domingo, 24 de maio de 2020

O Brasil e a humilhante liderança mundial em mortes

A voz da autoridade no assunto

No artigo de hoje publicado na Folha, o médico e autoridade social, Drauzio Varella, chama de "O pesadelo", a crise com o virus.

Ele faz sua humilde autocrítica por ter subestimado o impacto do coronovirus. Nós, que gostamos muito do Dr. Dráuzio achamos que seu gesto é mais uma ratificação de suas virtudes...

Ele concordava com quase todos os especialistas que tenderia a ser uma epidemia como as outras que têm aparecido.

"Há muito soubemos que os coronavirus são agentes causadores de resfriados comuns. Apenas dois deles estão associados a doenças mais graves, como a Sars e a Mers, epidemias que emergiram na China em 2003 e na Arábia Saudita em 2012, respectivamente, para desaparecer misteriosamente depois de atingir alguns países.

Cientistas de renome e especialistas em saúde pública se enganaram como eu, entre os quais recipientes do Nobel de Medicina e o doutor Anthony Fauci, diretor do NIAID, dos Estados Unidos.

Na verdade, o mundo não foi capaz de avaliar o perigo. A Europa foi pega de surpresa. Os Estados Unidos assistiram à chegada do coronavirus em Nova York com hospitais cheios sem leitos suficientes nem máscaras cirúrgicas para atender à demanda dos profissionais de saúde.

Aqui no Brasil, desde fevereiro ficou claro que o virus já andava longe demais para ser contido.

Embora pelos menos 80% dos infectados tenham evolução benigna, aqueles com apresentações mais agressivas que exigem internação em leitos hospitalares e UTIs, provocaram um estresse no sistema, que nem o SUS nem os planos de saúde estavam preparados para suportar.

O desafio de impedir que o Brasil assuma a humilhante liderança mundial na contagem do número de óbitos, tragédia considerada POSSÍVEL, e até PROVÁVEL, por epidemiologistas respeitados.

No auge da maior crise sanitária dos últimos cem anos, assistimos à inacreditável nega;cão da realidade por parte das autoridades federais.""

Minha observação é que, se o Brasil está com 21.048 mortes, quando os Estados Unidos está com 96.062, para que o Brasil passasse na frente seria necessário desacelerar nos Estados Unidos e acelerar ainda mais no Brasil. Confesso que acho muito difícil acontecer isto.

Afinal, concordando com nosso mestre Dr. Drauzio, "A situação em que estamos, não poderia ser imaginada nem sequer no mais terrível pesadelo."

Pois é, nós que dedicamos a vida na luta pela redemocratização do Brasil e no fortalecimento das instituições democráticas, JAMAIS imaginamos que veria o Brasil com um presidente da República como o atual. Além das humilhações pelas mortes, temos a humilhação pela imagem negativa do Brasil no exterior e as ameaças de golpes e armar o povo para aumentar ainda mais a violência e as mortes.

Precisamos nos unir para ficar livres dos dois virus, o coronavirus e o Jair Bolsonaro.

Democracia só se aprende praticando-a...

Aquele abraço carinhoso para nosso escritor, médico, voluntário maravilhoso e comunicólogo...

O Brasil precisa muito de pessoas assim. Sem medo de errar e sem medo de ser feliz.


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