sexta-feira, 31 de julho de 2020

Os empresários preferem o bolsonarismo

Os trabalhadores preferem o lulismo

E, se os trabalhadores preferirem o bolsonarismo?
O PSDB, os empresários, a Globo, e a Folha vão deixar?

Estão criando um monstro no Brasil.

Algo contraditório mas que serve para os oportunistas, mesmo que isto signifique uma contradição brutal. Afinal, já deu certo em alguns países...

Que Bolsonaro é louco, todos já sabem.

No entanto, quem pensava que Bolsonaro fosse manipulável, como muitos governantes são, aí está outro engano. O que quer Bolsonaro? Ficar rico como muitos políticos ficaram? Entrar para a história como um pretenso bom presidente? Ou é apenas um pragmático, vaidoso, sem princípios, mas com grande senso de oportunidade? Talvez, de tudo isto ele tenha um pouquinho.

Até porque:

- Jânio Quadros, não conseguiu ser reconduzido à presidência, depois da sua renúncia golpista;

- Fernando Henrique não conseguiu ser reconhecido como "o pai dos pobres", depois de ter feito o Real e ter sustado o processo inflacionário;

- Lula, não conseguiu o apoio das elites empresariais nacional para evitar o golpe contra Dilma e o PT, mesmo sendo reconhecido como o melhor presidente que o Brasil já teve, melhor inclusive que Getúlio Vargas;

- Dilma, que perdeu o mandato e o apoio social, mesmo tendo a menor taxa de desemprego dos últimos tempos no Brasil;

O pragmatismo brasileiro sempre levou o país a ser retardatário nas mudanças estruturais e revolucionárias...

No Brasil não faz Revoluções, No Brasil têm golpes, levantes, rebeliões, messianismo, etc. Mas, Revolução como a Francesa, ou a Guerra civil americana, ou ainda guerras como a de Crommwel na Inglaterra, ou mesmo as revoluções na América Latina... O brasileiro era cordial, e talvez ainda seja...

Inventaram o Lava Jato para derrubar o PT do governo e para impedir que Lula se recandidatasse à presidência. Deram o golpe de Estado, com amplo apoio dos conservadores e da classe média. Uma boa parcela dos pobres também aceitou o golpe de 2016.

Da mesma forma que os golpistas da Bolívia podem perder as eleições de lá, aqui no Brasil, para que não perdessem as eleições de 1018, foi fundamental terem impedido Lula de ser candidato. Caso contrário, ele ganharia no primeiro turno.

Qual a condição para o PT não ganhar a próxima eleição?

Aplicar a heterodoxia econômica e social. Botar dinheiro na mão do povão... Isto é, Lula criou o Bolso Família, o Luz para todos, mais escolas e universidades, estimulou o consumo e até as viagens internacionais... Os brasileiros pareciam os argentinos. Sentiam-se classe média.

Constatando que Bolsonaro está fazendo o que prometera para os empresários:

- destruindo a legislação trabalhista, tirando a força dos sindicatos, mantendo os evangélicos pentecostais como braço político junto aos pobres, facilitando a destruição da Amazônia, enfraquecendo a Justiça do Trabalho, enquadrando o judiciário e a imprensa. Está inclusive DESTRUINDO a Soberania Nacional e a imagem internacional...

- a contrapartida para que o povo possa votar em Bolsonaro e suas loucuras, é manter os 600 reais por mês de "auxilio emergência" em função da pandemia. Quando não houver mais motivo de se manter o "auxilio emergência", eles o substituirão pelo PROJETO BRASIL. Mantendo os 600,00 até as eleições de 2022. Depois de reeleito, Deus sabe o que continua...

De onde virá o dinheiro, se o volume é imenso, ainda mais que a recessão econômica aumenta assustadoramente o desemprego?

Os neoliberais, fascistas, oportunistas e mercenários, que simplesmente preferem ser chamados de conservadores, aceitarão o gesto heterodoxo, alegando que o importante são as mudanças modernizadoras que o Brasil vem passando. Que o importante é não perder as eleições. Lembra disto?

O importante é a economia, estúpido! Já diziam os economistas pragmáticos e oportunistas...

- Sarney fez isto no Plano Cruzado e ganhou de ponta a ponta;
- FHC fez isto com o Plano Real, até mudou a Constituição e foi reeleito. Depois mudou as regras e o povo ficou coma broxa na mão.

Sarney (PMDB) e FHC (PSDB) fizeram manipulação eleitoral sem golpe de Estado.

Para que não haja mais outro golpe de Estado, para os empresários e a direita em geral, se o Projeto Brasil consumir bilhões de reais, estourando os tetos das metas, será pelo "Bem do Povo e do Brasil!". E quem é que vai dizer que está errado? Afinal, os brasileiros sempre confundiram o que é público e o que é privado....

O DEM e o PMDB já combinaram o jogo. Provavelmente Bolsonaro também já combinou o jogo. Os empresários estão implementando o jogo, a imprensa também já da sinais de aceitação do jogo.

Quem está ficando fora do jogo? - O PSDB, o PT e as esquerdas em geral.

Só falta combinar com o Povo... Como já dizia o velho Garrincha.

O significado do Lulismo pode ter uma simbologia de dignidade, que o bolsonarismo não tem.

Como dizia Weber com o protestantismo e o espírito do capitalismo. Era o espírito do tempo.

Talvez, entre o capitalismo colonial e serviçal da elite brasileria, e a simplicidade de Lula em defender a melhoria da qualidade de vida nacional com o apoio internacional, a maioria do povo ainda prefira viver com Lula e sem medo de ser feliz.

Só o tempo dirá...

quinta-feira, 30 de julho de 2020

O golpe de Estado na Bolívia e as eleições

É sempre bom lembrar...

Como sabemos, a Bolívia passou por mais um golpe de Estado, como tantos outros em sua existência. O curioso é que os golpistas imaginaram que poderiam ganhar as eleições presidenciais e decidiram cumprir a constituição depois do golpe dado.

A regra é simples:

1 - Ao constatar que já não manda no Povo, a direita alia-se aos Estados Unidos e aos militares e derruba o governo. A imprensa faz o papel de preparadora do golpe, convocando e apoiando protestos e manifestações. Depois, os políticos e o judiciário dizem qe "ouviram o clamor do povo". Mas não tiveram coragem de fazer um plebiscito.

2 - Derrubado o governo, exige-se que se respeite a nova ordem. Portanto, as leis e as eleições passarão a ser as aprovadas pelos golpistas.

3 - Convocadas as eleições, a direita golpista não pode perder. É óbvio. Mas, no caso da Bolívia, os golpistas estão perdendo as eleições. Aí, só tem duas alternativas: 1 - ou se frauda as eleições; ou, 2 - se adia as eleições para ganhar tempo, se intensifica a campanha de queimação da esquerda e, depois de várias pesquisas confirmarem que a direita vai ganhar, se define nova data para eleição presidencial.

4 - Conhecem a brincadeira do "dono da bola". A direita sempre usou este recurso. Só deixa a esquerda governar democraticamente se esta aceitar a hegemonia conservadora. A democracia passa a ser mera formalidade de fachada... E Lula? Podem perguntar. A resposta é simples: 1 - O governo Lula não mudou a política econômica, não reviu a lei de Anistia, não fez reforma tributária, fez uma ótima política social, mas, sem ameaçar a hegemonia conservadora. Mesmo assim deram o golpe no PT. Mas pesou mais a questão internacional - os BRICS e o Irã - do que a política interna.

Ontem eu escrevi sobre golpes que dão certo. Hoje a Folha fala da Bolívia e publica uma boa entrevista da Senadora Adriana Salvatierra, do partido de Evo Morales.

5 - Evo renunciou dizendo que foi sobre pressão dos militares e dos Estado Unidos. Não resistiu o necessário e não preparou o povo para resistir se houvesse golpe.

6 - Ao constatar a baixa resistência, os golpistas exigiram que a senadora renunciasse à substituir Evo Morales na presidência da Bolívia.

7 - Com a pandemia, houve um acordo nacional para se adiar as eleições para 6 de setembro. Agora estão mudando para 18 de outubro. Não respeitando os prazos legais... A Bolívia vive com um governo "com prazo vencido".

8 - O Brasil teve algum papel no golpe? Vejam a resposta da senadora:

"Hoje movimento de dinheiro e de aviões, apoio logístico do governo e dos privados. O governo Bolsonaro é um suporte importante dos golpistas. Não é por menos que o Brasil e os Estados Unidos foram os primeiros a reconhecer o golpe.

9 - O golpe não foi apenas contra Evo, foi contra o Povo boliviano, foi contra a democracia e a liberdade. Foi contrta um Projeto político e as mudanças que estavam acontecendo na Bolívia.

10 - As Forças Armadas e a Polícia estavam do lado dos golpistas, diz a senadora. E eu acrescento, mais a imprensa, o judiciário, o Brasil e os Estados Unidos, é claro!

O tempo vai mostrando os fatos, as versões e as verdades...

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Golpes que compensam para alguns...

A verdade, quando demora para aparecer, custa caro

A operação Lava Jato foi uma operação de guerra articulada entre políticos inescrupulosos brasileiros, empresários mercenários mesmo que de luxo, o judiciário e a imprensa. Tudo isto para derrubar o governo petista e impedir a reeleição de Lula.

O resto são consequências de um mesmo objetivo. Entre este resto está a destruição da Petrobras e o fim da soberania nacional.

Aos poucos, os fatos verdadeiros vão aparecendo, as pessoas vão percebendo o quanto foram usadas e as disputas facilitam conhecer os detalhes.

É importante dizer que não há inocentes nesta brincadeira. Há mais ou menos grau de envolvimento, mas não há inocentes úteis.

Neste artigo publicado na UOL, que é da Folha, Sakamoto que é um bom jornalista divulga a versão dos procuradores e dos críticos a Aras, procurador geral da República. A matéria não está na íntegra porque o dono do jornal condiciona aos assinantes.

"Aras usa Lava Jato para centralizar poder na PGR, dizem procuradores

Leonardo Sakamoto Colunista do UOL 29/07/2020 14h07 RESUMO DA NOTÍCIA

Procurador-geral criticou Lava Jato e falou em documentos inacessíveis e 38 mil nomes investigados

Em live com advogados, Aras ainda comentou sobre lista tríplice, em que o MPF indica nome à PGR Procuradores ouvidos pelo UOL veem tentativa de ampliar poderes da PGR sobre o MPF

Em meio a um discurso crítico à Operação Lava Jato, Augusto Aras está em campanha para centralizar poder na Procuradoria-Geral da República e reduzir a independência do Ministério Público.

A avaliação foi unânime entre procuradores e subprocuradores-gerais da República ...

- Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2020/07/29/aras-usa-lava-jato-para-centralizar-poder-na-pgr-dizem-procuradores.htm?cmpid=copiaecola"

Na história, sempre se matou em nome de Deus e da Liberdade.

A história recente também continua cheia de golpes civis e militares...

Como exemplo de golpes de Estado que deram certo para os envolvidos, cito o golpe militar de 1964, que também não tinha nada de comunismo envolvido e sim a vontade dos Estados Unidos de assumir o controle efetivo sobre o Brasil e a América Latina, liderando uma série de golpes militares na região...

Outro exemplo foi um golpe no início do século 20, na Alemanha, quando eles mataram várias lideranças de esquerda e depois o golpe foi derrotado, mas as lideranças já estavam mortas, facilitando assim a hegemonia da direita no país e o advento das duas guerras mundiais.

Para muitos que hoje demonstram arrependimento com o apoio a Bolsonaro, raro é o que você ver fazer autocrítica ao golpe de Estado de 2016. Eles tentam justificar-se dizendo que Dilma no segundo mandato facilitou a derrubada. Como se o crime compensasse.

No caso dos golpistas contra Dilma e o PT, por enquanto, o golpe compensou, isto é, o crime contra a Constituição valeu a pena. Valeu? Só o tempo irá provar.

BNDES, Abilio Diniz e todos juntos no trabalho solidário

Vejam 10 sugestões de Abilio Diniz para combater a crise

Na página A16 da Folha tem um bom depoimento do empresário Abilio Diniz.

Selecionei 10 observações importantes:

1 - Todos nós já vivemos crises, mas esta pandemia é a mais grave de todas. É GLOBAL.

2 - A crise é SANITÁRIA, que se espalhou pela ECONOMIA e, com as mortes e a quarentena, travou o mundo.

3 - As pessoas estão impactadas. Esta ajuda de 600,00 reais para os mais necessitados é extraordinária. Ficou evidente a importância de os governos serem mais ativos, principalmente para as pessoas de baixa renda.

4 - Afetou muito os pequenos e médios empresários. Mas os grandes empresários também estão sentindo a crise. Estamos precisando de funding, de dinheiro e de crédito.

5 - As pessoas donas de lojas, um salão de beleza, prestadores de serviços, profissionais liberais. De repente, ficaram sem trabalhar e sem receber. Uma parcela significativa destas pessoas não têm acesso aos bancos. Precisamos ter alternativas financeiras para estas pessoas...

6 - Tem muita gente ajudando, mas o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes, precisa de muito mais ajuda...

7 - Tem muita gente dando dinheiro para ajudar quem está precisando, são contribuições de pessoas físicas e jurídicas.

8 - Sugerimos e o BNDES concordou em formatar linhas de crédito para poder chegar a esses empresários, em quantidade maior e com mais rapidez.

9 - Esperamos que o BNDES faça isso também e aumente muito mais essa linha, para colocar na mão dos pequenos que precisam.

10 - Estamos fazendo nossa parte sem o governo, mas é insuficiente. Precisamos dos empresários, dos governos e suas instituições e também do povo brasileiro. Todo mundo pode ajudar de alguma forma. E muitos já estão ajudando. Mas a crise é muito maior do que somos capaz de imaginar. Estamos caminhando para mais de 100 mil mortes só no Brasil. Continuamos quase tudo parado. Os negócios, as escolas, as igrejas, o lazer e a vida profissional das pessoas.

- NUNCA É TARDE DEMAIS PARA SE FAZER AS COISAS.

Palavras de Abílio Diniz. O Brasil tem orgulho de gente assim.
Vamos fazer como Abílio. Vamos fazer a nossa parte.
Juntos, é melhor do que separados...

Vamos fazer do Brasil uma grande Nação.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Virus, desemprego e quarentena...

Três formas de sofrer e de superação.

1 - Ser contaminado pelo virus já é uma temeridade. Estamos chegando a 90 mil mortes em todo o Brasil. Ficamos com medo de pegar e de passar o virus para outras pessoas. Este medo nos impede de ver os parentes, os amigos e os colegas. E quando acontece de algum amigo, parente ou colega perder alguém ficamos muito tristes e com mais medo ainda...

2 - Ter o medo do virus e ter colegas, amigos e parentes desempregados é angustiante. Além de ter medo de ser contaminado, tentamos ajudar os desempregados e seus familiares. O desemprego é o pior flagelo na vida dos adultos. Quem tem parentes ou renda poupada consegue sobreviver com menos angústia, mas, quem não tem, sofre. Imaginem quem tem filhos nas escolas, ou quem tem parentes doentes e é arrimo de família?

3 - A quarentena, dos três males é o menor. É angustiante, principalmente para quem tem claustrofobia... Mas, se souber levar a vida dentro de casa, contribui para evitar pegar ou passar o virus, ganha um tempo para ler mai, conversar mais com os parentes e ajudar na manutenção da casa ou apartamento.

Estamos chegando a seis meses de quarentena. Parece uma eternidade... E ficando lendo as notícias de que "nada será como antes"... O que o mundo terá menos emprego e menos trabalho. Será?

São três formas de sofrer, mas, fazem parte da vida e precisamos superar estes desafios.

Solidariedade é a palavra chave.

Vamos contribuir para superar estes desafios.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Operações Mãos Sujas e Mentes Partidárias

Judiciário continua fazendo CIRCO

Como a comprovação de que o Lava Jato foi armação política para tirar o PT do governo e impedir candidatura de Lula, torna-se mais do que necessário definir novas regras de funcionamento do judiciário, do ministério público, da Polícia Federal e também da imprensa.

O rito processual deve garantir a lisura do processo e a preservação da imagem das pessoas citadas até prova ao contrário. Já há dezenas de exemplo de abuso de autoridade do judiciário ou mesmo de parcialidades escandalosas...

Conheço Wellington há muitos anos, como colega bancário, como sindicalista, como senador e como governador, nunca vi qualquer margem de erro dele. No entanto, para deixar claro nosso compromisso com a transparência, reproduzo a Nota divulgada pelo PT Nacional.

OPERAÇÃO POLICIAL NO PIAUÍ É ABUSO DE AUTORIDADE

O Partido dos Trabalhadores denuncia o abuso de autoridade cometido nesta segunda-feira (27) contra o governador do Piauí, Wellington Dias, a deputada Rejane Dias (PT-PI) e outros membros do governo estadual. Trata-se de mais um desvio em que agentes do estado e do governo federal são utilizados para perseguição política.

A invasão das residências do governador e de seus familiares pela Polícia Federal, além da tentativa ilegal de invadir o gabinete da deputada Rejane, é uma notória operação midiática de perseguição e destruição de imagem pública. Os abusos foram cometidos a partir de uma operação que se prolonga há quase três anos e deveria investigar fatos anteriores ao governo Wellington Dias.

Nem o governador nem a deputada são acusados de nada que justifique minimamente tais abusos. A Secretaria de Educação sempre se colocou à disposição das autoridades e a própria deputada Rejane, ex-secretária da pasta, procurou em vão as autoridades para colaborar com as investigações, que não envolvem o governo do estado, mas empresas prestadoras de serviços de transporte escolar.

Como sempre declarou o governador Wellington, o governo do Piauí não é suspeito neste caso, mas seria vítima de atos supostamente ocorridos em gestões anteriores.
O governo do PT do Piauí é reconhecido nacional e internacionalmente pelos avanços na Educação em um estado historicamente marcado pela exclusão da maioria. É exatamente neste setor que Bolsonaro e seus aliados tentam atacar o governador. E não por acaso logo depois da votação em que, contra a vontade do governo federal, a Câmara dos Deputados aprovou o novo Fundeb, essencial para os avanços da Educação no Piauí em todo o país.

O Partido dos Trabalhadores, por meio de sua direção nacional e da liderança na Câmara dos Deputados, está solidário com o governador Welington, a deputada Rejane e o povo do Piauí. Tomaremos todas as medidas possíveis para denunciar e cobrar judicialmente os responsáveis por este abuso de autoridade e pela odiosa perseguição política movida por Bolsonaro e seus aliados.

Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT
Ênio Verri, Líder do PT na Câmara dos Deputados
Rogério Carvalho, Líder do PT no Senado Federal

Brasília, 27 de julho de 2020

Benedita pode surpreender nas eleições do Rio

Com humildade, Benedita aceitava ser vice de Freixo à prefeitura do Rio de Janeiro

Feixo (deputado do PSOL), abriu mão da candidatura à prefeitura do Rio, e aí Benedita foi lançada para prefeita do Rio.

Mulher, negra, evangélica, ex-favelada entre outras coisas mais,
tudo isto pode ajudar Benedita a despontar nas eleições como a grande surpresa.

O Rio de Janeiro está precisando:

- voltar a ser a cidade mais bonita do mundo,
- voltar a ser a cidade de vanguarda do Brasil,

- voltar a ser a cidade da arte e da cultura,
- voltar a ser a cidade do FLAFLU e do melhor futebol,

- voltar a ter empresas que dignifiquem a cidade,
- voltar a sediar grandes congressos e conferências,

= voltar a ser uma cidade de PAZ e AMOR,
- voltar a ser a cidade onde Cristo recebe as pessoas de braços abertos

- voltar a ter na prefeita alguém em que o carioca sinta confiança,
- voltar a ter uma prefeita honesta, transparente e experiente.

Com humildade, Benedita pode ser a prefeita que vai garantir tudo isto para o Rio de Janeiro.

Na pandemia, as cidades que se destacaram no mundo, pela qualidade e eficiência no combate ao virus, foram cidades governadas por mulheres. Provavelmente o lado afetivo, maternal, solidário tenham ajudado muito.

Com a crise política e econômica que está afetando o mundo, onde as cidades são governadas por mulheres, os resultados são melhores que as governadas por homens.

Acredite nesta ideia e, vamos trabalhar juntos, para voltar o ver o Rio de Janeiro ter alegria e muita luz. Vamos fazer uma frente ampla no Rio de Janeiro, conclamando todos os cariocas a se unirem pelo Rio.

Chega de violência. Viva o Rio de Janeiro!

Juntos, com Benedita, podemos governar o Rio solidariamente.

Juntos, com Benedita, podemos ajudar a melhorar o Brasil.

Mulher, Negra, Militar e com Mestrado, esta é a candidata do PT à prefeitura de Salvador

Disputando para ganhar...

O Haiti NÃO é aqui, Salvador agora é África do Sul.

Duas maiorias estão obrigando as pessoas e as empresas mudarem de comportamento:

1 - As mulheres

2 - Os negros


Com 80% da população composta de negros e pardos, Salvador vai, pela primeira vez, viver uma eleição onde a questão da mulher, do negro e dos pobres vai pautar os debates em todos os lugares. No caso da Bahia, até o PT teve que entrar no jogo para ganhar e aí foi buscar uma candidata que faz a diferença...

Vejam a matéria relatando as eleições para prefeita de Salvador.

PM negra é uma das principais apostas do PT - jornal Valor 27/07/2020.

https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/07/27/pm-negra-e-uma-das-principais-apostas-do-pt.ghtml


PM negra é uma das principais apostas do PT

Pré-candidata em Salvador quer disputar com bolsonarismo voto suscetível à segurança pública

Por Cristiane Agostine — De São Paulo 27/07/2020 05h01 · Atualizado

Denice Santiago: major da Polícia Militar diz que sua eventual eleição será simbólica e vai abalar “os pilares da cultura do patriarcado e do racismo” - 2/10.

“Se vocês virem um veículo se aproximar ocupado por cinco ‘negões’, o que fazem?”

A pergunta é feita pelo instrutor no curso de formação de oficiais na Academia de Polícia Militar e respondida imediatamente. Os alunos citam as mais diferentes técnicas de abordagem e descrevem formas de imobilização dos “suspeitos”.

Uma aluna se inquieta: “Professor, por que cinco ‘negões’? E se fossem cinco ‘brancões’?”

O instrutor, um oficial da Polícia Militar da Bahia, responde:

“Aluna, branco correndo é atleta, preto correndo é ladrão!”

A cena foi vivenciada por Denice Santiago e descrita em sua dissertação de mestrado sobre a discriminação racial nas atividades da PM. Mulher, negra, policial militar e de família pobre, Major Denice Santiago, com 49 anos, passou 30 anos na corporação.

Agora, tenta mostrar que existe resistência entre policiais a esse discurso e busca driblar a rejeição de parte do PT à sua pré-candidatura à Prefeitura de Salvador.

O PT decidiu disputar com o bolsonarismo a bandeira da segurança pública e aposta na militar para tentar vencer pela primeira vez na capital baiana.

Com atuação no combate à violência contra a mulher, Major Denice é vista pela direção nacional petista como uma renovação e uma das pré-candidaturas com maior potencial eleitoral.

O partido desidratou-se nas eleições de 2016, ao perder 60,2% do número de municípios que comandava no país e vencer em apenas uma capital, Rio Branco.

O desafio em Salvador, no entanto, não será fácil: o principal concorrente é o viceprefeito Bruno Reis (DEM), ex-secretário de Infraestrutura e Obras, líder nas pesquisas de intenção de voto e apadrinhado do prefeito ACM Neto (DEM).

3/10 - A escolha de uma policial militar foi articulada pelo governador Rui Costa (PT), e é alvo de críticas no PT baiano. O governador tentou, inicialmente, a candidatura do presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellitani, mas o dirigente desistiu.

Rui Costa insistiu em ter um nome novo na política e atendeu ao movimento negro, que lançou em 2019 a campanha “Eu quero ela”, em defesa de candidaturas de mulheres negras para disputar a capital. Salvador tem a maior população de pretos e pardos do país (79,2% do total, segundo o IBGE), mas nunca elegeu uma negra - ou um negro - para a prefeitura.

Ao mesmo tempo, o governador buscou uma candidatura que pudesse amenizar os ataques à área de segurança, uma das mais problemáticas da gestão, marcada por denúncias de ações violentas da polícia sobretudo contra negros e pobres.

Major Denice é idealizadora e ex-comandante da Ronda Maria da Penha, patrulha da PM para combater a violência doméstica contra mulheres, com boa imagem na população.

O presidente do PT de Salvador, Ademário Costa, diz que “a esquerda precisa disputar a polícia” nas urnas. “A esquerda erra ao não ver os agentes de segurança como trabalhadores”, afirma. Para o petista, a esquerda erra também ao achar que todos os policiais são apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

“A elite da polícia, que é bolsonarista, tem gênero, raça e classe social específicos: homem, branco, de classe média alta.

A base da polícia é de negros, das classes C e D, da periferia, que também foram vítimas da repressão policial”, diz. “Precisamos buscar contrapontos para fazer o diálogo com a PM.”

4/10 - A major reconhece que há excessos cometidos por colegas da corporação até mesmo na abordagem a suspeitos. Em seu mestrado, ao questionar PMs sobre como identificar quem é suspeito, registra descrições como: “[alguém que] geralmente [está] usando bermuda e camisa, boné escondendo ao máximo o rosto, um andar marrento, e em sua grande maioria negros e jovens.”

Ao perguntar sobre quem seria abordado primeiro, se houvesse um homem branco e um negro, a maioria dos entrevistados pela major (51%) indicou que seria o negro; 49% afirmaram ser “indiferentes” à cor e nenhum indicou o branco como prioritário.

Na dissertação, Denice propôs a criação de uma coordenação de direitos humanos na PM, para acompanhar os policiais e tentar mudar práticas discriminatórias. A pré-candidata pondera que assim como existem maus policiais, há bons exemplos e cita a ação da Ronda Maria da Penha que, segundo ela, “já salvou mais de 6 mil mulheres”.

Denice é graduada em psicologia e em segurança pública, pós-graduada em gestão de direitos humanos e mestre em desenvolvimento e gestão social. Apesar de segurança não ser uma atribuição dos prefeitos, a pré-candidata afirma que o tema é uma “pauta prioritária” e que é necessário “tirar o foco da segurança e pensar na prevenção e enfrentamento da violência”, com ações voltadas aos mais pobres.

A campanha deve ser coordenada por outra negra, Fabya Reis, secretária estadual de Promoção de Igualdade Racial, que retirou a pré-candidatura no PT. Major Denice diz que sua eventual eleição será simbólica para uma cidade que “jamais elegeu uma pessoa negra” e vai abalar “os pilares” da cultura do “patriarcado e do racismo”.

“Vai inspirar os mais de 80% de negros da cidade”, afirma. A escolha da major gerou uma rebelião no PT e entre aliados, por ser um nome militar e sem vínculos com a sigla. Petistas afirmam que o partido tinha outras quatro pré-candidaturas - duas de mulheres negras-, e poderia apoiar a précandidatura da deputada Olívia Santana, liderança do movimento negro.

5/10 - Sob pressão, o PT fez prévia em abril, mas não abriu a votação aos filiados e apenas 45 delegados votaram. Filiada um mês antes da escolha, Denice ganhou com 71% dos votos.

O lançamento da militar é visto como exaltação à política de segurança estadual, que é contestada e poderá gerar desgastes ao partido na eleição. O governador, no entanto, evita falar sobre a escolha para não criar mal-estar entre outras pré-candidaturas de sua base. Procurado pelo Valor, não quis comentar nem sobre Denice nem sobre segurança.

A Bahia é o terceiro Estado com maior número de mortos por policiais. Foram 716 mortes em 2019, segundo o Monitor da Violência. Em 2018, o número foi ainda maior: 749 óbitos. No país, a letalidade policial só é maior no Rio e em São Paulo. Um dos problemas da gestão Rui Costa na segurança deu-se no começo do primeiro mandato do petista, em 2015, com a chacina do Cabula - mesmo bairro onde Major Denice mora.

Policiais militares executaram 12 jovens negros e a ação foi elogiada pelo governador, que comparou os PMs a artilheiros em frente ao gol. O governo alegou que os jovens planejavam um assalto a banco e foram mortos em confronto com PMs, mas o Ministério Público concluiu que foi uma execução por vingança e não houve confronto. Os policiais envolvidos na chacina continuam trabalhando normalmente.

Em seu mestrado, ao falar sobre o “confronto”, Major Denice cita que “diversas organizações sociais” indicaram “um extermínio da população (negra e jovem), não somente uma operação policial militar” nesse caso.

Na Bahia, a taxa de homicídios de jovens negros é quatro vezes a de jovens brancos, segundo estudo da Rede de Observatórios de Segurança.

6/10 - Para o professor da UFBA Joviniano Neto, especialista em Segurança Pública, há duas culturas em conflito na PM: a do autoritarismo, que gera um alto grau de letalidade, e do “pacto pela vida”, voltada para a prevenção da violência.

“Em todo o país, é difícil controlar a polícia. O autoritarismo e a prática militarizada vêm desde a ditadura e não são adequados. Mas, muitas vezes, são apoiados pelo senso comum”, diz. A tentativa de aproximação do PT da Bahia com a PM não é recente.

Em 2001, o partido apoiou a greve de policiais contra o governo César Borges (PFL). Na época, os então deputados petistas Jaques Wagner, Walter Pinheiro e Nelson Pellegrino foram chamados pelo governo federal, de Fernando Henrique Cardoso, para ajudarem a construir uma saída para o impasse.

A aproximação, no entanto, foi mais pela oposição ao governo e pela reivindicação de melhores condições de trabalho aos PMs do que por ideologia. Um dos líderes do motim, pastor Sargento Isidório foi eleito pelo PT na eleição seguinte, em 2002, como deputado estadual.

Integrante das bancadas da “bala” e da “Bíblia”, Isidório passou pelo PSB e PDT, mas também pelo conservador PSC, e tornou-se um dos políticos mais populares do Estado. Conhecido como “ex-gay” e “doido”, em 2018 foi eleito deputado federal pelo Avante com a melhor votação da Bahia e atualmente aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de Salvador.

“Não sou de esquerda nem de direita. Sou representante de uma classe popular, negro, da periferia”, diz.

7/10 - O pastor e militar afirma que “lamentavelmente teve que deixar o PT” e faz uma série de elogios ao governador Rui Costa. “Ele é meu amigo. Um exemplo de homem sério, íntegro e que serve de modelo aos petistas”, afirma.

Apesar da boa pontuação nas pesquisas e de dizer que “sonha em ser prefeito”, o parlamentar não descarta retirar a pré-candidatura e apoiar o PT. “Não tenho a vaidade de ser prefeito. Deus já me deu mais do que eu mereço”, diz. “Mas não vou desistir porque estou isolado. Tem que ter um critério”, afirma. “Se outro pontuar melhor, qual o problema de apoiá-lo?”

Apesar dos acenos à base militar, a relação do PT com policiais enfrentou desgastes ao longo das quatro gestões consecutivas do partido na Bahia, com greves de PMs. Uma das mais longas foi em 2012, no governo Jaques Wagner, com cerca de uma centena de homicídios registrados durante o motim.

Um dos críticos da ligação política do PT com a polícia é o ex-ministro Juca Ferreira, que comandou a Cultura nas gestões Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ferreira diz que a escolha é uma exaltação à PM, apesar de o programa do PT defender a desmilitarização da polícia.

“Não vejo com simpatia essa politização da polícia. A PM tem o monopólio das armas, é uma instituição para manter a ordem. Quando se mistura com a política, enfraquece a instituição”, diz Ferreira, que postulou a vaga de pré-candidato pelo PT.

domingo, 26 de julho de 2020

A melhor candidata à prefeitura de São Paulo

São Paulo precisa voltar a ser um bom exemplo para o Brasil e para o mundo.

Chega de discurso rancoroso, chega de direita sectária, chega de propostas revanchistas.

Vamos nos unir por uma São Paulo para todos e todas.

A Folha, agora, talvez sem querer, mostrou aos paulistas e aos brasileiros de que existe gente muita boa governando grandes cidades e que podem governar países e ajudar a combater a pandemia respeitando as pessoas, colocando as pessoas em primeiro lugar.

Claudia López, prefeita de Bogotá, capital da Colômbia

Que se faça uma parceria com as prefeituras de Bogotá, de Paris e tantas outras que estão mostrando que “um outro mundo é possível”.

Quem pode ser nossa Claudia Lopez?

Vamos fazer uma série de reuniões e pesquisas para, a partir de um programa básico como o de Claudia lá em Bogotá, vamos garantir a pluralidade na execução do programa internacional para São Paulo.

Leiam esta maravilhosa entrevista da prefeita de Bogotá.

Evidências científicas têm de predominar sobre caprichos políticos, diz prefeita de Bogotá

Primeira mulher a ocupar cargo, Claudia López defende humildade para entender que 'quem governa hoje é o coronavírus'

Sylvia Colombo
BUENOS AIRES

"Quem está governando o mundo é o coronavírus", diz a prefeita de Bogotá, Claudia López, 50. "Nós, líderes políticos, precisamos ter humildade e rigor para basear nossas decisões na ciência."

Primeira mulher eleita para o segundo cargo executivo mais importante da Colômbia, López chegou ao poder com uma agenda de centro-esquerda que contempla aumento de políticas sociais, defesa da diversidade, proteção do meio ambiente e reconciliação entre os envolvidos no conflito com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

"Para muitos, eram bandeiras secundárias. Mas a pandemia mostra agora que, no fundo, essas são as questões mais essenciais para a Colômbia", afirma a prefeita à Folha, por videoconferência, de seu gabinete em Bogotá.

Membro da Aliança Verde, foi senadora entre 2014 e 2018. Em 2016, apoiou o então presidente Juan Manuel Santos na assinatura do acordo de paz com a guerrilha. Nas últimas eleições presidenciais, em 2018, foi candidata a vice de Sergio Fajardo. A chapa ficou em terceiro lugar, mas venceu na capital.
No ano seguinte, foi eleita para comandar a terceira cidade mais populosa da América do Sul, atrás apenas de São Paulo e Lima, no Peru.

A sra. entrou em conflito com o presidente Iván Duque devido à quarentena. Por quê?

Nossa diferença é sobre manter uma quarentena dura e total em Bogotá, como eu desejo, ou setorizada —e mirando uma retomada da economia—, que é a vontade dele. O presidente resolveu concentrar as decisões sobre a pandemia, e eu quis debater, confrontá-lo com os dados dos médicos que me assessoram. A prioridade dele é a economia, e não as vidas, e ele não quis autorizar uma quarentena generalizada. Tive então de adotar um plano B, pois os casos vinham crescendo muito.

Foi a opção que tive, ou então compraria uma batalha política, e não creio que este seja um tempo de divisões políticas. Acertamos, então, que faremos em Bogotá uma quarentena por localidades [a capital colombiana tem 20 localidades, que concentram seus 1.900 bairros]: a cada 14 dias, dois terços da cidade estarão em quarentena total. Vamos indo por setores de acordo com os números.

Com minha equipe de epidemiologistas, chegamos à conclusão de que Bogotá pode, sim, funcionar, mas apenas com 60% de sua capacidade. E não [pode ser] agora, tem de ser gradual. Temos de desenhar um modelo em que as atividades façam um rodízio. Se a construção e a manufatura trabalharem três dias por semana, por exemplo, o comércio trabalhará quatro. É nisso que estamos trabalhando agora.

Bogotá tem os mesmos problemas que outras metrópoles da América Latina, como São Paulo ou Buenos Aires. O que a sra. aprendeu com a pandemia sobre a maneira de combater esses problemas? Nós, que governamos cidades com mais de 5 milhões de habitantes na região, enfrentamos problemas comuns: a alta densidade, a desigualdade, a falta de estrutura sanitária, a pobreza e a falta de segurança.

Cada um desses temas já é um monstro. Combater todos de uma só vez é um desafio enorme.

Eu venho do meio universitário, portanto, creio na ciência. Diante do coronavírus, temos de ter humildade e rigor. Humildade para entender que quem está governando é o coronavírus. E digo isso com dor, afinal sou a primeira mulher eleita para esse cargo. E quando penso que demoramos 200 anos para chegar aqui e temos de lidar justo com essa pandemia, pode ser desanimador. Mas é também uma oportunidade. Sou positiva.

https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1647223996256735-travessia-entre-venezuela-e-colombia#foto-1647223996406313

Cheguei com o propósito de lutar pelas mulheres, pelos jovens, pelo meio ambiente, pela diversidade, pela paz, mas tenho que aceitar que a minha agenda agora está atrás da agenda do coronavírus. Portanto, tenho de aprender a conhecê-lo, estudar seu comportamento dia após dia, trabalhar com os cientistas, escutar seus conselhos. E o rigor significa prestar atenção às cifras. É isso que tenho tentado argumentar com o presidente, mas a fricção tem sido constante. Ele faz muita pressão para abrir a economia.

É possível que o movimento em Bogotá seja o mesmo de antes da pandemia num futuro próximo? Não. Se colocarmos 100% dos habitantes da cidade que transitavam na rua antes ao mesmo tempo, não teremos como evitar que nosso sistema de saúde colapse. Essa pandemia estará conosco por mais de um ano. Não vai haver vacina em menos tempo e, quando existir, ainda assim vai demorar um tempo até que tenhamos como aplicá-la. Ou seja, durante todo o resto de 2020 e em 2021 vamos ter de aprender a coexistir com esse vírus sem que ele nos mate. Para isso, as evidências científicas têm de predominar sobre os caprichos políticos.

Até que ponto crê que a agenda com a qual foi eleita pode ser executada?

Temos um dilema. A agenda de igualdade e do desenvolvimento verde requer alto investimento público. E essa pandemia tem um efeito duplo. Por um lado, está deixando mais evidente a necessidade dessa agenda, porque as pessoas mais afetadas pela pandemia e suas consequências são as minorias que mais precisam de ajuda. Por outro lado, devido ao coronavírus, diminuíram o emprego e a arrecadação fiscal, então temos menos recursos num momento em que essa agenda se mostra essencial. Acredito ser necessário construir um novo contrato social e ambiental para criar um sistema que diminua o impacto que a pobreza tem sobre as mulheres, que dê mais oportunidades aos jovens de estudar e de ter acesso a bons empregos.

Também é urgente viver com energias limpas, porque estamos acabando com o planeta. Se há uma consequência positiva na pandemia é mostrar que tudo aquilo que alguns setores da sociedade achavam que eram questões menores são, na verdade, as prioridades.

Além do contrato social, seria necessário um novo modelo econômico também?

Sim, defendo um keynesianismo do século 21. Este não é o momento da ortodoxia. Não é o momento da austeridade, é o momento da transparência para não perder um centavo à toa. E, quando falo sobre keynesianismo do século 21, quero dizer que precisamos ter a possibilidade de nos endividar neste momento. E nos endividarmos profundamente, para poder levar adiante esse novo contrato social de igualdade e esse contrato ambiental de sustentabilidade. Se deixarmos esta crise nas mãos dos ortodoxos e dos neoliberais, terminaremos sendo mortos pelo coronavírus e pela ortodoxia. Precisamos de rigor científico para administrar o coronavírus e keynesianismo inteligente para nos endividar e investir em uma reativação econômica verde e igualitária.

A sra. apoiou o acordo de paz com as Farc. A implementação do pacto está travada?

Uma de minhas maiores dores como cidadã e como líder política foi a vitória do "não" no plebiscito de 2016 [em que o acordo foi rejeitado e acabou sendo aprovado pelo Congresso]. Era uma coisa que não entrava na minha cabeça. Eu pensava: "Como pode ser que um país, diante da possibilidade de sair de 60 anos de guerra, tem uma sociedade em que muitas pessoas digam 'não', que lhes parece melhor seguir tratando uns aos outros com chumbo?".

Infelizmente, o governo nacional que temos hoje é um governo oposto à paz. Não está interessado em cumprir os acordos de paz. Foi justamente esse setor político que liderou a campanha do "não". É lamentável, porque são os mais pobres que pagam pela guerra na Colômbia. É a população das zonas rurais, as mais sofridas, onde há mais pobreza e mais desigualdade. Agora eles vivem uma desgraça tripla: um governo nacional a quem não interessa a paz, uma situação fiscal que tira recursos que antes seriam destinado à paz e a pandemia. Ou seja, vai aumentar a brecha entre o urbano e o rural, que é uma das principais ameaças à paz.

O que é necessário para a paz com as guerrilhas, os paramilitares e as facções criminosas?

Para alcançar a paz na Colômbia, teríamos de mudar a política da guerra contra as drogas, que é uma absoluta estupidez, um fracasso total, é jogar dinheiro no lixo. Essa, porém, é a agenda de Donald Trump, e o governo de Duque é totalmente pró-Trump, não é capaz de mudar essa agenda.

O acordo de paz foi rejeitado nas urnas em grande parte por fazer alusão ao que a direita chama de "ideologia de gênero". Ao mesmo tempo, Bogotá a elegeu como prefeita. Há uma contradição ou é sinal da polarização política e moral da sociedade? Essa é a maravilha de Bogotá. Trata-se da cidade mais diversa e mais progressista da Colômbia. Por isso, pela primeira vez na história, elegeu uma mulher, gay, professora acadêmica. Isso num país tão conservador, tão machista, tão homofóbico. Minha eleição mostra mais do que as minhas virtudes, mostra as virtudes de Bogotá, que é de longe muito mais progressista que o resto do país e que rejeita extremos.

A Colômbia tem uma extrema direita conservadora, homofóbica, que usou deliberadamente de maneira mentirosa a chamada "ideologia de gênero" para dizer que os acordos de paz iam homossexualizar as crianças da Colômbia. Mas, por mais absurdo que fosse, foi eficaz eleitoralmente. Também contou o discurso antipobres, uma vez que há uma sensação deste setor de que são os pobres os que se alistam às Farc e que, por isso, não merecem ajuda. Foi uma votação que explorou muitos ressentimentos: o da desigualdade, o da mentira homofóbica. Serviu para derrotar a paz e para ganhar as eleições em 2018. Os dois pleitos foram uma mesma onda. Bogotá, no entanto, é mais inteligente que isso, não pode ser manipulada.

O novo contrato social e essa nova proposta econômica têm como dar certo enquanto não se resolve a questão da crise na Venezuela?

O que está acontecendo na Venezuela é uma calamidade. O chavismo destruiu o país. E isso nos danifica muito, porque a crise na Venezuela foi útil à direita colombiana. Os que são contra os discursos da centro-esquerda e da esquerda nos desacreditam estigmatizando todos como "castro-chavistas" [expressão usada frequentemente pelo líder do partido Centro Democrático, o ex-presidente Álvaro Uribe]. Sempre condenei o governo de [Nicolás] Maduro, mas também é do nosso interesse nacional não propiciar uma intervenção militar na Venezuela.

É um caos, é uma ditadura, é uma desgraça para a Venezuela, mas é preciso valorizar os meios pacíficos e políticos, não apenas pelo bem-estar da Venezuela, mas para a Colômbia. Afinal, no dia em que, desde Miami, resolvam atacar a Venezuela, nós vamos sentir os efeitos. Se hoje já temos dificuldades por abrigar 1,5 milhão de venezuelanos, se houver uma guerra, haverá 5 milhões, e não teremos estrutura para acolher todos. Haveria na Colômbia uma tensão social e econômica imensa.
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CLAUDIA LÓPEZ, 50
Membro da Aliança Verde, López é a primeira mulher a comandar a cidade de Bogotá. Gay, casada com a advogada e ativista dos direitos LGBT Angélica Lozano Correa, fez mestrado em administração pública na Universidade de Columbia, em Nova York, e doutorado em ciência política na Universidade Northwestern, em Chicago. É autora de livros sobre política e parapolítica. Foi senadora entre 2014 e 2018.

sábado, 25 de julho de 2020

Celso Furtado, uma estrela que brilha e completa 100 anos

Sim, nós somos DESENVOLVIMENTISTAS...

Ante tanta mediocridade nas políticas públicas e privadas, ao completar 100 anos neste domingo, 26 de julho, o Brasil, que anda triste e cabisbaixo, começa a buscar sua história, sua identidade e buscar forças para superar tantas mediocridades no governo, no parlamento, no judiciário e na imprensa.

Um país que já teve Celso Furtado iluminando o mundo e principalmente os países mais pobres, o Brasil ser governado por um ministro da economia como Guedes, é realmente uma vergonha.

Não vou e prolongar. Leia a belíssima reportagem publicada no caderno de fim de semana do jornal Valor.

100 anos de Celso Furtado – Valor – 25/-07/2020.

Pensamento heterodoxo de Celso Furtado, que completaria 100 anos, permanece atual Defesa do desenvolvimentismo neste tempo de crise mundial reaquece o pensamento do economista que completaria 100 anos

Por Cristian Klein e Gabriel Vasconcelos — Do Rio 24/07/2020 05h02 · Atualizado há um dia Eu& 7/25/2020

Pensamento heterodoxo de Celso Furtado, que completaria 100 anos, permanece atual | Eu & | Valor Econômico
https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2020/07/24/pensamento-heterodoxo-de-celso-furtado-que-completaria-100-anos-permanece-atual.ghtml

2/21 - Centenário de nascimento de Celso Furtado, no dia 26, tem sido marcado por uma série de homenagens, com seminários virtuais, artigos e livros — Foto: Nelson Perez/Valor

“Aos meus 14 anos sofri a minha primeira crise espiritual - crise de angústia cósmica. Então, eu senti pela primeira vez que a vida de cada homem era uma obra a ser realizada em função de um fim. Olhei abismado para o futuro e chorei apavorado ante a ideia de que talvez não pudesse atingir aquele fim.”

Aos 24 anos, era assim que o jovem aspirante a oficial Celso Monteiro Furtado descrevia de forma precoce suas memórias no diário, a bordo do navio General Meigs, que o levava para a guerra na Itália, em 18 de fevereiro de 1945. O oficial de ligação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) com o 5º Exército dos Estados Unidos não tinha medo da morte.

“Pelo contrário, a configuração desse sentimento desperta-me logo um estado de repulsa”, anotava Furtado. Causava-lhe mais temor a falta de propósito e a premência para a tal obra a ser realizada que lhe afligira dez anos antes.

3/21 - O intelectual e homem público de ação, que defenderia a intervenção moderada do Estado para a superação do atraso do Brasil, fincava o planejamento como método para o seu próprio desenvolvimento como indivíduo.

Nascido em Pombal, no sertão da Paraíba, na “periferia da periferia”, como lembra o amigo por décadas e historiador Luiz Felipe de Alencastro, o então pracinha acreditava ter ainda muitos anos pela frente e afirmava se ver como “um mistério”: “Se eu chegar a ser um homem excepcional, no futuro, isso não constituirá surpresa para mim mesmo”.

4/21 - Em 2003 com Carlos Lessa (1936-2020), então presidente do BNDES; para entrevistados, a melhor definição para posicionamento de Furtado é o de um social-democrata — Foto: Nelson Perez/Valor

Não houve surpresa, e Celso Furtado foi, de fato, excepcional. Em reconhecimento à sua trajetória, seu centenário de nascimento, que se completa no domingo 26, tem sido marcado por uma série de homenagens em forma de seminários virtuais, artigos e publicação de livros, como a trilogia “Celso Furtado: A Esperança Militante”, editada pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), e um volume de correspondências, organizado pela viúva, Rosa Freire D’Aguiar, que será lançado pela Companhia das Letras.

Para muitos, o autor do clássico “Formação Econômica do Brasil” (1959), criador da Sudene e primeiro ministro do Planejamento do país é o mais importante intelectual brasileiro da segunda metade do século XX.

Para admiradores, discípulos e mesmo acadêmicos não alinhados com o pensamento econômico heterodoxo, sua obra é um divisor de águas que influenciou gerações e se mantém atual até hoje, quando o capitalismo recorre frequentemente ao Estado para resolver profundas crises, como a de 2008 e a de agora, provocada pela pandemia de covid-19.

“Ele foi o mais importante economista brasileiro do século XX”, afirma o ex-ministro da Fazenda e professor emérito da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) Luiz Carlos Bresser-Pereira, de 86 anos.

“Furtado foi um gênio do pensamento universal.

Teve uma capacidade de iluminar a compreensão do processo de desenvolvimento que é fora de série”, diz o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Luciano Coutinho, 73, um dos tantos que sentiram na juventude o impacto pela análise econômica “furtadiana”, ao ouvi-lo numa palestra no Recife.

5/21 - Com João Ubaldo Ribeiro (1941-2014, centro) e Lêdo Ivo (1924-2012) em 2004, em chá na Academia Brasileira de Letras: seu “Formação Econômica do Brasil” é marco teórico — Foto: Marcos Ramos/GG

Professor titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiz Gonzaga Belluzzo, 77, destaca a atualidade das ideias: “Celso teve uma visão abrangente do processo de constituição e reconstituição dos países e suas economias a partir dos nexos que mantêm entre si.

Todo mundo fala em globalização, mas ele foi pioneiro; se antecipou muito ao que muita gente está - 6/21 começando a enxergar com mais clareza agora nessa relação do Brasil com a China, por exemplo”.

A autoconfiança nos anos de formação, longe de imodéstia, era reflexo da voracidade em ler tudo o que lhe vinha às mãos, a começar pelos clássicos presentes na biblioteca do pai, um juiz, depois desembargador.

A mãe vinha de uma família de proprietários de terras. O pequeno Celso, que olhava pela fresta da janela a chegada dos cangaceiros, era o segundo dos oito filhos do casal. Segurança e autoestima, porém, conviviam com o julgamento severo, quase autodepreciativo.

“Eu acredito ter sido uma criança inferior. Possivelmente era o mais feio, com uma grande cabeça, um pescoço fino e um corpo ossudo, tinha o detestável vício de mijar na cama, não tinha espírito, era zangado - em síntese, ninguém se orgulharia de me apresentar como filho. (...) Na minha cabeça dura, dificilmente entrava qualquer coisa.

Era indiscutivelmente burro. É claro que esse panorama progressivamente transformou-se”, escreveu em diário, pouco antes de atingir o estreito de Gibraltar. As memórias estão no livro “Diários Intermitentes”, também organizado por Rosa.

7/21- Em 1986, na posse como ministro da Cultura de Sarney: passagens pelos governos de Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart marcam sua trajetória — Foto: Juan Carlos Gómez/Agência O Globo

A autoimagem física e intelectual do menino nordestino não corresponderia à visão despertada no futuro. “Ele foi um jovem muito bonito. Fazia muito sucesso com as mulheres e com os homens também, pelo carisma. Apesar disso, ele não se achava, absolutamente”, aponta Alencastro, que chegou a Paris em 1966, um ano depois de Furtado, também exilado por causa da ditadura militar. Ali, os dois atuaram no ambiente acadêmico da Sorbonne por quase duas décadas.

Professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV, Alencastro, 74, lembra que o amigo sempre teve uma “discrição de sertanejo num meio universitário que é vaidoso”. Na capital francesa, Furtado era expoente na enorme turma de exilados brasileiros e latino-americanos, entre os quais políticos, intelectuais e artistas - como Fernando Henrique Cardoso, Caetano Veloso, Gilberto Gil - que tinham como ponto de encontro e refúgio a casa de Violeta Arraes Gervaiseau (1926-2008), irmã do então governador de Pernambuco Miguel Arraes (1916-2005), preso e cassado pelo regime militar.

Depois do golpe de 1964, e antes de se fixar em Paris, Furtado já passara brevemente por Santiago, no Chile, e uma temporada em New Haven (Estados Unidos), onde assumira o cargo de pesquisador graduado na Universidade Yale. Foi ali que o então jovem economista Edmar Bacha, aos 22 anos, recém-chegado para cursar mestrado e doutorado, conheceu o ídolo e autor do livro em que, durante a - 8/21 - faculdade, na UFMG, havia sublinhado “trechos e mais trechos” em lápis vermelho, “além de inúmeras anotações na margem”.

Com Lula e Maria da Conceição Tavares, em 2002; o então presidente financiou a criação, em 2005, do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento — Foto: Custodio Coimbra/PA

9/21 - Um dos pais do Plano Real e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL) - assim como foi Furtado e também o liberal Roberto Campos (1917-2001), antagonista ideológico que lhe sucedeu no Ministério do Planejamento após o golpe -, Bacha lembra que o intelectual e homem de Estado, com apenas 44 anos, já era considerado um “mito” por estudantes brasileiros de economia. “Convivemos intensamente e, apesar da diferença de idade, ficamos amigos”, recorda Bacha, hoje com 78 anos.

Uma década mais tarde, em 1974, Furtado ajudaria o colega a divulgar na imprensa alternativa, por meio do semanário de oposição “Opinião”, sua fábula sobre um reino chamado Belíndia. Numa época em que o país crescia com grande concentração de renda, o ensaio ilustrava a desigualdade abissal que tornava o Brasil uma combinação de Bélgica com Índia.

Do período em que conviveu com Furtado em Yale, Bacha guarda o interessante conjunto de correspondências em que relatava à sua mãe - também fã do economista - o cotidiano em New Haven.

“Quarta, Furtado falou no Seminário Interdisciplinar Latino-Americano sobre problemas agrários do Nordeste. O homem é realmente grande, Da. Maria!”, enaltecia o mestrando, na carta escrita em 19 de março de 1965.

Cinco meses antes, em outubro, três missivas chamam atenção. Na primeira, Bacha relatava que Celso Furtado havia viajado naquela semana para a Califórnia, a mais de 4,5 mil km de Connecticut, equivalente à distância entre São Paulo e Boa Vista. “Semana que vem, volta para lá de novo. Se quisesse, passava o tempo todo passeando de um lado para outro, atendendo a convites que chovem de todo lado.”

10/21 - Na segunda carta, conta que Furtado estava “todo feliz com a edição americana de seu livro, ‘Desenvolvimento e Subdesenvolvimento’, que acaba de sair” e que o colega havia comprado um Corvair-65, “que é uma beleza de carro, com umas formas tão aerodinâmicas que parece que até vai levantar voo”.

Na terceira correspondência, Bacha diz que “Roberto Campos está em Washington, e com ele [Mário Henrique] Simonsen [1935-1997] e [João Paulo dos Reis] Velloso [1931-2019], meus professores do CAE [Centro de Aperfeiçoamento de Economistas, predecessor da atual Escola de Pós-Graduação em Economia da FGV-Rio], e que talvez venham aqui na quinta-feira quando terminarem o blá-blá-blá na capital [dos EUA]. “Ah, o que não daria para ver uma ‘briga’ do Simonsen com o Furtado! Sou até capaz de chamar os dois aqui em casa na quinta à noite, mas acho que ficava meio sem graça”, animava-se o estudante.

A agressividade, no entanto, não era afeita ao espírito cordato e à elegância de Celso Furtado. Alencastro destaca que não era do feitio dele falar mal de ninguém, e que Furtado, em sua autobiografia, não criticou nem Roberto Campos, que, embora fosse um “quase amigo”, tornara-se algoz com a inclusão de seu nome na primeira lista de cassados da ditadura militar.

“Até o Lincoln Gordon [1913-2009], embaixador americano, e um dos articuladores do golpe, visitou o Castelo Branco e o questionou por que o Celso estava na lista. Achou um absurdo. Isso refletia em parte a alta admiração que o Furtado despertava nos círculos acadêmicos norte-americanos”, afirma o historiador.

O mesmo respeito se dava na Europa, onde, no fim dos anos 1940, Celso Furtado já estudara na London School of Economics e concluíra o doutorado na Sorbonne, com uma tese sobre a economia brasileira no período colonial.

De modo que ao se exilar em Paris, em agosto de 1965, com recém-completados 45 anos, Furtado já havia realizado alguns dos principais marcos de sua biografia, que aliou a difícil capacidade de, ao mesmo tempo, ser um homem de ideias e de ação.

11/21 - Era intelectual e tinha vida política. Reunia rigor acadêmico e engajamento político, o pensar e o agir.

Foi da FEB, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), à sua própria FEB, sigla pela qual a obra-prima do estruturalismo latino-americano ganhou apelido no meio universitário, como aponta Samuel Pessôa, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Liberal, o economista diz que “Formação Econômica do Brasil” permanece onipresente nas universidades brasileiras ao ponto de os departamentos de economia serem chamados de FEB, em alusão ao livro.

Nele, Furtado não descreve a história econômica brasileira, mas a analisa, a partir da história dos ciclos da canade-açúcar, do ouro e café, que desembocariam na industrialização. Defende que o subdesenvolvimento não é uma fase ou etapa para se alcançar um estágio superior de desenvolvimento, mas uma condição inerente na relação estrutural centroperiferia, que determina um padrão específico de inserção dos países periféricos na economia mundial.

“Foi tão revolucionário que temos dificuldade de desapegar dele e tentar outros marcos históricos e teóricos para olhar a história da economia”, diz Pessôa. Em 1943, antes de partir para a guerra, Furtado foi aprovado em concurso para a função de assistente de organização do Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp), órgão criado cinco anos antes por Getúlio Vargas (1882-1954) para profissionalizar e formar uma elite técnica no funcionalismo público federal.

Na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), sediada na capital do Chile e ligada às Nações Unidas, tornou-se, entre 1949 e 1957, um dos ícones da escola de pensamento voltada para o estudo e a promoção de políticas públicas de desenvolvimento da região.

12/21- Ao lado de Raúl Prebisch (1901-1986), fundador e primeiro diretor-geral do Banco Central argentino, lançou as base do chamado modelo cepalino, na teoria e na prática. Como diretor da Divisão de Desenvolvimento, cumpriu missões em diversos países do continente, como Argentina, México, Venezuela, Equador, Peru e Costa Rica, nos quais avançou o conhecimento que aplicaria como homem de Estado.

Com 43 anos, já havia colaborado e participado de três governos. Primeiro, o de Juscelino Kubitschek (1902-1976), no qual contribuiu com as bases do Plano de Metas de JK e liderou uma cruzada que levou à criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Depois, o de Jânio Quadros (1917-1992), em que permaneceu à frente do órgão, onde tinha status de ministro. E, em seguida, o de João Goulart (1919-1976), no qual foi o primeiro ministro do Planejamento e elaborou o Plano Trienal.

Mais tarde, durante a redemocratização, seria ainda convidado pelo recém-eleito presidente Tancredo Neves (1910-1985) para integrar a comissão do plano de ação do governo; e foi ministro da Cultura de José Sarney. Viúva de Furtado, com quem se casou em 1978, a jornalista e tradutora Rosa Freire D’Aguiar lembra das imensas dificuldades que o marido enfrentara no Congresso Nacional para aprovar o projeto de lei que criou a Sudene, em 1959.

Curiosamente, a bancada nordestina era a mais refratária à proposta, pois os parlamentares estavam contrariados com uma estrutura centralizada que viesse a tirar o protagonismo do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), órgão até hoje valorizado pelos políticos da região pelos retornos eleitorais. “Eles fizeram, inclusive, uma coisa grave, que foi vender uma ficha inventada da polícia sobre Celso”, diz.

13/21 - Furtado estava fichado na polícia do Rio de Janeiro porque, quando foi fazer o doutorado na França, visitou a então Tchecoslováquia e enviou uma carta para uma amiga brasileira dizendo que estava muito impressionado com a capital Praga e que aquele país tinha tudo para se recuperar muito bem da guerra. Bastou essa frase, conta Rosa, para ele ser tachado de comunista, o que Furtado nunca foi.

A melhor definição para seu posicionamento político é o de um social-democrata, concorda de forma unânime a dúzia de entrevistados pelo Valor nesta reportagem. “Então o grupo mais reacionário do Nordeste começou, literalmente, a vender a tal ficha. E incorporaram outras supostas acusações.

Apareceram coisas fantásticas, por exemplo, que Celso teria vendido um terreno no Chile para a União Soviética fazer uma base militar”, relata a viúva.

A influência de Celso Furtado, além de desafetos entre os coronéis nordestinos, gerou discípulos em lugares tão diferentes quanto Angola, Argélia, Irã, Portugal, países latino-americanos e, especialmente, na França, onde lecionou por quase duas décadas na Sorbonne.

Ex-aluno, assistente e depois colega de departamento de Furtado, o economista francês Pierre Salama, de 77 anos, professor emérito da Universidade de Paris 13, afirma que o brasileiro explicou a seus conterrâneos que era possível haver, ao mesmo tempo, subdesenvolvimento e industrialização, embora esta última fosse vista como motor para a superação do atraso.

Era uma ideia completamente nova à época, quando o conhecimento da França estava restrito a uma África de países pobres e desindustrializados.

14/21 - Salama conta que há 15 anos lhe pediram para escrever sobre o pensamento desenvolvimentista francês. Mas pediu desculpas e disse que tal corrente de pensamento não existiria. “Existe um pensamento que é profundamente influenciado pelos trabalhos dos latino-americanos. De fato, no melhor sentido do termo, nós fomos colonizados, sobretudo por Celso Furtado”, afirma. A colonização, contudo, não foi sem permissão do próprio presidente da República. À época, havia uma regra que impedia a contratação de professores não franceses, mas Charles de Gaulle (1890-1970) abriu uma exceção para Furtado, que se tornou um dos primeiros estrangeiros a lecionar em universidades do país.

“Ele só foi ser professor na França. Tentara uma vaga, em 1957, aberta na antiga Universidade do Brasil, mas ele mesmo relata que, quando souberam que ele participaria do concurso, suspenderam a seleção e só reabriram quando ele foi para o exílio. Não queriam ele lá”, diz o professor titular da Universidade de Brasília Mauro Boianovsky.

Com impacto internacional, a obra de Furtado é expressão de um intelectual de “fôlego inesgotável”, qualifica o professor da UFRJ Ricardo Bielschowsky, especialista no pensamento do ex-diretor da Cepal.

Ele cita os mais de 30 livros e as 11 traduções de “Formação Econômica do Brasil”, o “livro mais lido sobre economia brasileira em todo o mundo“. “Em números de 20 anos atrás, tinha mais de 2 milhões de obras vendidas, o que dá mais de 10 milhões de leitores no mundo. Muita gente resolveu estudar economia depois de ter lido Furtado”, afirma.

15/21 - Em algumas situações, porém, o trabalho do autor foi contrastado com equívocos ou supostas lacunas. O maior exemplo da primeira foi a previsão de que o país rumaria para a estagnação, às vésperas do “milagre econômico” da ditadura.

O diagnóstico, estendido aos vizinhos da América Latina, foi contestado pelo artigo “Além da Estagnação” (1971), no qual Maria da Conceição Tavares e José Serra defendiam a possibilidade de haver crescimento com concentração de renda. Há também quem aponte o que seria uma omissão.

“Sempre me surpreendeu a existência de uma lacuna nos escritos dele: a relação entre educação fundamental e desenvolvimento econômico. Costumo dizer que é o maior ‘branco’ do Celso Furtado”, afirma Samuel Pessôa.

Para o economista do Ipea Renato Baumann, “Furtado teve lá seus erros de análise”, mas tem contribuições que superam as eventuais falhas. “A preocupação com o subdesenvolvimento continua a ser tema não resolvido. Olhamos os indicadores sociais do Nordeste, e a situação é de chorar. É possível que algumas soluções propostas por ele não sejam mais aplicáveis hoje em dia, mas, em várias dimensões, o diagnóstico se sustenta”, afirma.

Na mesma linha, Luciano Coutinho argumenta que as ideias de Furtado ainda são atuais, pois há muitos desafios incompletos, como o desenvolvimento do Nordeste. Quanto ao Brasil, lamenta que o país tenha perdido o embalo experimentado entre 1930 e 1980, com a forte industrialização impulsionada pelo nacionaldesenvolvimentismo e pela intervenção do Estado.

16/21 - “A gente perdeu impulso. Nos anos 1980, nossa indústria era mais desenvolvida do que a da China e a da Índia, e depois paramos. Estamos vivendo uma Quarta Revolução Industrial, da digitalização, vem aí o 5G, que vai multiplicar a conectividade, e estamos atrasados nesse processo.

A escala do desafio vai ficando maior. As décadas perdidas têm um custo. Se estivesse vivo, certamente Celso Furtado estaria angustiado”, diz Coutinho. A falta de um projeto para o país nos últimos 40 anos é uma das maiores preocupações dos desenvolvimentistas, que, diferentemente dos liberais, não acreditam numa modernização espontânea gerada pelo mercado.

É o caso do engenheiro e presidente do Instituto da Brasilidade, Darc Costa, para quem o Brasil vive um grande retrocesso e passa pelo mais grave processo de desindustrialização, comparável apenas ao da Rússia após o fim da União Soviética, nos anos 1990. Em sua opinião, Celso Furtado tinha um projeto para o país - como o que propôs a Jango e Juscelino.

“[Até] o Roberto Campos era muito mais desenvolvimentista do que Paulo Guedes hoje”, diz o ex-vice-presidente do BNDES, ao comparar o grau de ortodoxia do ministro da Economia de Jair Bolsonaro (sem partido) com um dos ícones do pensamento liberal brasileiro, contemporâneo de Celso Furtado.

Provocação à parte, isso mostra que o desenvolvimentismo, mais do que uma questão teórica, como ressalta Bielschowsky, é um projeto, uma “ideologia de transformação” que se tornou hegemônica entre 1930 e 1980, ao criar um grande consenso, embora com divisões. Havia a versão progressista, pública e nacionalista, encabeçada por Furtado, e, do outro lado, pontuava a corrente conservadora, na qual, a partir do golpe de 1964, sob a liderança dos militares, sua vertente pública e não nacionalista englobou o desenvolvimentismo do setor privado.

Com a crise da dívida externa e a guinada neoliberal, na década de 1980, houve uma perda de influência do pensamento desenvolvimentista, que, no entanto, tem sido retomado nos últimos anos, assim como as ideias gerais de Furtado, defende Luiz Carlos Bresser-Pereira.

17/21 - O ex-ministro lembra que o economista ficou relativamente esquecido por cerca de 20 anos, a partir de meados de 1960, também por causa da predominância dos teóricos da dependência, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Os dependentistas, ao observarem as seguidas quarteladas pela América Latina, apontaram a incapacidade da burguesia industrial da região de promover projetos de desenvolvimento nacional autônomos.

O renascimento de Furtado no debate público só começaria a ocorrer em 2000, conta o professor, quando um seminário na Universidade de São Paulo celebrou os 80 anos do pensador econômico, e foi reforçado pela iniciativa de Lula em financiar a criação do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, em 2005, ano seguinte à sua morte.

Nos dias de hoje, o quadro se completa com o retorno do desenvolvimentismo em meio ao abalo do neoliberalismo a partir da crise financeira mundial de 2008, quando os países recorreram à intervenção do Estado e a políticas keynesianas contracíclicas para recuperarem suas economias.

Esse movimento, diz Bresser Pereira, “está agora em pleno vapor”, não só por causa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas em virtude da defesa recente de uma forte política industrial da União Europeia, proposta pelo ministro das Finanças da Alemanha.

“A Europa, que foi desenvolvimentista no pós-guerra, está voltando para o desenvolvimentismo. Um desenvolvimentismo de alto nível, de países ricos etc. Mas é o desenvolvimentismo, o que é fundamental”, afirma o ex-ministro, que também cita o caso chinês.

18/21 - “A China é um país capitalista desenvolvimentista. Competiu e derrotou os Estados Unidos brutalmente, e todo mundo está vendo isso. Então, o capitalismo precisa se repensar. E o ‘repensamento’ é voltar, claro, com novas propostas, para a ideia de intervenção moderada do Estado na economia e da administração correta de seus cinco preços macroeconômicos”, diz Bresser-Pereira, numa referência às taxas básicas de juro, câmbio, lucro, inflação e salários, que são parte da teoria macroeconômica com que pretende avançar o legado de Celso Furtado.

19/21 - Mais do Valor Econômico

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Lava Jato como farsa jurídica

Como, a partir de uma boa ideia, se faz uma palhaçada

Que o Brasil é um país corrupto ninguém nunca teve dúvidas.

Que há um grande clamor para se acabar ou a reduzi-la a 1 ou 2%, todo mundo também sabe disto.

Agora, ter consciência de que, a extrema direita neoliberal usa o discurso do combate à corrupção como forma de impedir ou dificultar que os setores progressistas ganhem eleições e governem, a grande maioria não tem. Em decorrência disto, a direita internacional, depois da implosão da União Soviética, ficou sozinha e com poderes quase que absolutos para executar seus planos diabólicos...

- Primeiro, passaram a usar os economistas para desqualificar o poder dos governos e do Estado fazer programas sociais e de redistribuição de renda;

- Segundo, passaram a priorizar nas contratações, pessoas que concordassem em divulgar o modelo teórico do neoliberalismo e do individualismo;

- Terceiro, intensificaram ajuda aos candidatos conservadores;

- Quarto, intensificaram as relações com o judiciário, garantindo assim que os juizes interpretem as leis conforme o manual neoliberal e político. O Brasil é o principal exemplo, com a operação Lava Jato.

- Quinto, decidiram que, entre uma ditadura que apoiasse o neoliberalismo e, uma democracia progressista e comprometida com o social, o conjunto de apoiadores das políticas neoliberais apoiariam a ditadura. Entre os mais diversos exemplos no mundo, o mais relevante são o Egito e o Brasil.


Nesta semana tivemos vários exemplos de como a direita se apropriou das instituições públicas para perseguir os que não lhes obedecem ou não são subservientes.

1 - O que parece mentira, mas, por motivos que ainda desconhecemos, o ministério público em São Paulo, decidiu denunciar Serra e Alckmin por corrupção, formação de quadrilha e caixa 2. O judiciário está à serviço da direita que quer destruir o PT e a liderança de Lula. O PSDB, partido de Serra e Alckmin, apoiou e votou a favor de tudo que a Lava Jato representa. O feitiço está virando contra o feiticeiro? Ainda não sabemos.

2 - Buscando acumular processos, decisões, denúncias nacionais e internacionais, Lula e seus advogados entraram com mais recursos jurídicos onde prova que os delatores contra Lula e o PT, além de serem delatores sem provas, também foram PAGOS para que concordassem em DELATAR, e ASSINAR seus depoimentos, jurando que TUDO ERA VERDADE. Ao fazerem o que os juizes e procuradores queriam, os delatores da Odebrecht passaram a receber salários de até mais de cem mil reais por mês. Ao mostrar mais uma farsa da Lava Jato, Lula e o PT mostra que todos aqueles que fizeram coro apoiando os processos contra ele, sabiam o que estavam fazendo. E agora ficam de bico calados.

3 - Além da desmoralização da Lava Jato com a publicação dos documentos chamados operação VASA JATO, onde ficava claro que o processo era uma farsa, alguns jornalistas que já vinham questionando a manipulação jurídica e política, como Reinaldo Azevedo, na Folha e na Bandeirantes, intensificou o alerta de que "é preciso por fim à FARSA da operação para que à corrupção se dê de forma legal".

4 - Esta semana, mais uma vez o ministério público e a polícia federal tentou invadir o Senado para vasculhar o gabinete de Serra, do PSDB. O STF negou autorização e suspenderam a invasão. Mas, quando foi contra o senador do PT, Delcídio Amaral, foi autorizado. O mesmo aconteceu quando invadiram o gabinetes do senador Fernando Bezerra do MDB, e do deputado Fernando Bezerra Filho. Fica claro que a questão política se sobrepõe a questão jurídica, tornando-se relação de conveniência em vez de direitos iguais para todos.

5 - O Brasil tem 13 mil promotores e procuradores mais 17 mil juizes, mais dezenas de milhares na PF. Neste novo embate entre decisões que protegem os tucanos (PSDB) e abusam dos poderem contra outros, foi a determinação para que a Lava Jato compartilhasse as informações com a PGR - Procuradoria Geral da República. Aí veio à luz da sociedade de que 20.137 pessoas jurídicas e 17.897 pessoas físicas foram e estão sendo investigadas ao bel prazer do pessoal da Lava Jato. Inclusive que eles operavam e operam em parceria ilegal com o FBI americano.

Reinaldo Azevedo, ousadamente registra:

"É preciso pôr fim à farsa publicitária da Lava Jato para que o combate à corrupção seja eficaz e se dê nos marcos da legalidade".

Como estamos vendo na pandemia, a corrupção continua solta no Brasil. Como várias ilegalidades foram realizadas pelo pessoal da Lava Jato.

E o povo continua morrendo e pagando a conta. E muitas vezes sendo feito de otário e massa de manobra.

Precisamos fazer com que no Brasil as leis sejam iguais para todos e que os que violentarem as leis, sejam igualmente punidos. Fazer isto, significa construir uma Nação onde o povo seja sua principal referência e sustentação. E povo aqui somos todos nós, desde o maior banqueiro, ao general, ao político ou ao pastor religioso.

Precisamos contribuir para que os governos, as instituições públicas e privadas estejam à servi;o do povo, da democracia e da liberdade. Dá trabalho, mas é a melhor solução e a melhor forma de governar.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Revolução "on line". Poderes reais e imaginários

Alguns aspectos positivos e negativos da dependência da informática

1 - No início eram os adolescentes e os jovens que não ouviam mais os pais, nem os professores. Com o celular na mão, estes jovens, em questão de segundos, acessam informações no mundo todo e provam que as posições dos pais e dos professores já não condizem com a realidade...

Os pais e os professores se viram no dilema: Tomavam os celulares ou se aliavam a eles.

Tomar os celulares significa deixar os adolescentes desprovidos daquilo que há de mais moderno e revolucionário.

2 - Depois vieram as empresas vendendo seus produtos, telefonando para seu celular e sua casa a qualquer hora do dia ou da noite, destruindo sua privacidade e sua liberdade. Os governos inventaram "empresas reguladoras" que passaram a ser usadas pelas empresas abusivas e assim o povo continuou nas mãos dos Call centers da vida...

3 - Como se previa, a informática invadiu o mundo do trabalho e quem não soubesse informática não conseguia bons empregos e era considerado obsoleto...

4 - Os namoros, paqueras e tudo que lhe diga respeito também passou a ser tratado via informática.

5 - E com a pandemia, até os velhos tiveram que aprender a acessar os bancos e a comprar as coisas tudo via celular...

6 - O mais enlouquecedor é a quantidade de reuniões que o pessoal passou a fazer também via celular. Pronto, você não tem mais horário para nada. Você virou um home-office, um robô à serviço de todos e de tudo.

As pessoas começaram a se sentir poderosas com as redes sociais, as facks news e os hackers tomando seu dinheiro, sua vida privada e suas fotografias.

Têm hackers piratas, mas tem muitos hackers contratados por grandes empresas e por governos. China, Estados Unidos, Rússia, Israel e quem queira ter poder tem que ter sistema de espionagem.

As esquerdas passaram a fazer revoluções on line. As direitas passaram a usar os fackes para eleger seus candidatos fascistas. Os congressistas descobriram que podem "trabalhar" sem sair de casa, tudo on line.

A melhor revolução de todas, que serve para todo mundo, é a UNIVERSALIZAÇÃO DO ACESSO ÀS INFORMAÇÕES.

Consulta popular on line. Pesquisas mercadológicas on line. Reuniões familiares on line. Filmes, jogos, viagens, casamentos, tudo on line.

A ficção e a realidade se fundiram.
Quem não estiver plugado está fora do sistema, portanto, deixou de existir. Deixou de existir? Sim.

O judiciário, cheio de desembargadores reacionários e desrespeitosos, já não é mais necessário. Os julgamentos podem ser on line com a sociedade participando e decidindo.

As escolas também estão sendo ligadas ao mundo on line e os professores e diretores já não mandam mais nos alunos.

As empresas também estão se modernizando, virando ecologistas, cidadãs e gestoras públicas.

Mas, apesar de toda esta imensidão de modernidade, as necessidades básicas ainda continuam. Dormir, comer, estudar, viajar, ganhar dinheiro, ter cartões de débitos e créditos, ou ter conta em bancos digitais, sem cartões nem talões de cheques.

A vida, o namoro, o casamento, a família, as amizades, a residência, tudo isto você pode fazer uma parte via on line, mas o contato físico é insubstituível em muitas coisas.

Por falar em necessidades básicas, vou parar um pouco para almoçar. Depois, como as domésticas estão nas casas delas por causa da pandemia, depois do almoço tem que lavar os pratos, guardá-los e pensar na janta. Mais uns anos e em vez de almoçar, tomaremos pílulas balanceadas conforme suas informações no sistema on line.

E vamos deixar de ser gente para ser "nuvens", bancos de dados, "fluidos"... a nossa espécie está caminhando para a extinção. Já não seremos mais necessários...

Ou faremos outra revolução para não deixar isto acontecer e garantir a preservação da nossa espécie?

Eu ainda quero um abraço, um sorriso e uma flor.

Quero saborear um bom churrasco, depois um bom sashimi
e à noite poder puxar o cobertor e dormir abraçado.

E, de vez em quando, poder ir para o campo, tomar banho de rio,
não ter internet e comer ovos de galinha caipira.

Quero também compartilhar tudo que vivi com pessoas de vários países,
como ver meu blog chegar a 790 mil acessos,
com gente de todos os continentes e de todas as cores e gêneros.

Holanda, Egito, Suíça, Índia, Turcomenistão,
França, Tanzânia, Peru, Bolívia, Argentina, Japão,
Estados Unidos, Alemanha, Israel, Reuno Unido,
Emirados Árabes, Canadá, México e Brasil,
China, Hong Kong, Noruega, Austrália, Uruguai.

O mundo não ficou pequeno?

Serra, Alckmin... estão atacando os Tucanos. Porque será?

Jogo pesado mais uma vez...

Parece que o único "intocável" no PSDB ainda é Fernando Henrique Cardoso.

Além dos que já caíram na boca da imprensa, Serra e Alckmin,
os dois principais nomes do PSDB em São Paulo, depois de FHC, estão sendo denunciados pesadamente.

Muito desagradável.
Estão destruindo mais um partido importante no Brasil.
Não está sobrando ninguém. a quem interessa isto?

Até parece que se formou uma aliança entre o ministério público, o judiciário, a imprensa e as Forças Ocultas internacionais para desqualificar a política e assim torná-la prescindível. Isto é, cancela-se a existência de partidos e se faz votações avulsas para se eleger "administradores, gestores" que trabalharão monitorados pela imprensa - em nome do povo...

O tempo vai mostrar... Enquanto isto, veja a matéria sobre as campanhas eleitorais e os rolos de Alckmin.

MP-SP denuncia Alckmin por falsidade ideológica, corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Por Ricardo Mendonça, Valor — São Paulo 23/07/2020 09h43 ·

O Ministério Público do Estado de São Paulo informou hoje que denunciou o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A denúncia acusa o tucano de ter recebido R$ 2 milhões em espécie da Odebrecht na campanha de governador de 2010 e outros R$ 9,3 milhões quando disputou a reeleição, em 2014.

2/6 — “Esses recursos não foram registrados nas prestações de contas do candidato (falsidade ideológica), que solicitou e recebeu vantagem indevida (corrupção passiva), pagas pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht, a partir do emprego de métodos ilícitos como uso de ‘doleiros’, com o fim de ocultar a origem dos valores e dificultar a possibilidade de seu rastreio (lavagem de dinheiro)”, diz o comunicado da instituição.

Segundo o MP, esses recursos destinavam-se inicialmente ao financiamento eleitoral não declarado. Em um momento seguinte, pós eleições, diz o MP, passou a ser usado para “manutenção da influência do grupo empresarial junto ao governo”.

O órgão destaca que o Grupo Odebrecht não poderia fazer doações eleitorais, pois é o controlador da concessionária que administra a Rodovia Dom Pedro I (estadual) e também porque participou do consórcio da linha 6 do Metrô. São duas área de atuação do governo paulista.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

A pandemia, a morte e o direito à vida

Com as mortes, as pessoas precisam respeitar os espaços coletivos

Tem muita gente colaborando com a luta contra o virus. Muito bom.

Mas, também tem muita gente displicente, que acha que nunca vai ser contaminado, nem vai contaminar ninguém. Aí que vem a tragédia e a estupidez...

A imprensa tem estimulado muito a ideia e a prática do "direito individual a tudo".

Para defender o neoliberalismo e conservadorismo, se criou a ideia de que "poder tudo" é sinônimo de liberdade; enquanto que "submeter-se ao coletivo", é ditadura e falta de liberdade. Nossa imprensa está cheia de gente assim...

Nesta quarta-feira vi dois bons exemplos de bom senso, ambos na imprensa.

O primeiro bom senso veio da Folha que, ao publicar , na página B4, uma entrevista de página inteira com o jovem médico brasileiro, de apenas apenas 34 anos, Pedro Folegatti, formado na UFABC - Universidade Federal do ABC, com mestrado na Escola de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade de LONDRES, atualmente faz seu DOUTORADO em clínica médica na Universidade de OSFORD, também no Reino Unido. Já trabalhou pesquisando doenças tropicais e infecciosas no Brasil, Tanzânia, Uganda e no Reino Unido.

Pedro Folegatti é o ÚNICO BRASILEIRO na linha de frente do principal laboratório de produção da vacina no Reino Unido...

O jovem, porém experiente médico e pesquisador afirmou que:

"O fato de uma pessoa escolher NÃO se vacinar ou
NÃO usar máscara NÃO é uma decisão individual,
já que repercute de forma bastante significativa
na sociedade como um todo."

"Como pudemos observar na pandemia atual,
a gente precisa, e muito, da colaboração de todos."

Sábias palavras de um jovem que se colocou à disposição da humanidade e que tem orgulho de ser brasileiro. E nós temos orgulho de encontrar gente assim. E temos muitos, por este mundo afora.

O segundo bom senso eu vi nos videos da XP, fazendo o balanço do que foi sua Conferência mundial e alegria de terem quase 300 mil pessoas participando... Guilherme e seu diretor de marketing falavam sobre a importância da EDUCAÇÃO FINANCEIRA, e o quanto os jovens estão interessados, até porque, diziam eles, isto não se ensina nas escolas brasileiras...

Fiquei com isto na cabeça o dia todo. E cheguei a conclusão que há um descompasso entre o que se ensina nas escolas públicas e também nas privadas e a realidade fora das escolas...

Antigamente, os brasileiros tinham educação, mas não tinham escolas para todos...
Atualmente, os brasileiros têm escolas para todos, mas não têm educação.

Deus, que era brasileiro, anda sentido com o Brasil. Portanto, antigamente aqui "plantando tudo dá". Agora, só tem com muito trabalho. E olhe lá, porque o desemprego é tão grande que, mesmo trabalhando, o povo está vivendo numa dureza danada.

Precisamos ESTUDAR MUITO e PRATICAR MUITO:

1 - Educar para se construir uma VIDA MELHOR PARA TODOS;

2 - Educar para ajudar a definir os OBJETIVOS de vida individual e coletiva;

3 - Educar para se aprender a fazer PLANEJAMENTO;

4 - Educar para se aprender a fazer GESTÃO FINANCEIRA;

5 - Educar para se aprender a IMPLEMENTAR O PLANEJADO;

6 - Educar para se aprender a importância de se AVALIAR e adequar os objetivos e os resultados.


Pedro, Guilherme, Marias, Clarices e todos os brasileiros e brasileiras, com certeza estaremos dando os primeiros passos para ser feliz e ajudar o Brasil a ser uma grande Nação. De todos, com todos e para todos. Também conhecida como DEMOCRACIA.

Lá-TAM e a desnacionalização do Brasil

Azul pode comprar a LATAM no Brasil

Negócio da China? Não, típico negócio latinoamericano...

“Compra da Latam pela Azul é cenário provável, diz banco”

Esta é a manchete da Folha de hoje, na pagina A23. Agora leia um resumo da matéria.

“O Bradesco BBI afirmou em relatório que vê como cenário mais provável a compra da Latam Brasil pela Azul, e não uma possível fusão.

Rumores sobre fusão surgiram quando as duas empresas anunciaram um acordo de codeshare (compartilhamento de voos) no mês passado.

A fusão é improvável porque envolveria um acordo entre os controladores – família Cueto do Chile e o empresário David Neeleman, da Azul, e ainda incluiria a Azul entrar na reestruturação do grupo chileno nos Estados Unidos.

A solução seria a venda da operação brasileira, a principal do grupo Latam, para a Azul. A aquisição pode ser por cerca de US$1,9 bilhão com emissãoo de ações feita pela Azul para incorporar a Latam Brasil.

O relatório do banco vê como vantagens econômicas da operação o fato de os contratos de arrendamento de aeronaves da Latam Brasil serem contratados no Chile.

- Isto daria flexibilidade para ajustar o tamanho da frota e reduzir a alavancagem no Brasil.

- o mais importante, a participação da Azul no mercado doméstico brasileiro passaria a ser de 62%.

- Também torna possível reduzir o custo com mão de obra e o programa de redução da frota no Brasil”.

Se a redução da frota e o layoff ( corte de salários e empregos) forem bem sucedidos, a Latam poderá destravar US$1,9 bilhão da subsidiária brasileira.

Já a Azul, precisaria emitir 430 milhões de ações a R$23 para absorver a Latam Airlines Brasil.

David Neeleman continuaria no controle da Azul, com 67% das ações com direito a voto.

Minhas considerações:

- O fato de a Azul ter sede no Brasil não significa que é brasileira. O seu proprietário é um americano nascido no Brasil e que vive nos Estados Unidos.
- Também o fato de David Neeleman ter nascido aqui facilitou criar uma empresa de aviação já que a legislação brasileira protegia o espaço nacional, mas, os neoliberais vêm flexibilizando cada vez mais, até as empresas americanas comprarem tudo...

- Primeiro destruíram a Panair. Depois destruíram a Varig. A Vasp e a Transbrasil não tinham competitividade como a Varig ou a Panair...

- A TAM – Transportes Aéreos de Marília – média cidade do interior de São Paulo foi uma coragem do Comandante Rolim que trouxe muita alegria para quem o conheceu.

- Dinâmico, Rolim promovia musicais nos aeroportos, botava “tapetes vermelhos” para receber os clientes na porta das aeronaves e soube crescer na hora certa. Rolim morreu em um acidente de helicóptero e a família assumiu a gestão da TAM. Nos governos FHC e Lula, a TAM cresceu e se transformou numa empresa internacional.

- Com o crescimento, a TAM começou a perceber as vantagens e desvantagens de ser uma empresa nacional competindo no mercado internacional. Percebeu que o Chile tem uma legislação muito mais liberal do que o Brasil e assim começou a negociar com a LAN – empresa aérea da família mais rica do Chile – como economizar custos operacionais e tributários. O que nunca ficou muito claro foi a composição acionária que fizeram. A TAM ficou bem minoritária na nova empresa – a LATAM.

- Agora que as empresas aéreas estão recebendo muita ajuda dos governos em função da pandemia, aparece esta história de a LATAM abrir mão da sua subsidiária brasileira, passando a empresa para a Azul.

- Curiosamente, as empresas aéreas americanas DELTA é acionista da Latam, e a United é acionista da Azul. E o comprador é um americano-brasileiro...

- Certo estão os Estados Unidos quando protege seu mercado e sua segurança, errado está o Brasil quando abre mão de ter suas próprias empresas e seu grande mercado nacional.

- O Brasil sempre foi um parceiro dos Estados Unidos, mas não abria mão de ter suas empresas em todos os segmentos. De Collor para cá, o Brasil vem abrindo mão da sua soberania e tornar-se uma potencia econômica.

- O Brasil é um dos poucos países grandes que não tem sua indústria automobilística. A índia tem, a China tem, a Coreia tem, a França tem, a Inglaterra tem, a Alemanha tem e os Estados Unidos têm, com muitos méritos...

Não basta ser grande, é preciso ter personalidade, ter projeto de vida e de Nação..


terça-feira, 21 de julho de 2020

O Brasil que precisa ser melhorado

Números que mostram as desigualdades no Brasil

Mesmo sendo um estudo de 2018 e 2019, os dados são esclarecedores:

Mulheres, pretos, nordestinos e pessoas sem instrução
são os brasileiros com salário mais baixo, mostra IBGE


No ano passado (2018), homens tiveram rendimento médio real de R$ 2.460 por mês, enquanto as mulheres receberam, em média R$ 1.938 por mês, ou 21,2% menos.

Por Luísa Melo, G1 - 16/10/2019

Mulheres, pretos, nordestinos e pessoas sem instrução escolar são os trabalhadores com os menores salários do Brasil, mostram dados divulgados nesta quarta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2018, os homens tiveram rendimento médio real de R$ 2.460 por mês, enquanto as mulheres receberam, em média R$ 1.938 por mês, ou 21,2% menos – índice que se manteve em relação a 2017.
Em 2012, início da série histórica, os valores eram de R$ 2.396 e R$ 1.765, respectivamente, uma diferença de 26,3%.

O rendimento médio mensal de todos os brasileiros foi de R$ 2.234 em 2018, o que representou um ligeiro crescimento em relação ao observado em 2017 (R$ 2.107).

A desigualdade salarial entre gêneros é mais acentuada nas regiões Sul e Sudeste, onde os homens ganham 28,7% e 26,82% mais do que as mulheres, respectivamente.

Os números mostram ainda que, apesar de as mulheres serem maioria entre a população em idade de trabalhar (52,3%), os homens representam a maior parcela entre os que de fato trabalham (56,7%).

O levantamento do IBGE aponta também que, no ano passado, brancos ganharam 42,7% mais que pardos e 43,5% mais que negros no país. O rendimento mensal médio dos brancos foi de R$ 2.897, enquanto o de pardos foi de R$ 1.659 e o de pretos, de R$ 1.636.

Pessoas com ensino superior ganham o triplo daquelas com nível médio

Há ainda grandes lacunas salariais entre pessoas com diferentes níveis de escolaridade. Profissionais com ensino superior completo receberam em média R$ 4.997 em 2018, quase três vezes mais que aqueles com ensino médio completo (R$ 1.755) e quase seis vezes mais do que os trabalhadores sem instrução (R$ 856).

As disparidades também são relevantes regionalmente. Em 2018, profissionais do Sudeste, do Centro-Oeste e do Sul receberam mensalmente em média R$ 2.572, R$ 2.480 e R$ 2.428, respectivamente. Já os do Norte e Nordeste ganharam e 1.735 e R$ 1.497, respectivamente. A diferença chega a 41,7% entre Sudeste e
Nordeste, os dois extremos.

No ano passado, o Nordeste foi a única região a ter redução no rendimento médio mensal de todos os trabalhos. A queda foi de 1,3% em relação a 2017. Já o Norte e o Sudeste tiveram as maiores altas, com avanço de 5,6% e 3,8%, respectivamente.


Serra e fundador da Qualicorp estão no "topo de cadeia criminosa", diz PF

Bateu pesado...

Como não acredito em neutralidade, nem na PF nem no Judiciário, alguém precisa explicar o porque Serra está sendo tão exposto pela PF - Polícia Federal- e pelo Judiciário...

A pirotecnia, o estardalhaço para mostrar à imprensa e à população que os poderes estão funcionando, não ajudam a credenciar a Justiça brasileira. A imprensa também errou muitas vezes e deve tomar cuidado para não acontecer o mesmo com os jornalistas e as empresas de comunicação.

O Judiciário e seus instrumentos devem ser usados com sobriedade e discrição.

Sempre tive este posicionamento, fosse quando usaram contra o PT como contra qualquer outro partido ou pessoa.

Chamar o Serra de CHEFE DE CADEIA CRIMINOSA beira o exagero.


"No topo da cadeia criminosa tem o acionista controlador [da Qualilcorp] e, no topo do político, temos o então candidato [José Serra]", afirmou em coletiva de imprensa Milton Fornazari Júnior, o investigador responsável pela operação, ligada à Lava Jato....

- Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/07/21/serra-e-fundador-da-qualicorp-estao-no-topo-de-cadeia-criminosa-diz-pf.htm?cmpid=copiaecola


Itaú: Consolidando-se no mercado latino-americano

Qual sistema financeiro queremos para o Brasil?

O Brasil anda triste envergonhado com seus governantes e mesmo com o seu empresariado.

O Brasil abriu mão de ter um projeto de integração com as democracias e com as economias integradas, para ser subserviente a um governo decadente como é Trump, nos Estados Unidos.

O Itaú tem sido um caso à parte. Mesmo sendo um dos apoiadores do governo Bolsonaro, o Itaú vem crescendo em toda América Latina.

No Brasil, o Itaú já é o maior banco. Mas, continua sendo um banco voltado para a classe média para cima. O povão e os micro e pequenos negócios continuam dependendo dos bancos públicos e do Bradesco.

Deixamos de ser um país que tinha mais de cem bancos, para ser um pais de apenas quatro bancos – Itaú, Bradesco, Santander e Bancos Públicos – que representam mais de 80% das operações financeiras.

Quanto mais o Itaú cresce, tanto no Brasil como no exterior, mais os poderes públicos terão que negociar com um poder privado forte como é o Itaú. Isto interfere no processo de definição de utilidade pública. Porém, nunca é tarde para começar a pensar sobre isto.

Sem medo de ser grande, o Itaú vai ficando cada vez maior.
Veja a matéria do jornal Valor sobre mais uma aquisição do Itaú.

Itaú compra corretora no Paraguai e amplia serviços

Valor - Por Álvaro Campos — De São Paulo 21/07/2020

O Itaú Unibanco está fechando a compra da corretora Verbank Securities, no Paraguai, para ampliar a oferta de produtos e serviços no país. O banco não revela o valor da transação, mas diz que o objetivo é se tornar a maior corretora de lá, ajudando a atrair investidores estrangeiros e criar um mercado secundário de renda fixa.

André Gailey, que está completando um ano como CEO do Itaú Paraguai, afirma que a compra da corretora vai ajudar a consolidar a atuação como banco de atacado no país, onde a instituição brasileira já lidera também no varejo.

A Verbank, que passará a se chamar Itaú Investe, já tem uma atuação importante entre investidores institucionais, mas o executivo diz que o objetivo da transação não foi ganhar participação de mercado - até porque o mercado ainda é muito pequeno.

“Eles têm um time qualificado e plataforma pronta para operar, então podemos acelerar o processo, começar a atuação mais rapidamente”, explica.

Neste ano, o Itaú participou das duas emissões externas do governo paraguaio e da empresa de telefonia Tigo, e no ano passado ajudou a estruturar um instrumento de dívida para o projeto “Rutas 2 y 7”, uma das maiores obras de infraestrutura do país, que prevê a duplicação das rodovias que ligam a capital Assunção ao leste do país.

O Itaú BBA foi lançado no Paraguai em janeiro, acompanhando um processo de sofisticação das empresas locais. O banco levou para o país uma equipe para - 2/4 - trabalhar com fusões e aquisições e diz que existe um espaço enorme para project finance.

“Com a compra da corretora, a gente viu a oportunidade de amarrar a ponta dos emissores com os compradores, como os fundos de pensão do Estado. Também vamos ajudar na negociação de pessoa física no mercado secundário, pois aqui ainda existe muito pouca oportunidade para investimento de pessoa física.”