terça-feira, 1 de setembro de 2020

Bradesco quer crescer mais no Brasil

A montanha está se movendo...

Quando o Bradesco perdeu a liderança nacional para o Itaú-Unibanco, pareceu que “os céus tinham caído sobre as cabeças dos dirigentes do Bradesco”.

O banco começou a dizer que iria crescer organicamente e buscaria retomar a liderança sem precisar comprar outros bancos. Até porque já não bancos à venda. Talvez só o Santander possa ser uma boa cartada..

Mesmo crescendo, o Bradesco via o Itaú sempre aumentando seus lucros e se distanciando do Bradesco. Com o aumento da concentração da renda no Brasil, os bancos tiveram que disputar o mercado dos ricos. Onde o Itaú sempre foi forte.

O dilema do Bradesco é conseguir combinar ser o que sempre foi como banco de varejo de vanguarda e, ao mesmo tempo, conseguir conquistar os ricos. Para isto, teve que diversificar sua estrutura. Investir em Banco de Investimento, em fusões e aquisições e também aumentar sua rentabilidade.

Mais do que ganhar mercado, esta notícia de que o J.P. Morgan está montando uma parceria com o Bradesco, reforça a imagem positiva neste segmento de alta renda.

Lázaro Brandão não viveu para ver o Bradesco recuperar a liderança, mas é capaz de este dia não estar tão longe assim...

Vejam a notícia do jornal Valor:

J.P. Morgan indicará clientes ao Bradesco

Instituição americana deixará de ter operação local para pessoas físicas, com R$ 20 bilhões

Por Talita Moreira e Adriana Cotias — De São Paulo 01/09/2020

Marcelo Noronha, vice-presidente do Bradesco: parceria reforça atuação entre a clientela de alta renda

O J.P. Morgan vai deixar de ter uma operação de private banking local no Brasil, e assinou na noite de ontem um acordo por meio do qual indicará clientes ao Bradesco

O acordo não contempla nenhum desembolso do banco brasileiro neste momento, já que ele não vai adquirir a carteira. A migração de clientes é voluntária. No entanto, o Valor apurou que o J.P. Morgan poderá receber uma comissão mais à frente, dependendo de quantos forem para o Bradesco.

É esperado também que o Bradesco fique com parte da equipe do banco americano, formada por pouco mais de 70 pessoas entre as áreas de private banking local e offshore. O número, porém, não estava definido até o fechamento desta edição porque uma parte será realocada pelo próprio J.P. Morgan. O banco americano tem pouco mais de R$ 20 bilhões sob gestão em sua operação local de private banking, e prefere concentrar sua força no país no atendimento a empresas, segundo fonte próxima à instituição.

O J.P. Morgan vai continuar oferecendo sua plataforma offshore para pessoas físicas endinheiradas, que historicamente sempre foi maior em número de clientes e em base de ativos. Embora não represente um volume muito expressivo em termos de ativos, o acordo significa para o Bradesco mais um passo na estratégia de reforçar o segmento de alta renda - um objetivo que vem sendo perseguido mais fortemente desde o início da gestão de Octavio de Lazari Jr. no banco.

“O acordo é muito bom para nós e reforça nosso posicionamento no private”, afirma Marcelo Noronha, vice-presidente de atacado do Bradesco. De acordo com o executivo, a chancela de um nome de referência global é importante e reforça o posicionamento do banco brasileiro, que vem fazendo mudanças importantes na área.
Com mais de R$ 300 bilhões sob gestão, o Bradesco vem tentando atrair e reter clientes no private, que passaram a ser muito cortejados nos últimos anos por outras instituições financeiras e corretoras. Entre as mudanças, o Bradesco ampliou a equipe de atendimento, que passou a contar com 450 pessoas, e designou Augusto Miranda, ex-HSBC, como novo diretor do private.

“Reforçamos o assessoramento para atender não só investimentos, mas também serviços”, disse Noronha. No private do Bradesco, são atendidos clientes pessoa física com pelo menos R$ 5 milhões em investimentos na instituição. De acordo com fonte próxima ao J.P. Morgan, a decisão de sair do private local está relacionada às mudanças no ambiente macroeconômico e de taxas de juros no Brasil.

Esse interlocutor afirma que o acordo de indicação reflete “a vasta plataforma de produtos e serviços, experiência, desempenho e solidez financeira do Bradesco”. Outra fonte próxima ao banco americano observa que a instituição resolveu concentrar esforços nos serviços “offshore”, que são onde tem maior escala e diferencial.

“Com a queda das taxas de juros no Brasil, ficou mais difícil manter um negócio com pouca escala”, afirma. “No onshore éramos pequenos. No offshore somos os maiores para clientes brasileiros.” Procurado pelo Valor, o J.P. Morgan não comentou o assunto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário