segunda-feira, 30 de março de 2020

O virus, a loucura da Folha e a sabedoria de Miriam Chnaiderman

O saber para muitos ou apenas para quem pode pagar...

“Só empatia junto com a solidariedade é capaz de nos mover e nos ajudar a superar todas as restrições que estão sendo impostas...  A gente não escolheu isso.

As pessoas se sentem violentadas de não terem escolhido de não terem escolhido não sair de casa. Mas a gente está fazendo isso, acima de tudo, pelo outro.”

Nesta segunda-feira, quando fui pegar o jornal vi que tinha uma longa entrevista com a psicanalista Miriam Chnaiderman, uma página inteira, era a entrevista da 2ª. Passei o jornal para minha esposa, que também é psicanalista e foi aluna de Miriam Chnaiderman no Sedes.

Miriam Chnaiderman, para quem não sabe, é um símbolo de autoridade como professora, escritora, psicanalista e palestrante. Eu, que sempre achei que as pessoas precisam estudar economia, psicanálise e comunicação, sempre leio o que aparece sobre a psicanalista.

Neste mundo de quarentena, depois de duas semanas de reclusão, deixei para tentar reproduzir a íntegra da entrevista no meu blog, como contribuição para que os sindicalistas e movimentos sociais, particularmente os que não vivem em São Paulo pudessem ter acesso a uma grande contribuição de um importante jornal como a Folha.

É evidente que nestes tempos bicudos de virus invisíveis matando as pessoas no mundo todo, de crise econômica e social, onde o pessoal de centro e de esquerda perderam a liderança para os neoliberais e conservadores em geral, quanto mais a gente possibilitar que militantes sociais aprendam mais e atuem na construção de um mundo melhor, cada tijolinho deste, pode servir de uma construção de uma escola, um hospital ou uma casa para morar...

No entanto, quando iniciei o computador e tentei baixar a entrevista, em vez do belo e longo texto, apareceu a mão do capitalismo, a mão do “dinheiro em primeiro lugar”, leiam o texto que a Folha me mandou mesmo eu sendo assinante do jornal há mais de vinte anos...

“Para compartilhar esse conteúdo, por favor utilize o link https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2020/03/quem-elogia-tortura-admira-torturador-nao-se-coloca-no-lugar-do-outro-diz-miriam-chnaiderman.shtml ou as ferramentas oferecidas na página. Textos, fotos, artes e vídeos da Folha estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não reproduza o conteúdo do jornal em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização da Folhapress (pesquisa@folhapress.com.br). As regras têm como objetivo proteger o investimento que a Folha faz na qualidade de seu jornalismo. Se precisa copiar trecho de texto da Folha para uso privado, por favor logue-se como assinante ou cadastrado.”

Mesmo a Folha escrevendo na última linha que “se precisa copiar trecho de texto da Folhapara uso privado, por favor logue-se como assinante ou cadastrado”, tentei várias vezes e não consegui copiar. Aparecia sempre o mesmo recado capitalista.

Nem para usar o texto como campanha de solidariedade contra o virus?

Lendo a Folha, senti-me como os doentes pobres ou remediados que gostariam de fazer uma “boa análise” mas, como não tem dinheiro, são obrigados a procurar as análises alternativas, as Igrejas, principalmente as pentecostais que conseguem “trazer Deus para combater o Satanás, desde que eu pague os dízimos”. E o valor do dízimo é proporcional ao que você ganha e não quanto custa a seção, conforme a fama do psicanalista.


A Folha, que já foi nossa guia na campanha das “Diretas Já!”, está cada vez mais capitalista, e, cada vez menos, guia do povo brasileiro... Este pode ficar com as epidemias de dengue e tantas outras raras como a coronavirus... O pior é que eu não consigo ficar sem assinar a Folha... Acho que sou masoquista e preciso procurar um analista barato, nem que seja de Bajé, como diz Veríssimo.

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