terça-feira, 31 de março de 2020

Virus e Desemprego: Ajudar sozinhos ou separados?

Causas diferentes, problemas iguais

O brasileiro e a brasileira:

- por viver num país ainda em transição entre a pobreza e a classe média,
- ou como os economistas gostam de dizer: entre o subdesenvolvimento e o G20, os mais ricos do mundo;
- por ter uma média de escolaridade ainda baixa se compararmos com Argentina, Austrália e Europa;
- por estar habituado a conviver com desigualdades extremas – renda, escolaridade, saúde, moradia, aposentadoria, acesso aos serviços terceirizados como internet e outras modernidades...

Estes brasileiros e brasileiras, como dizia Sarney:

- ainda pensa que o quem tem é mais mérito dele do que da estrutura social que lhe da retaguarda;
- muitos consideram que a sua qualidade de vida se deve ao apoio do pastor e da sua Igreja;
- muitos usam o SUS – Sistema Único de Saúde, achando que não é mais do que obrigação do governo oferecer saúde para todos;
- no entanto, muitos prefeririam usar os “Convênios Médicos”, gastando uma fortuna e muitas vezes sendo mal atendidos;
- a grande maioria dos brasileiros e brasileiras, embora tenham estudado em boas escolas públicas, hoje colocam seus filhos em escola privada, principalmente se tiver ensino de inglês;
- uma boa parcela dos brasileiros e brasileiras já vai e volta para o trabalho de carro particular, abrindo mão de exigir transporte público de qualidade;
- no caso das grandes cidades, muitos brasileiros e brasileiras vão trabalhar ou estudar de METRÔ;
- por verem o quanto o metrô é facilitador do acesso ao trabalho, à escola ou as atividades de lazer e cultura, os brasileiros vivem se perguntando porque no Brasil NÃO TEM um bom sistema ferroviário que interligue as cidades e os estados...

Os brasileiros e brasileiras nos últimos trinta anos ouviram falar milhares e milhares de vezes que:

-  o ‘serviço público” não presta porque os funcionários  públicos estão mais voltados para eles mesmos do que para servir ao povo que lhes paga o salário;
- também ouvir falar em todos os espaços públicos e privados que o Brasil está ruim porque os políticos não prestam, são corruptos e gostam de aumentar seus salários enquanto o salário mínimo fica uma miséria...
- teve diretas já, teve constituinte, teve eleição de FHC e de Lula; teve até a eleição de uma mulher para presidente e depois elegeram um doido varrido, tudo isto com o desejo de ver o Brasil dar certo. E a impressão é que não está dando certo...

Temos um presidente que não ouve o  clamor do povo, que se pensava que o presidente só fizesse o que os empresários mandassem e que o presidente, por ser servil aos Estados Unidos fosse ter privilégios que facilitassem a vida dos brasileiros nos Estados Unidos...

- e nada disso está servindo para nada, só estamos piorando...
- e ainda temos que viver umas semanas, ou meses em QUARENTENA, clausura, home office ou clausura domiciliar, ouvindo ou lendo milhões de noticias sobre mortos e doentes no Brasil e no mundo...

Como fazer o Brasil dar certo?
Como sair desta urucubaca?

Será na base do “salve-se quem puder”?
Será juntando-se com os colegas de Igreja, excluindo as demais?

- Será exigindo e botando como condição indispensável que se destitua o presidente?
- Será criando grupos de empresários que concordem em doar milhões de reais para o governo federal, o mesmo do presidente nervosinho?

- Será criando grupos de voluntários que ajudem associações de moradores mais pobres e sem emprego?
- Será que, estes voluntários e estes moradores também não têm suas crenças religiosas, políticas e sociais?

- Se a crise com o virus e com a economia paralisada no mundo todo , ao atingir também os Estados Unidos e a vida dos americanos, obrigou o presidente dos Estados Unidos a parar de agredir e se voltar para dentro dos Estados Unidos, priorizando salvar a vida dos americanos e salvando a economia?
- Se a Alemanha, com toda a humildade da primeira ministra, Angela Merkel,  e também do seu ministro da Fazenda que enfatiza que em primeiro lugar temos que salvar as vidas e só depois priorizar a economia, será que isto não reflete no governo brasileiro, ou no próprio povo brasileiro?

Os grandes empresários estão tomando coragem...

Hoje vi algumas notícias no jornal Valor que me motivaram a escrever estas reflexões. Por exemplo,

- A VALE comprou e doou 5 milhões de testes para saber se as pessoas estão contaminadas ou não;
-  Donos da VOTORANTIM doaram 50 milhões;
- Itaú ajuda na construção do novo Hospital da Fiocruz;
- Natura passa a produzir álcool gel.

Ontem eu li que as Centrais Sindicais e seus sindicatos filiados estão oferecendo:

- Aaos prefeitos, governadores e governo federal, mais de 5 mil espaços para leitos hospitalares, sejam nas sedes das entidades, nos espaços esportivos ou no clubes de praia ou de campo.
- As centrais sindicais também estão se oferecendo para mobilizar todos os seus militantes para que ajudem na coleta e distribuição de ajuda aos necessitados.
- As centrais sindicais também estão se disponibilizando a sentarem com os empresários e construirem formas de preservar a saúde dos trabalhadores, mantendo a produção necessária, disponibilizando os demais trabalhadores a ficarem em casa e, dentro do possível, também ajudarem no combate ao virus e no combate ao desemprego...

FIAT LUX?
Fêz-se a luz?

Ah, tenho lido diariamente que os artistas e agora os jogadores milionários decidiram doar milhões de dólares e reais em solidariedade!

Outro dia li uma nota ironizando que os jogadores ganhavam muito e que os pesquisadores ganham pouco... Tem jogadores abrindo mão de 70% de seus rendimentos para ajudar no combate ao virus. É mole?

Eu convivi com Mario Covas, Montoro, Lula, Olívio Dutra, Chico Mendes, Jair Meneguelli, Gushiken, Augusto Campos, Arnaldo Gonçalves, Lélia Abramos e tantas outras personalidades e, naquela época, se juntar para construir uma “unidade de ação” era comum.

 Hoje em dia, fico com a impressão que há uma resistência a se unir num mesmo espaço. ..
Será que as pessoas ficam com medo de uns ficarem acusando os outros?

Será que os erros cometidos no passado recente são impeditivos de se reunir em defesa do POVO BRASILEIRO e, por consequência, EM DEFESA DO BRASIL PARA TODOS?

Se Dom Paulo Evaristo Arns estivesse vivo, eu o indicaria para ser o coordenador de uma iniciativa desta. Todos juntos pelo povo brasileiro. Todos juntos pelo Brasil para todos.

Na ausência de Dom Paulo, será que não poderíamos lançar a campanha dizendo que, em homenagem a Dom Paulo Evaristo Arns, ele, in memorium, seria o coordenador da campanha?

Pensando em Dom Paulo, convidaríamos representantes dos mais diversos setores da sociedade e faríamos uma carta de princípios e de unidade de ação.

Todos em defesa do povo brasileiro  e todos em defesa do Brasil para todos!



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