terça-feira, 6 de outubro de 2020

O PIX representa o começo do fim das tarifas bancárias

Quem viver verá: Nada será como antes... O Brasil começou a mudar sua dinâmica financeira a partir de ontem. Com a reforma financeira de Roberto Campos, o Brasil deixou de ter centenas de bancos para ter bancos amis estruturados. Com o tempo foram surgindo grande bancos com fusões e aquisições diminuiu mais ainda o número de bancos. Mas, a grande cartada no sistema financeiro nacional foi com o Plano Real, o Proer e a introdução generalizada das tarifas bancárias. Aí os bancos passaram a ganhar muito mais dinheiro e a concorrência a ser bem mais feroz. E os milhões de brasileiros que ficavam fora do sistema financeiro? As cooperativas de crédito e os correspondentes bancários foram usados como tentativas de atender estes segmentos fora da rede oficial de agências. No entanto, com o PIX, finalmente surge uma proposta de valorização da concorrência, garantindo espaço para que possam oferecer produtos sem custos como os bancos e que combina agilidade com segurança. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come... Foi dada a partida e cabe agora ao Banco Central e aos cinco grandes bancos - Itaú, Bradesco, Santander, CEF e BB - correrem para garantir o máximo possível de participação no mercado. O XP já está deixando a concorrência na poeira, agora vem muito mais disputa. Vejam, mais uma vez, a boa reportagem de Talita Moreira, do jornal Valor de hoje. Pix atrai 3,5 milhões de cadastros, mas falhas preocupam bancos Valor Econômico https://valor.globo.com/2020/10/06 Por Fernanda Bompan e Talita Moreira Mais de 3,5 milhões de brasileiros se inscreveram no Pix ontem, primeiro dia de cadastro das chaves de identificação dos usuários no meio de pagamentos instantâneos. A adesão foi considerada “um sucesso” pelo Banco Central (BC), apesar da instabilidade apresentada nos sistemas. Falhas técnicas chegaram a afetar o funcionamento do aplicativo dos bancos, gerando reclamação dos clientes. Itaú Unibanco, Bradesco e Santander foram alguns dos que tiveram problemas. O C6 Bank tirou do ar por 20 minutos o serviço de cadastro “para publicar uma melhoria”. Clientes do Nubank também relataram dificuldades para usar o aplicativo, mas, de acordo com o banco não teve relação com o registro. Segundo fonte envolvida no processo, o Pix apresentou instabilidade a partir de 9h30. As instituições acionaram o BC, que atuou para contornar a situação e, duas horas mais tarde, o sistema começou a se normalizar. Para esse interlocutor, falhas desse tipo são normais num projeto de tecnologia dessa envergadura, e não parecem ser indicativas de problemas mais sérios. Porém, o Valor apurou que em pelo menos duas grandes instituições financeiras a instabilidade foi recebida com preocupação e como um sinal ruim para a estreia do Pix em 16 de novembro - embora o cadastramento tenha começado ontem, o novo meio de pagamentos entra em funcionamento nessa data. Os bancos vinham pedindo ao BC que a entrada dos clientes no Pix se desse por fases, tal como foi feito no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), lançado no início dos anos 2000. No entanto, o regulador manteve a decisão de colocar todos os usuários para dentro do Pix de uma só vez. Algumas funcionalidades é que serão acrescentadas nos meses seguintes. De acordo com uma fonte, as falhas aparentemente foram técnicas e não têm relação com um excesso de usuários querendo se registrar no serviço. Havia um limite de 40 operações por segundo para os bancos cadastrarem clientes no Pix. Durante todo o dia, os bancos procuraram divulgar o serviço e atrair clientes para cadastrar as chaves. O Original, por exemplo, anunciou que não vai cobrar empreendedores por transações no Pix, atendendo um dos públicos principais da instituição, afirmou Raul Moreira, diretor-executivo de tecnologia, produtos, operações e open banking. De acordo com ele, o banco recebeu 100 mil cadastros ontem, o que classificou como positivo. “Foi surpreendente o engajamento da população”, disse. O Nubank por sua vez, informou que estuda acabar com o rotativo dos cartões de crédito. Um grupo de 150 mil clientes está testando o modelo, que prevê a possibilidade de parcelar as faturas em até 12 meses ou tomar crédito pessoal. A cofundadora do banco, Cristina Junqueira, afirmou que fazer o anúncio no dia do início do cadastramento no Pix foi proposital. “O Pix representa o começo do fim das tarifas no setor financeiro. Consideramos uma vitória para a bandeira que sempre defendemos, de gratuidade e inclusão financeira. Agora, vamos nos dedicar a forçar outra tendência no mercado: a redução dos juros”, disse em nota. O presidente Jair Bolsonaro disse ontem que ainda não havia tomado conhecimento sobre o Pix. Questionado por apoiadores, Bolsonaro num primeiro momento não entendeu a referência. Depois, disse que vai conversar nesta semana com o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

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