sexta-feira, 4 de setembro de 2020

USA e China: Um precisa do outro.

Como o Sol e a Lua,

Os Estados Unidos precisam da China
E a China precisa dos Estados Unidos

Na pesquisa do Bank of America, o risco mais importante de todos é “o risco da desaceleração da China com a queda das commodities”. Banco não gosta de perder dinheiro.

Já o maluco do Trump, em vez de aliar-se à China, resolveu abrir guerra econômica e política contra a China. Este é um dos motivos que Trump vai perder as eleições no próximo dia 03 de novembro. Incompetência!

A China, com muita humildade, precisou dos Estados Unidos para chegar onde chegou. A Inglaterra ocupou e violentou a China – com a guerra do ópio – os chineses sofreram com os ingleses e depois com os japoneses.

Estudando e praticando Confúcio, os governantes da China, em vez de queimar a Marinha, como fez um imperador maluco, resolveu copiar o que o mundo tem de melhor. A informática, a indústria intensiva, a importância da formação globalizada e a capacidade produtiva com um bilhão de habitantes. Era imprescindível alimentar e prover este país com mais de um bilhão de pessoas...

A China ofereceu-se para ser “a mão de obra do mundo”, produzindo tudo que fosse possível e necessário, trabalhando de domingo a domingo, com sol ou com chuva.

Da mesma forma que “o espírito protestante que formou os Estados Unidos”, a China, com mais de dez mil anos de história, humildemente trabalhou, trabalhou e trabalhou, porém, sem abrir mão da sua autonomia, da sua soberania e da participação efetiva na produção, na gestão e na tecnologia.

Hoje, os Estados Unidos têm um presidente que tem medo da China e tenta jogar o povo americano contra a China. Trump vai perder as eleições.

Os chineses aprenderam que, mais do que brigar com Trump, era e é importante dialogar com o povo americano. Afinal, os americanos convivem com os chineses desde a implantação das ferrovias no oeste americano quando os chineses trabalharam dias e noites. As grandes cidades americanas têm suas “China Towns”.

Lembrem deste nome: SHENZHEN

Senzhen, aqui começou a grande mudança para a China e para o mundo no século 21. Há 40 anos, Senzhen era apenas uma colônia de pescadores.

Vejam este belíssimo artigo de Tatiana Prazeres, publicado na Folha.

O sucesso do Vale do Silício chinês

Lições do Vale do Silício chinês devem ser lembradas no atual ajuste de rumo de Pequim

UOL-Folha - 03/09/2020 - Tatiana Prazeres

Há 40 anos, era impensável que uma vila de pescadores no sul da China pudesse se tornar um polo mundial de tecnologia. Pois nenhuma cidade simboliza melhor a modernização do país do que Shenzhen. A região então pacata que começou produzindo cópias baratas de calculadoras e toca-fitas passou a ser conhecida como fábrica do mundo e hoje é chamada de Vale do Silício chinês

Poucos dias atrás, a China comemorou os 40 anos de criação da primeira zona econômica especial do país. Rememora o passado de olho nos desafios atuais.

Quando a China ainda era fechada ao mundo, Deng Xiaoping ousou ao estabelecer quatro áreas-piloto para atrair capital estrangeiro, estimular industrialização e exportações. Shenzhen foi a primeira e a mais bem sucedida delas.

Diferentemente do restante do país, naqueles enclaves as empresas poderiam buscar lucro, demitir funcionários, remeter divisas para o exterior. Quatro anos depois, mais 14 cidades replicariam o modelo pioneiro de Shenzhen, localizada na província de Guangdong, que, aliás, tinha o pai de Xi Jinping como chefe do Partido Comunista à época.

A experiência transformou não apenas a China mas também a governança do país.

Em primeiro lugar, reforçou a capacidade de o governo chinês experimentar. Atravessa-se um rio sentindo suas pedras —a frase atribuída a Deng simboliza a disposição em aprender fazendo e corrigir rumos.
Em segundo lugar, a experiência deu ímpeto aos esforços de descentralização econômica. Ao contrário do que comumente se pensa,
províncias e cidades chinesas têm margem de manobra considerável.

O experimento com as zonas econômicas especiais contribuiu para isso.

Shenzhen é hoje sede de empresas de equipamentos de telecomunicações como Huawei e Alberga a maior empresa de drones do mundo, a DJI, e o grupo Tencent, dono do superaplicativo WeChat. Cerca de metade dos pedidos de patente da China vem de Shenzhen. Em 2000, tinha 100 empresas de tecnologia. Hoje, mais de 30 mil.

Em 2018, o PIB de Shenzhen passou o de Hong Kong, que fica a 15 minutos de trem, com quem hoje rivaliza e que lhe serviu como fonte de capital, tecnologia e talento.

Das inúmeras lições sobre Shenzhen, duas são particularmente oportunas hoje: o equilíbrio de forças entre Estado e setor privado, e a abertura para o mundo.

Como em nenhum outro lugar da China, o modelo desenvolvido em Shenzhen permitiu liberar a energia do empreendedorismo chinês. Desfez amarras que ainda prosperam em outras partes.

Igualmente, a abertura para comércio e investimentos estrangeiros que se viu em Shenzhen estimulou reformas no plano nacional, fundamentais para a modernização do país.

Hoje, parece estar em curso na China uma atualização do seu modelo econômico. Cunhado de estratégia da dupla circulação, o modelo ainda carece de detalhes, mas sugere mais foco na economia interna e menos na integração global.

Vários temem que a nova linha implique desaceleração dos esforços de abertura e modernização da economia. Receiam que empresas estatais voltem a ganhar maior importância. Nesse contexto, vozes a favor da autossuficiência passam a ser mais influentes, sobretudo depois que os EUA adotaram sanções contra empresas da China —não por acaso, de Shenzhen.

A impressão que se tem é de que a China vai se voltar para dentro (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcostroyjo/2018/08/os-40-anos-da-abertura-comercial-chinesa.shtml), inclusive para diminuir riscos de um ambiente externo mais desfavorável tanto sob ponto de vista político quanto econômico.

A mudança de circunstâncias externas pode exigir ajustes de rumo, mas não justifica abandonar as lições que Shenzhen legou para a China. Em 2012, quando se tornou líder do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping foi a Shenzhen e depositou uma coroa de flores aos pés de uma estátua de Deng Xiaoping, artífice da modernização econômica do país. Hoje, a lembrança parece especialmente oportuna.

Tatiana Prazeres Senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, em Pequim, foi secretária de comércio exterior e conselheira sênior do diretor-geral da OMC.


Nenhum comentário:

Postar um comentário