quarta-feira, 1 de julho de 2020

XP e Itaú: pausa para avaliação

Imprensa recua na forma de divulgar a guerra

O jornal Valor deu uma esfriada e hoje só tem matéria de ontem sobre o assunto;

O Estadão tinha um bom artigo, mas quando voltei para ler com mais calma, não o encontrei mais.

A Folha, que vinha informando de forma cautelosa, retornou ao assunto com um artigo morno, isto é, quem não vem acompanhando o tema, não vai saber que o artigo é sobre a guerra XP e Itaú, mesmo o bom artigo sendo assinado por alguém que não seja do jornal. Quem assina é o presidente do Instituto Mises Brasil, Helio Beltrão.

Vou mostrar alguns dados interessantes do artigo publicado na Folha, com o titulo "Uma briga boa", seguido de uma linha fina dizendo: "Na competição entre gigantes Itaú e XP, ganha mesmo o pequeno investidor."

1 - A pandemia não interrompeu a tendência de migração da renda fixa para as ações.

2 - Os grandes bancos eram apáticos no mercado de investimentos para quem investe menos de um milhão de reais.

3 - COM A ENTRADA INOVADORA DA XP - mais uma vez na imprensa, aparece a imagem positiva e inovadora da XP.
A XP inovou no Brasil, ao introduzir o conceito de PLATAFORMAS abertas ou "supermercados" de Fundos de Investimento, sendo que estamos atrasados em relação aos Estados Unidos há 25 anos...

Lá, nos Estados Unidos, em 1990, a Charles Schwab DEMOCRATIZOU os investimentos com sua PLATAFORMA ABERTA e de baixo custo - One Source - DESTRONANDO a poderosa Fidelity Investiments e seu modelo fechado.

Copiando o sucesso da Schwab americana, a XP vende produtos do mercado todo, inclusive internacionais. E também é um sucesso no Brasil...

4 - A GUERRA ENTRE A XP, e seu sócio e competidor ITAU é EXCELENTE para o investidor, pois descortina os conflitos de interesse e a falta de transparência. Nessa competição entre gigantes, ganha mesmo o pequeno investidor.


AQUI QUERO REGISTRAR UM CUIDADO ESPECIAL:

Como podemos ajudar o capitalismo brasileiro a ser ético, transparente e respeitoso?

Esta disputa atual entre a XP e o Itaú passa muito a impressão que houve "quebra de fair play", isto é, por algum motivo não divulgado até agora, o Itaú lançou uma campanha polêmica, a XP chutou o pau da barraca contra o parceiro e sócio expressivo que é o Itaú, e o clima se espalhou pelo mercado financeiro e pelo Brasil. Parece um virus...

Que o Sistema Financeiro nacional é abusivo isto é histórico e vem desde a Reforma Bancária de Roberto Campos, lá nos anos 60 e depois de 1964. Passou a ser protegido pelo Banco Central, o que seria bom se fosse transparente. Mas historicamente temos problemas...

Os governos militares criaram tantas dificuldades com as Cooperativas de Crédito, que estas quase acabaram no Brasil.

Com a inflação descontrolada, os clientes sempre ficavam reféns dos bancos... Com o Plano Real e o fim da inflação, os bancos ganharam o PROER e AS TARIFAS BANCÁRIAS... muito dinheiro oriundo do Tesouro/Governo e dos clientes.

E os balanços dos bancos mostram bem... enquanto as empresas capitalista têm uma rentabilidade média de 6 a 10% ao ano, os bancos no Brasil tˆ&em uma rentabilidade acima de 20%. Uma disparidade escandalosa! Isto faz com que o Santander, que comprou o Banespa à preço de bananas, tenho o maior lucro do mundo - NO BRASIL.

Da mesma forma podemos dizer que, a CVM e a Bolsa de Valores, talvez por influência dos bancos tradicionais, tocam e cantam as mesmas músicas dos bancos e dos governos conservadores...

Como profissional vivido mais de 40 anos com os bancos, ser formado pela FGV em São Paulo e ter negociado relações trabalhistas, observo que, além dos governos serem co-participantes desta tradição conservadora com os bancos, temos também uma certa cumplicidade ou subordinação da imprensa.

Basta analisar como a imprensa está se comportando em relação a esta "guerra de gigantes", e também pesquisar o que a CVM já se posicionou, ou ainda o Banco Central e ficaremos surpresos com o pouco noticiário, ante tão relevante assunto.

Sempre defendemos que as instituições estejam A SERVIÇO DA DEMOCRACIA, da transparência e da competitividade ética, fiscalizada pelas instituições da própria sociedade.

Sem transparência não há liberdade, sem liberdade não há fair play, sem fair play não há DEMOCRACIA.

E sem democracia não há país livre, povo culto e atuante, não há soberania.

Que esta pausa vivida hoje na imprensa, signifique que as partes - XP e Itaú - percebam que o bom diálogo é sempre melhor do que qualquer guerra. Seja a guerra chamada de guerra limpa ou de guerra suja.

Com 35 anos de Democracia no Brasil, as empresas precisam aprender com a imprensa e com a sociedade.

Democracia se aprende praticando.

E, apesar de o povo brasileiro ter elegido um maluco para presidente, todos estamos aprendendo com os erros e com os acertos. Faz parte!

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