sábado, 3 de outubro de 2020

De louco, preconceituoso e autoritário todos temos um pouco

A vida nunca foi fácil, mas a gente tinha mais alegria... Falar do passado virou moda com a quarentena, o virus e a pandemia. De repente quase nada do presente presta: Ser rebelde é não acreditar em nada; Fazer faculdade deixou de ser garantia de segurança para o futuro; Casar passou a ser mais dor de cabeça do que alegria; Comprar casa ou apartamento ficou mais fácil, o dificil passou a ser o pagar 30 ou 40 anos de prestações; Ter filho, então, passou a ser um desafio maluco: pagar a gravidez, pagar o parto, o por fora do convênio, o berçário tão caro quanto a faculdade, acompanhar a adolescência dos filhos com suas frustrações de sonhos e paqueras; E o milagre aconteceu: Hoje há mais mulheres ganhando mais do que os homens, e isto é a maior revolução de todas. O homens tiveram que aprender a ser segundo em casa, e as mulheres tiveram que aprender a respeitar seus maridos, mesmo quando eles não sejam seus príncipes encantados ou seus executivos milionários... O casal moderno, por trabalhar fora, não consegue tempo para cuidar e educar os filhos. As referências modelares de antigamente perderam seus papeis. A mãe, a professora, o padre ou pastor, o pai e os irmãos... A residência também descaracterizou-se. Agora, cada um fica no seu quarto com seu celular, seu computador e sua televisão. Antes, todos ficavam na sala de jantar ou na cozinha papeando... De repente, como os espaços coletivos vão sendo substituíidos por espaços individuais, o nosso lado louco, preconceituoso e autoritário vai aparecendo com mais facilidade. Nos espaços coletivos de antigamente, a tolerância, a ajuda mútua, o estudar junto, o passar as férias no campo ou na praia ajudavam as crianças a conviver com as pessoas diferentes. A pandemia com o virus e os milhões de contaminados e mortos fizeram o mundo parar. Mesmo com toda a tecnologia atual, os governantes não foram capazes de interromper o poder do virus. De repente, como se tivéssemos sidos atacados por extra-terrestres, perdemos nossa capacidade de administrar a Terra. Perdemos o poder sobre o planeta e sobre os seres... E com a privatização de todas as políticas públicas passamos a viver subordinados às empresas incompetentes, exploradoras, corruptas e caras. Diziam que com a privatização ia ter concorrência. Mentira! Água, luz, telefone, gás, bancos, é tudo ou oligopólio ou monopólio. São sempre duas ou três empresas que controlam o segmento delas. E cobram o que querem. Aos poucos vamos nos dando conta de que este sistema de sociedade, de governo e de formação não está mais dando conta do recado. É preciso mudar na forma e no conteúdo. Se tudo público não presta, tudo privado também foi provado que não presta. Temos que ter bom senso na vida pessoal e na gestão da comunidade e dos países. Até Trump, presidente do maior e mais importante país do mundo, caiu ante um simples vírus. Imaginem as pessoas comuns, os anônimos? E quando temos alguém doente na família, quanto custa mantê-la a vida toda e como mantê-la respeitando-a e integrando-a na família e na comunidade? Evoluímos muito quando comparamos com antigamente. Porém, ainda temos casos gravíssimos. Hitler, no início do nazismo, mandou matar os doentes internados, como forma de liberar recursos para a guerra, que criaria novos doentes... Os governos atuais não mandam matar os doentes, mas, a omissão nos cuidados com as políticas públicas e a pressão para que o equilíbrio orçamentário, o respeito ao teto orçamentário e as outras prioridades com os serviços privatizados fazem morrer milhões de pessoas. Eu sempre tive um pouco de louco, de preconceituoso e de autoritário, agora somado ao fato de também ter a doença de Parkinson com suas consequências. Então, na hora de criticar acidamente uma pessoa ou uma religião ou um político, eu procuro entender quais são as variáveis que interferem na vida das pessoas e das comunidades. Precisamos fazer um grande esforço para diminuir o ódio e aumentar a compreensão, a solidariedade e a interdição respeitosa. E para mostrar que sou louco e tenho me segurado, sou corintiano, brasileiro, sindicalista e tenho visto as empresas fecharem, os empregos sumirem, o dinheiro virar pó - opa, pó não, o dinheiro tem virado dívidas. E vamos ter uma eleição fantasma para prefeitos e vereadores. Tenho que apelar de novo para o velho Chico: Chame o ladrão, chame o ladrão!

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