domingo, 17 de maio de 2020

Brasil, duas epidemias e um bom artigo na Folha

Efeito Bolsonaro sobre a imprensa

Podemos dividir o Brasil e a imprensa entre antes do governo Bolsonaro e pós posse de Bolsonaro como presidente.

Até a posse de Bolsonaro, o prazer de muitos jornalistas que não gostam de ser chamados de neoliberais ou conservadores, era bater no PT e falar mal de Lula. Esta postura serviu para fomentar um ódio de parcela da população contra o PT e contra Lula, ao mesmo tempo que foi liberando um lado conservador, violento, chegando ao fascismo e ao nazismo, como nunca se vira antes...

Este divisor de água também serviu para levar a política para os extremos, isto é, ou se é reacionário e defensor do vale-tudo contra os trabalhadores e suas instituições, ou se é de esquerda, sectário e defensor do quanto pior melhor... O centro largo, centro-esquerda e centro-direita ficaram bloqueados, envergonhados, assustados...

Agora, precisamos restabelecer a unidade nacional em defesa da democracia, da liberdade, do Estado de direitos e da melhor qualidade de vida para todo o povo brasileiro. Ao mesmo tempo, e talvez como prioridade, devemos derrotar o virus e derrotar a recessão e o desemprego...

Como fazer isto?

Este dilema está presente no dia a dia da Folha, o principal jornal do país. A Folha faz questão de declarar-se o jornal mais plural do Brasil, mas, ao mesmo tempo, não vacila em apoiar golpes de Estado em defesa de suas posições. Apoiou o golpe de 1964 mas foi fundamental na Campanha das Diretas, e pelo fim da ditadura; Apoiou novamente o golpe de Estado contra Dilma e o PT, em 2016, mas vive o dilema de como enquadrar ou derrubar Bolsonaro sem precisar fortalecer o PT e Lula.

Este dilema, por enquanto, não é só da Folha, é da maioria das instituições não de esquerda no Brasil. Todas elas apoiaram Bolsonaro como o único que se viabilizou eleitoralmente, mas, digamos que 90%, já estão indignados com as loucuras do presidente.

Como democrata, libertário e cristão, sou favorável a se "perdoar 70 vezes 7", mas devemos também aprender com a história. Viver é aprender com os erros e com os acertos. Quem não enfrenta desafios não cresce, não evolui, não enriquece...

Nesta fase de combater abertamente as loucuras de Bolsonaro, a Folha tem tido o melhor desemprenho, como tem sido a melhor cobertura da crise do virus.

"Cresceu também como crítico qualificado, o jornalista Vinicius Torres Freire.

Hoje ele apresenta um artigo muito bom com o título "Brasil, duas epidemias e um Bolsonaro", na página A21. Eu acho importante dar mais destaque no conteúdo e vou fazer uma síntese pegando dados que todo o Brasil deve estudar e usar no dia a dia...

1 - Em 6 estados ocorreram 83% das mortes,

São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Amazonas e Pará

2 - É importante destacar que o Brasil tem 26 Estados mais o Distrito Federal, totalizando 27 unidades federativas...

3 - 83% dos brasileiros correspondem a 95 milhões de pessoas,

4 - Os 17% que não estão nos seis estados, e sim nos 21, corresponde a 115 milhões de brasileiros...

5 - Em termos de mortes, a pandemia quase que não existe na Região Sul - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; nem no Centro Oeste.

6 - A tragédia em grande escala está em apenas seis estados, correspondendo 95 milhões de pessoas.

7 - O quê faz com que a BAHIA, por exemplo, tem 19 mortes por milhão de habitantes, enquanto que Pernambuco e Ceará, ambos no Nordeste, têm 162 e 145 respectivamente?

8 - O que faz com que no Sudeste, MINAS GERAIS tenha 7 mortes por milhão de habitantes, enquanto o Rio de Janeiro tenha 141 e São Paulo tenha 98 mortes por milhão de habitantes?

9 - Por que deixaram o caos tomar conta da Amazônia e se expandir para o Pará, ambos os Estados representando 80% da floresta Amazônica?

10 - As mortes estão concentradas nas regiões metropolitanas, portanto, o grande cuidado têm que se concentrar nestas regiões e as medidas preventivas devem levar em conta estas diversidades...

11 - São Paulo, o maior afetado do Brasil, começa a dar sinais de desaceleração das mortes;

12 - O Nordeste e o Norte ainda vivemos com a explosão do virus e suas consequências...

13 - O Rio de Janeiro pode também ter crescimento e mais caos...


O BRASIL VAI SE TORNANDO UMA ABERRAÇÃO

O desgoverno, ou, o governo da morte, da tentativa de autogolpe, além da perversidade lunática e a cafajestada facinorosa pode fazer o Brasil piorar...

Quanto mais avacalhas as medidas de contenção, mais o morticínio vai durar. Quanto mais durar, maior deverá ser a propensão individual a abandonar o distanciamento, por desespero material ou psicológico.

Quanto pior ficar em função do virus, pior irá ficar em função da ECONOMIA.

Ainda temos chance de evitar essa aberração brasileira que seria a longa duração da primeira fase da pandemia:

chance de achatar a curva e de segurar o virus.

No entanto, JAIR BOLSONARO ESTÁ SOLTO."


Todos estes assuntos relatados acima estão no bom artigo de Vinicius, volto a insistir quanto a necessidade de se estudar todos eles em todo o Brasil e achar respostas e soluções.

E a melhor forma de se libertar de golpes e contragolpes, é unir a sociedade em torno da democracia, da liberdade, do respeito às diversidades e aos erros e acertos.

Não acho que devemos prender Bolsonaro, basta impedir que ele continue destruindo o Brasil. Basta tirar a caneta presidencial da mão dele. Ele não tem sanidade mental para usar tão nobre instrumento de trabalho e de representação.

Como cantava Gonzaguinha: "Não dá mais prá segurar...""

FORA BOLSONARO

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