segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Editor da Folha reconhece "escolha infeliz" no título do editorial

Better late then never... Antes tarde do que nunca

Um jornal a serviço da DEMOCRACIA

Nesta segunda-feira, a tarja do cabeçalho da Folha não está em amarelo, está em vermelho.
O jornal faz a campanha do USE O AMARELO PELA DEMOCRACIA. Confesso que não gosto da ideia de se vincular a campanha pela democracia ao amarelo. Está fora do contexto.

Sou favorável a deixar livre para as pessoas e instituições usarem as cores que quiserem, desde que mantenha a DEMOCRACIA como princípio.

Praticar democracia não é fácil. É tão difícil quanto criar filhos...
O mundo está cheio de especialistas em crianças e adolescentes, mas, muitos destes especialistas não conseguem ser bons pais. Porém, isto não diminui a qualidade do especialista...

Augusto Campos, nosso grande pensador e estrategista do Sindicato dos Bancários de São Paulo, costuma dizer que "tem muita gente que defende a democracia somente quando está na oposição, porém, quando vira maioria atropela a minoria".

A Folha tem uma história como jornal de vanguarda e, ao mesmo tempo, de atraso. Este conflito é saudável, o que é ruim na Folha, e que ainda não foi superado, é uma certa prepotência, é achar-se dona da verdade. Sou leitor da Folha há 50 anos e assinante por algumas décadas. Mantenho minha relação de amor e ódio com a Folha.

Por exemplo, quando vi o editorial infeliz no dia 21 passado, fiquei tão indignado que publiquei na íntegra a resposta da ex-presidente Dilma Roussef. A Carta Aberta. E lamentei profundamente tal infelicidade. Foram dez dias de reclamações de assinantes, articulistas, personalidades e até da onbusdmen/women.

Enquanto a Folha era criticada, a Folha cometeu um outro erro irritante de editorial que foi mostrar uma série de fotografias com os governadores do Rio de Janeiro que foram presos ou destituídos, sempre com algum presidente. Qual presidente não aparece? Qualquer criança sabe a resposta: O único presidente que não aparece é Fernando Henrique Cardoso. A impressão que fica é que os editores estão com raiva por causa do editorial infeliz e então resolveu pirraçar seus desafetos, e proteger o PSDB, é claro. Precisava disto? É claro que não. Este tipo de comportamento chama-se REPETIÇÃO...

Finalmente, depois de dez dias e depois do artigo de Jânio de Freitas, a Folha resolveu se posicionar publicamente. Um bom texto, respeitoso e esclarecedor.

Eu, por exemplo não me lembro de ter visto antes a explicação da Folha sobre o uso dos caminhões pela repressão, para mim, tanto na época como agora, pior do que usar os caminhões foi USAR A FOLHA DA TARDE como órgão oficial do TERRORISMO DE ESTADO. Nunca entendi esta esquizofrenia da empresa. Um jornal pregava a democracia e o outro fazia parte direta da ditadura e da repressão...

Dou-me por satisfeito com os
esclarecimentos sobre os caminhões e sobre a ditabranda. É claro que não significa que eu concorde com o jornal. Eu também fui preso várias vezes e fui cassado pela ditadura. E nunca deixei de ler a Folha.

A Folha tomou uma decisão que muda sua história. A Folha posicionou-se pela Democracia. A Folha cada vez mais consolida-se como "um jornal a serviço da democracia".

Adorei ver a forma carinhosa e respeitosa do jornal com Jânio de Freitas. Eu, se eu fosse a Folha, enviava uma carta à Dilma pedindo desculpas pelo título infeliz. A Folha ganharia mais do que Dilma.

Não vou reproduzir junto com este texto o artigo do editor da Folha por ser longo. Mas vou fazer uma nova publicação complementar a esta. Da mesma forma que a Carta Aberta de Dilma virou um documento histórico, este artigo da Folha também tem sua importância histórica.

A Democracia venceu.
A Democracia Venceu o ressentimento,
A Democracia venceu a birra,
A Democracia venceu a prepotência,
A Democracia venceu o bloqueio pessoal.
A Democracia Venceu nossas "repetições freudianas".

Ainda precisa vencer o "instinto golpista", mas o tempo vai mostrar que "é preferível perder com dignidade, que ganhar roubando ou dando golpe de Estado".

A coisa mais linda da Democracia é reconhecer que o erro faz parte do acerto, isto é, para existir um é preciso que exista o outro.

A Folha venceu a si mesma. Todos nós ganhamos com isto.

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