segunda-feira, 6 de julho de 2020

XP, Itaú e imprensa, o quê importa é o cliente?

O deus MERCADO confunde o investidor

Em função da “disputa por clientes” entre a XP e o Itaú, tem aparecido longa lista de textos e artigos sempre enaltecendo que o foco comercial deve estar centrado no cliente e que, na disputa entre a XP e o Itaú, tanto a XP quanto o Itaú não seriam tão transparentes assim... Como diz o artigo de hoje publicado na Folha.

Marcia Dessen, a autora do artigo da Folha de hoje, explica:

“De que lado estou(ela)?

Do único que não foi lembrado e o que mais importa, O CLIENTE, que investe, corre os riscos e paga a conta. Sem ele, não haveria disputa, não haveria mercado.”

- O gerente do banco vende porque precisa BATER A META.

- O assessor vende porque ganha a maior comissão.

- Se o cliente perceber que não está NO CENTRO DAS ATENÇÕES, deve se afastar e buscar aconselhamento em outro lugar.

- A mudança virá quando o consumidor perceber o poder que tem, que a ele compete definir quanto está disposto a pagar e escolher quem merece sua confiança e seus recursos financeiros”.



Nesta disputa de Davi contra Golias, isto é, nesta disputa entre os bancos e as corretoras independentes, o cliente está sobrando. Se aumentar a remuneração para os clientes resolve os problemas? Deveria, mas não e tão simples assim.

Quais são as variáveis envolvidas neste aparente jogo de investimento?

1 – VAL E A PENA INVESTIR? - O cliente percebeu que sobrou uma quantia de sua renda, e o correto seja aplicar esta sobra, com o menor risco e a maior remuneração possível.

2 – RENTABILIDADE - Ao ir ao Mercado analisar as melhoras ofertas, o cliente percebe que a remuneração do investimento é tão pouca que não da vontade de aplicar nada. Além do valor da remuneração recebida ser pequena, o cliente descobre que , em muitos casos, o que o cliente recebe é menor do que o banco ou o corretor vai receber. Para isto é necessário incluir a liquidez do investimento.

3 – PRAZOS - Outra variável que afeta muito no resultado do investimento . É de curto, médio ou longo prazo. Quanto maior for o prazo, melhor será a taxa de remuneração.

4 - TAXA DE ADMINSTRAÇÃO - Além da liquidez do investimento, o cliente descobre que, para proteger os clientes, proteger os agentes financeiros – gerentes, corretores, empresas – e as instituições, cobra-se uma taxa de remuneração dos serviços prestados .

5 – REGULADORES - No caso de clientes aplicadores ou investidores no mercado financeiro, vamos descobrir que existe: O Banco Central, os Governos, a CVM – Comissão de Valores Mobiliários e a Bolsa de Valores. Todas elas, instituições regulamentadas pelo governo federal, de grande conhecimento técnico e que também representam altos custos por serviços prestados.

6 – CARACTERÍSTICA DO MERCADO – Apesar de a todo momento a imprensa falar do MERCADO, como se fosse algo sem “alma”, como tivesse vida própria e fosse sem partido, sem interesse, sem projeto próprio, as empresas podem fazer parte de segmento monopolista, segmento oligopolista e segmento de varejo propriamente dito. Isto interfere na correlação de força entre os investidores, o sistema financeiro e o mercado? Claro que interfere.

Ao investir, por exemplo, numa empresa como a Petrobras, quem detêm o monopólio do refino e da distribuição de combustíveis, além de ser administrada pelo seu maior acionista que é o governo federal, o investidor correrá um risco especifico.

Ao investir em empresas oligopolistas como bancos, setores energéticos, telefonia, gás e eletricidades, pedágios, que são concessionárias do governo, estas empresas, por serem mais protegidas pelo governo, o risco nas oscilações das ações é menor que de empresas de varejo, como empresas comerciais, tipo Viavarejo, Magazine Luiza, construtoras, indústrias, etc.


E o que tem a imprensa a ver com isto tudo?

Muita coisa. A imprensa pode ajudar a entender, como pode ajudar a confundir, como pode não fazer nada. Mas, geralmente, a imprensa fica refém das empresas, de seus anúncios, propagandas e de merchandising.

Sem as empresas como anunciantes, a maioria da imprensa acaba. E, quando ela recebe muitos anúncios de poucas grandes empresas, a imprensa fica na mão destas poucas grandes empresas.

Com os anúncios governamentais e de empresas ligadas aos governos é a mesma coisa. São milhões ou até bilhões de reais em anúncios por ano.


Portanto, como concluiu muito bem Marcia Dessen, autora do artigo na Folha de hoje, “é o roto falando do rasgado”.

Mas não basta o banco ou a corretora ser mais transparente para o cliente investidor, na verdade, é preciso que o Brasil tenha um governo transparente e educativo, da mesma forma que o MERCADO aprenda a viver com transparência e competitividade, tendo como referência o ganha-ganha, o bem de todos, para todos e com todos.

Quanto mais democrático for o país e o seu mercado de investidores, melhor será a qualidade de vida.

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