sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Eleições como prática de liberdade e de aprendizagem

O peso dos candidatos(as) da Globo e da Folha e seus contrapesos

Algumas considerações sobre as candidaturas da direita, da esquerda consentida e da esquerda independente.

Da mesma forma que os brancos no Brasil dizem:

1 - que aqui NÃO há racismo,
2 - que o Estado é neutro,
3 - que a polícia é para prender bandido em vez de reprimir manifestações populares
4 - que a Justiça tarda mas não falha,

A esquerda vive reclamando da imprensa burguesa e manipuladora, mas, quando chegam as eleições, tanto a direita quanto a esquerda adoram ter espaço na imprensa burguesa, principalmente se tiverem espaço na Rede Globo e na Folha...

Esta imprensa, por ser tão grande e ter tanta influência no eleitorado, ao dar mais espaço para este ou aquele candidato facilita a sua eleição e o reconhecimento público.

Há no Brasil 35 partidos políticos. Partidos demais para uma democracia pró-forma. Isto é, Tem um parlamento que tem votos mas seus parlamentares não tem compromisso com o povo, sendo uma democracia de fachada, com legalidade mas sem legitimidade.

A democracia para ser verdadeira, para ter, além da legalidade, ter a legitimidade, precisa reconhecer:

1 - que a sociedade é composta de pessoas diferentes entre si,
2 - que a relação entre quem tem recursos e quem não tem deve sempre ser debatida,
3 - que a existência de vários partidos políticos deve ajudar na construção de um país mais harmonioso,
4 - que a transparência nas informações e na gestão pública e privada ajuda a evitar fraudes e corrupção.

Embora pareça o óbvio, na prática, estes requisitos não são praticados no Brasil.

Por exemplo, com a redemocratização, nas eleições sempre vemos a Globo e a Folha apoiando candidatos conservadores para governadores e alguém do PSDB para presidente da República. Ambos apoiaram Collor, depois Fernando Henrique, Serra, Alckmin e, mesmo a contragosto, apoiaram Bolsonaro.

O "Lulinha paz e amor", candidato em 2002 elegeu-se sem grande resistência da imprensa conservadora. Mas, a partir de 2006 e depois, com Dilma, a resistência conservadora foi cada vez maior, culminando com mais um golpe de Estado no Brasil.

As eleições municipais de 2020 têm dois grandes desafios:

1 - Melhorar a qualidade dos prefeitos. No caso de São Paulo, o mais provável é que o atual prefeito vá para o segundo turno;

2 - Haverá uma articulação conservadora nacional para não deixar o PT crescer. Evitando assim que o PT chegue muito forte para as eleições para governadores e presidente da República.

A Folha, como uma das estrategistas antipetista, tenderá a dar destaque aos partidos de esquerda que podem tirar votos do PT. Aí, o PDT de Ciro, o PSOL de Boldo, o PSB de França, entre outros, sempre serão supervalorizados em detrimento do PT.

Como o PT deve se comportar com os inocentes-úteis que, ocasionalmente, se aliarão à imprensa antipetista?

Com muita cautela, bom senso e dialogando com toda sociedade e seus eleitores. A melhor resposta deve ser que nas eleições há DOIS TURNOS. O primeiro onde todos os partidos apresentam seus candidatos com seus programas, e, o segundo turno, onde os afins se aliam para somar votos suficientes para ganhar as eleições com uma frente partidária...

As eleições na cidade de São Paulo serão as mais desafiadoras para o PT. Aqui o pré-candidato atual é Jilmar Tatto, que tem maioria na convenção mas não teve apoio dos intelectuais e dos artistas. Teve maioria na base, nos filiados militantes... O PSOL lançou uma chapa - Boldo e Erundina - mais à esquerda do que o PT, e tende a ganhar espaço na imprensa como forma de diminuir o fervor da militância do PT. Registre-se que o melhor nome seria Haddad para prefeito. Mas, com razão, Haddad resguarda-se para três alternativas em 2022: Presidente, Governador ou Senador.

Para que Jilmar cresça e crie chance de ganhar, além de ampliar alianças, precisa ter um Programa Carta Compromisso com o Povo de São Paulo, se comprometendo a governar com a maioria da população, governar para a maioria e com transparência absoluta.

Democracia precisa ser PARTICIPATIVA, garantindo planejamento, orçamento e gestão participativa. Para ser prefeito de São Paulo o diploma de doutor não é obrigatório, o que é obrigatório é respeitar o povo, governar com ele, para ele e para o Brasil.

No mais, democracia só se aprende praticando-a.

Nenhum comentário:

Postar um comentário