terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Um dia especial

ontem, dia 30 de novembro, meu irmão Gildemar, resolveu tornar publico que era meu aniversario. graças a esta iniciativa, passei o dia e a noite recebendo parabes. irmãos, amigos e colegas são imprescindiveis. obrigado a DEMA, Gildemar, e a todos que mandaram parabens. Hoje é o aniversário de Gilmar. 67 anos. Ele é o quinto filho, eu sou o sexto. Nós dois e minha irmã mais nova, Celia Maria, nascemos em Inhambupe e fomos morar em Serrinha em 1958. Eu sempre fui o mais mirradinho e Gilmar o mais desenvolvido dos sete. Ele era apenas um ano e 3 meses mais velho que eu, mas parecia ser bem mais. Isso me deixava em desvantagem. Eu morria de vontade de entrar na Filarmônica para aprender música, mas quando ele entrou, me disseram que eu era muito novinho ainda. Um ano depois, quando eu tinha a idade de quando ele entrou, continuaram me dizendo que eu ainda estava novinho. Por isso ele aprendeu clarineta na filarmônica, e eu flauta doce na bandinha do ginásio. Como éramos próximos em idade, brigávamos muito. Ele, mais forte, sempre ganhava. Sempre foi o mais comunicativo da família, conquistando todos que o conheciam. Uma vez pedi pra ele me levar pra rua, pra eu aprender a ser mais social, mas ele recusava. Eu era muito novinho. A gente tinha uma relação de amor e ódio. Ele era o mais desenvolto, hábil em tudo que fazia, e eu era o mais intelectual. Os ciúmes eram inevitáveis. Com uns 12 anos ele foi vender panela na feira, aos sábados, e eu fui com ele. Para mim, era um suplício. Depois ele foi trabalhar na venda de Fernando, na casa vermelha que ficava em frente ao mercado. Foi convidado, é claro. Em 1969 estava em São Paulo fazendo o colegial no Colégio Estadual Presidente Roosevelt, na Liberdade. Eu entrei em 1970. Os colegas dele só viviam lá em casa. Marcavam para estudar juntos, e frequentemente saíam para beber com os professores. Depois ele entrou na Fundação Getúlio Vargas, onde fez Administração de Empresas. Os colegas dele iam tudo de motorista particular, e lá ele fez amizade com o então professor Eduardo Suplicy. Os colegas ricos viviam lá em casa. A gente se cotizava para ajudar a pagar a escola cara. Gilmar trabalhava na compensação, de noite, pra fazer o curso de dia. Nós entramos no mesmo concurso do Banco do Estado da Guanabara (depois Berj, depois Banerj), mas sempre trabalhamos em agências diferentes. Logo, ele se engajou no sindicato, se juntou com Luiz Gushiken e outros, tiraram os pelegos e formaram um sindicato bem dinâmico. Tinha um trio elétrico que saía pelo centro de São Paulo avisando das assembleias ou denunciando os gerentes assediantes. Durante a ditadura militar, nem sei quantas vezes foi preso... Participou da fundação do PT e da CUT, foi presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, o mais rico do país, por vários anos, dirigiu as cooperativas de crédito da CUT pelo Brasil todo, viajou por tudo que é país, e hoje está aposentado. Segundo André Luís Rodrigues, colega dele na CUT, é querido por todas alas políticas, por sua posição sensata. Sempre teve uma presença muito marcante. Uma colega de trabalho minha, ao ver uma foto dele, ficou impressionada como é que eu podia ter um irmão tão bonito! Engraçado que sempre achei o contrário! Vivendo no Japão, minha filha achava que toda estátua de ocidentais me representava (pois não eram japoneses). Quando Gilmar esteve lá e pegou ela nos braços, ela não se cansava de olhar pra cara dele e pra minha, como se fosse muito complicado achar o que havia de diferente entre nós. Comparado com a diferença entre minha cara e a dos japoneses, era quase nada. Eu não gosto de ter amigos famosos. São inacessíveis. Prefiro os desconhecidos, como meus alunos que ainda não sendo pesquisadores renomados, têm tempo de sobra pra conversar besteiras comigo. Às vezes descubro que Gilmar passa dias aqui em Salvador e não me manda nem uma mensagem! Mas tenho a impressão de que ele me estima. Sempre fala bem de mim a todo mundo, e quando estive lá na casa dele, a última vez, me tratou na palma da mão. Até me chamou pra aula de Taichichuan que ele faz às 6 horas da manhã! E, como tudo que ele faz, jeitoso como é, faz Taichi muito bem! Feliz aniversário, Gilmar

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