domingo, 5 de julho de 2020

A serviço da Democracia ou a serviço do Brasil?

Sinais trocados...

Ontem, sábado, dia 04 de julho, no cabeçalho da capa da Folha estava escrito: Um jornal à serviço do Brasil. Fiquei pensando o porque o jornal tinha parado de usar a frase "Um jornal à serviço da democracia"?

Por coincidência, o jornal também destacou uma reunião do presidente Bolsonaro com os grandes empresários brasileiros, diga-se os empresários paulistas na sua maioria... Os empresários recomendavam que Bolsonaro se entendesse mais com o Legislativo e o Judiciário. Isto é, que mantivessem a política ultraconservadora que estão fazendo...

Costumo dizer que "um ponto é um ponto, dois pontos você mostra uma linha, três pontos você mostra uma tendência na gráfico". Num dia tinha dois pontos relevantes na Folha, faltava mais um ponto...

Hoje, domingo, 05 de julho, para minha surpresa, vi que a frase "Um jornal à serviço da Democracia" tinha voltado, incluindo a chamada para usar o amarelo.

Fiquei pensando: O que houve?
Foi falha operacional ou foi jogada política?

Depois do café e de uma caminhada perto de casa, voltamos e fui folhear o jornal. Para minha surpresa, além do slogam à serviço da Democracia ter voltado, o jornal tem um ótimo artigo da Ombudsman, Flavia Lima, com o título "A Folha e as sobras da ditadura". Pensei em reproduzir para todos lerem, mas, como é longo, vou citar alguns assuntos abordados.

1 - Já em 1992, na terceira edição do Manual de Redação, aparece: "não usar a expressão ditadura militar para designar o movimento militar".

2 - Na edição do Manual de Redação de 2001 aparece: "em textos noticiosos, pode-se usar a expressão ditadura militar...

3 - Foi só na versão de 2018 que se assumiu de modo claro que "a expressão ditadura militar designa o regime que vigorou no Brasil de 1964 a 1985".

4 - Portanto, para aceitar o fato histórico de que HOUVE UMA DITADURA MILITAR NO BRASI, a folha demorou 26 ANOS.

5 - Há uma longa análise sobre os elogios que a Folha fez às realizações econômicas no período da ditadura e depois começa a falar sobre o período mais recente. As eleições presidenciais de 2018. Mostra como abordaram as eleições tanto a Folha como o Estadão, ambos apoiando Bolsonaro...

6 - Em campanha recém lançada em defesa da democracia, o jornal - a Folha - fez um mea-culpa do apoio ao golpe de 64. Mas NÃO APARECE uma palavra sequer sobre o Golpe de Estado de 2016. Quantos anos os leitores vão esperar para ver o jornal Folha e a imprensa brasileira voltar a reconhecer um fato histórico que teve participação ativa da imprensa nacional?

Por estes motivos que continuo assinando a Folha. Ela tarda mas não falha... E é bem mais rápida do que o Judiciário...

Voltando ao slogan, eu também defendo que A DEFESA DA DEMOCRACIA é mais importante do que a defessa do Brasil.

Quanto aos empresários paulistas que apoiam Bolsonaro e as reformas ultraconservadoras, volto a observar que quase todos os golpes de Estado que aconteceram no Brasil foram bancados pelos paulistas, como forma de manter o controle sobre o Brasil.

DE FHC para cá, quanto mais privatizações aconteceram, quanto mais a economia se concentra em São Paulo, mais concentrada fica a renda, maiores ficam as disparidades e mais distante ficamos de realizar o sonho de construir uma grande Nação chamada Brasil.

A Folha pode ajudar o Brasil a ser uma grande Nação ou pode continuar seguindo o empresariado paulista contra o Brasil.

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