domingo, 2 de agosto de 2020

Senador Paim do RS: Ser negro no Brasil é cruel

O pior racista é o que não quer discutir o racismo

Paim já foi sindicalista, já foi deputado federal e há vários mandatos, é senador pelo Rio Grande do Sul. Se ser negro na Bahia já não é fácil, imaginem ser negro no Rio Grande do Sul? Mas o Paim é tão bom que conseguiu superar todos os obstáculos e virou um senador que todos os gaúchos gostam...

Mas tchê, e se Paim quiser se candidatar a governador do Rio Grande? Pode? Poder, pode, ganhar é outra coisa...

Hoje a Folha deu uma página inteira para Paim. Página A10, nobre, e de domingo. Vai causar muito ciúme nos petistas gaúchos. Mas, Paim merece.

Vejam as questões mais relevantes da entrevista de Paim:

1 - Como o Brasil nunca teve financiamento público de campanha eleitoral, como os pobres são negros, os brancos se aproveitam que tem mais dinheiro e se elegem mais, muito mais.

2 - Com a criação das cotas, hoje nas universidades públicas os negros já são por volta de 50% dos alunos, enquanto nas faculdades privadas, a presença de negros é de apenas 16 ou 17%. Um dos motivos é falta de dinheiro. Além da cota para entrar, precisa ter um fundo para ajudar a se manter durante o curso e a comprar material escolar. A cota é importante e ajuda, mas precisam ter fim, ter prazo de duração. Os Estados Unidos tiveram uma política de cotas durante um longo período.

3 - O racismo no Brasil é tão forte, tão cruel, que eu tenho de dizer que todo negro que disser que nunca sofreu ato de racismo está faltando com a verdade. O racismo é tão cruel, dói tanto, que tu te negas a falar dele.

4 - Ah, antes que eu esqueça, Paulo Renato Paim, 70 anos, foi metalúrgico em Canoas, foi uma dos fundadores da CUT - Central Única dos Trabalhadores, tendo sido seu secretário geral e depois foi deputado federal e é senador sempre pelo PT.

5 - Sendo mais de 50% da população brasileira, sendo um grande mercado consumidor, sendo um grande exército de mão de obra, além de contribuição importante no mundo esportivo e cultural.

6 - A ausência de negros no judiciário, nas cátedras universitárias, nas diretorias de bancos públicos e privados, nos parlamentos e nos governos municipais, estaduais e federal já não dá mais para esconder. E é melhor incorporar, incluir esta metade da população brasileira de forma amigável, criando legislações afirmativas e reconhecendo diversidade nacional.

Paim é um bom caso de sucesso em todos os sentidos. E nunca perdeu a ternura...

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