quarta-feira, 10 de junho de 2020

Lula, Moro, Bolsonaro, a Folha e as meias verdades

A Folha também tem dificuldade em admitir seus erros políticos

O Editor de Poder da Folha, Eduardo Scolese, faz interessante artigo sobre a política brasileira que, “en passen”, trás informações que o jornal sempre teve dificuldade em colocar sua posição.

Teve um tempo recente que a Folha trabalhava mais com suas versões dos fatos, em vez de divulgar os fatos e, ao mesmo tempo, colocar suas posições.

Ao não mostrar os fatos, a Folha passava a ideia de que só existia sua versão, portanto, o leitor deveria ver a versão da Folha como o fato em si.

Eu sou leitor e assinante da Folha há muitos anos e sempre sofri com esta esquizofrenia da Folha.

Considero que é direito dos donos da Folha ter posição política opostas às posições de Lula e do PT, porém, isto não dá direito de o jornal fazer campanha pelo impeachment de Dilma e utilizar todos os recursos legais e ilegais para viabilizar a derrubada do governo Dilma.

O jornal nunca assumiu publicamente esta participação direta e indireta no Golpe de Estado de 2016.

A Folha, como a maioria da imprensa que apoiou o golpe, poderia disputar seu projeto político nas urnas, no voto. Como Lula fez, disputando a presidência por quatro vezes consecutivas, até ser eleito em 2002.

Lula tem seus defeitos, mas, comparando com qualquer jornal, rádio ou TV brasileiros,

LULA TEM INFINITAMENTE MAIS MÉRITOS DO QUE DESMÉRITO.

Voltando ao artigo do Editor de Poder , publicado na Folha de hoje – 10/06/2020, o editor mostra alguns erros cometidos pelos poderes nacionais como o STF, o Judiciário, com vários juízes e também com a Polícia Federal e os procuradores do Ministério Público.

O editor reconhece que houve a armação para legalizar a destituição da presidenta. O jornal, no entanto, até hoje não reconheceu publicamente.

Mas, ver um Editor de Poder, colocar sua opinião na página 2 do jornal, já é um avanço imenso. Tão importante como ver os canais de TVs abrimndo espaço para jornalistas e comentaristas negros, depois da morte do afro-americano. Antes tarde do que nunca...

Continuo acreditando que a Folha vai continuar melhorando. Continuo acreditando que a Folha não precisa apoiar ou participar de Golpes de Estado. A qualidade em si do jornal já ajuda muito a causa dos donos do jornal. Sempre defendi a liberdade de imprensa.

Nos anos pesados da ditadura militar, eu assinava todos os jornais da oposição à ditadura, como uma forma de ajudar a resistência. Da mesma forma que sempre mantive minha assinatura da Folha, mesmo sendo petista e lulista.

Já que o autor do artigo, prevê que Bolsonaro tem apoio suficiente para garantir disputar o segundo turno presidencial, confesso que Bolsonaro, além de, se disputar as eleições presidenciais, eu acho que Bolsonaro não vai para o segundo turno. Sem necessidade de “golpe de mão”.

A direita vai abandonar o extremismo de Bolsonaro e vai disputar seu projeto contra o PT e os demais partidos progressistas brasileiros. E, para isto tentar viabilizar eleitoralmente seu projeto, a direita democrática (chic), vai contar com o apoio da imprensa, do judiciário, de grande parcela do empresariado.

Resolvi deixar a íntegra do artigo de Eduardo Scolese, o Editor de Poder da Folha, porém destaquei os pontos abordados acima.
Eduardo Scolese – Folha 10/06/2020 – Editor de Poder
Lula e Moro ajudam Bolsonaro
Ex-presidente e ex-juiz federal têm em comum a incapacidade de admitir seus erros

Ainda restam 844 dias para as próximas eleições presidenciais, e até 2 de outubro de 2022 uma pergunta seguirá rondando o cenário político nacional. Quem foi mais decisivo para a criação do fenômeno Jair Bolsonaro: Moro ou Lula?

Há diferentes versões sobre isso, e uma mistura delas talvez aponte um caminho mais claro daquilo que só as próximas gerações poderão explicar sem as atuais contaminações raivosas.

1 – Lula

Lula entregou seu governo ao centrão, abriu as portas para um assalto à Petrobras, aceitou presentes de donos de empreiteiras e tocou um governo covarde para reformas mais profundas. A rejeição aos petistas se transformou em ódio e abriu espaço à direita.

2 - Moro

Já Moro foi decisivo para o impeachment de Dilma, ao fazer um gol de mão na Lava Jato e liberar fora da regra (segundo o Supremo) o áudio de conversa entre Lula e a presidente.

O ato do então juiz impediu a posse do ex-presidente como “primeiro-ministro” de sua sucessora, naquela que era a principal cartada de Dilma para retomar o fôlego de seu governo.

Moro, segundo mostram mensagens obtidas pelo Intercept Brasil, também tem sua atuação em xeque na força-tarefa que colocou Lula na prisão e o retirou da disputa de 2018.

3 - STF

O STF sentou em cima desse caso e ainda deve uma resposta à sociedade se o então juiz foi ou não parcial em suas decisões.

4 – Lula e Moro
Lula terminou seu segundo mandato com 83% de aprovação, e Moro liderou uma operação anticorrupção sem precedentes no país.

E ambos têm em comum algo que incomoda os eleitores, a incapacidade de reconhecer seus próprios erros.

Em diferentes entrevistas, Moro é incapaz de admitir falhas como juiz e ministro de Bolsonaro. “Se você tiver um exemplo específico…”, disse Moro, diante de pergunta da Folha na semana passada sobre seu período no governo.

Já Lula, desde sua saída da prisão, repete que o PT não precisa fazer nenhuma autocrítica.

Moro age como pré-candidato à Presidência, assim como o petista.

A diferença é que Lula é ficha-suja e mais uma vez terá de passar o bastão na reta final de campanha. Fernando Haddad segue como favorito, afinal lembra o padrinho quando o assunto é incapacidade de admitir erros, tanto os do PT como de sua gestão na prefeitura paulistana.

Fechados em seus blocos de apoiadores, Moro e Lula só ajudam Bolsonaro.

Enquanto isso, o presidente mantém seus desmandos, sob o legítimo respaldo de 57,8 milhões de votos em 2018, mas também com uma conta ilusória do Somos 70%, a construção de uma base de apoio no Congresso e a força de 33% dos brasileiros que consideram sua gestão ótima ou boa e já o colocam ao menos com um pé no segundo turno de 2022.

Nenhum comentário:

Postar um comentário