quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Japão, 14 de agosto de 1945 - Acabava o sonho de toda uma era

Os deuses não eram japoneses...

Em 1912, o período Taisho sucedeu a Era Meiji até 1926.

Em 1914, o Japão já estava entre os grandes participantes do jogo internacional que incluíam a Grã-Bretanha, França, Rússia, Austria-Hungria, Estados Unidos e Japão.

Na primeira guerra mundial (1914 - 1918), o Japão participou do lado dos aliados. A posição geográfica era considerada estratégica para as potências capitalistas diante do SUCESSO DA REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE, em 1917, na Rússia. Era importante conter o avanço dos comunistas...

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos começaram a ficar incomodados com o crescimento econômico e militar do Japão. Afinal, os americanos queriam controlar o Pacífico. Já em 1924 o governo americano PROIBIU a imigração de japoneses para territórios americanos. Os Estados Unidos e a Inglaterra dificultavam os negócios japoneses internacionalmente.

Em 1923, os deuses mandaram um recado aos japoneses, quando um grande terremoto atingiu Tóquio. Já tinha a crise de alimentos, somada aos impostos de guerra e os gastos para manter os investimentos nos territórios ocupados.

Em 1926, Hiroíto, o imperador subiu ao trono, inaugurando o período Showa, paz luminosa.

Em 1929, a queda da Bolsa de Nova York também atingiu o Japão, aumentando o desemprego.

Em 1932, o Japão criou um governo fantoche na Manchúria e em 1937, o exercito japonês foi responsável por massacres em Xangai e Nanquim, onde morreram mais de 500 mil pessoas, entre soldados, civis, mulheres e crianças.

Em 1936, o Japão começou a se aproximar da Alemanha nazista, deixando os Estados Unidos, Inglaterra e França ainda mais preocupados com o Pacífico na Ásia. As políticas territoriais japonesas se chocavam com os americanos.

Até 1941, os alemãs vinham vencendo a guerra na Europa e isto facilitou a ação dos japoneses na conquista das ilhas do Pacífico. A reação americana foi cortar a venda de petróleo aos japoneses, além de outras matérias primas. O big stick americano ficava cada vez mais evidente sua intenção de hegemonia americana em detrimento do Japão. Daí para começar a guerra entre Japão e Estados Unidos era uma questão de tempo e de forma. Pearl Harbor foi um erro histórico japonês pelo fato de atacar sem ainda ter formalizado a declaração de guerra, dando pretexto para os americanos partirem para "destruir o Japão" como concorrente econômico e militar.

De 1942 a 1945, as batalhas se sucederam ininterruptamente. Em 9 de março de 1945, os bombardeios americanos sobre Tóquio mataram cerca de 80 mil pessoas e mais de 100 mil ficaram feridas. Eram bombas INCENDIÁRIAS sobre casas de madeira e ruas estreitas, facilitando a ampliação do fogo... Enquanto incendiavam as cidades japonesas, em segredo, os americanos preparavam as BOMBAS ATÔMICAS.

Depois de Hiroshima e Nagasaki, em 14 de agosto de 1945, a bordo do encouraçado Missouri, os japoneses assinaram a RENDIÇÃO INCONDICIONAL.

Acabara o sonho de uma era... Pela primeira vez, o imperador falou através do rádio. Pela primeira vez o Japão perdia uma guerra. A derrota admitida pelo imperador era a da circunstância do desenrolar da guerra, mas NÃO uma derrota dos ideais da NAÇÃO JAPONESA.

Era preciso SUPORTAR O INSUPORTÁVEL. E os japoneses seguiram em frente, RECONSTRUINDO O PAÍS sobre os escombros.

Depois de tantas mortes e de tanto sofrimento, de repente, os deuses avisam que "o Japão deixou de ser invencível, o imperador não é mais o porta-voz dos deuses, muito menos divino.

O governo, pela nova Constituição imposta pelos vencedores - os americanos - deixou de ser uma monarquia absoluta, para ser uma democracia, isto é, um governo do povo, com o povo e para o povo japonês e SEM FORÇAS ARMADAS PRÓPRIAS. Até hoje há mais de 50 mil militares americanos no Japão...

Como o Japão perdeu a guerra mas não perdeu a autoestima, em poucos anos já era uma potência industrial e tecnológica, disputando o mercado internacional. Isto não impediu de a China "comunista" aliar-se aos Estados Unidos e se transformar na maior economia da Ásia e na segunda maior economia do mundo.

O século 21 será de todos os asiáticos, tendo a China como economia principal, o Japão como parceiro estratégico do ocidente e o mundo vai conviver com a economia asiática e alemã fazendo sombras para os Estados Unidos e os países da Europa.

A Terra é nossa Pátria. Precisamos juntos salvar as florestas e o meio ambiente, caso contrário, sucumbiremos mesmo sem usar as bombas atômicas...

Que os deuses protejam o Japão e todos nós. O mundo continua plural, panteísta, com a diversidade racial e de valores...

Banzai! Banzai! Banzai!


P.S.: Informações colhidas no livro - Os Japoneses - de Célia Sakurai, Editora Contexto.Célia Sakurai é mestre pela USP e doutora pela Unicamp.

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