segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Brasil: 75 anos depois da segunda guerra mundial

Que país é este? Já perguntava Cazuza.

Conhecemos mais a história da Europa do que a história do Brasil.

Por que conhecemos tão pouco o Brasil?

A última grande encruzilhada do mundo foi a segunda guerra mundial. O mundo ficou livre do nazismo e começou a grande ameaça do comunismo. Os países e territórios foram divididos em áreas de controle político, militar, econômico e social. A democracia e a liberdade serviam como discurso mas não eram impeditivos da manutenção do acordado com o fim da guerra.

Os Estados Unidos podiam, como fizeram, derrubar governos e impor ditaduras militares nas suas áreas de controle como as Américas, o Oriente Médio e parte da Ásia, além da garantia da livre circulação pelos mares e pelos ares...

A União Soviética tentava manter o controle sobre seus territórios diretos e indiretos, embora com mais dificuldade do que os Estados Unidos. A prova desta dificuldade foi a implosão da União Soviética em 1989.

Derrotados o nazismo e o comunismo, qual sistema político, econômico e social governaria o mundo?

Os países hegemônicos aliados às suas grandes empresas tentam impor o neoliberalismo com o imperialismo financeiro, mas, como para consolidar o neoliberalismo é necessário reduzir o poder do Estado e as políticas de bem estar social, este descompasso entre concentração de poder nas mãos do sistema financeiro e o empobrecimento da população em geral, leva a impasses eleitorais e de governabilidade, fazendo surgir grandes manifestações de ruas que pretendem ter mais poder do que a legitimidade das eleições. Isto é, quando a classe média não está satisfeita, ela não reconhece o resultado eleitoral e exige a derrubada do governo.

As eleições perdem a legitimidade e a democracia passa a ser "democracia de conveniência"...

Lendo os jornais de hoje, constatamos uma grande variedade de artigos sobre o aumento do apoio ao governo Bolsonaro em função do pagamento do abono de 600,00 reais. A maioria tenta desqualificar a importância dos 600,00 reais, como se a classe média não estivesse também precisando de seu "abono".

O problema é que o "abono da classe média" é mais caro.

Enquanto os intelectuais chamam o abono de "medida populista e demagógica", ao mesmo tempo estes intelectuais exigem a manutenção de renda para a classe média pagar suas contas de água, luz, celulares, carros, casas de praia e de campo, viagens internacionais, restaurantes e shoppings... Aí são necessários bem mais que os 600,00 reais. Isto afeta a distribuição de renda nacional.

Queremos ser um grande país com grande classe média,
ou, queremos continuar sendo a Belíndia, uma minoria parecendo a Bélgica com uma grande maioria parecendo a Índia?

Vamos decidir qual modelo de país queremos pelo voto, ou vamos ter que decidir pelos golpes civis e militares?

Como os modelos econômicos não estão bem definidos, as democracias continuam fragilizadas e com pouca legitimidade.

O Brasil carece de bons estudos comparativos entre a Qualidade de Vida e Democracia.

Por exemplo, Temos boas publicações sobre o Japão pó-guerra. Temos o ótimo livro de Tony Judt, "Uma história da Europa desde 1945", como há estudos sobre a evolução da qualidade de vida na Ásia e na África.

O mundo em 1945 ainda era predominantemente rural, com pequenas cidades e pouca tecnologia como material de consumo. O Brasil ainda era uma grande fazenda produtora de café e outros produtos de exportação. A Revolução de 1930 e a posse de Getúlio Vargas iria agilizar a assimilação urbana de imigrantes rurais para as cidades, trazendo novas demandas de consumo.

Derrubaram Getúlio mas tiveram que manter a estrutura de Estado de bem estar social, que durou até 1964, quando novo golpe militar reorganiza o modelo econômico, político e social a ser seguido pelo Brasil. A intensificação da urbanização e o modelo americano de sociedade de consumo estimulou o Brasil e o mundo a viver com mais conforto doméstico.

Esta sociedade de consumo consolidou um modelo de democracia criando uma ilusão de "milagre econômico e social". Os pobres estavam virando classe média... As ditaduras já não eram tão necessárias. E foram substituídas por governos democráticos, tanto no Brasil como na América Latina e mesmo na África.

Com a crise do modelo econômico do Bem Estar Social, novas formas de golpe de Estado foram desenvolvidas para impedir que o povo se apropriasse de parcela da renda da classe média e dos ricos. Os golpes foram reaparecendo em vários países e, no Brasil, da mesma forma que 1964 foi um ponto de partida para a América Latina, em 2016, o Brasil seguiu o modelo usado para o Egito e outros países latino-americanos.

A nova palavra de ordem conservadora é a destruição do Estado do Bem Estar Social.

Os pobres têm celular, tem tv a cabo (em favelas), tem "luz para todos", tem suas motos e seus carros, até começaram a viajar de avião! Sem contar que os pobres também começaram a botar os filhos em escolas privadas, exigir convênios médicos para a família e exigir carteira assinada até para empregada doméstica. Isto assustou muito os neoliberais e a classe média.

O povo não quer andar para trás.
O povo não quer só comida.
O povo também quer lazer, cultura e bem estar social.
O povo quer o Brasil para todos.

Os intelectuais dizem que a democracia está ameaçada.
O povo diz que quer manter seu padrão de vida. O povo também quer ser classe média. A Nova Classe Média...

Como resolver este impasse?

Os neoliberais, representando os bancos e os governos conservadores, querem manter O TETO DOS GASTOS, mesmo que o povo continue morrendo com o virus e morrendo de fome.
Os políticos que defendem o povo são chamados de populistas, no sentido pejorativo...

Para tentar ajudar, da mesma forma que se fazem pesquisas eleitorais, que se façam também pesquisas sobre propostas para a economia e o social. Que as pesquisas mostrem o que o povo precisa.

E que se ouça o clamor do povo.
Caso contrário vamos ter que ouvir novamente o barulho dos tanques e das botas dos militares nas ruas das grandes cidades...

Quando se queima a Amazônia e o Pantanal, o mundo inteiro fica sabendo antes do governo Bolsonaro. Para isto os celulares e as redes sociais são imbatíveis.

Está muito difícil esconder a verdade, os fatos e as fotos que destroem as matas e a boa imagem que o Brasil tinha internacionalmente.

A verdade nos libertará. Lembram?

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