maioria progressista no legislativo. Facilitando a aplicação de impeachments contra candidatos progressistas e obstruções aos modelos econômicos distributivistas. Isto é, de inclusão econômica e social. No novo impasse de crise de hegemonia vivido pelo Brasil, a imprensa continuou posicionando-se por golpes civis e militares. A Folha continuou como ideóloga conservadora. Tendo agora a concorrência dos Evangélicos Pentecostais... A esquerda, mesmo pela primeira vez na história, tendo amplo direito de registrar partidos e ter seus meios de comunicação, continuo fraca organicamente. O Brasil se deu ao luxo de ter 35 partidos políticos, sendo 30 de centro direita e 5 de centro esquerda... A Folha, como principal jornal do país, até pelo desgaste que teve ao apoiar mais uma vez um golpe de Estado, contra o PT e contra Dilma Russeff, partiu para fundamentar sua proposta de “ditabranda”- ditadura com margem de liberdade e menos violência que outros países. O melhor exemplo de ditabranda são os Estados Unidos. Lá tem ampla liberdade cultural, esportiva e até política, desde que o negros e hispânicos não se transformem em maioria nacional, ameaçando a hegemonia branca, protestante e capitalista imperialista internacionalmente. Lá, nos Estados Unidos, tem a democracia do big stick, ou obedece ou apanha... As críticas aos modelos imperialistas capitalistas, não significam que os modelos stalinistas sejam ou seriam melhores. Ao contrário, nestes modelos, o que menos se tem é liberdade. Precisamos criar novos modelos de hegemonia, tanto para a esquerda como para a direita. Na Folha que se comemora os cem anos, com mil folhas, as representações institucionais desapareceram, os partidos políticos, o judiciário, o legislativo, os movimentos sociais de esquerda, todos eles não estavam presente no jornalzão, que pareceu o Estadão de domingos dos anos 70. A Folha, ao estimular a sociedade civil, sem partidos, sem judiciário e sem esquerda, reforça o niilismo cínico e quase fascista representado pelos apoiadores de Bolsonaro. A própria Folha, entre um governo democrático com o PT no governo e um governo irresponsável e provocador de Bolsonaro que apoie o neoliberalismo com o enfraquecimento do Estado e o fortalecimento das empresas sobre as instituições, incluindo partidos políticos, a Folha prefere este governo de Bolsonaro. ”Delenga Cartago”, já dizia o imperador de Roma, destruam Cartago, como de fato foi destruída. A Folha lidera uma campanha permanente contra o PT e contra Lula. A Folha, como tradicionalmente a elite nacional, aceita oposição deste que esta seja consentida, isto é, não questione a hegemonia do neoliberalismo nem da subserviência aos Estados Unidos. A Folha também não defende um Brasil soberano e competitivo internacionalmente. FHC explicitou bem esta política e o PSDB continua defendendo esta posição subserviente. Como isto reflete na disputa presidencial de 2022? Reflete com a tentativa da Folha em cooptar pessoas como Ciro Gomes, Boulos e todos aqueles que aceitem, direta ou indiretamente, fazer este jogo de destruição da fora eleitoral do PT e de Lula. Todos dizem diariamente que é necessário criar uma força eleitoral de centro, que possa derrotar Bolsonaro pela direita e o PT pela esquerda. O problema continua o mesmo: E se o povo votar novamente no PT para presidente, a Folha e seus parceiros vão organizar novo impeachment ou novas campanhas para tornar pessoas como Lula inelegíveis? A Folha diz que a partir de agora acatará a vontade eleitoral do povo. Mas, só o tempo vai provar isto. Por enquanto, todos sabemos o que a Folha fez no verão passado... Se a Folha deve mudar para melhor, o mesmo deve acontecer com o PT. O PT deve superar o ressentimento por ter sofrido um golpe de Estado que só aconteceu porque o PT também facilitou, cometendo erros de formas e de conteúdo. O novo desafio de todos nós é: Vamos ajudar o povo brasileiro, principalmente os pobres e a classe média a ter um país rico com um povo que participa efetivamente dos seus benefícios, ou vamos deixar o neoliberalismo acabar de destruir o que vem sendo destruído desde a posse de FHC? Voltando à Roma mais uma vez: A sorte está lançada!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Os Yamane fazem aniversário...

Como, além do aniversário de Sr. Yamane, 25, há também os aniversários de Tica, 23, e amanhã o de Reiko,26, gosto de lembrar a saga dos Yamanes. Uma bela história... Yassuo Yamane – Uma história de sucesso no Brasil Um aniversariante especial – Yassuo Yamane Nascido no dia 25 de fevereiro de 1912, em Tottori, no Japão, a família Yamane chegou ao Brasil no dia 28 de setembro de 1926, tendo saído do Japão em 28 de julho, portanto, depois de três meses dentro do navio. Os sonhos e esperanças neste Brasil continental logo mostraram que não eram fáceis de se realizarem. As condições de trabalho eram precárias e os Yamanes montaram uma estratégia familiar para ter suas próprias terras ou trabalhar na cidade. Em 1926, o mundo fervia, o Brasil crescia e ninguém imaginava o que seria1929... Com a crise do café e depois de anos na agricultura, Yassuo Yamane, pediu autorização à família e foi aprender a trabalhar no comércio, nas lojas de outros imigrantes japoneses, em São Paulo, em 1936. Em 1937 veio trabalhar em Bilac e em 1939, Yassuo Yamane compra sua primeira loja na cidade de Bilac. Em 1951, muda com a família para Birigui e compra uma loja. Em 1966 abriu o primeiro supermercado de Birigui, depois abrindo novas unidades do Supermercado Yamane. Acompanhando o crescimento econômico do Brasil. Com o sucesso econômico, também vieram o casamento e os filhos. Foram onze filhos... Os onze filhos estudaram, cursaram universidades e viveram felizes...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Militares ou Chicago's boys - E o Povo brasileiro?

Jornais ocidentais repudiam o fato de o presidente do Brasil, militar Bolsonaro, ter indicado um general para a presidência da Petrobras. O "mercado", que na verdade são os representantes dos banqueiros e dos investidores conservadores, diz que não pode ter militares dirigindo as estatais, que estas devem ser privatizadas à preços de bananas, como fizeram e fazem os governos do PSDB. Bolsonaro estaria quebrando o compromisso com o mercado. Acontece que este compromisso com o mercado, na verdade signficou que Bolsonaro faria as mudanças nas leis sociais e Guedes, o porta-voz dos Chicagos's boys, cuidaria da economia e das estatais. Ambos contra as conquistas sociais e a favor da concentração de renda. Só que a economia deve estar à serviço do povo e das empresas, mas o povo deve vir em primeiro lugar. Para os neoliberais, povo é passivo, é despesa, é cuidar de pobres e de doentes, duas grandes fontes de problemas... Entre o povo e as empresas, ironicamente, Bolsonaro prefere o povo, porque ele gostou de estar na presidência e quer ser reeleito em 2022. Mesmo que, para isto, ele tenha que contrariar o "mercado", os especuladores, os mercenários e os entreguistas da Soberania Nacional. Enquanto Bolsonaro dá uma guinada à Venezuela, buscando respaldar-se nos militares e no povão, o PSDB vai percebendo que não terá chance nas eleções de 22, e a China aproxima-se cada vez mais da Índia, deixando o Brasil de lado... Ao mesmo tempo que China, Índia e Rússia crescem economicamente e vendem VACINAS, o Brasil afasta-se da economia, da política e do social internacionalmente. O Brasil anda para trás. E a culpa não está nos militares atuais que estão nos cargos públicos. Se os combustíveis tiveram 30% de reajuste e os salários zero ou 1%. Quem está errado, com certeza, não são os militares, são os neoliberais, que fazem o povo de bobo. Os representantes da elite nacional - banqueiros, empresários em geral, imprensa, judiciário, acadêmicos e religiosos - na sua maioria, apoiaram a derrubada do governo Dilma/PT e preferiram ver o Brasil nas mãos de Bolsonaro a deixar o Brasil ser governado pelo PT. Portanto, não têm o que reclamar, tem que trabalhar e ajudar a tirar o Brasil da crise. Afinal, é importante lembrar que "nem sempre ser louco é ser burro", e Bolsonaro tem muito de louco e oportunista, mas de burrice, ele tem muito pouco. Até as eleições gerais de 2022 muita coisa vai acontecer.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Provocações de Kennedy Alencar

Bolsonaro acerta ao questionar política de reajuste de combustíveis Kennedy Alencar - Colunista do UOL 22/02/2021 11h59 O presidente Jair Bolsonaro acerta ao questionar a política da Petrobras para reajustar os preços dos combustíveis. A gasolina já subiu mais de 30% só neste ano. O diesel bateu quase nos 30% no mesmo período. Em uma situação normal, o impacto de reajustes dessa magnitude provocaria danos na economia na real. Num ano de pandemia, agravam ainda mais os efeitos econômicos sobre os mais pobres. Pessoas que se cotizam para viajar de carro do entorno de Brasília a fim de vir trabalhar no Plano Piloto se dizem preocupadas. É gente que gastaria duas horas num ônibus para ir e mais duas horas para voltar que deu um jeito de fazer esse trajeto em uma hora, uma hora e meia. Esse pessoal pagaria R$ 15,00 para ficar de pé num ônibus durante umas quatro horas. Mas essas pessoas preferem o "luxo" de viajar sentadas num carro a R$ 16,00 (ida e volta). Isso é a vida real de muitos brasileiros que não trabalham na Faria Lima. Nem é preciso comentar o efeito no trabalho de caminhoneiros, motoristas de aplicativos e taxistas. O impacto negativo no mercado financeiro também afeta a economia. Isso não pode ser negado nem desprezado. Como sempre, Bolsonaro errou na forma. Quer instalar mais um general na cúpula do governo com a indicação de Joaquim Silva e Luna para presidir a Petrobras. É um retrato da venezuelização que Bolsonaro implementa sem constrangimento. Vai dar trabalho tirar esses militares das estruturas civis. Mas voltemos à Petrobras. Quem compra uma ação da empresa sabe que o acionista majoritário é o estado brasileiro. A Petrobras é um dos alicerces da cambaleante economia brasileira. Tem impacto em diversas cadeias produtivas. Com aval de uma imprensa que só defende o lado do "mercado", é fácil ter ações de uma empresa estatal querendo que ela se comporte como se privada fosse. Se der prejuízo, o Tesouro cobre. Se der lucro, maior distribuição de dividendos e realização de lucros ao vender ações. É óbvio que os direitos dos acionistas minoritários devem ser respeitados. Mas, se o investidor não quer correr o risco de uma intervenção governamental na empresa, pode comprar ações de companhias privadas. Uma política de reajuste completamente atrelada ao dólar, com aumentos em períodos tão curtos, causa distorções na economia. Não deveria ser pecado debater isso. Encontrar uma fórmula que amenize choques de preço é algo bem capitalista. O "deus mercado" sabe disso, mas também sabe que o Brasil tem uma elite predatória e egoísta que se lixa para os mais pobres e as suas vidas reais. Detalhe: os motoristas que fazem o transporte de passageiros do entorno de Brasília ao Plano Piloto evitaram repassar automaticamente a subida da gasolina e absorveram, por enquanto, a elevação. Mas parece heresia pedir à Petrobras maior previsibilidade para os preços cobrados dos consumidores. O hipócrita Os democratas de pandemia que agora atacam Bolsonaro sabiam que comprovam gato por lebre. O "moderadinho do Brasil", Luciano Huck, passou a tuitar sobre negacionismo e confiança. Ele se posiciona como alternativa "aos extremos". Ora, extremismo é votar em Bolsonaro achando que ele teria chance de ouro de ressignificar a política no Brasil. É uma figura com essa capacidade de discernimento que se apresenta como alternativa presidencial, com a torcida de muitos jornalistas. Sério? Não tem Armínio Fraga que dê jeito. O que aconteceu com Paulo Guedes, o selo de garantia para controlar Bolsonaro? Quando uma pessoa se senta na cadeira de presidente, ela faz o que lhe dá na telha. O preparo para o posto conta muito. Viajar de jatinho para fazer caridade televisiva não é conhecer os rincões do Brasil. Huck é um hipócrita e despreparado. Não dá para deixar passar batido. Como diz a máxima, as consequências vêm depois. O autoritário Agora a gente sabe qual era o plano do procurador Deltan Dallagnol para indicar ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Estabelecer uma lista tríplice escolhida pela fina flor do corporativismo de um Judiciário cheio de privilégios. Tratava-se um projeto de ditadura da toga. É justo registrar outros dois acertos de Bolsonaro. Tirou Sergio Moro da 13ª Vara Federal de Curitiba e não aceitou sugestão de seu então ministro da Justiça para indicar Deltan Dallagnol para a Procuradoria Geral da República. Essa gente é perigosa. Mudou a história do país para ajudar Bolsonaro a se eleger. No caminho, destruiu setores da economia brasileira e corrompeu a lei processual penal . Esses moralistas sem moral são responsáveis pelo agravamento da tragédia brasileira.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Democracia como prática de liberdade

Democracia no dia a dia Há várias formas de se identificar se uma pessoa ou uma instituição pratica a democracia ou não. 1 - Na relação empregatícia, sempre quem paga, tem mais poder do que quem recebe. A não ser que haja um contrato escrito com os itens mais relevantes bem definidos. Jornada de trabalho, critério de remuneração e de progressão na empresa. 2 – Nas escolas, a tradição é que o professor tenha mais poder do que o aluno, embora, cada vez mais os professores tenham menos autoridade sobre os alunos. Principalmente pela intervenção dos governantes, tanto no conteúdo, como nas relações. 3 – Em casa, a tradição também é que, quem tem mais dinheiro tem mais poder, porém, há muitos casos em que as mulheres, mesmo sem ter emprego e ter a renda bem menor do que o marido, elas tenham mais autoridade e mais poder em casa. 4 – Nas relações com as instituições como judiciário, polícia e governantes, a regra é que o representante da instituição tenha mais poder que o cidadão envolvido. 5 – Atualmente, ganha força a necessidade de haver uma equidade entre as etnias, gêneros e opções das pessoas na representação. Aqui a ausência da democracia é mais evidente. O Brasil de hoje tem mais mulheres que homens, tem mais negros e pardos que brancos e quanto às opções a relação é mais gritante. As religiões também estão interferindo nas democracias. 6 – A imprensa atualmente vem tendo mais peso na formação das pessoas do que deveria e isto faz com que a imprensa sinta-se mais importante que a OAB, o Legislativo, o Judiciário e até os eleitores. Herança do iluminismo... Todos os itens anteriores devem fazer parte do quotidiano das pessoas, desde a infância. Sociedades autoritárias como as mais pobres, as religiosas e as fechadas etnicamente, como Japão e Israel, fazem com que a evolução do autoritarismo para a efetiva participação coletiva das comunidades seja mais lenta. No caso do Brasil e da América Latina, saímos de um período de ditaduras civis e militares, para um período democrático, com crescimento econômico e integração social. Este período democrático está sob ataque diário dos setores conservadores. Aproveitando-se das crises econômicas, os conservadores acusam os progressistas de incompetentes. E isto se faz visível em todos os setores citados acima. No golpe de Estado em Miammar, além de prender a presidente, os militares suspenderam o acesso à informática e às redes sociais. O Brasil, mais civilizado e desenvolvido economicamente, recorreu-se ao judiciário, ao legislativo e à imprensa. Não precisou dos militares, embora estes estivessem na espreita... Continuaremos melhorando nossa democracia no dia a dia, ou, nos deixaremos ser dominados explicitamente por ditaduras brancas, machistas e manipuladoras? A resposta para isto está nas pequenas atividades do dia a dia.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Aprendendo e ensinando a ler a Folha no seu aniversário

No aniversário da Folha... 15 contribuições ao jornal Folha Não é qualquer empresa que consegue sobreviver por 100 anos. Por si já é um grande feito. Mas a Folha não é qualquer empresa, é um grande negócio de comunicação. E, se qualquer empresa precisa de bons governos, os jornais e a mídia em geral, precisam muito mais... Hoje a Folha completa 100 anos de vida. Merece a saudação de todos. Tanto dos que a amam, quanto dos que a odeiam. Eu, como tenho uma relação de “amor e ódio”, e a leio há 50 anos, sinto-me no direito de fazer algumas observações ao jornal. A Folha conhece bem um livro de um jornalista inglês como o nome “A primeira vítima”, explicando que, na guerra, a primeira vítima é sempre a verdade. A Folha diz muitas verdades, como também diz muitas meias-verdades e várias mentiras... Li o Editorial de hoje e fui anotando e numerando os pontos onde poderia fazer observações. Não vou reproduzir a íntegra do Editorial porque é longo e eu tentei copiar mas é cansativo. Portanto, vão apenas minhas críticas contextualizadas... 1 – A Folha identifica-se como uma organização “que tem como atividade o jornalismo profissional e crítico.” Já no primeiro parágrafo duas afirmações discutíveis: 2 – “A celebração é espartana, conforme o momento e a praxe interna”. Concordo. O Brasil com mais de 240 mil mortos e no caos que se encontra não pode ter comemorações escandalosas. Eu mostraria que o jornal fez a melhor cobertura sobre a pandemia que afetou o mundo. 3 - O jornal não é o mesmo de 1921. Nem o Brasil, nem o mundo. O traço moderno e inquieto viria a definir seu DNA, e lhe daria o “espírito de imigrante”. 4 – Foi a partir dos anos 70, que a Folha ganhou relevo nacional. Primeiro, quando abriu-se para o debate público e depois com a campanha das Diretas. 5 – Seu compromisso basilar é com o jornalismo apartidário, crítico e pluralista. Outra sabedoria da Folha: Com 30 partidos de direita e 5 partidos de centro-esquerda, a Folha teria dificuldade em escolher qual dos 30 partidos melhor lhe representa. Embora todo mundo veja que a Folha morre de amores pelo PSDB. 6 – “Ao expressar seus pontos de vista, o jornal abraça a defesa de ideias, nunca de candidatos. “ 7 – O jornal se sabe falho e não pretende impor certezas – eis o que move seu pluralismo. Suas páginas continuam abertas a manifestações de todos os setores da sociedade e a diferente versões e interpretações dos fatos. 8 – A Folha é o único dos grandes veículos brasileiros a manter um profissional que é encarregado de fiscalizar a si próprio. 9 – O jornal reflete os mecanismos de governança mais exitosa jamais concebida pela humanidade, O ESTADO DEOCRÁTICO DE DIREITO. 10 – A Folha não acredita que seja possível o desenvolvimento material e o espiritual fora dos marcos DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA. 11 – Cumpre desconcentrar o poder e diluir a democracia. 12 – O jornal milita pelo consenso iluminista, a defesa das liberdades individuais. 13 – Pela primeira vez sob a Constituição de 1988, os veículos como a Folha se defrontam com um adversário do regime, adorador de autocratas e torturadores, na presidência da República. 14 – Os desejos de destruição da imprensa independente, que com tanta frequência escapam da boca do mandatário, são manifestações de uma contrariedade mais profunda. 15 – A causa da Folha é maior e mais forte. O jornal seguirá dando sua contribuição à democracia por um desenvolvimento justo, solidário e democrático. Palavras, palavras, belas palavras... Porque a Folha, ao completar 100 anos de existência, em tão longo e belo Editorial, não escreveu nem uma palavra sobre sua participação na direção do golpe de Estado contra o governo do PT, na gestão de Dilma, primeira mulher eleita democraticamente presidente do Brasil? Sem ficar claro para o povo brasileiro, a Folha foi um dos coordenadores de mais um golpe de Estado contra os poderes constituídos. Ao, mais uma vez, passar por cima da democracia, a Folha não pode reclamar de Bolsonaro. A Folha fez parte dos que fizeram o possível e o impossível para que a direita voltasse a governar no Brasil, mesmo que, para isso, tivessem que abrir mão da soberania nacional e eleger um louco, fascista e despreparado para governar um país que é um continente com mais de 210 milhões de brasileiros. Terá sido um “ato falho ”. Nestes meus 50 anos de convivência com a Folha, tenho mais elogios do que críticas. Porém, isto não isenta a Folha da profunda responsabilidade perante à História e a qualidade de vida do Brasil.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

As Forças Ocultas estão interferindo nas publicações

Falar de política está mais difícil que falar de sexo Quanto mais evolui a tecnologia, mais as pessoas demoram a entender o que eastá acontecendo. Com este negócio de o Brasil ter um governo de doidos, milicianos e evangélicos pentecostais, a censurta vem aumentando nas mais diversas formas. O judiciário quer dizer qual é o seu critério de verdades e mentiras; os políticos acam que podem falar qualquer coisa; a polícia agora se misturou com os evangélicos e mandatos parlamentar e viramos o samba do criolo doido. Sobrou até para as Forças Armadas. Um general com boa tradição, achou que podia escrever conforme o clima nos quarteis. Pronto, virou o forrobodó danado. Os blogueiros, que eram afiados em xingar e tirar sarro de todo mundo, de repente começaram a ficar com medo... Vai diminuindo a democracia, a liberdade de expressão e de reunião, as pessoas são estimuladas a comprar armas e muita munição e, quando aparecer alguém estranho em sua casa, pode atirar que o governo lhe protege... Se, para os moralistas, falar de sexo é pecado, agora falar de política ficou muito mais perigoso. Eu, que sempre gostei de falar de flores e aniversário, comecei a ver meus textos desaparecerem e a quantidade ficar quase zero. Mesmo com o fato de o blog ser mais lido no exterior do que no Brasil. As Forças Ocultas também censuram as redes sociais. Que pena.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Maria Bethânia também gritou: Eu quero vacina, saúde, cultura e educação

Bethânia mexe com nossos corações e mentes 1968 foi o ano das trevas no Brasil. Mas isto não impediu de pessoas como Bethânia, Caetano, Gal e Gil brilharem. Bethânia fez um belíssimo live e fez muito setentão chorar de emoção. Começaria tudo outra vez, se possível fosse meu amor… Olhos nos olhos, quero ver o você faz.. ao saber que sem você eu passo bem demais. Se, por um lado, desafiávamos a ditadura military, por outro lado sofríamos com as separações e depois descobríamsos que poderíamos ser mais felizes, separados. Bethânia, nestes anos todos, manteve a paixão como tema. “Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar…” Agora, junto com a paixão, Bethânia grita: “Eu também quero vacina, respeito, verdade e misericórdia!” E o teatro vem abaixo: Fora Bolsonaro, abaixo a repressão! Aí eu me lembro que foi um live, não tinha multidão presente, cada um em sua casa gritava, chorava e dizia: Valeu a pena. Vamos ter que começar tudo outra vez. E, como toda vez que eu escrevo sobre as coisas que saem na Folha, meus amigos pedem para mandar cópia do artigo publicado, eu já vou divulgando os doi. A minha fantasia neste carnaval e o artigo também emocionado de Thales de Menezes. Live de Maria Bethânia repete a performance impecável de seus shows 14/02/2021 - Ilustrada - Folha – Thales de Menezes Live de Maria Bethânia repete a performance impecável de seus shows. Cantora mesclou clássicos a faixas de 'Noturno', disco de inéditas que lança daqui a algumas semanas. “Eu quero vacina, respeito, verdade e misericórdia.” Essa declaração foi uma das muitas que Maria Bethânia deu ao público virtual nos intervalos entre canções e poemas que apresentou em sua primeira live transmitida pela Globoplay na noite de sábado (13). Outra que disparou foi: “Obrigado a todos que confiam no meu canto!”. Nessa frase, uma constatação: como duvidar de uma cantora que, aos 74 anos, segue sendo uma força da natureza? Quem acompanhou as turnês recentes de Bethânia ficou acostumado a performances que flertam com a perfeição, quase sempre alcançando esse grau de perfeição. São shows meticulosos, exaustivamente ensaiados, nos quais a cantora exibe um domínio completo sobre tudo a seu redor. Da primeira à última nota, Bethânia transportou esse rigor para uma live que poderia ser talvez uma faceta mais descontraída de seu contato com o público, mesmo virtual. Mas não. Ela entrega sempre o modo impecável de ser e de cantar, o que é ótimo! Em tempos normais, seria até uma prévia da próxima turnê, com o material de “Noturno”, disco de inéditas que lança daqui a algumas semanas. Ofereceu uma pitada de canções novas, encaixadas dentro de uma seleção de sucessos antigos e algumas surpresas. E a volta ao passado foi radical. Bethânia declamou um texto que integrou o musical “Opinião”, um dos mais contestadores shows do período inicial da ditadura no país. Há exatos 56 anos, em 13 de fevereiro de 1965, ela substituiu Nara Leão no elenco do espetáculo, a convite da própria. Foi sua estreia nos palcos cariocas. E sua relação com 13 de fevereiro não parou por aí. Em 2016, nessa mesma data, ela desfilou na Mangueira, campeã do Carnaval naquele ano com um enredo sobre sua carreira. Mais forte do que hits conhecidos ou as novas (e boas) músicas extraídas de “Noturno” foi um bloco “de protesto” que surpreendeu em dois momentos seguidos. Primeiro, a versão dela para “2 de Junho”, música que Adriana Calcanhotto escreveu e lançou em single no ano passado. O vozeirão de Bethânia dá mais impacto ainda ao contundente lamento inconformado sobre a morte do menino pernambucano de cinco Miguel. Ele caiu do nono andar de um prédio quando deveria estar sob cuidados da patroa de sua mãe, um caso de comoção nacional. Em seguida, talvez na apresentação mais poderosa da noite, Bethânia emendou “Cálice”, música que é um dos principais hinos contra o regime militar, gravada em dueto por Chico Buarque e Milton Nascimento em 1978. Foi composta em 1973 por Chico e Gilberto Gil. Em um de vários deslizes do gerador de caracteres da Globoplay, que mostrava em legendas nomes e autores da músicas, foi creditada apenas a Chico Buarque. Do disco prestes a sair, Bethânia mostrou sua afinada colaboração com o violonista e compositor paulista Paulo Dáflin, cantando dele “Lapa Santa” e “De Onde Eu Vim”. Dáflin integrou o quarteto que acompanhou a cantora na live de quase 70 minutos. Ele tocou violão e guitarra, ao lado do violonista João Camarero, do percussionista Marcelo Costa e do baixista Jorge Helder, um dos produtores de “Noturno”. Mais do que se preocupar com hits, o roteiro do show reforçou a aposta de Bethânia em compositores que se acostumou a gravar nessas décadas de carreira. Chico Buarque também esteve presente em “Olhos nos Olhos” e “Sonho Impossível”, esta parceria com o cineasta Ruy Guerra. A Globoplay deu crédito de autoria à dupla, sem explicar que é uma versão de canção de Mitch Leigh e Joe Darion do musical americano “Man of La Mancha”. Chico Cesar autor que cada vez mais Bethânia inclui em seu repertório, teve três músicas na noite. Entre elas, uma apresentação emocionante de “Luminosidade”, que ela dedicou ao irmão Caetano. Aproveitou para dizer que gostaria de ouvir o afilhado Zeca, filho de Caetano, cantando essa música. O baiano Roque Ferreira, outro compositor querido, teve também três canções no setlist. Dele, “Lágrima” foi um grande momento. E emocionante foi o resgate de Gonzaguinha, um nome importantíssimo na bagagem de Bethânia. Ela abriu e fechou o show com sucessos estrondosos que conseguiu com canções dele. Iniciou a noite com uma versão capela de “Explode Coração” e fechou com “O que É, o que É”, que num show com plateia teria levado o público a subir nas cadeiras para dançar e berrar o refrão “É bonita, é bonita e é bonita”. Numa comparação quase inevitável, Bethânia fez uma live impecável, bem mais poderosa do que a recente do mano Caetano. Mas os dois exibiram reflexos do que são seus shows ditos “normais”. Caetano falou pelos cotovelos, sem nenhum texto ensaiado, foi repetitivo até. E chegou a ser titubeante em alguns números, como tem sido em suas turnês recentes e sempre emocionantes. Ela mostrou na live a mesma Bethânia dos shows, aquela em que seu público pode sempre confiar. Canções que tocam a memória afetiva das pessoas, intercaladas quase sem pausas com belos poemas, solidamente decorados, e o vozeirão que não dá o menor indício que um dia se enfraquecerá. Uma grande noite.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

A prova de que venderam a Soberania Nacional

Que Vergonha! Que tristeza! Habituados às delações traidoras, integrantes da Lava Jato se delataram em gravações Dallagnol tinha conhecimento da relação entre pretensões da CIA na eleição brasileira e a exclusão da candidatura de Lula por Janio de Freitas “Presente da CIA.” A frase começa por suscitar curiosidade com seu sentido dúbio e logo ascende, vertiginosa, à mais elevada das questões nacionais —a soberania. As três palavras vêm, e passaram quase despercebidas, entre as novas revelações das tramas ilícitas de Sergio Moro e Deltan Dallagnol, envoltas em abusos de poder e de antiética no grupo de procuradores. Seca, emitida como um repente fugidio de saberes velados, a frase de Dallagnol celebrava a informação mais desejada: Sergio Moro determinara, no começo da noite daquele 5 de abril de 2018, primórdio da campanha para a Presidência, a prisão do candidato favorito Lula da Silva. Na véspera, o Supremo Tribunal Federal acovardou-se ante a ameaça golpista do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. Por um voto de diferença, entregou a candidatura e, para não haver dúvida, o próprio Lula à milícia judicial de Curitiba. A frase pode dizer presente “da CIA” porque destinado à agência do golpismo externo dos Estados Unidos. Ou “da CIA” porque vindo da articuladora do presente. Não importa o que agora Dallagnol diga. Não será crível. O mesmo sobre quem embalou e entregou o presente, Sergio Moro. A dubiedade cede à certeza quando se trata do pré-requisito para que Dallagnol compusesse a frase. Em qualquer dos dois sentidos, a preliminar é a mesma: o coordenador da Lava Jato tinha conhecimento da relação entre pretensões da CIA na eleição brasileira e a exclusão da candidatura de Lula. Nem lhe ocorreu falar de candidatos favorecidos, nem sequer do êxito da ideia fixa que dividia com Moro e disseminara nos companheiros. Era a CIA na sua cabeça. Não faz muito, foi noticiado o envolvimento de agentes do FBI com a Lava Jato de Curitiba. FBI como cobertura, mas, por certo, também outras agências (NSA, Tesouro, CIA, por exemplo). Um grupo de 17 desses agentes chegou à Lava Jato em outubro de 2015, acobertado por uma providência muito suspeita: Dallagnol escondeu sua presença, descumprindo a exigência legal de consultar a respeito, com antecedência, o Ministério da Justiça. Eram policiais e agentes estrangeiros agindo com a Lava Jato, não só sem autorização, mas sem conhecimento oficial. Violação da soberania, proporcionada por procuradores da República, servidores públicos. Caso de exoneração e processo criminal. O sigilo é tão mais suspeito quanto era certo que o governo nada oporia, como não veio a opor. Há até uma delegação permanente do FBI no Brasil, trabalhando inclusive em assuntos internos como as investigações de rotas do tráfico. O motivo real do sigilo é desconhecido, e só pode ser comprometedor. Também interessante é outra providência do coordenador. Logo depois da prisão de Lula, o obcecado Dallagnol viajou. Para os Estados Unidos. “Foi à Disney.” Logo naqueles dias tumultuosos, que lhe pareceram até exigir, como recomendou, medidas especiais de segurança dos integrantes da Lava Jato. Talvez se tenha que esperar por livros estrangeiros para saber o que foi e como foi, de fato, a Lava Jato conduzida por Deltan Dallagnol e Sergio Moro, este, hoje, integrado a uma empresa americana que lida com procedimentos do submundo empresarial. Mas nem tudo continua sob sombra ou como dúvida. Habituados às delações traidoras, os próprios integrantes da Lava Jato delataram-se em gravações. A procuradora Carolina Resende, por exemplo, não disfarçou o objetivo do grupo: “Precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1) pra nós da PGR”. Falou no melhor vernáculo miliciano.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

A Folha é outra. Viva Mario Sergio Conti

A Folha tinha charme e nós tínhamos sonhos A Folha é outra. Nós também. Da janela do apartamento olho a chuva deste domingo, enquanto não para de cover, faço o sudoku e depois procuro o artigo de Mario Sergio Conti, na Folha, para ver sobre o que ele escrevera. Escreveu sobre a Folha, a maldita Folha, que nos deu tanta alegria e ultimamente tem nos dado tanta tristeza... Fui lendo o artigo e fui percebendo que convivemos o esmo período de militância, mas não me lembro de ter tido contato direto com ele... mas, vou compartilhar sobre aquele Brasil dos anos 70. Em 1977, eu e Gushiken, ainda estudávamos na GV, mas já fazíamos forte militância nos bancários. “Foi um período de greves, passeatas, assembleias... de manhã, ajudava em piquetes de bancários, professores, eletricitários... Até que em maio de 1979, os jornalistas entraram em greve." Um erro de leitura e de comportamento. 1979 foi depois de 1978, quando aconteceram as greves de São Bernardo: Braços cruzados – Máquinas paradas. A Libelu tentou generalizar o modelo de “braços cruzados – máquinas paradas”. Este modelo já não tinha dado certo nos bancários em 1978. Tentar reproduzi-la nos jornalistas, foi insistir num erro. Mesmo com as greves derrotadas, elas foram importantes para derrubar a ditadura e para ganhar as eleições dos sindicatos... "Cismei de reinventar o Folhetim." Ótima ideia. O interessante foi que ao propor a materialização da ideia, o dono do jornal, respondeu: "É interessante, mas você não fará isso. Você irá tirar os acadêmicos do Estadão e trazê-los para a Folha. Temos de ser o jornal da intelectualidade, da USP." Isto é visão estratégica! O dono da Folha, o pai, sabia que, trazendo a intelectualidade para a Folha, esta seria o maior e melhor jornal do Brasil. E a esquerda o ajudou a viabilizar o objetivo. O que foi correto. A Folha é outra... conclui melancólico Mario Sérgio Conti. Realmente, enquanto o pai, dono da Folha, soube tornar o jornal o maior e melhor jornal do Brasil, o filho não soube manter a mesma ousadia. A Folha teve seu clímax na campanha das Diretas Já, e, de lá para cá, foi interferindo na democracia, tornou-se braço do PSDB e do governo americano, culminando com a participação direta no golpe de Estado contra Lula, Dilma e o PT. Um erro histórico... Eu sempre assinei a Folha. Continuo assinando, embora com uma tristeza, por vê-la ter preferido ser um negócio, a ser uma bandeira à serviço da liberdade, da democracia e da coragem de ganhar ou perder, sem abrir mão dos recursos e instrumentos democráticos. A opção errada da Folha ajudou a levar o Brasil para o que é hoje no governo Bolsonaro. Todos perdemos. A Folha é uma das poucas empresas ainda controladas por brasileiros. O Brasil já não têm indústria nem industriais. A Fiesp perdeu sua autonomia e seu brilho. As forças ocultas, como a Folha, que apoiaram o golpe, também entregaram a nossa soberania nacional. A Folha pode estar inquieta na política, mas economicamente, continua neoliberal e a serviço da linha intervencionista americana. Um outro Brasil ainda é possível. Nossos sonhos continuam. A luta não foi em vão. Ainda há um resquício de liberdade e pluralidade na Folha, e é este pequeno espaço que mantêm pessoas brilhantes como MARIO SERGIO CONTI.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Desqualificando e desacreditando a Democracia

Se quem deveria zelar pelas instituições do Estado e da Sociedade, os deputados, senadores, juízes, procuradores e até a imprensa publicam artigos e fazem declarações que, ao serem tornadas públicas, além de desqualificar as pessoas no exercício de funções de alta relevância, desacreditam a democracia. E, se a democracia náo for respeitada, nem legitimada, nem reconhecida pelo povo, a democracia fica fácil de ser encerrada com golpes civis e militares. E não adianta chorar o leite derramado. Todo mundo sabia que a Lava Jato era um processo político para dificultar ou impedir que o PT continuasse ganhando eleições. Criando todo um arcobouço midiático, jurídico e financeiro, internacional. Coneguiram o que queria, mas, ao terem acesso às formas como conseguiram viabilizar seus objetivos, os diálogos servem para desmoralizar o judiciário, a imprensa e o legislativo. Lamentável! Vergonhoso! Ou se restabelece a moralidade, a legalidade e a legitimidade, punindo os que abusaram de suas funções e reconhecendo os erros, ou será o fim de uma farsa. Que tristeza.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

O neoliberalismo não se sustenta eleitoralmente

Fracasso do neoliberalismo ajuda esquerda a ganhar eleições Quem promete o que não faz, não se reelege Temos nossas diferenças com Rafael Correa, ex-presidente do Equador, mas ele dá boa entrevista hoje na Folha, onde ele dimensiona a importância da economia nas disputas eleitorais. O dilema eleitoral nos países pobres, atrasados, subdesenvolvidos ou retardatários na economia internacional, é que “quando a esquerda ganha, ela não responde à grande expectativa de mudanças estruturais quantitativas que consolide as melhorias de qualidade de vida realizadas pelos governos de esquerda”. Por mais que a esquerda faça, sempre será menos do que o povo quer, facilitando o oportunismo da direita reacionária. Só que o mesmo acontece quando a direita ganha eleições contra a esquerda, prometendo que vai fazer mais do que a esquerda fez. O que, na maioria das vezes não acontece. Os fatores internacionais e a integração das economias locais com o comércio internacional são mais determinantes nos resultados eleitorais do que as hostilidades entre as esquerdas e as direitas dos países pobres de dinheiro e de clareza política. Neste jogo de demagogias e oportunismos dos dois lados, o povo tem cada vez mais votado de forma independente de ideologias e nomes partidários. “Quem faz passa a ter mais importância do que quem promete e não faz”. E este FAZER significa melhorar as condições de vida do povo em geral e particularmente a parcela do povo que necessita de saúde, educação, habitação e transporte de qualidade. Tem que ter números para mostrar ao povo. Se tiver resultado numérico e tiver também melhoria cultural e participativa, podemos dizer que é um governo progressista e democrático. Mas, se tiver os resultados positivos e o governante for autoritário, muitas vezes o povo também elege e reelege. Mas se não tiver melhorias para mostra, o povo fica contra, não interessa se é neoliberal, entreguista ou mercenário. Os argumentos da direita neoliberal e golpista para tentar se manter estão acabando, tendo como consequências as vitórias das esquerdas ou novos golpes de Estado para impedir que as esquerdas voltem. Aí quem desempata ou é o povo ou são as “forças ocultas””: judiciário, imprensa e congresso nacional”. Esta evolução tende a fortalecer a importância de candidatos moderados e que promovam a conciliação nacional e a efetiva melhora de qualidade de vida do povo. Ou fortalecemos a democracia, respeitando o direito de o povo escolher seus governantes, ou levaremos estes países à bancarrota. Todos somos responsáveis pelos caminhos a serem escolhidos.

Governo mudou de nome, agora é Centrão-Bolsonaro

Quer entender o quê acontece no Brasil? Leia os artigos de Maria Cristina Fernandes Num país onde todo mundo reclama e ninguém abre o jogo publicamente, ter alguém com a qualidade e a coragem de Maria Cristina Fernandes é uma referência determinante para entender o que se acontece no Brasil. Depois de denunciar o esquema das emendas parlamentares, hoje ela escreve sobre a autonomia do Banco Central e a aliança Centrão-Bolsonaro. Quem vai pagar a conta? Leia o artigo: Centrão dá autonomia ao BC e captura Anvisa Valor Econômico - Por Maria Cristina Fernandes – 11/02/2021 Desapego pela regulação sugere que bloco apenas acumula créditos para cobrar de Guedes em breve O novo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) escolheu o projeto que dá autonomia ao Banco Central para marcar sua estreia na condução da mesa diretora da Casa. Convém cautela, porém, com o zelo demonstrado pelo Centrão na regulação dos mercados. Se a preocupação é blindar o Banco Central das interferências políticas dos governantes de plantão, falta explicar por que o cuidado não é extensivo à Agência de Vigilância Sanitária, a mais importante das reguladoras de mercado no Brasil da pandemia. Quem lidera a pressão para submeter a Anvisa aos caprichos do lobby da vacina russa é o líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), outro integrante do núcleo duro do Centrão. Bloco acumula créditos para cobrar de Guedes em breve. Difícil imaginar onde bateria o dólar hoje se a Câmara dos Deputados resolvesse, por exemplo, acrescentar um artigo ao projeto aprovado pelo Senado estabelecendo prazo para o Banco Central intervir no câmbio quando a moeda americana disparar. Foi mais ou menos isso que fez a MP 1003/2020. Deu prazo não para a Anvisa analisar mas para aprovar o uso emergencial de vacinas cinco dias depois de protocolado o pedido para a análise da agência. Ricardo Barros, o deputado que liderou a aprovação da medida provisória no formato que melhor convém à empresa que pretende trazer a Sputnik V ao Brasil, comandou o Ministério da Saúde no governo Michel Temer. Foi um teste de resiliência para o SUS, mas não se ouviu, durante aquele governo, o então ministro dizer que “enquadraria” a Anvisa. A pressão desmedida sobre a Anvisa aconselha ceticismo em relação à lua de mel de Lira com a equipe econômica do governo e os investidores que nela ainda creem. Lira pinçou, da extensa pauta de prioridades do governo federal, um dos projetos menos polêmicos para sinalizar boa vontade com Guedes & cia. A pergunta que cabe fazer agora, dado o desapego do Centrão pela boa regulação do mercado, é onde o bloco quer chegar. É simples. Lira acumula créditos para cobrar lá na frente. Se alguém comemora a aprovação do projeto de autonomia do BC na Câmara é porque ainda não se deu conta de que a cobrança desta fatura vai tornar a vida dos autônomos mandatários do banco um inferno. Não faltam evidências de que esta cobrança imporá um custo fiscal difícil de carregar. Não porque o Brasil não possa se endividar, mas porque o faz sem rumo nem sinal de onde pretende chegar. E apesar disso, tem a anuência dos juízes e bandeirinhas em campo, como foi o caso na manobra que permitiu jogar para 2021 gastos de até R$ 40 bilhões do Orçamento de guerra não executados no ano passado. Se o fizeram em 2020, voltarão a fazê-lo este ano quando o novo comando do Congresso sinaliza que quer acochambrar tudo, do auxílio emergencial aos novos gastos de Estados com a pandemia e até uma segunda rodada de suporte às empresas. Tudo na modalidade de “crédito extraordinário”. A Constituição é clara. Trata-se de um recurso a ser usado em caso de imprevisibilidade e urgência. Numa pandemia, prever esses gastos deveria ser a rotina, não a exceção. Por isso, deveriam estar contidos na Lei Geral do Orçamento, cuja comissão mista foi instalada ontem. Para isso, no entanto, os novos gastos teriam que cumprir as regras fiscais e abrir espaço com uma tesourada que ninguém no Centrão ou no Palácio do Planalto quer dar. Vai que alguém lembra dos R$ 9 bilhões reservados para as quatro novas fragatas da Marinha. A fatura não para por aí. O Centrão não desistiu dos bancos públicos. Falhou na tentativa de arrebanhar a presidência do Banco do Brasil, mas ainda cobiça diretorias e não apenas no BB, mas na Caixa Econômica Federal e até no BNDES. Se alguém acha que assim também é demais, basta ver o que se passa com a Anvisa. Bolsonaro ainda não decidiu se vai acatar o pedido do presidente da Anvisa para vetar o jabuti do Centrão na MP, mas a permanência de Ricardo Barros na liderança do governo sugere que o presidente da República começou a campanha pela reeleição na oposição. A julgar pelo desempenho em campo de seus adversários, vai querer fazer olé com o chapéu alheio. Rodrigo Maia levou o cesto de roupa suja do seu time para a beira do Lago Paranoá e o PSDB se consome em disputas internas entre um governador impopular em seu próprio Estado e um deputado com contas a prestar na Justiça. O PT fulanizou a pré-campanha antes da hora e o bloco dos excluídos do bolsonarismo hoje se dedica mais às fusões partidárias e à sobrevivência das nanolegendas do que a saber por que, num país que gastou R$ 524 bilhões no combate à covid-19 em 2020, faltam oxigênio, medicamentos, UTIs e sobra energia para o lobby das vacinas. É natural que Bolsonaro queira antecipar a campanha. Tem duas razões para fazê-lo. Primeiro porque é bom nisso. Depois porque, tendo terceirizado o governo para o Centrão, resta-lhe ocupar o vácuo da oposição. Já disse que gostaria de ver a mãe vacinada. O próximo passo é entrar na fila para virar jacaré. Mais um pouco e se vacina contra a derrota em 2022. A dúvida é saber por que os adversários se deixam pautar. É a covid-19 e a crise econômica que mantêm Bolsonaro na defensiva, não a campanha eleitoral. É claro que os partidos precisam discutir alianças, fusões, nomes, estratégias, mas não com a bola em campo. O maior flanco de Bolsonaro é a pandemia e é dela que ele vai tentar primeiro se livrar. Vai entregar o ministro da Saúde aos leões. Depois se insurgirá, como o fez no início da pandemia, contra prefeitos e governadores a quem delegará a responsabilidade pelo genocídio. A sanção com ou sem vetos da MP das vacinas indicará o papel que assumirá frente ao Centrão. O segundo maior flanco do presidente é a economia. O déficit público, que caminha para R$ 800 bilhões, é uma bomba de efeito retardado. No filme que o Brasil já viu antes, explode assim que passa a reeleição. É este o esquema tático de uma pelada de várzea que frustrará a plateia. O presidente jogou a isca da sucessão presidencial antecipada, a oposição engoliu e o Centrão, por enquanto, governa. Arthur Lira e seu bloco, porém, jogam em todas as posições, menos na de carregadores de caixão.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

A doença e a morte quebram a rotina

Todos querem a vacina contra o virus que paralisou o mundo. Todos acompanham o noticiario sobre as medidas preventivas e a precariedade nos hospitais. mas, além do virus maldito, existem uma infinidade de doenças que matam, silenciosamente. O cancer ainda é uma das doenças que mais mata. E desta vez foi um dos nossos cunhados. Tristeza para os familiares. mais triste ainda pelo fato de o virus impedir que os parentes e amigos possam dar uma despededida merecida. A vida continua. Ficam os sentimentos e a solidariedade de todos. Birigui continua em nossos corações e em nossa memória. Mikio Yamane. Presente!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Nem o futebol está salvando a imagem do Brasil

Chorões, fracos e frouxos: Esta é a imagem internacional do Brasil de hoje Tinha muito palmeirense achando que ia decidir o titulo mundial com o Bayer de Munique e que recuperaria a dignidade nacional ganhando o título de melhor futebol mundial.. Estes mesmos palmeirenses esqueceram-se que, para jogar com o Bayer, precisavam ganhar do Tigres, desconhecido time mexicano para os brasileiros. E os mexicanos jogaram mais que os palmeirenses e com méritos ganharam o jogo e o Palmeiras voltou para o Brasil... Nem o futebol está salvando a imagem do Brasil. Em qualquer área o Brasil vai perdendo competitividade e o povo vai perdendo qualidade de vida. A Fiesp, outrora maior autoridade patronal do Brasil, depois que Skaf a transformou em cabide de candidato político, perdeu a representatividade e até a coragem de aparecer na imprensa. O empresariado brasileiro vai deixando de ser dono de seu negócio para ser "representante de multinacionais no Brasil", isto é, sem autonomia, sem liberdade e sem dinheiro. Enquanto a crise econômica continua, as entidades sindicais tentam desesperadamente resistir à destruição dos direitos da classe trabalhadora nacional. Vejam a última resolução das centrais: 1 - garantir vacina para todos - sendo que não há a vacina brasileira, mas há a da Índia, da China e da Rússia... 2 - defender auxílio emergência para todos os trabalhadores sem renda ou com pouca renda, em função do imenso desemprego e da falta de perspectivas. 3 - Com o fechamento de fábricas, comércio e escritórios, o desemprego se generaliza, aumento o risco de saques e violência. 4 - o governo Bolsonaro como forma de barganhar apoio dos empresários, aumenta a lista de empresas para serem privatizadas, entregando nossas riquezas à preço de banana. 5 - Quanto mais aumenta o desemprego e atrasa a vacinação, mas cresce o apoio do povo à campanha Fora Bolsonaro e Mourão. 6 - Ao mesmo tempo, o povo vai tomando conhecimento dos recursos de Lula contra os processos do Lava Jato, mostrando que tudo aquilo era uma farsa para não deixá-lo ser candidato a presidente. Eles desmoralizaram o judiciário e a imprensa. 7 - com o crescimento do desemprego, o movimento sindical precisa fortalecer a unidade de ação com os movimentos populares, fortalecendo a resistência e a capacidade de enfrentamento à crise. 8 - O Brasil precisa recuperar sua dignidade e sua capacidade de trabalhar e crescer. Para isto, precisa intensificar o trabalho internacional. Unidos somos fortes, juntos somos muitos. Resistir, organizar, lutar e vencer!

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Bolsonaro mais o Centrão deram um banho. E 2022, como será?

Bolsonaro e Centrão deram um banho Bolsonaro unido ao Centrão desmoralizou o PSDB e ameaça derrotar o PT em 2022 A desordem está vencendo a legalidade. Nunca o Brasil esteve tão desacreditado. Ninguém confia em ninguém, nem cofia nas instituições. A direita moderada une-se à extrema direita para derrotar o PT. O resultado disto é que todos perdemos. Candidato único de esquerda é condição suficiente para ganhar eleição? Não. Nem aqui, nem em qualquer lugar. É importante fazer unidade numa frente ampla? É o ideal, mas não é obrigatório. Em 2018 tínhamos certeza que Lula venceria qualquer candidato da direita. Tanto era verdade, que ela preferiu dar um golpe de Estado e derrubar o governo do PT a perder mais uma eleição. Sabíamos que Haddad poderia vencer as eleições presidenciais, mas que não seria fácil. Em 2022 Lula ganha a eleição? Pode ganhar e pode perder. Com Haddad pode acontecer a mesma coisa. Pode ganhar e pode perder. É ilusão pensar que basta lançar-se contra Bolsonaro, para ganhar a eleição. Mantidas as condições normais de temperatura e pressão, se a eleição fosse hoje, o mais provável é que Bolsonaro seja vitorioso. Em 2022, só Deus sabe como o Brasil e o mundo estarão. 1 – Pode ser que as vacinas sejam um sucesso, como podem ser um fracasso. 2 – Pode ser que a economia continue estagnada e o povo aceite a ideia de que a culpa foi de Doria que, em vez de ajudar atrapalhou. 3 – Pode ser que a economia piore tanto, que o povo vote em qualquer um que for contra Bolsonaro. 4 – O judiciário vai continuar articulado com os empresários e a direita, contra o PT? Com certeza. 5- A imprensa vai continuar batendo em Bolsonaro e no PT, vai, mas apoiará sempre o candidato da direita que puder derrotar o PT. É o voto útil conservador. 6 – Os pentecostais continuarão vendendo a alma ao diabo para continuar no governo? Com certeza. Portanto, a prioridade da esquerda deve ser dialogar com o povo. Ouvir as suas demandas e apresentar formas de garantir o cumprimento de seu programa. Não é tão simples, mas é imprescindível.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

O Brasil entre o ruim e o péssimo - O vício no Congresso

Um fascinante artigo-denúcia sobre o Congresso Nacional. Leiam com atenção e acompanhe os fatos... Maria Cristina com a palavra: Com o sequestro do Orçamento, de que vale um presidente? Bolsonaro ganhou, mas não levou O vício do Congresso https://valor.globo.com/politica/coluna/o-vicio-do-congresso.ghtml 1/9 Valor – 04/02/2021 - Por Maria Cristina Fernandes – No Valor desde a fundação, foi editora de política por 15 anos do jornal. Também foi editora de Política da “Gazeta Mercantil” e subeditora da revista “Veja” O vício do Congresso Com o sequestro do Orçamento por emendas parlamentares de valor crescente de que vale um presidente da República? O presidente Jair Bolsonaro ganhou, mas não levou. A eleição na Câmara dos Deputados bifurca o futuro do país entre dois rumos, um ruim e o outro, péssimo. Um deriva de um presidente que comete estelionato eleitoral na aliança com o Centrão de olho na contestação do resultado de 2022. Pode fazê-lo agitando o voto impresso e atiçando a reação de praças e sargentos que cultiva nas tropas fardadas ou do bolsonarismo raiz que armou até os dentes. As instituições que sobrarem podem impedi-lo? Sim, mas sequestrarão o país. Ou melhor, aumentarão um resgate inflacionado ao longo dos últimos vinte e poucos anos. No Congresso o processo foi inebriante. Basta ver, por exemplo, o que aconteceu com as emendas parlamentares. No início deram barato, mas viraram a dependência de uma droga crescentemente abastecida pelos impeachments, ameaçados e concretizados. Com o sequestro do Orçamento, de que vale um presidente? (2/9) A prisão do chefe do tráfico de emendas levou à ascensão de outras lideranças, algumas que nasceram na boca, outras que a frequentam pelas beiradas e ainda aquelas que a toleram pelo poder. Com maior ou menor dependência, hoje não sobrevivem sem a droga. O vício, por óbvio, é paulatino. Em meio aos arranjos parlamentares que se sucederam ao impeachment do primeiro eleito da Nova República e à posse de um vice desconfortável no cargo, sete parlamentares foram pegos com a botija. Os anões do Orçamento vagaram insepultos no governo Itamar Franco e permaneceram influentes até outro dia. O esquema, porém, se institucionalizou. Os parlamentares passaram a ter uma cota no Orçamento em 1995, primeiro ano de Fernando Henrique Cardoso. As emendas não eram impositivas e o presidente navegava no arrocho com uma coalizão transatlântica. Na era Luiz Inácio Lula da Silva a insatisfação só começou com o fim da esbórnia nas estatais. Ainda por cima, o financiamento privado de campanha havia sido proibido. Os fundos eleitoral e partidário foram turbinados, mas isso não bastava. Incomodados com o gargalo mais estreito nas estatais no governo Dilma Rousseff, o Congresso aprovou a imposição de emendas individuais no início de um mandato que (3/9) já se prenunciava interrompido. Naquele ano (2015) as emendas somaram R$ 9,7 bilhões. A imposição deu barato, mas logo os parlamentares estavam em busca de novas alegrias. Em 2016 sintetizaram as emendas de bancada. No mesmo ano a boca colocou no Palácio do Planalto um velho conselheiro. (Temer). Com ele, ascendeu na Câmara o representante de uma das lideranças que tolerava a droga pelo poder. No ano seguinte, quando as conversas de Michel Temer no subsolo do Alvorada vieram à tona, as emendas individuais e de bancada somaram R$ 15,2 bilhões. Foi quando a família brasileira, horrorizada, resolveu dar um basta nesta inebriante orgia com a eleição para a Presidência da República de um representante das beiradas do tráfico. Não faltaram avisos de que se tratava de um macomunado com os esquemas policiais que dão proteção ao crime. Sucederam-se evidências escancaradas de que o escolhido era um engodo. Com isso, surgiu, em 2019, uma oportunidade de também tornar as emendas de bancada impositivas. Gerida no atacado, a boca foi tomada pelo varejistas experientes que esta semana, finalmente, acabariam por assumir o poder. Ninguém sabia que uma pandemia estava por vir, mas os sinais de que o varejo da boca tomaria o poder ficaram evidentes no fim de 2020 com duas outras modalidades. Foram inseridas as emendas das comissões temáticas do Orçamento e aquela que ficou conhecida como “emenda do relator” e designava plenos poderes àquele que reelabora a peça orçamentária na Comissão Mista. Este ano se tornaria um dos coordenadores da campanha do novo presidente da Câmara. Tratava-se de um alucinógeno nunca visto na Casa. A pedida inicial foi de R$ 30 bilhões. Depois de tonitruantes negociações, ficou pela metade. Ainda assim, somadas as emendas de comissão, individuais e de bancada chegava-se quase àquele patamar: R$ 29 bilhões. (4/9) Garantidas mesmo, com execução assegurada pela Constituição e desobediência sujeita a crime de responsabilidade do presidente da República, só havia as emendas individuais e de bancada que, no Orçamento planejado para 2020, somavam R$ 15,4 bilhões. Acrescidos aí os fundos eleitoral e partidário chegava-se a R$ 18,4 bilhões. A boca, definitivamente, havia se tornado um lugar mais aprazível do que o Palácio do Planalto onde, espremendo-se todas as rubricas de investimento (excluídas as estatais) chegava-se a R$ 19,5 bilhões. O valor, ao contrário daquele das emendas, está sujeito a contigenciamento. É o melhor dos mundos. Os parlamentares governam num regime presidencialista com execução orçamentária garantida sem responderem pelos seus gastos. Àquela altura, a Covid-19 já estava incubada. Com a aprovação do Orçamento extra de combate à pandemia, a boca entrou no isolamento das sessões remotas, mas na vida real, foi à guerra. Moveu-se por droga de efeito multiplicador que não deixa marcas no seu usuário, a emenda "extra orçamentária". A verba de um mesmo ministério é prometida para três parlamentares diferentes. A promessa não é registrada oficialmente mas chega à ponta, ou seja, a Estados e municípios. Prefeitos, que se viram acossados por parlamentares a reivindicar transferências federais, foram obrigados a dividir compras de testes e medicamentos entre dois ou três fornecedores indicados por parlamentares. A boca se refastelou. Um dos integrantes, acocorado para uma revista, mostrou que a droga não tem limite para degradar o corpo humano. Uma distribuidora do Piauí (5/9) quinze dias atrás foi flagrada numa operação policial fornecendo medicamentos e notas frias ao gosto do freguês. Deputado e senador com avião é o novo normal. As emendas que, nos anos 1990, faziam a alegria de parlamentares com R$ 1 milhão, agora somam nove dígitos. E o pior é que a festa acontece no meio do mandato. Parlamentares que usam o apurado para atender ao eleitor serão cobrados em 2022 a manter o mesmo patamar de entregas sob o risco de não se reelegerem. O capitão alimenta a boca porque aposta que o Brasil é o baile funk no qual ele, um dia, vai poder chegar com sua tropa e instituições nada farão porque estão funcionando. Na melhor das hipóteses, será derrotado numa eleição. E o vencedor, vai poder fazer o quê?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Um outro Congresso Nacional é possível e necessário

Eleições limpas no Congresso como 2 + 2 são 5. Um outro Congresso Nacional é possível. Uma confusão de siglas partidárias (35 partidos políticos), Mais de 500 deputados e senadores votando mais em causa própria do que pensando no povo brasileiro. Algumas perguntas: 1 – Como se explica que 5 partidos de centro e esquerda tenham mais votos que os 30 partidos de centro direita? Como foi no caso de Lula e Dilma para presidente da República? 2 – Como se explica que Lula, mesmo tendo sido eleito presidente do Brasil e tendo apenas 1/3 (um terço) dos deputados e senadores, ele conseguia maioria para aprovar suas propostas de recuperação dos salários, criação de faculdades públicas em todos os Estados, melhorou muito a imagem internacional do Brasil e chegou a vender 8 milhões de automóveis num ano? 3 – Como se explica que esta mesma maioria de 2/3 (dois terços) de parlamentares, conservadores e neoliberais, que antes apoiavam Lula, agora vote a favor de reformas que destruíram empregos, salários, empresas e serviços públicos? 4 - Como se explica que políticos como Doria, do PSDB, que só se elegeu governador porque teve o apoio de Bolsonaro, agora montem chapa contra Bolsonaro? Os votos que elegeram governadores do MDB, do DEM e do PSDB, foram dados por eleitores que votaram em Bolsonaro para presidente. 5 – O mais difícil ainda de entender, é porque os partidos de centro-esquerda participaram de chapas de maioria de parlamentares que apoiam Bolsonaro e/ou votaram nos projetos contra os trabalhadores e contra a esquerda? 6 - Se o Brasil quiser ter um sistema político modelo europeu, precisamos combinar melhor a regra do jogo. Por exemplo, a impressão que temos do sistema eleitoral atual é que o que importa para os candidatos é se eleger, mesmo que para isto se junte com Deus e o diabo, gente honesta e gente desonesta. Depois de eleito, novamente o que importa é ter uma boa relação com os governantes, com os empresários e com quem consiga votos para reelege-los. Criando assim o cabo-eleitoral profissional e remunerado. 7 – O sistema eleitoral atual no Brasil, também conhecido como Vale-Tudo, é praticado como uma farsa até a eleição, outra farsa para depois de eleitos e outra farsa quando o judiciário e a imprensa dizem que não beneficiam seus candidatos... 8 – Agora, vamos imaginar um sistema eleitoral onde a prioridade seja a governabilidade dos governantes, logo, o executivo precisa ter maioria no legislativo para poder ter suas contas e seus projetos aprovados. Para que isto aconteça, que caberá aos candidatos eleitos que apoiam os governantes eleitos terem maioria, ou seja, se o presidente eleito for do MDB, logo, o congresso nacional terá uma maioria composta por eleitos do MDB e demais partidos que fizeram parte do bloco da candidatura do MDB. Este é o presidencialismo, com maioria congressual. Há o outro exemplo, que é o parlamentarismo, onde são os congressistas que escolhem majoritariamente entre os congressistas que fazem maioria, o primeiro ministro, que é quem governa no parlamentarismo. Ambos os casos, presidencialismo ou parlamentarismo, com maioria parlamentar, são de fato bem melhores que o sistema eleitoral atual no Brasil. E, porque não se aprofunda isto e se muda a legislação? Porque os conservadores, que deram sustentação aos golpes de Estado em 1964, em 2016, que apoiam Bolsonaro ou, mesmo tendo retirado o apoio a Bolsonaro, são apoiadores do empresários, do judiciário conservador e da imprensa manipuladora, este pessoal todo se junta contra os candidatos progressistas ou de centro-esquerda. Como não existe almoço de graça, nem os políticos de direita, conservadores, neoliberais, corruptos e pentecostais, nem os políticos de esquerda, que prometem tudo e quando são governo fazem bem pouco, nem eles conseguem administrar bem a ECONOMIA. As guerras acontecem por causa da economia. Os empregos existem por causa da economia e as pessoas são mais felizes ou infelizes conforme a economia esteja indo bem ou indo mal. Logo, estes sistema político caríssimo não é mais necessário. Precisamos construir um novo sistema de governo, mais ágil, mais representativo e com menos custo. Afinal, um outro mundo é possível. Se os políticos não conseguem VACINA, não conseguem melhorar a ECONOMIA, vamos procurar quem seja mais capaz...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Esta eleição no Congresso Nacional é uma vergonha!

Brasil na encruzilhada, mas a vida continua Governo que não funciona, economia com tudo fechado em função do Covid-19, população pressionada para ficar em casa, mas o consumo continua, apesar de todas as dificuldades. Como diria Galileu: Apesar de tudo ela se move. - jovens continuam estudando no Brasil e no exterior, capacitando-se para um mundo mais difícil do que os seus pais tiveram que enfrentar; - as empresas estão mais fechando e indo embora do que abrindo ou chegando; - as instituições tradicionais como governos, legislativos, judiciários, polícias, imprensa, OAB, CFM – Conselho Federal de Medicina, Igrejas, entidades sindicais, UNE, todas elas perderam credibilidade; - quem ganhou credibilidade foi o mundo on line, que pode ser checado, conferido e analisado a qualquer momento e em qualquer lugar. Tudo pode ser verificado... Hoje, o Brasil vai passar por mais um evento marcante: O Congresso Nacional passará pela eleição da presidência do Senado e presidência da Câmara. Não seria nada importante, como não é na Itália que troca de governo como se troca de camisa, sem parar a economia e sem gerar desemprego. O problema é que o Brasil vive numa democracia manca, uma democracia sem legitimidade e sem esperança de solução a curto prazo. Quando o Brasil se dividiu em dois, uma metade apoiando um golpe de Estado como forma de impedir a continuidade dos governos do PT, e a outra metade, liderada por Lula, mas sem a credibilidade da época que ele foi presidente, esta divisão precisa ser traduzida nos diversos grupos e interesses, incluindo os reflexos na política, na economia e nas relações pessoais e familiares. Como tudo no Brasil o que é também pode não ser, este Congresso Nacional, mais uma vez mostrou a forma inescrupulosa de se fazer política. Assim, assistimos duas chapas concorrerem para a Câmara e duas para o Senado. O normal, como a história conta, seria que a direita formasse uma chapa e a esquerda formasse outra. Afinal, tivemos um golpe de Estado liderado pela direita para destituir a esquerda, interrompendo um projeto político, econômico e social. Mas não foi assim que aconteceu. Cada chapa tem candidatos de direita e também de esquerda. E a chapa apoiada pelo presidente Bolsonaro tende a vencer tanto na Câmara, como no Senado, fortalecendo a candidatura para a reeleição de Bolsonaro e a derrota de novo impeachment. E quase todos os segmentos da sociedade tomaram partido, ou para um lado ou para o outro. Educa? Não educa. Informa? Não informa. E quando vamos “construir um Brasil democrático, produtivo, ético e pluralista”? Só Deus sabe...