quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Bolsonaro e Guedes fazem o Brasil se parecer com a Índia

O Brasil se parece mais com a Índia

Políticos neoliberais e conservadores levam países a retrocesso

Edmar Bacha, economista, criou a imagem de Belíndia para comparar o Brasil com parte sendo igual a Bélgica e outra parte sendo igual a Índia.

Na época do governo Lula, o Brasil começou a crescer rapidamente, passou a ser grande exportador, importador e a ter um grande futuro. Foram mais de 40 milhões de brasileiros saindo da pobreza e fazendo parte de uma nova “classe média”.

Mesmo no governo Dilma, o Brasil ainda teve pleno emprego e inclusão social, com Bolsa Família, Minha casa minha vida e estímulos à educação em todos os níveis. Tudo indicava que o Brasil caminhava para ser igual ou melhor que a Bélgica.

Mas no meio do caminho tinha uma pedra, como dizia o poeta. A pedra da inveja, do preconceito e do entreguismo. Apoiados pelos Estados Unidos, que estava com medo do Brics, os conservadores brasileiros deram mais um golpe de Estado, derrubaram o governo e restabeleceram o servilismo aos Estados Unidos.

Agora o Brasil volta a parecer-se mais com a Índia que com a Bélgica ou a Holanda. Ouso dizer que o governo da Índia é melhor que o governo Bolsonaro.

Vejam este quadro econômico da Índia, publicado no Valor de hoje...
Estamos falando de um país com 1,353 bilhão de pessoas...


Índia tem mergulho na economia e na epidemia

A Índia registrou a maior queda no PIB entre todas as principais economias mundiais, segundo levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)

Valor - Por Vibhuti Agarwal e Eric Bellman — Dow Jones Newswires, de Nova Déli 01/09/2020

A economia da Índia sofreu uma contração recorde anual de 23,9% no segundo trimestre, refletindo o colapso nos gastos de consumo em decorrência do regime de confinamento adotado em todo o país e o temor da pandemia.

Trata-se da maior queda entre todas as principais economias mundiais que anunciaram dados do PIB para o trimestre, segundo levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Também é a maior queda da Índia desde 1996, quando o país começou a divulgar resultados trimestrais para o PIB.

O confinamento na Índia, que começou no fim de março, esteve entre os mais rígidos do mundo, e fechou virtualmente todas as partes não essenciais da economia. Mas conseguiu apenas adiar a disseminação do vírus, que continuou a subjugar a atividade econômica depois do início da flexibilização do confinamento em maio, exatamente quando a epidemia começou a atingir as cidades densamente povoadas da Índia.

Os investimentos caíram 47% no segundo trimestre, enquanto os gastos do consumidor recuaram quase 27%. Os gastos governamentais cresceram 16%, mas não foram suficientes para superar a depressão causada pela pandemia. Economistas observam que houve uma aceleração no nível de atividade com o fim do confinamento, mas essa retomada é limitada pela propagação do vírus das cidades para as áreas rurais.

A Índia tem mais de 3,5 milhões de casos confirmados e 60 mil de óbitos decorrentes da covid-19. Com mais de 78 mil novos casos ao dia - mais do que qualquer outro país no mundo -,prevê-se que a Índia ultrapassará o Brasil e os EUA para assumir a liderança mundial no total de casos notificados.

Isso significa que a economia da Índia tende a enfrentar dificuldades, ou até a encolher, em cada um dos próximos dois trimestres, uma vez que empresas e consumidores permanecerão hesitantes, disse a economista Anagha Deodhar, da ICICI Securities. “O vírus está se deslocando rapidamente para áreas rurais, e os pontos de grande incidência nas megacidades estão se agravando”, disse ela.

“Isso fará com que o caminho da recuperação da Índia seja mais longo.”

Prevê-se que o PIB da Índia sofrerá uma contração de mais de 5% no atual ano fiscal, que vai até março de 2021, segundo estimativas de muitos economistas.

Se isso acontecer, será o pior desempenho do país em várias décadas.

A precariedade do cenário econômico deverá tolher a Índia num momento em que o país disputa com a China por maior influência na Ásia. Poderá também pressionar os líderes indianos a tomar medidas politicamente difíceis, como o afrouxamento das leis trabalhistas e da posse da terra.

Depois de colocar 1,3 bilhão de pessoas num rígido confinamento, o governo começou a flexibilizar algumas restrições em maio, o que levou a um salto da atividade econômica. Mesmo assim, os gastos de consumo permanecem bem abaixo dos níveis pré-pandemia.

“A tendência de crescimento do consumo será mais baixa” do que nos últimos dez anos, disse Sonal Verma, economista-chefe da Nomura para a Índia.

“Temos agora um consumidor mais cauteloso devido à incerteza.” Autoridades indianas aceleraram a liberação de estímulos fiscais e monetários, mas isso não foi suficiente, segundo economistas. Foram mais de US$ 250 bilhões em pacotes econômicos destinados a ajudar a economia, enquanto o banco central cortou os juros.

Dados de mobilidade do Google mostram que, apesar dos esforços do governo para restabelecer a confiança, o nível de atividade em torno de locais recreativos de varejo na Índia continua 40% abaixo do nível observado antes da pandemia, no início deste ano.


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