quinta-feira, 30 de julho de 2020

O golpe de Estado na Bolívia e as eleições

É sempre bom lembrar...

Como sabemos, a Bolívia passou por mais um golpe de Estado, como tantos outros em sua existência. O curioso é que os golpistas imaginaram que poderiam ganhar as eleições presidenciais e decidiram cumprir a constituição depois do golpe dado.

A regra é simples:

1 - Ao constatar que já não manda no Povo, a direita alia-se aos Estados Unidos e aos militares e derruba o governo. A imprensa faz o papel de preparadora do golpe, convocando e apoiando protestos e manifestações. Depois, os políticos e o judiciário dizem qe "ouviram o clamor do povo". Mas não tiveram coragem de fazer um plebiscito.

2 - Derrubado o governo, exige-se que se respeite a nova ordem. Portanto, as leis e as eleições passarão a ser as aprovadas pelos golpistas.

3 - Convocadas as eleições, a direita golpista não pode perder. É óbvio. Mas, no caso da Bolívia, os golpistas estão perdendo as eleições. Aí, só tem duas alternativas: 1 - ou se frauda as eleições; ou, 2 - se adia as eleições para ganhar tempo, se intensifica a campanha de queimação da esquerda e, depois de várias pesquisas confirmarem que a direita vai ganhar, se define nova data para eleição presidencial.

4 - Conhecem a brincadeira do "dono da bola". A direita sempre usou este recurso. Só deixa a esquerda governar democraticamente se esta aceitar a hegemonia conservadora. A democracia passa a ser mera formalidade de fachada... E Lula? Podem perguntar. A resposta é simples: 1 - O governo Lula não mudou a política econômica, não reviu a lei de Anistia, não fez reforma tributária, fez uma ótima política social, mas, sem ameaçar a hegemonia conservadora. Mesmo assim deram o golpe no PT. Mas pesou mais a questão internacional - os BRICS e o Irã - do que a política interna.

Ontem eu escrevi sobre golpes que dão certo. Hoje a Folha fala da Bolívia e publica uma boa entrevista da Senadora Adriana Salvatierra, do partido de Evo Morales.

5 - Evo renunciou dizendo que foi sobre pressão dos militares e dos Estado Unidos. Não resistiu o necessário e não preparou o povo para resistir se houvesse golpe.

6 - Ao constatar a baixa resistência, os golpistas exigiram que a senadora renunciasse à substituir Evo Morales na presidência da Bolívia.

7 - Com a pandemia, houve um acordo nacional para se adiar as eleições para 6 de setembro. Agora estão mudando para 18 de outubro. Não respeitando os prazos legais... A Bolívia vive com um governo "com prazo vencido".

8 - O Brasil teve algum papel no golpe? Vejam a resposta da senadora:

"Hoje movimento de dinheiro e de aviões, apoio logístico do governo e dos privados. O governo Bolsonaro é um suporte importante dos golpistas. Não é por menos que o Brasil e os Estados Unidos foram os primeiros a reconhecer o golpe.

9 - O golpe não foi apenas contra Evo, foi contra o Povo boliviano, foi contra a democracia e a liberdade. Foi contrta um Projeto político e as mudanças que estavam acontecendo na Bolívia.

10 - As Forças Armadas e a Polícia estavam do lado dos golpistas, diz a senadora. E eu acrescento, mais a imprensa, o judiciário, o Brasil e os Estados Unidos, é claro!

O tempo vai mostrando os fatos, as versões e as verdades...

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