domingo, 9 de agosto de 2020

De Beirute, Hiroshima, Milton Hatoum para o mundo

As montanhas e o Mar do Líbano, do Rio de Janeiro e da Grécia

Os escritores e poetas são verdadeiros historiadores...

A pedido da Folha, Milton Hatoum escreve um artigo, publicado neste domingo, que deve ser usado como referência histórica em todas as escolas e instituições culturais.

Vou fazer uma lista dos pontos que me chamaram mais atenção:

1 - Dizem que o Brasil tem mais descendentes de libaneses do que a população atual do Líbano. Hatoum é filho de libanês que morou na Amazônia e serviu de tema para os livros de Milton...
Em 1992, Milton foi ao Líbano com seu pai, que não revia seus familiares e seu país de origem havia mais de 30 anos. Aqui já é possível escrever um livro como a volta de Hércules depois das batalhas de Tróia. E um outro livro sobre os impactos emocionais na formação dos descendentes dos imigrantes quando visitam seus antepassados...

2 - Na segunda viagem prevaleceram a tristeza, a melancolia e a perplexidade. Causadas pela longa guerra civil (1975 a 1990), que devastou o corpo e a alma de Beirute. Havia escombros em vários lugares e essa visão de horror era cercada por uma natureza exuberante: AS MONTANHAS E O MAR DO LÍBANO.

3 - Na ODISSEIA apareceram os comerciantes fenícios, que muito tempo antes de Homero já navegavam pelo mundo. Hesíodo atribuía aos FENÍCIOS a criação do primeiro alfabeto conhecido, composto de 22 letras fonéticas. Dizem também que foram os fenícios que inventaram o dinheiro, para facilitar o comércio.

4 - No Líbano pós guerra civil não havia ânimo para nostalgia. Inúmeras famílias tinham perdido parentes ou amigos... Às vezes, quando meu pai perguntava por tal amigo ou parente, A RESPOSTA ERA O SILÊNCIO OU UM CHORO contido no rosto grave. A tristeza do luto impunha silêncio.

5 - Uma das cidades mais antigas do mundo, BEIRUTE tornou-se, já no século 19, uma metrópole árabe mediterrânea ocidentalizada. Beirute sempre foi uma cidade ligada ao mundo. De Marselha a Alexandria, de Argel a Esmirna.

6 - Doze anos depois, quando Milton voltou ao Líbano, Beirute tinha sido em grande parte reconstruída. NÃO SERÁ DIFERENTE DEPOIS DESTA TERRÍVEL EXPLOSÃO NO PORTO, que lembrou a bomba atômica jogada pelos americanos sobre Hiroshima em 1945...

7 - Vidas humanas importam em qualquer lugar do mundo. Além de reconstruir a cidade, o povo nas ruas exige a construção de mais liberdade, exigem mudanças estruturais no sistema político. Exigem a separação entre o Estado e as religiões. O Estado laico e moderno. Exige o fim da corrupção, o fim das MILÍCIAS paramilitares, o fim da desigualdade social e o fim do DESEMPREGO...

8 - No Líbano você encontra poetas, escritores e jornalistas de todos os países da região. Principalmente palestinos e sírios. Estes, como na Odisseia, podem perder as guerras militares, mas sempre ganharão as batalhas da cultura, da história e da memória de seus heróis, como Milton Hatoum.

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