domingo, 14 de junho de 2020

Ler a Folha de trás para frente

Sinônimo de decadência ou de divergência explicitada?

Durante um bom tempo eu assinava o Estadão e a Folha impressos, e o Valor e o Globo digitais. Como o Estadão foi piorando continuamente, eu parei a assinatura impressa e fiquei com a Folha impressa.

Primeiro eu percebi que só conseguia ler o Estadão de trás para frente.

A parte de política nacional do Estadão parecia e talvez ainda pareça jornaleco de quinta categoria. Parecia a Veja ou a Isto é, de tão ruim. Mas, eu lia o Caderno 2, sempre bom, a parte de esportes, sempre boa, a parte de economia, também boa e a parte internacional, sempre uma qualidade tradicional do jornal. O Estadão já tinha virado museu... já não tinha e não tem o que lembre os Mesquitas históricos.

Impresso em casa somente a Folha.

Com a Folha, apoiando e sendo uma das coordenadoras da campanha pelo impeachment de Dilma e do PT, eu que lia o jornal do início ao fim, da frente para trás, fui vendo que, gradativamente eu ia aumentando a leitura de trás para frente. Sinal de que a Folha estava ficando ruim ou que nossas divergências estavam aumentando...

Criamos até uma brincadeira: Como enquanto eu faço o café minha esposa ler o jornal, quando ela acaba a leitura e passa pela cozinha eu a pergunto: What's news? Quais são as notícias? E ela, que manteve a leitura do início para o final, responde: Não tem nada...

Hoje, domingo, 14 de junho de 2020, depois de ler o jornal, me dei conta de algo interessantíssimo:

Ao ler de trás para frente, deparei-me com um bom jornal.

Como tenho muitos amigos que não assinam a Folha, vou fazer um resuminho do jornal de TRÁS PARA FRENTE.

ÚLTIMA PÁGINA: Um ótimo artigo sobre CLÓVIS ROSSI.

penúltima e antipenúltima: Um longo artigo de Lilia Schwarcz com o título: Por que os brancos precisam ser antirracistas.

Voltando as páginas, vem duas páginas sobre O FASCISMO À BRASILEIRA, assinadas por André Singer e outros pesquisadores.

Voltando... temos futebol e tiras, além do sudoku...

Voltando, encontrei uma entrevista feita por Mônica Bergamo com PATHY DEJESUS. Interessantíssima. Ótima qualidade de ambas.

E você vai voltando e gostando dos temas, dos artigos. Uma grande reportagem sobre as escolas...

O Caderno Mercado, já cai a qualidade ao se comparar com o último caderno.

E finalmente chego ao primeiro caderno.

Continuando de trás para a frente. Boa matéria sobre a violência branca nos Estados Unidos e outros assuntos.

Quando começa a aparecer notícias do Brasil, depois de ler os artigos de Jânio de Freitas e o de Elio Gaspari, pouco se aproveita.

Neste pouco está o artigo da Ombusdman - Flavia Lima, que tem uma frase ótima para reflexão geral:

"As redações americanas vêm contratando repórteres NEGROS ao longo dos anos SOB A CONDIÇÃO TÁCITA de NÀO FALAREM SOBRE RACISMO".

E por falar em Clovis Rossi, uma das vezes que nos encontramos foi no restaurante Le Casserole, no largo do Arouche, pertencente a minha colega de faculdade, Marie France.

Bons tempos, quando não precisava ler jornais de trás para frente.

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