segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Bancos: As montanhas estão se movendo

Banco XP resolveu partir para as cabeças Com a taxa Selic baixa, inflação nominal baixa e agora com o PIX, o sistema financeiro nacional vai passar por tempestades e reordenamento dos atores e competidores. O XP resolveu partir para as cabeças e disputar em todas as áreas do mercado. Incomodando principalmente o Itaú, o Bradesco e o Santander. Vejam esta longa matéria do Valor de hoje: Banco XP busca ser líder no atacado Valor Econômico https://valor.globo.com/financas/noticia/ Por Maria Luíza Filgueiras — De São Paulo 05/10/2020 Desde o ano passado, instituição galgou posições como coordenadora de emissões de dívida e ações. Presidente e chefes de área do Banco XP: Mesquita, do banco de investimento, Balassiano, do corporate, Berenguer, presidente, e Podlubny, do private Quando a XP comunicou a contratação de José Berenguer, ex-presidente do J.P. Morgan que entrou como sócio na nova companhia, pipocaram especulações sobre o caminho a seguir: assumir o banco de varejo, atrair médias empresas, aumentar a carteira de fortunas. Há um mês, ele assumiu o cargo de presidente do Banco XP, que soma equipe de 300 pessoas, e declara uma meta ambiciosa. “Meu mandato é bastante simples: junto com a equipe, tornar o banco de atacado o número um do Brasil em três anos”, disse o executivo ao Valor, em sua primeira entrevista na casa nova. Já destituído do terno e gravata e devidamente adaptado ao colete característico da ala jovem do mercado financeiro, Berenguer diz que há várias métricas possíveis, já que o ranking pode ser medido em ativos, em indicador de satisfação de clientes (NPS), em receita. “No nosso conceito, é principalmente de qualidade do serviço. Queremos ser a primeira ligação do cliente quando ele pensar em um produto de atacado”, diz. “Isso inclui ser o private banking principal da carteira de investimentos dele, ser o assessor em operação no mercado de capitais, atendê-lo para um contrato de hedge.” Sob o Banco XP ficam as áreas de banco de investimento, comandada por Pedro Mesquita, o private banking, que tem como chefe Beny Podlubny, e a recém-criada área de corporate, comandada por Gustavo Balassiano, que entrou na XP há cinco meses, oriundo do Itaú BBA. A atividade bancária de varejo, que já está em fase piloto com conta e cartão de crédito, não fica sob o guarda-chuva de Berenguer - fica a cargo de Gabriel Leal, sócio-diretor da corretora, e pode eventualmente ter distinção de marca. Num rearranjo de áreas, os departamentos de câmbio, cobrança e pagamentos vão para o atacado. Mas a mostra de que a intenção é entrar na briga de gente grande é que o atendimento às médias empresas não será realocado, ao menos no momento, para o comando de Berenguer. “Nossa cobertura de middle é via agentes autônomos, acreditamos que dessa forma há mais vantagem competitiva”, diz. São 65 mil CNPJs na base da XP, entre os 2,36 milhões de clientes. No corporate, ficarão as companhias com mais de R$ 1 bilhão de faturamento anual. “Hoje são 600 grupos econômicos sob minha responsabilidade, que não ficam só no eixo do Sudeste. Vamos ter um business forte de tesouraria, com gestão de caixa, câmbio, derivativos, desconto de fornecedores”, diz Balassiano. O plano pode representar uma guinada na composição de negócios da XP. A expansão da companhia em duas décadas foi notadamente no varejo, sua área de origem. Com carreira nos bancões tradicionais, Berenguer sabe que a concorrência é pesada, mas ele considera que a XP tem vento a favor. “Estamos num ambiente muito propício para acelerar o banco, com tecnologias mais novas, como Pix, nova central de recebíveis, são evoluções puxadas pelo mercado ou pelo Banco Central”, diz. “Além do contexto, tem a vantagem da cultura da empresa. Os bancos tradicionais são transatlânticos que não têm agilidade de jet ski. Aqui é o transatlântico que consegue mudar de direção rapidamente.” Balassiano também diz que a agilidade, acesso a todos os níveis hierárquicos e flexibilidade para ajustar e aprovar produtos lhe saltaram aos olhos. “É um choque a velocidade de decisão. Um contrato de derivativo pedido num dia é aprovado no seguinte, coisa que num banco grande leva no mínimo duas a três semanas”, afirma. Desde o ano passado, a XP galgou posições em banco de investimento, como coordenadora de emissões de dívida e ações. O que começou pela proximidade com o investidor de varejo, cresceu com a capilaridade entre investidores institucionais. “No banco de investimento, já somos número um em renda fixa e estamos entre os três maiores em renda variável”, diz Mesquita, citando o ranking Anbima. “Temos uma proximidade grande com os emissores, não ficamos só na Faria Lima, o que nos coloca em IPOs de gigantes regionais.” A XP está, por exemplo, no sindicato do maranhense Grupo Mateus e da catarinense Havan. No atacado, o banco também fará operações de crédito, mas a proposta não é encarteirar operações. “Não queremos ser um banco de ativos de crédito, mas faremos também crédito. Vamos reter um pedaço, ficar com parte do risco, empacotar o restante e vender via fundos, para institucionais que têm demanda de produtos estruturados”, diz Berenguer. O chefe da gestão de patrimônio destaca que a integração das áreas sob um mesmo chapéu vai potencializar a integração de negócios e a venda de um pacote completo para o cliente empresário. “Agora a gente está falando de maneira uníssona com o cliente, independentemente da porta em que ele entra. A gente vai gerir o patrimônio de alguém cuja empresa pode fazer emissão de dívida ou ações com o Mesquita, estruturação e tesouraria com o Gustavo. Tem um cross-sell importante que pode potencializar muito nosso negócio”, diz Podlubny. “Esse cross-sell abre espaço para que esse empresário concentre cada vez mais o relacionamento dele conosco.” No private banking, por exemplo, um cliente de altíssima renda tem em média conta em quatro bancos - a meta é atrair o maior percentual desse capital para a XP.

Nenhum comentário:

Postar um comentário