segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Glória, Augusto, Gushi, Nelson Silva, Dedé... Presente!

A morte que nos espera

Antes eram nossos pais, agora somos nós...

Ontem foi Gloria, já tivemos Gushi e Augusto, Nelson Silva e Dedé, e tantos outros colegas, militantes, parentes e amigos que vão morrendo e a gente vai chorando a perda de pessoas tão queridas...

Todos iremos, em algum momento e de alguma forma.

Luizinho Azevedo teve a boa ideia de juntar o pessoal que atuou na Oposição Bancária até 1983, quando houve a intervenção da ditadura militar no nosso sindicato.

A elaboração e os contatos estão fazendo o maior sucesso, já são quase 200 pessoas. E é a maior festa quando o contato é confirmado.

Um outro lado bonito deste encontro é que são convidados tanto dirigentes, militantes de base e funcionários. Sem distinção. Outro aspecto positivo é que todos os convidados, não importa qual é o partido ou a tendência política que atua ou atuou.

A proposta de Luizinho é fazer uma grande “live” nesta sexta-feira, dia 11 de setembro, a partir das 19:00h.

O curioso é que, ao fazer a lista dos militantes, aos poucos vamos sendo informados dos que “partiram”, isto é, dos que já faleceram. Cada nome novo é uma surpresa. Muitos partiram sendo mais jovens do que nós.

Eu contei 38 companheiros(as) que já foram. É muita gente...

Ao ver os amigos partirem vem também a questão da fé e da religião. Cada um faz sua despedida conforme seu credo. Muito bonito e respeitoso.

Eu, antes de vir para o sindicato, dava aula de religião, na Federação Espírita do Estado de São Paulo, era de esquerda e da Teologia da Libertação, amigo do povo da Igreja Católica libertária.

O fato de ser religioso, fazer terapia e já estar com 66 anos de idade, não me impede de ser sentimental. Emociono-me e choro quando fico sabendo da morte de alguém próximo.

Não tenho medo de morrer nem da morte, tenho medo dos vivos e da vida.

Os vivos, ante a crise do vírus, da economia e do desemprego, ficam odientos, agressivos, mentirosos e defendem “o salve-se quem puder”, pensando que assim seja mais fácil.

A vida, hoje você está bem, com saúde, trabalhando e feliz, de repente aparece uma doença que você nunca pensou e muda sua vida.

Quando eu achava que depois de mais de 40 anos de contribuição ao INSS eu fosse ter uma aposentadoria tranquila, apareceu-me uma tal de “doença de Parkinson” e eu estou tendo que me adequar a ela. Ainda bem que a filha já está casada e bem formada e a esposa profissionalmente está também realizada. Tem recursos próprios para viverem com dignidade.

- Quantos já estão também enfrentando outros desafios?

- Quantos se aposentaram sem ter complementação de aposentadoria e viram sua renda diminuir dia após dia?

- Quantos ficaram doentes e não têm convênio médico para fazer o tratamento?

- Quantos não têm dinheiro param comprar remédios ou fazer um exame bem feito?

- Quantos estão enfrentando a aposentadoria morando sozinhos?

Evidencia-se a diferença entre ser bancário de banco público ou de banco privado... Os bancos públicos têm ou tinham a assistência médica para os aposentados. Os bancos privados não têm. Os salários dos bancos públicos eram maior que dos bancos privados.

Aí você entende porque a direita neoliberal quer acabar com os bancos públicos.
Além de se apropriar dos recursos públicos, os neoliberais querem acabar com o exemplo dado pelos bancos públicos... Para a direita reacionária brasileira, pobre tem que morrer pobre. Se ficou doente, deixa morrer...

Muitos dos militantes antigos, e mesmo os mais novos, perguntam se depois de tanta militância e de ter vivido o governo Lula, que defendeu os trabalhadores, melhorou os salários, melhorou os empregos e a qualidade de vida do povo brasileiro, ter que conviver com um governo entreguista, medíocre e violento como o governo Bolsonaro e sua quadrilha. Será que valeu a pena? Será que viveremos um tempo melhor que este?

É evidente que valeu a pena.
Tudo que houve de melhora dos anos 70 para cá tivemos uma influência direta e positiva. Todos os militantes estão de parabéns e merecem ser reconhecidos pela História.

Com certeza viveremos para ver este Brasil voltar a ter alegria, ter saúde e ter felicidade. Poderemos ter que lutar mais uns dez ou quinze anos, mas isto não impede de voltar a primavera e a dignidade nacional.

Eu poderia escrever centenas de páginas sobre a importância de Glória Abdo para os bancários, para os aposentados e para sua família. Mas, como ao me concentrar em Glória eu fico emocionado e perco a qualidade da escrita. Assim, achei melhor falar da vida de todos nós, incluindo a Glória, a Vanessa, sua Vanessa, sua filha, falar do Brasil como um todo.

Estou com 66 anos de vida, meus pais estão com 96 anos. Portanto, tenho mais 30 anos pela frente. Posso não ter a energia para ir aos piquetes e aos mutirões, mas mantenho a força da palavra falada e escrita para fazer o bom combate.

Voltaremos a ter a confiança do povo e, pelo voto, derrotaremos o neoliberalismo e os entreguistas, com o apoio e a participação do povo, reconquistaremos o direito de construir um Brasil de todos, para todos e com todos.

Vamos viver cada dia como se fosse o último. Vamos valorizar nossas famílias, nossos colegas de trabalho e de militância, vamos viver tornando cada minuto como uma oportunidade para reconquistar nossos sonhos e nossa felicidade.

Glória, Augusto, Gushi, Nelson Silva, Dedé e todos que partiram mas ainda estão com a gente, in memorium,

PRESENTE!

6 comentários:

  1. Presente! Lindo e emocionante texto Gilmar! Honrar os que partiram e seguir lutando com aqueles que compartilham os mesmos sonhos. Grande abraço.

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  2. Presente! Lindo e emocionante tecton Gilmar. Honrar os que partiram e seguir lutando com aqueles que compartilham dos mesmos sonhos. Grande abraço.

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