terça-feira, 25 de agosto de 2020

Presidente da China prevê período de "vacas magras"

Valorizar o mercado interno e procurar manter as exportações

Não vai ser fácil...

Aprendendo com Confúcio, com a Bíblia e com o mercado internacional,
a China está se preparando para a retração na economia mundial.

Provavelmente o presidente da China, Xi Jinping, deve estar levando em consideração que, mesmo mudando o presidente dos Estados Unidos, a tendência é aumentar o protecionismo americano na tentativa de gerar mais empregos internos.

O mesmo deve acontecer com a Europa.
A época das “vacas gordas” na Europa acabou. Ou os europeus estimulam o mercado interno, tanto para consumir como para produzir, ou haverá o retorno de partidos e governos de direita, provocando fechamento de fronteiras, tanto para imigrantes como para produtos...

Acontece que “somente o mercado interno” não é condição suficiente para autossustentabilidade econômica nem nos grandes nem nos pequenos países.

As três economias mais fortes – Estados Unidos, China e Alemanha – abastecem o mundo com seus produtos e suas tecnologias... Só que, o mundo também vai precisar de superávits comerciais e também irão proteger seus mercados.

O livre comércio, que NUNCA foi livre, muito menos nos Estados Unidos, tenderá a ficar ainda menos livre, aumentando o protecionismo, a tensão política e social. E aumentando também o surgimento de populistas perigosos como Trump e Bolsonaro.

Já que a China está, com sabedoria, preparando seu Plano Quinquenal, o Brasil, apesar de ter um presidente louco, também precisa se preparar para as “vacas magras”. Quem não pode contar com os governos, deve contar com os especialistas do mercado, da academia e da classe trabalhadora. Se o Brasil "dormir de toca" ficará ainda mais pobre e mais violento...

Vejam abaixo a matéria do Valor de hoje:


Presidente da China alerta para 'período de mudança turbulenta'


Segundo Xi Jinping, aumento do risco dos mercados externos exige que os formuladores de políticas dependam cada vez mais da demanda doméstica para estimular o crescimento

Por Valor, com agências internacionais — Pequim 25/08/2020 08h59

O presidente chinês, Xi Jinping, alertou que a segunda maior economia do mundo está enfrentando um período de "mudança turbulenta" e que o aumento do risco dos mercados externos exige que os formuladores de políticas dependam cada vez mais da demanda doméstica para estimular o crescimento.

Xi, que presidiu um seminário na segunda-feira com um grupo de assessores de políticas e economistas estatais, discutiu as tendências econômicas de médio a longo prazos do país em preparação para a elaboração do 14º plano quinquenal.

O plano econômico de cinco anos deve ser revelado na reunião anual do parlamento no próximo ano, e Xi disse que a China deve estar preparada para "um período de mudanças turbulentas", já que a pandemia de coronavírus acelerou o protecionismo, abalou a economia mundial e interrompeu as cadeias de abastecimento.

"No próximo período, enfrentaremos cada vez mais ventos contrários no ambiente externo e devemos estar preparados para lidar com uma série de novos riscos e desafios", disse ele, segundo comentários divulgados pela agência de notícias estatal Xinhua na noite de segunda-feira.

Xi disse que o mercado doméstico "dominará o ciclo econômico nacional" no futuro, mas prometeu abrir ainda mais a economia chinesa.

Embora Xi não tenha feito referências diretas à intensificação das tensões EUAChina, ele sinalizou a disposição da China de trabalhar em questões com os Estados Unidos.

"Devemos cooperar ativamente com todos os países, regiões e empresas que desejam cooperar conosco, incluindo Estados, localidades e empresas nos Estados Unidos", afirmou.

Os Estados Unidos e a China estão em uma disputa de quase dois anos de tarifas retaliatórias e retórica conflituosa, com tensões entre as duas superpotências econômicas se espalhando para outras áreas.

Os americanos sancionaram empresas e indivíduos vinculados a uma operação de segurança em Hong Kong e aos direitos humanos, baniram um aplicativo de vídeo de propriedade chinesa, penalizaram acadêmicos chineses e fecharam o consulado de Pequim em Houston nos últimos meses.

Xi também enfatizou a importância da inovação tecnológica, acrescentando, sem entrar em detalhes, que a China deve "fazer descobertas em tecnologias essenciais o mais rápido possível".

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