segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

China mostra ao mundo como ser competente

China pede maior colaboração para distribuir e fabricar vacinas, em Davos. 25/01/2021 - UOL Notícias https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2021/01/25/pandemia-nao-deve-ser-usada-para-reverter-globalizacao-alerta-xi-jinping.htm 1/7 JAMIL CHADE O presidente chinês, Xi Jinping, participa de econtro dos Brics no último dia 17 Imagem: Li Xueren/Xinhua RES U M O DA NOT Í C IA O presidente de China, Xi Jinping, usou seu discurso de abertura no Fórum Econômico Mundial nesta segunda-feira para pedir que haja um acordo e entendimento entre governos para "incrementar a colaboração para fabricar e distribuir a vacina para que esteja acessível a todos os países". Jamil Chade Colunista do UOL 25/01/2021 10h03 Discurso de presidente da China marcou a abertura do Fórum Econômico Mundial e foi recebido como alerta da nova postura internacional de Pequim Em meio a um debate sobre a cooperação com o Brasil, China criticou ainda preconceito ideológico. 2/7 Segundo ele, Pequim cooperou com mais de 150 países e 13 organismos internacionais, além de mandar equipes médicas para 35 países. "A China seguirá dando assistência aos países menos preparados para a pandemia", disse. Para o presidente, a vacina precisa ser um bem público e o governo chinês indicou que vai "trabalhar" para garantir países mais pobres possam receber doses. O Fórum, que tradicionalmente ocorre em Davos, está sendo realizado por meio virtual neste ano. A declaração ocorre num momento em que seu governo é criticado por sua falta de abertura e transparência no início da crise sanitária e por não estar atendendo de forma suficiente à demanda por vacinas. Como resposta, Xi Jinping indicou que seu governo está disposto a promover maior acesso à sua economia e ciência. Mas também deixou claro que seu governo não aceitará que economias pelo mundo usem a pandemia como uma oportunidade para rever cadeias de abastecimento, regras de abertura comercial ou mesmo a globalização. "Não serve ao interesse de ninguém usar a pandemia como justificativa para reverter a globalização", alertou Xi. Para ele, a pandemia está "longe de terminar" e uma resposta global deve ser baseada em ciência e "humanismo". "Conter o vírus é a maior missão da comunidade internacional", defendeu. Xi acredita que esse será o aspecto mais importante para que a economia mundial possa se recuperar. Menos de uma hora depois, a postura da China foi alvo de duros ataques por parte de Anthony Fauci, conselheiro médico da Casa Branca. Para ele, que participou de um outro evento em Davos, a falta de transparência em Pequim teve "um impacto negativo substancial". "E isso vemos há tempos", declarou. De acordo com ele, se houvesse uma transparência por parte da China, algumas informações poderiam ter evitado milhões de contaminações. "Isso teria influenciado a política", disse. "Metade das transmissões é realizada por pessoas que não tem sintomas", insistiu. 3/7 - Recado contra as ideologias Questionada por governos como de Jair Bolsonaro e atacada pelo chanceler Ernesto Araújo, o presidente da China ainda adotou um tom firme ao pedir que o mundo "abandone o preconceito ideológico" e a "mentalidade da Guerra Fria". "A diferença por si só não é motivo de preocupação. O que gera uma preocupação é a arrogância, preconceito e ódio", declarou. Xi defendeu uma nova era nas relações internacionais. "O modelo de o vencedor levar tudo não funciona", disse. "Nenhum problema global pode ser resolvido por um país sozinho. Devemos ter uma ação global, uma resposta global e cooperação global", defendeu. Mas o presidente chinês fez questão de insistir que Pequim "vai estar mais envolvida na governança global" e que decisões internacionais devem ser tomadas com base em "coordenação, não imposição". O recado foi recebido como um sinal de que a China exigirá ser consultada. "Não podemos voltar ao mundo do passado", disse, numa referência ao fato de que, hoje, a China faz parte da nova realidade do poder. Para ele, qualquer ação diferente corre o risco de levar a perdas para todos. "Guerra Fria, Guerra Quente, Guerra comercial ou guerra tecnológica apenas irão gerar perdas para todos", disse. Em um tom de alerta, Xi ainda lembrou que a história recente é uma prova do que pode ocorrer quando países optam pelo confronto. Para ele, sempre que um governo tentou agir de forma unilateral, o resultado foi o "fracasso". "Iniciar uma nova Guerra Fria apenas levará o mundo a uma nova divisão e mesmo confrontação", disse. Seu discurso ainda representou um recado claro aos demais países de que Pequim quer fazer parte das decisões globais e que não abrirá mão de ser ouvida. Seu recado vem no momento em que o governo de Joe Biden acena com um projeto para incentivar licitações nos EUA a dar maior privilégio a empresas americanas. O programa "Buy American" já é alvo de duras críticas por parte de alguns dos principais parceiros comerciais dos EUA e que esperavam um desembarque de Biden mais favorável ao comércio internacional. Na OMC nesta segunda-feira, por exemplo, a Casa Branca manteve o veto ao restabelecimento dos tribunais da entidade, uma política adotada pelo governo de Donald Trump. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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