quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

FOLHA – Folhas, de 1960 a 2021 – Mudando o Brasil

A Folha, os empresários, os trabalhadores e o Brasil

O jornal Folha deste primeiro dia do ano 2020, timidamente, lá no caderno “folhacorrida”, apresenta uma longa matéria sobre a sua evolução desde sua fundação. É um artigo muito bom de ANA ESTELA DE SOUSA PINTO, muito bem feita, bem estruturada e estimuladora. Tentei copia-la para que todos tivessem acesso, mas o texto abaixo, com seus prós e seus contras, impediu a reprodução...

Todos perdemos.


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Uma coleção de fatos históricos,
apesar de faltarem informações relevantes


Em 1921 foi criada a primeira Folha “da Noite”.
São Paulo tinha apenas 580 mil habitantes. Menor que a quase totalidade dos bairros atuais.

Detalhe que não aparece:
A primeira guerra mundial tinha acabado em 1918, mudando o mapa do mundo...

Em 1925, foi criada a Folha “da Manhã”.
O radio ainda não se difundira e edições verpertinas eram a forma de atualizar os matutinos.

Detalhe que não aparece:
São Paulo já avançava na industrialização e nas exportações, vivendo a Belle Epoque e a “SEMANA DE 22”, que rompia com o tradicionalismo e abria-se para a modernidade.

VEIO A CRISE DE 1929 e a Revolução de 1930. A empresa proprietária posiciona-se contra a política de Getúlio Vargas e é invadida e depredada por simpatizantes de Getúlio. Já pensando em valorizar o capitalismo internacional, o jornal é comprado por um fazendeiro e comerciante...

A população de São Paulo aumentava em saltos, e já tinha pulado para 1,5 milhão de pessoas em 1940.

A terceira fase acompanhou a expansão industrial que se seguiu à SEGUNDA GUERRA MUNDIAL. A empresa jornalística trocou de mãos em 1945 e, quatro anos depois, lançou seu terceiro título, Folha “da Tarde”.

O Brasil, como grande aliado dos Estados Unidos, viu em JK, Juscelino Kubitschek, o símbolo do crescimento econômico com inclusão social. Eram os “50 anos em 5”...

A economia exigia agilidade e baixo custo... O primeiro passo foi cortar gente e ineficiências... O segundo passo foi o que completa hoje 60 anos: unificar o título, surgindo a Folha de S.Paulo.

A Folha queria se tornar menos provinciana...


Em 1961, adotou o slogan “Um jornal a serviço do Brasil”. O fantasma de Jânio Quadros já afetava a economia...

Em 1962, a empresa foi vendida aos empresários Octavio Frias e Carlos Caldeira Filho.
João Goulart era o presidente e os Estados Unidos já articulava um golpe de Estado no Brasil e outros na América Latina. Era a divisão do mundo em países controlados pelos Estados Unidos ou pela União Soviética...

Embora a brilhante jornalista autora da matéria tenha seguido o calendário até 2019, o jornal não cita nas linhas de tempo nem em artigos assuntos de extrema importância tanto para a Folha, como para os proprietários do jornal como o Brasil e o Mundo:

Negativas:
1 – Não aparece o apoio formal do jornal ao Golpe de Estado de 1964;
2 – Não aparece o apoio informal da Folha da Tarde aos torturadores e matadores do DOI-CODE e Operação Bandeirantes, AI-5 em 1968;

Positivas:

- Brilhante campanha das Diretas Já!
- Constituinte 1988;
- Eleições presidenciais Lula x Collor em 1989;
- Começo de adesão ao neoliberalismo no governo Collor,;
- Aliança conservadora contra o crescimento do PT.
- Campanha do Impeachment de Collor

Negativas:

- Campanha ostensiva para FHC em 1994 e 1998;
- Campanha contra Lula fica evidente.

Em 1999 lança o jornal AGORA, que não deu certo...
A Folha passa a ser colorida. E depois digital.

Apesar da Folha, LULA foi eleito presidente em 2002.

O jornal aumentou a pressão sobre Lula e seu governo, não conseguindo impedir o reconhecimento internacional de que Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve.

Em 2006, Lula se reelege, mesmo com pressão da direita, dos conservadores e da imprensa. Surge o “mensalão”, como pretexto para novo golpe de Estado contra o povo brasileiro.

Em 2010, Lula apoia e faz campanha para a primeira mulher como presidente do Brasil, Dilma ganha e faz um primeiro mandato mediano... as condições foram aumentando para justificar o golpe de Estado contra o PT...

O governo Dilma não soube se organizar para defender sua gestão, como fez Lula contra o mensalão.


Em 2014, contra a vontade de amplos setores do PT e da sociedade, Lula insiste em repetir o mandato com Dilma Rousseff. Mesmo a crise aumentando, Dilma é reeleita com quase “empate técnico”.

A direita lança a palavra de ordem:

Não governará e será derrubada com novo golpe de Estado. A Folha teve importante papel coordenador do golpe de Estado.
A direita internacional tenta repetir 1964, quando espalhou ditaduras por quase toda América Latina...

Em 2015 Dilma foi derrubada, o PMDB fez papel de “laranja” da direita golpista, o vice-presidente, mais uma vez, assumiu e criou as condições para eleger a extrema direita, personificada num louco chamado Jair Bolsonaro. A imprensa, liderada pela Folha e pela Rede Globo, juntamente com os golpistas no Judiciário, foram fundamentais para a direitização do aparelho de Estado.

O Brasil preferiu o retrocesso e a destruição de suas riquezas econômicas, políticas e sociais.
O Brasil passou a ser governado pela primeira vez por EVANGÉLICOS PENTECOSTAIS e paramilitares...

Como a Folha, em nasci em 1953, vivi todas as lutas políticas de 1960 para cá. Atuei nos movimentos sociais, no movimento estudantil e religioso, vim para o movimento sindical onde tive papel relevante e, como aluno da FGV em São Paulo, apoiei Suplicy para deputado estadual e Angarita para federal pelo MDB da época.

Sou assinante e leitor da Folha desde 1970 até hoje. Tivemos juntos na campanha das Diretas, juntos em muitas eleições, juntas na retomada do movimento sindical e na criação da CUT.

Porém, o fato de estarmos sempre juntos, não significa que eu não possa propor à Folha que registre no tempo as posições políticas tanto do jornal, como de seus opositores.

Vamos fazer uma grande campanha nacional
para que os brasileiros e brasileiras elejam prefeitos e prefeitas progressistas, honestos e comprometidos com o povo e com o Brasil.

A Folha pode ser o New York Times brasileiro ou até mais progressista, capitalista e pluralista que o velho e importante NYTimes...

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