quarta-feira, 15 de julho de 2020

XP faz conferência internacional com mais de 200 mil seguidores

Aula de capitalismo

Onde estamos e para onde vamos.

Vejam o depoimento do gestor do maior fundo de investimento do mundo. São dicas para investidores, com contribuições históricas interessantes. Porém, recomendo aos investidores e aos historiadores que não se esqueçam do peso de variáveis como os modelos de política econômica, os modelos de governabilidade de cada país e se o povo tem postura mais tolerante ou não. O texto abaixo saiu publicado no jornal VALOR, e a autora tem o charmoso nome de Naiara.

XP jogando duro para ganhar mercado. Parabéns!

“A mudança da ordem global: onde estamos e para onde vamos”.

Título da conferência de Ray Dalio, na Conferência da XP.

Ray Dalio – Gestor do maior fundo de investimento do mundo.

Fuja do dinheiro, compre ações e diversifique os investimentos, afirma gestor Ray Dalio.

O famoso gestor do maior fundo de investimento do mundo falou em evento da XP acredita que uma das principais consequências da gigante impressão de dólares e injeção de liquidez nos mercados é a desvalorização do dinheiro

Por Naiara Bertão, Valor Investe — São Paulo 14/07/2020 21h43 ·

A poucos dias de completar 71 anos, o fundador do maior fundo de investimento do mundo, o Bridgewater Associates, que tem cerca de US$ 138 bilhões em ativos sob gestão, está preocupado com o ano de 2020.

Este poderá ser, em sua opinião, um novo marco importante da história mundial, não apenas pela pandemia que se alastrou no mundo inteiro, mas pelas consequências da rápida e potente reação dos bancos centrais e governos de quase o mundo todo para proteger empresas e pessoas da falência.

Durante sua participação em evento organizado pela XP, o renomado gestor explica que há uma combinação de fatores que não ocorriam há quase um século no mundo:

- a forte injeção de liquidez no mundo;
- a gritante e crescente desigualdade de renda;
- e a China desafiando os EUA como grande potência mundial.

“Quando uma conjuntura assim acontece, o que não acontecia há séculos, há implicações nos investimentos, mas também consequências ainda profundas para as economias e na ordem global”, disse Dalio, em transmissão ao vivo na Expert. ,

Na opinião do gestor, neste ambiente, o melhor que o investidor tem a fazer é não deixar seu patrimônio em "dinheiro" (ou em aplicações de renda fixa de curto prazo) e sim em ativos reais que sirvam como reserva de valor, como ações de empresas sólidas e ouro, e diversificar o portfólio de investimento entre países e classes de ativos.

Para entender esses fatores, diz Dalio, é preciso resgatar a história.

Ele cita três principais dimensões dessa conjuntura, sendo a primeira a forte injeção de liquidez nos mercados por meio de cortes de taxa de juros no mundo todo e compra de ativos pelos bancos centrais, com especial atenção para os Estados Unidos (EUA), que usaram do seu poder de deter a principal moeda do mundo e imprimir dólares discricionariamente.

“Em 1933, Roosevelt [Franklin Roosevelt, então presidente americano] imprimiu dinheiro para controlar a grande depressão e, naquele momento o mercado de ações subiu. Este tipo de decisão foi a mesma tomada em março deste ano", diz ele, ao se referir à injeção trilionária de dinheiro na economia americana pelo banco central local, o Federal Reserve (Fed).

Ele explica que quando o mercado tem dinheiro e crédito abundante há uma procura maior por ativos (pelos bancos centrais e pelos investidores) e, com mais liquidez e demanda, os preços dos ativos sobem e consequentemente seus múltiplos (que na prática equivalem ao tempo necessário para obter de retorno). É exatamente isso que acontece hoje nos mercados, em especial o americano, cuja bolsa está próxima a seu patamar pré-crise.

O segundo grande fator que influencia a conjuntura é a grande disparidade de distribuição de riqueza e renda no mundo, com ao dinheiro dos 10% mais ricos chegando próximo ao que detém os 90% restantes. Para ele, isso é importante porque leva a um desequilíbrio político e pode ter consequências mais práticas nas urnas.

“A disparidade entre as ideologias políticas é a maior desde 1900 e está relacionada à desigualdade."

Considerando que cerca de 95% dos eleitores são consistentes com o que o partido decide, isso poderá trazer implicações para o mercado e para a economia do mundo”, diz Dalio durante a transmissão ao vivo da Expert XP. Uma das possíveis consequências também tem a ver, segundo ele, com o que será feito em termos de política tributária. Ou seja, quem será chamado a pagar a conta do aumento do endividamento.

Os EUA, por exemplo, vivem hoje uma dualidade importante entre os candidatos Donald Trump pelo lado republicano e Joe Biden, candidato democrata. Com a pandemia, Trump perdeu força e Biden ainda é uma incógnita para os mercados.

Por fim, o terceiro grande ponto que compõe essa conjuntura única é a China desafiando a hegemonia dos EUA como potência global. Por mais de um ano até a crise do coronavírus estourar no mundo o noticiário internacional se preocupou em relatar as dificuldades de EUA e China chegarem a um acordo comercial. As desavenças entre os dois países, porém, remonta a mais tempo.


Para Dalio, há diferenças culturais importantes entre os dois países que os fazem tão conflitantes.

- Enquanto os EUA são um país que defende em todas as esferas a liberdade individual – de propriedade, de conhecimento, de ascensão social e econômica e de expressão,

- a China é hoje um país capitalista, mas que age de forma coletiva e tem um governo controlador, que dita quais os movimentos das pessoas e economia.

https://valorinveste.globo.com/produtos/fundos/noticia/2020/07/14/fuja-do-dinheiro-compre-acoes-e-diversifique-os-investimentos-afirma-gestor-ray-dalio.ghtml 5/9

Para ele, hoje os EUA ainda tem duas vantagens – o poder de emitir a principal moeda de troca do mundo e o avanço tecnológico, diz o gestor. Mas a China corre atrás da tecnologia e está quase alcançando seu competidor nessa área. ‘E se os EUA perderem o poder de moeda mais forte?’, questiona.

“Relacionado a isso, temos a eleição dos EUA e outros lugares do mundo este ano. Quem vai pagar as despesas [do afrouxamento fiscal na crise]? Quem vai lidar com redistribuição de riqueza? E a China, como será e qual seu papel na nova ordem mundial? Essas questões terão implicações ao redor do mundo e não só nos EUA”, diz Dalio.

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Para onde vamos

Com os fatos na mesa, Dalio prevê que o dinheiro perderá valor com tamanha emissão de moeda pelos EUA e injeção e recursos nos mercados. “Historicamente vimos os governos colocando dinheiro na mão das pessoas e companhias para elas não falirem, o que é politicamente interessante também.

Mas uma coisa é certa: imprimir moeda diminui o valor do dinheiro”, comenta. Por isso, em sua opinião, as pessoas deveriam deixar suas reservas de riqueza em ativos reais, especialmente ações de empresas sólidas negociadas na bolsa e ouro, que é uma moeda aceita no mundo inteiro para compras.

“As pessoas acham que dinheiro é o ativo mais seguro porque não tem muita volatilidade, mas o dinheiro hoje tem retorno negativo, pelo desconto de impostos, por exemplo, e pode ser desvalorizado”, diz. Mas ele ressalva que não é qualquer ação de quaisquer companhias que deveriam ser usadas como reserva de riqueza, mas de preferência negócios que não dependam do ciclo econômico ou de prosperidade para terem bom desempenho.

Ele também não acredita que imóveis sejam uma boa opção no momento. A explicação está na baixa liquidez e na impossibilidade de "mover" o ativo de um país para o outro..

“Você pode mudar de ideia? O ativo depende de prosperidade (econômica)?”, aponta Dalio como as perguntas centrais para entender quais ativos deveriam ser usados como reserva de valor. “Imóveis você não pode mudar, não é como dinheiro e está sujeito à lei da demanda e oferta. Ouro já é como dinheiro, é aceito em todos os lugares do mundo e você pode transferi-lo e vendê-lo se quiser”, diz.

O segundo conselho que o gestor deu aos investidores foi o de diversificar as carteiras entre países, moedas e classes de ativos. Isso, segundo ele, é importante para minimizar risco total da carteira e passar por momentos instáveis e incertos como o que vivemos hoje.

O “cálice sagrado”, como se refere à fórmula que tem seguido é ter de 10 a 15 investimentos na carteira, com baixa correlação entre eles. Ou seja, ativos que não mudam de preço no mesmo sentido e intensidade pelas mesmas razões.

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