segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Salários no Brasil são escandalosos...

Para cima e para baixo. Milhões de brasileiros não têm renda nenuma. Milhões de pessas morrendo à míngua... Mas tem gente ganhando 52 milhões de reais por ano. Alguma coisa está fora da ordem? Na Suécia chega-se ao máximo de 60 vezes o salário mínimo de lá. Na Alemanha chega-se a 146 vezes. Na Índia são 229 vezes... Até nos Estados Unidos a média é d.e 265 vezes. Mas o Brasil chega-se a mais de 600 vezes. A Alemanha é comunista? Mentira! A Suécia é comunista? Mentira! O caso brasileiro, além de escandaloso, é muita cara de pau. Quanto ganha o ministro da Fazenda brasileiro? Não vale incluir os PFs - por fora. Vejam o artigo que saiu no jornal Valor de hoje; CEOs têm remuneração 600 vezes maior que funcionário Estudo mostra discrepância nos salários de gestores brasileiros Por Juliana Schincariol — Do Rio 28/09/2020 Os principais executivos das companhias abertas brasileiras chegam a ganhar 600 vezes a mais do que a remuneração média paga aos funcionários das próprias companhias em que trabalham. O salário médio ANUAL de um CEO no Brasil em 2019 foi de R$ 11,1 milhões - excluídos os bancos, esse valor cai para R$ 9,7 milhões. No ano passado, os montantes variaram de R$ 584 mil a R$ 52 milhões, considerando as empresas listadas no Ibovespa. As informações sobre os salários são públicas e o ex-diretor da Previ e especialista em governança corporativa, Renato Chaves, fez um levantamento comparando os números. O levantamento de Chaves foi realizado com base nas informações divulgadas no formulário de referência de 2019 e publicadas este ano. Segundo o estudo, as maiores discrepâncias estão nas empresas de setor de consumo e varejo, bancos e frigoríficos, além de aparecerem no topo da lista companhias de áreas como educação e saúde. Os números são heterogêneos entre as cerca de 70 empresas analisadas. Em 17 delas, o salário do presidente é pelo menos 200 vezes maior do que a renda média dos funcionários - ultrapassando 600 vezes no caso de Lojas Americanas e Pão de Açúcar. Na Magazine Luiza, o número é 526 vezes maior. Procurada, a Americanas informou que teve em média 33.234 funcionários ao longo do ano de 2019, o que leva a uma remuneração média de empregados de R$ 32.724,29. E na maior remuneração na diretoria, “parte substancial” refere-se a ações da companhia que ficam disponíveis após cinco anos. Magazine Luiza e Pão de Açúcar não comentaram. Na ponta oposta, as menores diferenças estão na Energisa e na Eletrobras. Nessas duas empresas, o principal executivo ganha 3 vezes mais que a renda média dos funcionários. Em 32 empresas essa diferença fica acima de 100 e em 17 é de mais de 200 vezes o salário médio dos funcionários. O número de empregados e qualificação da mão-de-obra vão influenciar nessa diferença A divulgação das remunerações mínima, média e máxima, foi determinada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2009, mas o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef -RJ) obteve liminar para que um grupo de companhias abertas não detalhasse a remuneração ao mercado. Somente em 2018 a CVM conseguiu uma decisão favorável para revogar a decisão, que ainda teve mais um revés judicial, mas foi finalmente revertido em 2019. Vários fatores podem influenciar a base de comparação dos números, como contratações concentradas no fim do ano, algo comum no setor de varejo, por exemplo. Chaves afirma que a própria CVM pode mudar a requisição dos dados para melhorar a qualidade das informações. "Eventuais diferenças de forma de construção das demonstrações de valor agregado (DVA) também podem trazer diferenças", disse. A comparação feita pelo ex-diretor da Previ tem como base estudo global feito pela agência Bloomberg, que aponta uma diferença de 265 vezes nos Estados Unidos e 229 vezes na Índia, mas não inclui o Brasil. Na Alemanha, ela se reduz para 146 vezes e na Suécia para 60. Para o presidente da Associação dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Fábio Coelho, os pontos mais polêmicos em pacotes de remuneração estão relacionados a valores excessivos, conflito de interesse na aprovação dos pagamentos e também questões de transparência na divulgação. exercício do voto em assembleia e o engajamento se colocam como principais ferramentas para os investidores se manifestarem sobre esses temas”, afirmou. Coelho pondera que a remuneração varia muito entre setores, o que exige cuidado em comparações diretas em companhias de ramos distintos. “As próprias agências de proxy voting (voto por procuração) usam essa métrica com cuidado. Em geral, percebemos que investidores preferem estruturas de remuneração mais ligadas a performance de longo prazo para gerar incentivos mais adequados”, disse. A diferença tão elevada entre remunerações é um problema que não é desejável, mas há argumentos favoráveis, de acordo com o presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Eduardo Lucano. Ele compara os CEOs a atletas como Neymar ou Cristiano Ronaldo, cujos salários são muito mais elevados em comparação a outros jogadores de futebol. “Quando você vê um Messi ou Neymar jogando, você entende porque eles valem mais”, disse. O presidente de uma companhia precisa ter uma visão competitiva para o negócio, o que envolve conhecimento de mercado, concorrência, tecnologia e cultura internacional. Para Chaves, responsável pelo estudo, os salários elevados mostram que há uma concentração nas mãos de apenas uma pessoa. “A comparação do salário do CEO com a remuneração média da companhia mostra que há muitas discrepâncias”, afirmou. Na visão dele, o investidor precisa se questionar se este executivo gera proporcionalmente toda essa riqueza para a companhia. “Existe uma glorificação do CEO do Brasil, de que ele é um super homem e por isso tem que ser remunerado de forma agressiva. Já cansamos de ver situações em que o CEO está levando a companhia para o caminho errado. E mesmo quando é afastado, ele deixa a empresa milionário”, afirmou. “Do ponto de vista de governança, o mais importante é entender se a companhia tem mecanismos para atrelar essa remuneração, que sem dúvida é elevada, ao desempenho de curto, médio e longo prazos. A crise de 2008 revelou que existiam muitas companhias de grande porte que tinham remuneração elevada e estimulavam os executivos a assumir mais riscos do que deveriam, com as remunerações ligadas apenas ao curto prazo”, disse o advogado Carlos Portugal Gouvea, professor na USP e sócio do escritório PGLaw. Considerando um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de US$ 9 mil, um brasileiro médio pode levar quase 100 anos para atingir a remuneração de um executivo em apenas um mês, considerando o maior salário, comparou o diretor-executivo do Sistema B, Marcel Fukayama. “Isso é uma distorção. Os números evidenciam o aumento da desigualdade a partir da remuneração”, completou. O Sistema B, criado pela organização americana B Lab, confere a companhias que assim o desejarem uma certificação de sustentabilidade, desde que comprovem práticas sociais e ambientais. A certificação se baseia em metas cumpridas. No Brasil, as companhias abertas que já possuem esse selo são Natura e Movida. A entidade analisa a remuneração de companhias, mas com uma métrica diferente - são comparados o maior e o menor salário. Para Fukayama, há uma tendência de que o múltiplo salarial seja um dos indicadores de gestão de risco de companhias. “Com o crescimento do ESG, é possível que métricas como essa devam seguir pautando a agenda do investidor”, disse.

Nenhum comentário:

Postar um comentário