quarta-feira, 22 de julho de 2020

Lá-TAM e a desnacionalização do Brasil

Azul pode comprar a LATAM no Brasil

Negócio da China? Não, típico negócio latinoamericano...

“Compra da Latam pela Azul é cenário provável, diz banco”

Esta é a manchete da Folha de hoje, na pagina A23. Agora leia um resumo da matéria.

“O Bradesco BBI afirmou em relatório que vê como cenário mais provável a compra da Latam Brasil pela Azul, e não uma possível fusão.

Rumores sobre fusão surgiram quando as duas empresas anunciaram um acordo de codeshare (compartilhamento de voos) no mês passado.

A fusão é improvável porque envolveria um acordo entre os controladores – família Cueto do Chile e o empresário David Neeleman, da Azul, e ainda incluiria a Azul entrar na reestruturação do grupo chileno nos Estados Unidos.

A solução seria a venda da operação brasileira, a principal do grupo Latam, para a Azul. A aquisição pode ser por cerca de US$1,9 bilhão com emissãoo de ações feita pela Azul para incorporar a Latam Brasil.

O relatório do banco vê como vantagens econômicas da operação o fato de os contratos de arrendamento de aeronaves da Latam Brasil serem contratados no Chile.

- Isto daria flexibilidade para ajustar o tamanho da frota e reduzir a alavancagem no Brasil.

- o mais importante, a participação da Azul no mercado doméstico brasileiro passaria a ser de 62%.

- Também torna possível reduzir o custo com mão de obra e o programa de redução da frota no Brasil”.

Se a redução da frota e o layoff ( corte de salários e empregos) forem bem sucedidos, a Latam poderá destravar US$1,9 bilhão da subsidiária brasileira.

Já a Azul, precisaria emitir 430 milhões de ações a R$23 para absorver a Latam Airlines Brasil.

David Neeleman continuaria no controle da Azul, com 67% das ações com direito a voto.

Minhas considerações:

- O fato de a Azul ter sede no Brasil não significa que é brasileira. O seu proprietário é um americano nascido no Brasil e que vive nos Estados Unidos.
- Também o fato de David Neeleman ter nascido aqui facilitou criar uma empresa de aviação já que a legislação brasileira protegia o espaço nacional, mas, os neoliberais vêm flexibilizando cada vez mais, até as empresas americanas comprarem tudo...

- Primeiro destruíram a Panair. Depois destruíram a Varig. A Vasp e a Transbrasil não tinham competitividade como a Varig ou a Panair...

- A TAM – Transportes Aéreos de Marília – média cidade do interior de São Paulo foi uma coragem do Comandante Rolim que trouxe muita alegria para quem o conheceu.

- Dinâmico, Rolim promovia musicais nos aeroportos, botava “tapetes vermelhos” para receber os clientes na porta das aeronaves e soube crescer na hora certa. Rolim morreu em um acidente de helicóptero e a família assumiu a gestão da TAM. Nos governos FHC e Lula, a TAM cresceu e se transformou numa empresa internacional.

- Com o crescimento, a TAM começou a perceber as vantagens e desvantagens de ser uma empresa nacional competindo no mercado internacional. Percebeu que o Chile tem uma legislação muito mais liberal do que o Brasil e assim começou a negociar com a LAN – empresa aérea da família mais rica do Chile – como economizar custos operacionais e tributários. O que nunca ficou muito claro foi a composição acionária que fizeram. A TAM ficou bem minoritária na nova empresa – a LATAM.

- Agora que as empresas aéreas estão recebendo muita ajuda dos governos em função da pandemia, aparece esta história de a LATAM abrir mão da sua subsidiária brasileira, passando a empresa para a Azul.

- Curiosamente, as empresas aéreas americanas DELTA é acionista da Latam, e a United é acionista da Azul. E o comprador é um americano-brasileiro...

- Certo estão os Estados Unidos quando protege seu mercado e sua segurança, errado está o Brasil quando abre mão de ter suas próprias empresas e seu grande mercado nacional.

- O Brasil sempre foi um parceiro dos Estados Unidos, mas não abria mão de ter suas empresas em todos os segmentos. De Collor para cá, o Brasil vem abrindo mão da sua soberania e tornar-se uma potencia econômica.

- O Brasil é um dos poucos países grandes que não tem sua indústria automobilística. A índia tem, a China tem, a Coreia tem, a França tem, a Inglaterra tem, a Alemanha tem e os Estados Unidos têm, com muitos méritos...

Não basta ser grande, é preciso ter personalidade, ter projeto de vida e de Nação..


Nenhum comentário:

Postar um comentário