terça-feira, 13 de outubro de 2020

Faltando 21 dias para Trump perder, bancos reorganizam-se

Bancos sempre querem ganhar. É da natureza,,, Vejam a matéria do FT – Financial Times de Londres, que saiu publicada no Valor de hoje. FT: A eleição nos EUA e a sua carteira de investimentos Valor Econômico https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/10/12/ft-a-eleicao-nos-eua-e-a-sua-carteira-de-investimentos.ghtml Para especialistas, o que importa para os investidores, ainda mais do que o vencedor do pleito, é o tamanho da vitória, já que um resultado eleitoral contestado complica qualquer previsão Por Madison Darbyshire, Valor — Financial Times 12/10/2020 19h03 · A tacada é conhecida como “surpresa de outubro”. Nos períodos prévios a eleições presidenciais nos Estados Unidos, os candidatos estrategicamente esperam até faltar um mês para os americanos irem às urnas para divulgar grandes notícias capazes de alterar os rumos da campanha, na esperança de se catapultarem à vitória. Ao longo do verão americano, especialistas políticos diziam que a campanha de Trump faria anúncios positivos sobre a vacina contra a covid-19, para impulsionar os voláteis mercados e melhorar a percepção pública sobre a forma como governo lidou com a pandemia, que matou mais de 200 mil americanos. Em vez disso, a grande surpresa veio há pouco mais de uma semana, quando o presidente anunciou nas primeiras horas de 2 de outubro que os testes dele e de sua esposa haviam dado positivo para a covid-19. De imediato, os mercados caíram com a notícia. Embora depois tenham se valorizado bastante, o diagnóstico de Donald Trump aumentou o grau de volatilidade e inquietou investidores. O abalo atraiu as atenções para a própria eleição, um evento ainda maior para os mercados. Quais são os prováveis cenários e como os investidores pelo mundo, incluindo os do Reino Unido, podem mitigar os riscos? Os investidores britânicos estão vulneráveis porque são bastante atuantes nos mercados globais e têm a maior parte dos recursos internacionais nos EUA. Na Interactive Investor, uma das maiores plataformas on-line do Reino Unido para investidores por conta própria, os clientes têm mais de 20% do patrimônio investido no exterior. Em média, 77% disso está em ações nos EUA. O que importa para os investidores, ainda mais do que o vencedor da eleição, é o tamanho da vitória, segundo especialistas. Um resultado eleitoral contestado complica qualquer previsão. Soma-se às incertezas a corrida paralela pelo Senado entre os republicanos, que atualmente controlam a casa, e os democratas, que hoje dominam a Câmara dos Deputados. Uma maioria democrata nas duas casas, combinada a uma vitória de Biden, abriria caminho para aperto na regulação e aumento de impostos para empresas. Tradicionalmente, ambas as perspectivas representam más notícias para as ações, de forma correspondente ao impulso às ações nos EUA proporcionado pelos cortes de impostos de Trump. Por outro lado, um controle dividido do Parlamento poderia significar paralisia legislativa e incertezas quanto a pacotes de estímulos econômicos, que tendem a impulsionar os mercados. No caso de investidores estrangeiros, também há considerações cambiais. Em termos gerais, o dólar esteve forte nos últimos cinco anos, inclusive durante a presidência de Trump. Mas será que isso vai durar, em especial se a eleição tiver o resultado contestado? Será que investidores britânicos em particular, que têm a volátil libra esterlina como moeda, acertarão o tempo de qualquer aposta relacionada ao mercado de câmbio? Será que a doença de Trump pode mudar algo? Depois do anúncio do teste positivo para covid-19 de Trump, o mercado futuro de ações nos EUA caiu no início dos negócios e o índice de volatilidade Vix subiu 2 pontos, para 28 pontos. Um choque, mas moderado se comparado a outros saltos nos 30 dias anteriores. Os investidores, porém, parecem estar cada vez mais preocupados com as tensões entre Trump e os democratas no que se refere a um novo pacote de estímulos fiscais. Na semana passada, sinais de progresso na aprovação do pacote levaram gestores de fundos a incorporar nas cotações um “mais do que necessário impulso às perspectivas econômicas”, segundo Richard Hunter, chefe de mercados na Interactive Investor. Os mercados de ações, entretanto, caíram depois de Trump anunciar de repente que abandonaria as negociações com os democratas. “Também há receios quanto à capacidade de Trump de lidar nas próximas semanas com os preocupantes problemas políticos e econômicos atuais”, diz. Depois de uma curta internação hospitalar, o presidente voltou à Casa Branca, mas ainda não está claro se o diagnóstico e sua resposta a ele resultarão em maior simpatia do público por ele ou se prejudicarão a campanha republicana. “Com algumas pesquisas de Estados-chave acirradas e este teste positivo chegando tão perto das eleições, esse acontecimento apenas aumentará a incerteza nos mercados”, diz Susannah Streeter, analista de investimentos na Hargreaves Lansdown, maior plataforma de investimentos do Reino Unido. “Já há sinais de fuga para a segurança, com o dólar e o iene valorizando-se bastante e o ouro também em alta. Os títulos do Tesouro dos EUA também deram um salto [para cima], uma vez que os investidores buscam onde se proteger.” A queda da bolsa americana também poderia sugerir que os investidores veem uma vitória de Biden como mais provável do que nunca. “A intenção de [Biden] de elevar os impostos não será boa para os lucros das empresas e, portanto, é negativa para o mercado de ações”, diz Russ Mould, diretor de investimentos da plataforma de investimento AJ Bell. E se Trump vencer? Uma vitória de Trump combinada a um Congresso dividido — a manutenção da situação atual — levaria a poucas mudanças nos mercados, de acordo com analistas. “O foco dos mercados mudaria para o tamanho e o momento das políticas adicionais de estímulos fiscais e como qualquer atraso na negociação de estímulos poderia impactar os mercados”, diz Adrian Lowcock, chefe de investimentos pessoais na plataforma de investimentos Willis Owen. Os investidores podem considerar uma segunda presidência de Trump como algo “pró-empresa”. Depois do corte do imposto de renda de pessoa jurídica de 35% para 21%, mais medidas fiscais poderiam estar no forno, embora o espaço para a adoção de mais estímulos relacionados à pandemia seja limitado. Há pouco otimismo, porém, em relação à economia. Embora o desempenho de ações de crescimento, como as das cinco maiores empresas de tecnologia nos EUA (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google, conhecidas como Faangs), tenha superado a média do mercado, a maioria das demais ações está cambaleante, sinalizando que os investidores não veem recuperação ampla no curto prazo. “Uma vitória de Trump com um Congresso dividido provavelmente é algo bom para as ações. As Faangs continuarão superando a média do mercado, à medida que o foco passar mais uma vez para as tensões com a China e a UE”, diz Graham Bishop, diretor de investimentos na Heartwood Investment Management. Analistas ressaltam que uma vitória de Trump quase certamente significaria mais atritos no comércio exterior e uma escalada no conflito comercial com a China. Tudo isso pressionaria o dólar, um fator importante em consideração para compradores estrangeiros de ações americanas. “O risco político é alto, o dólar está se enfraquecendo, os juros estão no chão, então o ouro é atraente. O endividamento das empresas está no maior nível da história, o endividamento do governo é alto”, diz Luca Paolini, estrategista-chefe da Pictet Asset Management. “Tudo está contra o dólar.” Uma vitória de Biden será mesmo ruim para os negócios?

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