sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

O Mercado manda e o BC obedece

O Mercado é o nome do Sistema Financeiro

Vejam a entrevista do presidente da Verde Asset Management, Luis Stuhlberger, considerado o melhor investidor brasileiro.

Os gregos tinham a sua mitologia com seus diversos deuses. O capitalismo moderno não é mais controlado pelo setor industrial, agora, quem manda mesmo é o sistema financeiro, que é chamado de MERCADO. O deus mercado apoia este ou aquele governo; o deus mercado está preocupado com a inflação, e agora o deus mercado vai obrigar os governos a cuidar do meio ambiente. E quem não obedecer apanha...

A recomendação do deus mercado para seus operadores no governo é clara: é hora de continuar cortando os juros.

Vejam a integra da entrevista...


Mercado está forçando o BC a cortar juros,
diz Stuhlberger

Para presidente da Verde Asset Management, instituição deveria ter parado de reduzir as taxas em 4,75%

Altamiro Silva Junior e Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo
29 de janeiro de 2020 | 11h29

O presidente da Verde Asset Management, Luis Stuhlberger, disse nesta quarta-feira, 29, que o mercado está empurrando o Banco Central a cortar novamente os juros e, neste momento, "é quase certeza" que a taxa será reduzida para 4,25% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, na semana que vem. "Embora eu esteja posicionado contra isso", disse, ao falar que a instituição deveria ter parado de cortar as taxas em 4,75%.

"Muitas assets (gestoras de investimentos) ganharam muito dinheiro no pré-curto. Mercado está forçando o BC a cortar mais", disse, em evento do banco Credit Suisse, ressaltando que, mesmo dentro da Verde, há divergências sobre os próximos passos do BC.

Para Stuhlberger, o mercado reforçou as apostas em corte de juros ao observar hoje, nos índices de preços, os núcleos muito baixos e a inflação de serviços comportada. Além disso, o teto de gasto e a reforma da Previdência trouxeram "conforto fiscal". Ainda com a elevada capacidade ociosa e o desemprego alto, a sinalização, segundo ele, é de que não haverá pressão inflacionária.

O gestor, contudo, alerta para riscos a este cenário. "Acho que a inflação pode ter não linearidade em algum momento, do mesmo jeito que aconteceu com o câmbio", disse, ao justificar sua visão de que o BC deveria ser mais cauteloso.

"O câmbio está 5% acima do nível do que é razoável." Modelos da Verde apontam o preço justo da moeda americana ao redor de R$ 3,98. Ao mesmo tempo, Stuhlberger não vê espaço para melhora mais forte do real, porque o investidor estrangeiro está fora do mercado, as exportadoras estão retendo recursos lá fora e empresas estão trocando emissões em dólar por real.

Os juros muito baixos no Brasil criaram "os órfãos do CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro)", disse Stuhlberger, ressaltando que ele mesmo é um deles. Por isso, os investidores têm procurado aplicar na Bolsa e as gestoras estão criando "dois, três" fundos de ações ou multimercados por semana para permitir isso. "No Brasil, existe efeito bolha na Bolsa", afirmou, ressaltando que ele próprio está comprado em ações.

Crescimento global menor

Stuhlberger disse também que a economia mundial está estruturalmente com menos crescimento, mas com a vantagem de inflação baixa, o que permite juros menores.
Segundo ele, se o evento que está sendo realizado agora tivesse ocorrido em dezembro, riscos como o coronavírus e a questão do Irã não estariam no radar. “São riscos que aparecem que nunca imaginamos”, disse, mencionando que são assuntos de gravidade, mas que podem balançar o mercado por pouco tempo.

“Esses ruídos no mercado não duraram uma semana. Mercado balançou uns dias e depois voltou”, disse ele, ressaltando que a China tem tratado a questão da doença no “estilo chinês”, ou seja, isolando uma cidade enorme.

Já a Europa pode precisar mudar seu modelo de crescimento, pois a região está “permanentemente com problema de crescimento gravíssimo”. “Talvez o modelo esteja terminado, vai ter de fazer uma outra coisa”, disse o gestor. Pelo lado positivo, a questão fiscal da região está menos negativa que em outras. “Déficits crônicos estão bastante controlados.”

Eleição nos Estados Unidos

Para Stuhlberger, o mercado financeiro trabalha hoje com chance zero de o pré-candidato democrata Bernie Sanders derrotar o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na eleição americana de novembro. Já uma vitória de Joe Biden, que foi vice-presidente na gestão de Barack Obama, não seria um problema, pois ele é visto como democrata não socialista, ao contrário de Sanders.

"Sanders não tem muita chance em nível nacional", disse Stuhlberger, ao comentar as perspectivas para a eleição americana. Na avaliação dele, mesmo não ganhando, Sanders pode fazer "certo estrago nas finanças públicas americanas", pois pode forçar Trump a fazer concessões e adotar medidas como cortes de impostos.

"A plataforma democrata será mais gastos com saúde e corte de impostos para pessoas físicas", disse o gestor. "Mas os EUA hoje arrecadam muito pouco", completou, ressaltando que a carga tributária total no país é ao redor de 30% do Produto Interno Bruto (PIB), o que é um "número baixíssimo", considerando que é a maior economia do mundo.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

O PTestá voltando às origens

O voto como mecanismo de valorização e de punição

Uma parcela do eleitorado que sempre votou no PT, de repente, ofendida pelas denúncias da lava-jato, agredida pela hostilidade contundente da imprensa, manipulada pelo judiciário inescrupuloso, enganada pelos políticos conservadores que se uniram ao mentirosos, inescrupulosos, agressores e manipuladores para votar contra o PT.

De repente, os reacionários acharam uma oportunidade de, em vez de defender-se, atacar violentamente os petistas... ficou fácil ganhar eleições.

Além de sentir-se enganada, esta parcela do eleitorado, também sentiu o impacto das demissões, dos arrochos salariais, das privatizações vendidas a preço de bananas, a humilhação do Brasil no cenário internacional e a volta à pobreza de grande parcela de brasileiros.

Sentindo-se traída pelo partido, (o PT), agredida economicamente e vendo sua família sofrendo, esta parcela significativa do eleitorado, emocionalmente, passou a também acusar o PT de ter abandonado suas origens.

Quais origens?

1 - O partido ficou grande, com mais de dois milhões de filiados;
2 - O partido conseguiu eleger centenas de vereadores, deputados estaduais, dezenas de prefeitos, governadores e senadores. Até elegeu dois presidentes em quatro eleições. Passou a ser a maior bancada federal e recebeu muito dinheiro do Fundo Partidário;
3 - Esta grandeza do PT tinha a ver com a forma participativa de sua maneira de governar para o povo, com transparência e até com Orçamento Participativo!
4 - O povo, onde tinha PT no governo, melhorava de vida e os filhos tinham mais oportunidades.

Era o Brasil que dava certo...

Os conservadores, a direita, os golpistas, os derrotados, cansados de perder eleições e vendo que o PT crescia em todo Brasil e que o mundo inteiro queria conhecer o Brasil e sua grande liderança carismática que era e é o Lula, tudo isto estimulou que o Brasil passasse a viver da dicotomia:

Quem era a favor de Lula e do PT e quem era contra o Lula e o PT...

Como ninguém é perfeito, os conservadores, liderados pelos golpistas nacionais e internacionais, passaram a tramar para que tudo desse errado, passaram a boicotar a economia e as notícias, passaram a preparar um golpe de Estado, derrubando a presidente eleita democraticamente e implantando um governo inescrupuloso, privatista, corrupto no varejo e no atacado, preconceituoso em todos os limitese principalmente, "um governo que topa tudo por dinheiro" que vende tudo aos estrangeiros, comprometendo o futuro do Brasil.

Com o tipo de governo que o Brasil passou a ter com Temmer e Bolsonaro, o Brasil deixará de ser uma nação rica e competitiva, para ser uma republiqueta de bananas, governada por evangélicos pentecostais reacionários, e, muitos deles de riqueza duvidosa... Os seguidores das igrejas pentecostais passaram-se a sentir-se no poder. A achar que podem tudo, porque foram reconhecidos por Deus, como os judeus no Velho Testamento...

Temos um país governado por loucos? Pergunta Chico Buarque. Há uma parcela de loucos no governo, mas isto faz parte dos governos desde a antiguidade. Lembram de Nero? Dos loucos na Revolução Francesa? Dos loucos nas guerras religiosas, que matavam em nome de Deus? São tantos loucos...

O problema é que o Brasil está vivendo uma grande transformação no seu perfil econômico, social e político. Somos mais de 200 milhões de pessoas, com centros urbanos com mais de milhões de pessoas, sem infraestrutura, sem políticas públicas e sem emprego ou trabalho. Uma verdadeira plantação de loucos... e ladrões.

O PT, sem o apoio dos militantes das comunidades de bases da Igreja católica, sem o apoio dos evangélicos mais religiosos e sem o apoio do crescimento econômico, passou a sofrer ataques irracionais...

o PT está buscando formas para voltar a ser o queridinho do Brasil...

O PT vai voltar a governar de forma participativa, com democracia popular, abrindo espaço para as comunidades, independente da religiosidade, da filiação partidária e da etnia e escolha de sexo. O PT vai voltar às origens.

A crise que vivemos não está só no Brasil,
ela está em todos os continentes e em todos os países.

- Os políticos já NÃO MANDAM MAIS,
- Os juízes já NÃO DECIDEM SOZINHOS,
- Os jornais e TVs já NÃO SÃO MAIS OS DONOS DA VERDADE,
- Os policiais já NÃO PODEM SAIR MATANDO QUALQUER PESSOA,
- Os empresários já NÃO MANDAM SOZINHOS,
- Os movimentos sociais precisam aprender a respeitar as diversidade,
- O movimento sindical precisa apresentar mais projetos e menos choradeira.

- A Terra é nossa Pátria;
- A questão ambiental é o principal problema no mundo;
- As pessoas continuam em primeiro lugar como desafio de Qualidade de Vida.

- Em vez de pregar o ódio, vamos pregar o amor e o perdão;
- Em vez de pregar a morte, vamos pregar a vida e a solidariedade;
- Em vez de pregar a proibição, vamos pregar que

- SÓ UNIDOS SALVAREMOS A TERRA!

- SÓ UNIDOS SALVAREMOS O MEIO AMBIENTE!

- SÓ UNIDOS SALVAREMOS A VIDA!

- BEM AVENTURADOS QUEM TIVER A HUMILDADE
DE DAR O PRIMEIRO PASSO NA CONQUISTA DESTE NOVO MUNDO...

Sem medo de ser feliz!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Em ano eleitoral, Lava Jato volta à cena

Armação ilimitada e uso político do Estado brasileiro

Judiciário, imprensa, ministério público,
TSE, etc. todos contra o PT e contra o Lula.

Enquanto não houver um movimento de repúdio a esta armação ilimitada contra o PT e contra Lula, regularmente veremos como a direita radical está se apropriando do Estado brasileiro para impedir que o POVO, organizado em suas instituições como Partidos Políticos, Sindicatos e Movimentos Sociais, possam exercer a democracia, a liberdade e a prática dos direitos iguais para todos.

A gente não quer só comida, queremos cultura, liberdade e educação...

Vejam a matéria que saiu no Estadão de 16 de janeiro passado:

Lava Jato volta à cena e faz primeira denúncia de 2020 contra gestor de editora por lavagem de R$ 2,4 mi
Propina do Grupo Setal/SOG teria sido paga de 'forma dissimulada' a Renato Duque e João Vaccari Neto por meio de serviços não prestados da Editora Gráfica Atitude, administrada por Paulo Roberto Salvador

Pedro Prata – Estadão
16 de janeiro de 2020 | 17h58
Atualizada às 12h13 de 17.01
com posicionamento de Paulo R. Salvador*

A força-tarefa Lava Jato no Paraná denunciou nesta quinta, 16, Paulo Roberto Salvador, administrador da Editora Gráfica Atitude, pelo crime de lavagem de dinheiro no valor de R$ 2,4 milhões, entre 2010 e 2013, por meio da celebração de contratos de prestação de serviços ideologicamente falsos com o Grupo Setal/SOG Óleo e Gás.

É a primeira denúncia da Lava Jato em 2020. Em 2019, os procuradores fizeram 29 denúncias contra 150 réus. Ao todo, a Lava Jato já levou à Justiça 116 acusações formais, incluindo a primeira ofensiva de 2020.

Documento

•A DENÚNCIA DA LAVA JATO

Nesta denúncia, a Procuradoria federal requer a condenação de Paulo Roberto Salvador, o bloqueio de R$ 2,4 milhões, correspondente às vantagens recebidas ilicitamente, e o ressarcimento do valor à Petrobrás.

As investigações (Ação penal 50018033220204047000) apontam que Salvador contou com apoio do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, do executivo do Grupo Setal/SOG Óleo e Gás Augusto Ribeiro de Mendonça e do ex-diretor da Área de Serviços da Petrobrás Renato Duque.

Do total, R$ 2,4 milhões foram repassados pelo Grupo Setal/SOG Óleo e Gás de forma dissimulada, por meio da contratação da Editora Gráfica Atitude, de responsabilidade de Salvador, a pedido de Vaccari.
De acordo com a denúncia, ‘os repasses foram realizados com base em contratos e notas fiscais ideologicamente falsos, e a gráfica jamais prestou serviços reais às empresas do grupo Setal/SOG’.

Segundo revelado pelos próprios envolvidos, os pagamentos foram realizados em favor de Duque e do PT. Além desta ligação, os investigadores identificaram estreita vinculação entre a editora e o partido.

Isso porque, dentre outros indicativos, os sócios da Editora Gráfica Atitude são o Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários de São Paulo/SP e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A presidente do primeiro é administradora da Editora Gráfica Atitude.

A editora foi condenada pelo Tribunal Superior Eleitoral por propaganda eleitoral ilícita, em 2010, em favor da então candidata à presidência pelo PT, Dilma Rousseff.
A força-tarefa ressalta que o endereço listado na internet como sendo da Editora Gráfica Atitude coincide com o endereço da sede do Diretório Estadual do PT em São Paulo.

Outros envolvidos

Augusto Ribeiro de Mendonça, João Vaccari Neto e Renato Duque já respondem pelo crime de lavagem de ativos descrito na denúncia perante a 13.ª Vara Federal de Curitiba.

Pelos crimes antecedentes de corrupção, Augusto Mendonça, Vaccari e Duque, além de outros envolvidos como Pedro Barusco, Mario Frederico Mendonça Goes e Julio Gerin de Almeida Camargo foram denunciados e condenados pela 13.ª Vara Federal de Curitiba, o que foi confirmado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4).

“Responsabilizar operadores financeiros que contribuem de forma significativa para a ocultação e a manutenção de esquemas de pagamentos de propinas é fundamental para o combate ao crime organizado e à macrocriminalidade”, disse o procurador da República Felipe D’Elia Camargo, integrante da força-tarefa da Lava Jato no Paraná.

COM A PALAVRA, A DEFESA

“A defesa de Paulo Roberto Salvador reitera que a denúncia do Ministério Público Federal sobre a Editora Gráfica Atitude Ltda. não considerou documentos determinantes entregues à Polícia Federal que comprovam a efetiva prestação de serviços nos contratos questionados.

Em 10 anos, a Editora produziu 124 edições da Revista do Brasil, totalizando mais de 15 milhões de exemplares circulados entre os trabalhadores, com comprovação de auditoria de tiragem e notas fiscais de remessa de correio.

O Ministério Público Federal confunde aluguel de linha telefônica com endereço da Editora, que nunca saiu do mesmo local na Rua São Bento, e ignora a brochura apresentada em Juízo com compilação do conteúdo jornalístico produzido em razão das contratações.

Todas as receitas obtidas pela Editora foram revertidas em produção jornalística e estão à disposição da Justiça para que os fatos sejam esclarecidos.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, QUE DEFENDE VACCARI

A defesa do Sr. João Vaccari Neto vem se manifestar a respeito das citações envolvendo a denúncia feita pela Lava Jato, contra o Paulo Roberto Salvador, administrador da Editora Gráfica Atitude, acusando-o de lavagem de dinheiro por supostos pagamentos de R$ 2,4 milhões atribuídos à propina envolvendo contratos da Petrobras.

Na denuncia afirma-se que os pagamentos foram feitos a Duque e ao PT, que “o mantinha na posição de diretor de Serviços da Petrobras”, a pedido de João Vaccari Neto.

Trata-se de manifestação totalmente inverídica sob todos os aspectos.
O Sr. Vaccari jamais teve qualquer ingerência na Diretoria ou
participação de qualquer natureza ne Petrobras.

Mais uma vez a defesa do Sr. Vaccari confia que durante o processo, fique cabalmente demonstrado o absurdo de tais imputações.

São Paulo, 16 de janeiro de 2020
Prof. Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso
Advogado Criminalista

domingo, 26 de janeiro de 2020

MILÍCIAS NAS URNAS DO BRASIL

A legalização da violência intimidadora

Todos juntos contra o PT


Judiciário, Forças Armadas, Policiais, Milícias, Evangélicos e Imprensa

Com um bom título: “Milícias nas Urnas”, o Estadão publicou a reportagem de Ricardo Brandt, neste domingo.
Aos poucos vai ficando cada vez mais claro as alianças, parcerias e negócios realizados entre os setores conservadores brasileiros que, orientados e treinados por “forças ocultas internacionais” estão transformando o Brasil em um Estado Policial.

Ricardo Brandt – Estadão - 26 de janeiro de 2020 | 05h00


A interferência de milícias no sistema político do Rio de Janeiro e o risco de expansão da atuação de grupos paramilitares para o resto do País causam preocupação entre autoridades públicas e estudiosos do assunto. O tema deve estar presente nas eleições municipais de 2020, especialmente na disputa pela capital fluminense, onde as milícias atuam desde os anos 1980.

O TERROR cresce em todo Brasil e
TEM ATÉ GRUPOS DE EXTERMÍNIO


Hoje, há registros de grupos milicianos no Distrito Federal e em 23 Estados, entre eles Pará, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, segundo levantamento feito pelo Estado em inquéritos, informações de serviços de inteligência policial, dados do governo e notícias publicadas pela imprensa. Nesses locais, porém, o perfil das facções é, predominantemente, de grupos de extermínio e de segurança privada forçada.

Na maioria dos casos, essas milícias são consideradas em estágio embrionário, se comparadas ao modelo carioca, já consolidado.

Nos últimos três meses, o Estado consultou dados oficiais e estudos sobre as milícias e suas relações com a política. A reportagem entrevistou autoridades, investigadores e pesquisadores sobre as causas deste problema nacional e a repercussão que ele pode causar nas disputas eleitorais deste ano. É possível concluir que se trata de um fenômeno ainda sem dimensão oficial no Brasil, nem política integrada de prevenção e enfrentamento.

A milícia desequilibra o processo eleitoral como qualquer grupo armado que controla território, na medida em que eles decidem quem pode e não pode fazer campanha nesse território”
Ignácio Cano, sociólogo e coordenador do Laboratório de Análise da Violência (LAV), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)

Embora nenhuma unidade da federação conte com grupos milicianos tão organizados como os do Rio de Janeiro, autoridades públicas já tratam a questão como um possível problema para as eleições 2020. A Polícia Federal passou a monitorar a ação de milícias e de facções criminosas no processo eleitoral e identificou riscos em 18 Estados, de acordo com um mapa reservado obtido pela reportagem. O foco é o financiamento ilegal de candidatos e partidos, candidaturas de criminosos e pessoas ligadas a eles.

A situação é mais preocupante em locais com alto índice de violência, serviços públicos precários e corrupção policial. Em seis unidades da federação, Maranhão, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Sergipe, já foram encontradas relações de milicianos com políticos.

Na maioria dos casos, as milícias criadas fora do Rio ainda têm atuação restrita à venda de segurança privada com cobrança de taxa obrigatória dos moradores. Mas já há registros de casos em que milicianos passaram a oferecer, nas comunidades onde atuam, venda de gás, água, cestas básicas, imóveis, sinal de TV a cabo e internet, o que lhes permite controlar o território, e consequentemente, conquistar domínio político.

Em dezembro de 2019, a Polícia Civil do Piauí, com apoio do setor de inteligência da Polícia Militar, prendeu 13 pessoas – a maioria, policiais e ex-policiais – que praticavam crimes como roubo de carga, extorsão, tráfico de drogas e comércio ilegal de arma, na Operação Dictum.

Em conversas monitoradas com autorização judicial, os acusados debochavam das ações de combate à milícias, combinavam roubos e venda de combustíveis, cigarros e bebidas adulteradas, e falavam abertamente sobre agressões e assassinatos. O suposto líder do grupo seria um ex-PM, preso no aeroporto voltando de viagem ao Rio, e que, em 2017, teve o nome envolvido no assalto ao Banco do Nordeste. Eles negam os crimes e a formação de milícia.

No Pará, a Polícia Civil e o Ministério Público têm registros de milícias formadas por policiais, ex-policiais e agentes de segurança que atuam como grupos de extermínio e passaram a controlar territórios, atuar com venda gás, transporte alternativo, internet e manter relação com o tráfico de drogas. No Estado, a Assembleia Legislativa chegou a abrir uma CPI das Milícias e Grupos de Extermínio que apontou em seu relatório final, em 2015, a existência de três grupos.

No Maranhão, a Operação Cifra Negra, deflagrada em 2019, levou para a cadeia milicianos - entre eles policiais, um deles conhecido como “Luis Matador” - acusados de agirem como grupo de extermínio, mas também com exploração de jogos de azar, tráfico de drogas e armas, entre outros crimes. Um dos investigados, sargento da polícia, foi candidato a vereador na cidade de Viana.


ACRE

A Polícia Federal tem identificado grupos de milícias, com participação de policiais, atuando no Estado vendendo segurança e serviços para fazendeiros da região. Foi identificada atuação das milícias em cobertura a ações de desmatamento de áreas na selva. O Ministério Público Federal denunciou 22 pessoas em 2018, na Operação Ojuara, entre eles PMs e agente do Ibama. Eles atuavam nos Estados do Acre, Amazonas e Rondônia.

ALAGOAS

A polícia e o Ministério Público tem registro de grupos de milícias controladas por PM e ex-PMs, que vendem segurança a comerciantes, exigindo pagamento de taxas e vendendo serviços de execução e coação. A Justiça do Estado julgou dois assassinos em 2018 acusados de atuarem em nome de um ex-PM que seria chefe de milícia.

AMAPÁ

Sem registros de milícias. Em 2016 um juiz estadual chegou a citar a ação de milícias em comunidades do interior do Estado, vendendo serviço de segurança em regiões carentes.

AMAZONAS
A Polícia Federal tem identificado grupos de milícias, com participação de policiais, atuando no Estado vendendo segurança e serviços para fazendeiros da região. Foi identificada atuação em cobertura a ações de desmatamento. Em 2018 o TSE aprovou o envio de tropas federais para 25 municípios, entre eles Manaus.

BAHIA

O Ministério Público identificou presença de milícias em bairros de periferia de Salvador, nos moldes dos grupos cariocas. Além de venderam segurança privada e cobrarem taxas de moradores e comerciantes, já exploram serviços como transporte alternativo e TV a cabo e venda de gás.

CEARÁ

Órgãos de segurança têm registro de grupos de milícias ligados a execuções e também associados ao tráfico de drogas. No interior do Estado houve registro de suplente de vereador acusado de constituição de milícia armada e tráfico de drogas.

DISTRITO FEDERAL
No Distrito Federal, a Polícia Civil apontou uma milícia, com participação de policiais, que cobrava taxas de segurança de comerciantes, vendia execuções e havia começado a trabalhar com transporte alternativo e exploração de negócios imobiliários. Em 2018, o Gaeco deflagrou a Operação Horus indicou 12 PMs supostamente envolvidos em crimes e associados a milícias.

ESPÍRITO SANTO
Na região metropolitana de Vitória e no litoral sul do Estado há registros recentes de milícias com envolvimento de policiais e ex-policiais atuando em crimes de assassinato por encomenda e vendendo proteção a comerciantes.

GOIAS
A polícia e o Ministério Público têm registros de milícia formada por policiais e ex-policiais atuando como grupos de extermínio em cidades do Estado. O grupo além de vender serviços de execução cobrava valores de fazendeiros para evitar invasões de terras.

MARANHÃO
No Estado duas operações da polícia e do Ministério Público em 2018 prenderam policiais militares da ativa e aposentados acusados de integrarem milícias que agiam como grupos de extermínio e vendiam proteção a políticos e empresários. Eles foram alvos da Operação Balaiada e Cifra Negra.

MATO GROSSO
No Estado o Ministério Público já identificou milícias formadas por policiais e ex-policiais com perfil de grupo de extermínio. E grupos de milícias rurais, sem característica de domínio territorial, como ocorre no Rio, e com perfil mais de grupo privado de segurança, que vende proteção e serviços de execução, em especial para fazendeiros.

MATO GROSSO DO SUL
No Estado o Ministério Público já identificou milícias formadas por policiais e ex-policiais com perfil de grupo de extermínio e com ligação com o jogo do bicho. E grupos de milícias rurais, sem característica de domínio territorial, como ocorre no Rio.

MINAS GERAIS
No Estado há registros de milícias formadas por policiais e ex-policiais atuando como grupos de extermínio e vendendo segurança e serviços de coação a empresários, comerciantes e políticos. A Operação Torre de Babel deflagrada em 2018 apurou entre outros crimes a existência uma milícia que matava e extorquia.

PARÁ
A Polícia Civil e o Ministério Público têm registros de milícias formadas por policias, ex-policiais e agentes de segurança que atuam como grupos de extermínio e passaram a controlar territórios, atuar com vende gás, transporte alternativo, gatonet e ter relação com o tráfico de drogas.

PARAÍBA
A Polícia Federal e o Ministério Público têm registros de milícias que atuam no Estado formadas por policiais e ex-policiais militares e civis. Em 2012 foi deflagrada a Operação Squadre para prender 39 integrantes dessas milícias, 23 eram policiais, que atuariam vendendo segurança para comerciantes e políticos, vendendo armas e atuando como grupos de extermínio, principalmente na região metropolitana de Joao Pessoa.

PARANÁ
O Ministério Público tem registro de milícias formadas por policiais e ex-policiais atuando como força paralela de segurança, extorquindo comerciantes e vendendo armas. Em 2016 foi deflagrada a Operação Pipeline II contra supostos milícias, entre eles um PM e um empresário do setor de segurança.

PERNAMBUCO
No Estado, a polícia e o Ministério Público tem registro ação de grupos de milícias formados por policiais e ex-policiais, que atuam na área de segurança e cometendo assassinatos. Em Caruaru foi deflagrada em 2019 a Operação Causar.

PIAUÍ
A Secretaria de Segurança investiga a existência de milícias formadas por policiais e ex-policiais no Estado. Eles estariam agindo como grupos de extermínio e extorquindo comerciantes em regiões pobres de Teresina. Foram presos 16 pessoas, entre eles policiais, na Operação Dictum Greco, acusados de envolvimento com extorsão, roubo, tráfico de drogas e armas.

RIO DE JANEIRO
Berço das milícias, o Estado enfrenta problemas com milícias desde os anos 1980 em comunidade carentes. Os grupos milicianos têm o domínio de mais de 200 comunidade e bairros fluminenses e se instalou na máquina pública, tanto no Legislativo, como no Executivo e no Judiciário. Há políticos presos e acusados.

RIO GRANDE DO NORTE
O Ministério Público com apoio da Força Nacional de Segurança e a Polícia Civil investigaram uma milícia que atuava na região metropolitana de Natal como grupo de extermínio e que tinha ramificações em outros estados. Um vereador de Ceará-Mirim foi preso esse ano acusado de encomendar uma morte.

RIO GRANDE DO SUL
A polícia investiga grupos de milícias que atua cobrando taxas de segurança de comerciantes e moradores em bairros pobres. 30 policiais foram presos em Pelotas por integrarem uma milícia que além de cobrar taxa e de torturar assaltantes.

RONDÔNIA
A Polícia Federal tem identificado grupos de milícias, com participação de policiais, atuando no Estado vendendo segurança e serviços para fazendeiros da região. Foi identificada atuação das milícias em cobertura a ações de desmatamento de áreas na selva.

RORAIMA
Não há registro de grupos milicianos no Estado. Houve casos de grupo de extermínio em áreas fora da área urbana.

SANTA CATARINA

Não há registros de grupos milicianos no Estado.

SÃO PAULO
A polícia e o Ministério Público têm registros de casos de milícias formadas por policiais que atuam como grupos de extermínio, mas sem configuração de controle territorial. A presença do PCC é um dos fatores que inibe a presença de grupos milicianos como no Rio.

SERGIPE
No interior do Estado há registros de grupo de milícia liderado por um policial que agiria vendendo segurança e atuando como grupo de extermínio na região do Vale do Cotinguiba. A ligação com um político foi alvo de investigação.

TOCANTINS
A polícia e o Ministério Público identificaram um grupo de milicianos agindo como grupo de extermínio e vendendo segurança privada em áreas rurais do Estado. Desde 2016 milicianos foram presos e acusados na Justiça.
Embora não haja uma ligação clara desses grupos com possíveis candidatos a cargos públicos, as autoridades já estão em alerta. O delegado Gustavo Jung, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco) da Polícia Civil do Piauí, que coordenou a Operação Dictum e combate milícias no Estado, afirma que os grupos locais podem começar a patrocinar políticos se não forem combatidos.
“O que a gente consegue observar ainda é o interesse econômico nos grupos locais. A gente ainda não conseguiu ver um domínio territorial, como se tem no Rio. Mas é um embrião, porque começa assim. Hoje eles atuam já muito no cigarro contrabandeado”, afirma o delegado. “Não duvido que, se não combatermos, daqui alguns anos eles se organizem e passem a ocupar cadeiras políticas, a financiar campanhas.”

O sociólogo José Cláudio Souza Alves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), autor do livro Dos Barões ao Extermínio: uma história da violência na Baixada Fluminense, estuda milícias há três décadas e tem uma visão histórica do problema.

“Eles têm interesse em se projetar politicamente. São grupos que, ao se fortalecerem, eles vão passar a controlar a atividade da política, vão controlar o Judiciário”, afirma em tom de alerta sobre o “cenário é muito favorável” para candidaturas de milicianos em 2020.

Nas urnas, eles deixam de ser assassinos.
Nas urnas viram personalidades políticas e viram heróis. É a grande alquimia: (a urna) transforma assassinos, canalhas, monstros cruéis em heróis, em personalidades políticas, em benfeitores da comunidade.” José Cláudio Souza Alves, sociólogo e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

A presença de agentes do Estado, como ex-policiais, em seus quadros politiza as milícias, na opinião do ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública Raul Jungmann. Em 2018, quando os morros e favelas fluminenses estavam tomados por tropas federais, com a intervenção decretada pelo então presidente Michel Temer, Jungmann teve uma melhor dimensão do problema e da dificuldade de combater as milícias.
“O miliciano, como agente de Estado, tem uma noção da política. Contrariamente ao tráfico de drogas, eles têm uma formação e uma noção da política e da importância da política, que evidentemente faz com que eles tenham maior propensão (a se infiltrarem)”, diz Jungmann.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Fiesp apóia abertamente as loucuras de Bolsonaro

“Apoiamos o governo Bolsonaro? SIM, responde a FIESP”

“Topa tudo por dinheiro”. Democracia não é importante.
Ditadura econômica tem apoio dos patrões.
Privatizar tudo para dificultar a vida dos pobres.
Classe Média está voltando a viver na pobreza...

Em artigo assinado e publicado no jornal Folha de São Paulo de 22 de janeiro passado, o presidente da Fiesp, entidade SINDICAL patronal que representa todos os segmentos industriais do mais importante e maior estado brasileiro, EXPLICITA o uso da entidade sindical para fazer campanha para si e para o atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Já em dezembro, a Agência O Globo publicou detalhado artigo sobre as atividades realizadas na Fiesp em apoio explícito ao governo conservador e entreguista de Bolsonaro.

O presidente da Fiesp, em seu artigo na Folha enche o peito e afirma que “Bolsonaro promove a Agenda Econômica que os empresários sempre defenderam”.

Por exemplo:
(1) O controle dos gastos públicos para fortalecer o setor privado,
(2) as reformas estruturais que retiram os direitos e conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras, principalmente dos aposentados (as),
(3) redução dos juros bancários, sem obrigar os bancos a manterem as agências bancárias abertas para atender a população em todo o território nacional.
(4) desburocratização, para ter acesso às informações confidenciais e vendê-las às empresas privadas nacionais e internacionais,
(5) colocar o Brasil no rumo certo, demitindo os trabalhadores, gerando desemprego e arrocho salarial, além de transformar o Brasil em país sem indústria e economia próprias, sendo apenas representantes de multinacionais estrangeiras,
(6) o presidente da Fiesp finaliza dizendo que “o governo está comprometido com o crescimento econômico e com a geração de emprego”. Mentira!

O presidente da Fiesp enfaticamente repete:

“Engana-se quem pensa que a Fiesp NÃO É, nem deve ser um entidade política. DEVE SIM – fazer política – Ela é política, mas não é partidária”. ELA É CLASSISTA, defende a classe patronal contra a CLASSE TRABALHADORA.

Por isto que no texto NÃO HÁ nada sobre a importância da democracia. Por isto que os patrões e o governo Bolsonaro estão DESTRUINDO os sindicatos dos trabalhadores e defendem os sindicatos dos patrões...

Por isto que apoiou o golpe de Estado e apóia este governo que está destruindo a soberania nacional.

País rico sem democracia não serve para nada. Democracia e Liberdade são prerrequisitos para que o Brasil seja respeitado internacionalmente e tenha segurança ordem e progresso para todos e todas.


Vejam a matéria do Globo...


“Fim do “Bolsodoria” aproxima Bolsonaro de Paulo Skaf

Presidente adotou o líder da Fiesp como aliado de primeira hora em São Paulo, inclusive na formação do Aliança pelo Brasil, seu novo partido

Por Agência O Globo - 13 dez 2019, 13h57 - Publicado em 13 dez 2019, 13h48

Nos últimos meses, o presidente e seus auxiliares começaram a receber Skaf para audiências e em eventos no Palácio do Planalto. O presidente da Fiesp, por sua vez, retribuía organizando eventos que reuniam ministros e industriais. O vice Hamilton Mourão e os ministros Sergio Moro, Paulo Guedes, Ricardo Salles, Marcos Pontes, Tarcisio Freitas e Ernesto Araújo deram palestras na Fiesp este ano.

Durante a viagem de Bolsonaro à China, o empresário também ofereceu um jantar à delegação brasileira, encontro que contou com um vídeo com ambos. A pessoas próximas, Skaf relata ser um incentivador do partido Aliança Pelo Brasil e alguns nomes próximos ao empresário participaram da formação do partido.

Estes mesmos interlocutores descrevem a relação Skaf-Bolsonaro como algo ancorado em uma boa dose de pragmatismo: Skaf espera receber o apoio do presidente na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes em 2022. Em troca, Bolsonaro consegue um aliado que conseguiu 5 milhões de votos nas últimas eleições e já disputou outras duas vezes o governo do estado de São Paulo.

A aliança informal já gera efeitos para as eleições municipais do ano que vem. Aliados do presidente não escondem que sua opção preferencial para a prefeitura de São Paulo é lançar o apresentador José Luiz Datena, que no ano passado chegou a se lançar ao Senado mas voltou atrás logo depois. Em outubro, Bolsonaro esteve com Datena em São Paulo, e Skaf acompanhou o encontro.

Hoje o presidente da Fiesp é filiado ao MDB, mas a saída dele do partido é considerada apenas uma questão de tempo. Ele se filiou à legenda em 2011, mas nunca teve vida partidária intensa. Dirigentes da sigla apontam como maior sinal do do distanciamento de Skaf do partido a ausência dele na convenção nacional que elegeu o novo presidente do MDB, deputado Baleia Rossi. O cacique emedebista é de São Paulo e, mesmo assim, Skaf não compareceu para votar no deputado.

“Se ele quisesse ser candidato na próxima eleição para governador pelo partido esse seria um gesto importante”, disse um integrante nacional da legenda. Baleia e Skaf tiveram uma conversa recente e o presidente da Fiesp não descartou deixar o MDB, mas disse que não era uma decisão tomada. A reticência dele se dá por causa das dúvidas colocadas em relação ao Aliança pelo Brasil, que pode não se estabelecer antes das eleições do ano que vem. Caso isso não seja possível, tanto aliados de Skaf como do presidente Bolsonaro enxergam em Andrea Matarazzo, do PSD de Gilberto Kassab, um possível herdeiro do apoio do presidente.

A simpatia de Bolsonaro por Skaf é antiga.

Em maio do ano passado, antes da eleição para presidente, ele acenou apoio ao empresário na disputa pelo governo do Estado. Àquela altura, no entanto, as chances do atual presidente vencer a disputa pelo Planalto ainda não eram levadas a sério por políticos e analistas. Skaf preferiu manter o apoio a Henrique Meirelles – o apoio a Bolsonaro veio apenas dias antes do primeiro turno.

Um possível ponto de estresse entre Skaf e Bolsonaro surgiu no início do governo, quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, levantou a hipótese de cortes no Sistema S – grupo de instituições ligadas a categorias profissionais, como o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Antes da posse, Guedes chegou a afirmar que era preciso “meter a faca” nos recursos destinados ao Sistema S, gerando reação pública do presidente da Fiesp.

Embora o governo mantenha o desejo de reduzir as alíquotas dos repasses para o caixa do Sistema S, projeto que ainda caminha tanto no Congresso como em negociações da equipe econômica, a declaração de Guedes até agora ficou na promessa. E, hoje, interlocutores de Skaf dizem que o tema não é visto como um entrave político para a relação entre Skaf e Bolsonaro.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Guerra suja com diplomacia falida - ontem e hoje

Herança das Guerras Mundiais

Hoje a imprensa está noticiando as comemorações sobre as Guerras Mundiais. O encontro dos presidentes e primeiros ministros está acontecendo em Jerusalém - Israel. Falar dos 75 anos da libertação pelos russos do campo de concentração e extermínio, localizado em Auschwitz - Polônia, necessariamente tem que falar da importância dos principais países na luta contra o nazismo. Inglaterra liderou a resistência desde o primeiro momento; a França brincou de guerra, mas não suportou uma semana de batalhas e cedeu como já tinha cedido em 1870...

Os Estados Unidos no início "fingiu de morto", apoiou indiretamente a Inglaterra, mas teve que entrar na guerra, mesmo sem ter seu território bombardeado. A Rússia, que mais de uma vez teve sua importância estratégica destacada por Churchill, demorou de entrar mas quando foi invadida mostrou ao mundo como se podia derrotar ditaduras sangrentas. Morreram mais militares russos do que todos os judeus, o total de mortos russos foi o maior de toda guerra e o maior da história da Europa. Os alemães perderam vergonhosamente dos russos.

Depois da guerra mundial, veio a "guerra fria", com guerras de libertação, e guerras de dominação... Com a implosão do império soviético, os Estados Unidos passaram a reinar sozinhos e a ter seus prepostos em vários países, mesmo que tivesse que acabar com as democracias, em nome de se combater os inimigos comunistas... O Brasil teve, e tem, papel estratégico de apoio e subordinação aos americanos na América Latina.

Chegado ao trabalho, constatei que, no meu blog vários pessoas acessaram um texto publicado em 09 de junho de 2013, falando sobre o Brasil e Egito. Por curiosidade, li a íntegra e achei muito importante reproduzi-lo hoje...

Vale a pena ler de novo...


Brasil e Egito – Democracia de Conveniência

Ou o Voto vale ou o Voto não vale

Nos anos 70, em pleno auge da Ditadura Militar brasileira, quando estudava na FGV-SP, ao começar a atuar no Centro Acadêmico, um dos líderes perguntou-me que tipo de Democracia eu defendia. Eu prontamente respondi: Uma Democracia sem adjetivos!

Não existe meia democracia, ou a tal da democracia operária ou a democracia burguesa. Ou se aceita o voto universal onde todos têm direito de escolher livremente seus representantes ou não é democracia. É qualquer coisa, menos democracia.

Ainda na ditadura militar brasileira, eu sempre disse que não tinha medo nem de comunistas nem de fascistas. Numa democracia, ambos seriam relegados a votos minoritários e o centro seria amplamente vitorioso. A Democracia brasileira atual provou isto. Os partidos comunistas quase que não existem e os fascistas estão camuflados como DEM, PPS e outras preciosidades religiosas...

Mas o mundo está aí nos ensinando o tempo todo. Atualmente é o Egito que está pegando fogo. Tive que visitar meus pais, por motivos de saúde e aproveitei para levar dois livros para ler.

Curiosamente um era sobre o século vinte, “O Chalé da Memória” de Tony Judt, uma obra prima que comentarei em outra oportunidade. Mas o outro livro é mais antigo mas ironicamente é mais atual do que qualquer outro livro que tenho visto. É um livro que analisa “O Antigo Regime e a Revolução” Francesa de 1789 e o autor é Alexis de Tocqueville. Todo mundo deve ler. Parece que está falando do mundo atual, isto é, analisando 2013...

Voltando ao Egito e ao Brasil, leiam este bom artigo de Clovis Rossi. É a única pessoa na imprensa que está tendo coragem de abordar o assunto com seriedade. Os principais articulistas preferem o Golpe Militar e Civil no Egito à Democracia que elegeu pela primeira vez um muçulmano como presidente de um país islâmico.

No Brasil, e na imprensa, tem muita gente estimulando que também se dê um golpe, militar ou jurídico, para acabar com a hegemonia popular e voltar ao neoliberalismo onde os pobres voltarão a morar nas periferias e pararem de viajar de avião.

Clovis Rossi ainda vive e continua humanista. Pena que estamos ficando velhos...

A inaceitável caça ao islamismo

Interditar a via eleitoral a partidos islâmicos
só pode dar certo se se aceitar ditaduras

Folha – Clovis Rossi – 07/07/2013

O golpe no Egito reabriu a temporada de caça aos islamitas, do que dá prova a prisão não apenas do presidente Mohammed Mursi --presidente legítimo, é sempre bom deixar claro--, mas também de um punhado de lideranças de seu partido e da Irmandade Muçulmana, a matriz de todos os grupos islâmicos no Oriente Médio.

É não apenas condenável como cria o risco, se se estender, de marginalizar a participação político-eleitoral de mais ou menos um quarto da população mundial, a que é seguidora do islã.

No caso específico do Egito, movimentos islâmicos ficaram nos dois primeiros lugares na eleição parlamentar, a primeira democrática na história do país: o Partido Justiça e Liberdade, braço eleitoral da Irmandade, levou 43,4% dos votos, enquanto o mais radical Al-Nour recebeu 21,8% da preferência.

Portanto, dois terços dos egípcios confiam nos partidos de fundo islâmico. É verdade que o Al-Nour juntou-se aos protestos contra Mursi, mas não por discordar de seu islamismo e, sim, para aproveitar o desgaste do presidente para "tomar a dianteira junto ao segmento islamita da população", como escreve Nathan Brown, do Programa de Oriente Médio do Instituto Carnegie.

Derrubar Mursi pode ter sido festejado pelos liberais laicos que a ele se opunham, mas manter a Irmandade longe do poder só se alcançará se o Egito continuar sendo a ditadura que sempre foi, exceto nos últimos 12 meses.
Veja-se, por exemplo, a análise de Avi Issacharoff para o sítio "The Times of Israel", país que acompanha com lupa tudo o que ocorre nos vizinhos e, geralmente, tem uma percepção mais aguda do que no Ocidente mais distante:

"O movimento [a Irmandade Muçulmana] permanece o maior e mais forte corpo político no Egito. De fato, se outra eleição presidencial fosse realizada hoje, a Irmandade ainda teria a melhor chance de vencer."

Além de indecente, o golpe não resolve, como é óbvio, os problemas que minaram a gestão Mursi.
Escreve, por exemplo, Marc Lynch (George Washington University):

"Ninguém deveria celebrar um golpe militar contra o primeiro presidente egípcio livremente eleito, não importa quanto ele tenha fracassado ou quanto se odeie a Irmandade Muçulmana. Tirar Mursi do campo não chegará nem perto de enfrentar as falhas que infernizaram a catastrófica transição egípcia nos últimos dois anos e meio. A intervenção militar é uma admissão do fracasso de toda a classe política egípcia, e os que agora celebram provavelmente já sabem que eles podem logo mais arrepender-se do golpe."

Interditar o islamismo, teme o sítio geoestratégico Stratfor, pode levar grupos mais radicais "a abandonar a política convencional em favor da luta armada", como de resto aconteceu na Argélia, nos anos 90, em circunstâncias parecidas.
Tudo somado, a melhor lição do que é democracia vem justamente dos perseguidos islamitas, em editorial de seu jornal marroquino, "At Tajdid": "A história demonstra que os islamitas voltam sempre. A solução é dar aos cidadãos o direito de castigá-los ou premiá-los [nas urnas]".
crossi@uol.com.br



Postado por GILMAR CARNEIRO às 20:43

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Vítimas de uma guerra suja, chamada “Lava Jato”

Quando a propaganda vale mais do que a verdade

Já diziam os pesquisadores: “Na guerra, a primeira vítima é a verdade.”

Todo mundo de bom senso sabe que a operação Lava Jato
foi criada para impedir Lula de ser eleito presidente


Todo mundo também sabe que a história do Brasil é uma história de violência, transgressões, corrupção, roubos, assassinatos e manipulações da imprensa e dos livros escolares. Todo mundo ainda sabe que o Judiciário existe em função dos ricos e da classe dominante no aparelho do Estado. Todo mundo, com tristeza, sabe que as Forças Armadas e a estrutura militar com as guardas estaduais, a polícia civil e a polícia federal são usadas contra os trabalhadores do campo e da cidade, como forma de manter a dominação rural e urbana.

Toda guerra deixa seus mutilados, traumatizados, falidos e abandonados pelos vencedores e pelos vencidos... Um grupo de bons jornalistas e profissionais, juntou-se à Agência Pública e contou com a divulgação nos movimentos populares e sindicais de 16 casos de pessoas que foram violentadas na forma e no conteúdo, como forma de intimidar aqueles que denunciaram o impeachment como mais um golpe de Estado no Brasil e na América Latina, golpe este coordenado pelos Estados Unidos e seus prepostos no Brasil e no mundo.

Resolvemos divulgar na íntegra os 16 casos apresentados pelo belo documentário da Agência Pública. O tempo vai provar, mais uma vez, que estamos e estávamos certos e que, em vez de usar as armas e o aparelho de Estado para derrubar este novo tipo de ditadura, buscaremos fortalecer nossa aliança com o povo brasileiro e internacional, objetivando consolidar novas experiências de governos democráticos e participativos. É preciso estar atento e forte...

“Condenados por Moro, absolvidos pelo Tribunal“

A Pública levantou os 16 casos de absolvições em segunda instância da Lava Jato e acompanhou o impacto da condenação na vida de três desses réus

Publicado: 21 Janeiro, 2020 - 12h47
Escrito por: Guilherme Henrique, Agência Pública
Marcelo Camargo/Agência Brasil e Home CUT - Central Única dos Trabalhadores
Dados inéditos obtidos pela Agência Pública revelam que 15 réus condenados por Moro foram absolvidos

“A única coisa que ouvi foi o cachorro latindo, mas de um jeito diferente. Abri a varanda e vi que ele estava assustado. Quando eu saí do quarto, ouvi a campainha da cozinha, da porta da sala e pessoas forçando a maçaneta. Num primeiro momento, achei que fosse assalto, porque faziam muita força. Fui até a porta e perguntei que estava acontecendo, e uma voz respondeu: ‘Aqui é a Polícia Federal [PF], abra imediatamente’. Estava de cueca [era 6h30 da manhã], é constrangedor. Fui me vestir e fizeram uma busca e apreensão na minha casa, levaram computador, celular, pastas, tudo que tinha da OAS. Minha esposa estava grávida de cinco meses. Reviraram tudo e pediram para que eu os acompanhasse”, relembra hoje Fernando Augusto Stremel Andrade, ex-gerente de gasoduto da OAS.

Acusado de envolvimento no esquema de corrupção da empresa, como o então presidente da empreiteira Léo Pinheiro e os diretores Agenor Franklin Medeiros e Matheus Coutinho, o ex-gerente foi conduzido coercitivamente para a PF na sétima fase da Operação Lava Jato, denominada Juízo Final, no dia 14 de novembro de 2014. Foi liberado em seguida, mas em 5 de agosto de 2015 foi condenado a quatro anos de prisão em regime aberto por lavagem de dinheiro.

“O [Sergio] Moro achou que eu, com a função que tinha, deveria saber o que estava acontecendo. A noção para quem está de fora pode ser essa, mas não é isso que ocorre na obra”, afirma sobre a condenação. Absolvido em segunda instância por falta de provas em 27 de novembro de 2016, ele não conseguiu mais se recolocar no mercado de trabalho. “Estou marcado pela Lava Jato. A maioria das empresas tem o setor compliance. Não passa, cara, mesmo com a minha absolvição por 3 a 0. Fui condenado, acusado de corrupção, e as pessoas questionam. Não tem o que fazer”, lamenta.

Stremel Andrade foi um dos 15 réus condenados pelo ex-juiz Sergio Moro absolvidos pelo Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre (RS), segundo dados obtidos com exclusividade pela Agência Pública. Como ele, muitos tiveram suas vidas impactadas por sentenças proferidas na 13ª Vara Federal, de Curitiba, mesmo depois de terem sido anuladas em segunda instância pelos desembargadores João Pedro Gebran Neto, Carlos Eduardo Thompson Flores e Leandro Paulsen.

Foi assim com Maria Dirce Penasso, cirurgiã dentista aposentada, à época com 66 anos, residente em Vinhedo, interior de São Paulo. A pacata vida da senhora foi revirada do avesso ao ter seu nome atrelado à Lava Jato, no dia 17 de março de 2014, na primeira fase da operação, quando sua casa foi alvo de busca e apreensão. Acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Maria Dirce foi condenada por Moro a dois anos, um mês e dez dias de prisão (depois comutada para prestação de serviço à comunidade).

O motivo: sua filha, a doleira Nelma Kodama, abriu uma conta em seu nome em Hong Kong, que teria sido usada para movimentar dinheiro de corrupção. Maria Dirce, que sempre alegou desconhecimento das transações de Nelma, foi absolvida pelo TRF4 em dezembro de 2015, pouco mais de um ano depois da condenação. Além da decepção com a filha, sobraram sequelas da operação, segundo o seu advogado, Eduardo Pugliesi Lima. “Ela tinha uma conta no mesmo banco há 30, 40 anos. Quando foi acusada, começaram a dificultar tudo, para fazer qualquer tipo de movimentação. Já tinha mais de 70 anos, não precisava passar por isso”, conta Pugliesi Lima.

Saga mais complexa é a do gerente do Posto da Torre, André Catão de Miranda, preso no dia 17 de março de 2014, na primeira fase da Lava Jato. Foi essa prisão que inaugurou e batizou a operação – em referência ao lava-jato do posto. Catão foi preso temporariamente como suspeito de integrar uma organização criminosa liderada por seu patrão, o doleiro Carlos Habib Chater. Há 11 anos ele era gerente financeiro do posto e movimentava as contas de Chater, o que lhe valeu uma condenação por lavagem de dinheiro da qual foi absolvido pelo TRF4 em setembro de 2015. Em 2018, o administrador foi novamente condenado por Moro – dessa vez por supostamente pertencer a uma organização criminosa – em um dos últimos atos do juiz na 13ª vara antes de assumir o Ministério da Justiça do governo de Jair Bolsonaro. Ele aguarda o recurso ser julgado no TRF4.

Abandonado pela OAS

Engenheiro formado pela PUC do Paraná em 1985, com pós-graduação em engenharia de dutos desde 2007, Fernando Augusto Stremel Andrade, o ex-gerente de gasoduto da OAS tem currículo de executivo de primeira linha. Antes de trabalhar na OAS, foi funcionário na Petrobras, onde permaneceu entre 1998 e 2007, com a responsabilidade de avaliar a viabilidade técnica e econômica de empreendimentos da empresa no setor de gasoduto. Foi a Petrobras que o indicou para trabalhar na OAS, na construção de um gasoduto no Amazonas, o Urucu-Coari-Manaus, inaugurado em novembro de 2009 e recentemente vendido junto com 90% da Transportadora Associada de Gás S.A. (TAG) para um grupo empresarial que reúne a francesa Engie e o fundo canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ), por US$ 8,6 bilhões (cerca de R$ 33 bilhões), em abril do ano passado.

Em 2010, Stremel Andrade foi deslocado para Alagoas, dessa vez para trabalhar na concepção do gasoduto Pilar-Ipojuca. Um ano depois, assinou um contrato representando a OAS com a empreiteira Rigidez, pertencente a Alberto Youssef, no valor de R$ 1,8 milhão. Os problemas começaram aí.

“Não vou dizer que fui obrigado, mas a OAS me orientou a assinar o contrato para uma divisão de dividendos e participações. É uma divisão interna dos lucros de uma obra, mas eu não imaginava que isso ia para um agente público ou para a Petrobras. Eu era um funcionário operacional”, justifica Stremel Andrade. “Você pode me perguntar: ‘Pô, o Léo Pinheiro, Agenor, não participava de reunião com você?’. Sim, todo mês a gente se reunia, mas nós falávamos do avanço físico de obra, de rentabilidade”, afirma Fernando, que nem sonhava em ver sua casa invadida pela PF como aconteceu em novembro de 2014.

Ele lembra que foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento na PF em uma sexta-feira e, na segunda, já estava de volta ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), para onde havia sido deslocado pela OAS em 2013. Ali supervisionava a construção da adutora que vai levar o lixo químico tratado de uma das refinarias da Petrobras até Maricá para ser despejado 3 km adiante no mar. “Minha equipe veio conversar comigo para saber o que havia acontecido. Ninguém esperava essa situação. Trabalhei normal, administrando esse problema e a continuidade da obra. Até a sentença, que foi em meados de 2015, era um sufoco, porque ia para Curitiba, tinha audiência de acusação, defesa”, relembra.

Questionado sobre por que preferiu ficar em silêncio no depoimento a Sergio Moro, o ex-executivo da OAS afirma que “essa era uma estratégia da empresa”. “Antigamente, se condenado na segunda instância, você não ia preso. O acordo era não falar absolutamente nada, porque eu poderia ser condenado em segunda instância e, até chegar no STJ, ia demorar mais 10, 15 anos, todo mundo já ia ter mais de 70 anos. Isso mudou a partir do momento que a segunda instância começou a prender.”

Entre setembro de 2015 e abril de 2016, Stremel Andrade permaneceu afastado, sem exercer nenhuma função na OAS, ainda que recebendo salário. Quando retornou ao cotidiano da empresa, ele relata que permaneceu marginalizado. “Eu não tinha nem mesa para trabalhar”, conta. O executivo não era mais convocado para reuniões e tampouco sabia de detalhes operacionais da companhia.

Meses depois, em novembro de 2016, foi absolvido por unanimidade pelos três desembargadores do TRF4. Nenhum dos delatores da OAS havia citado seu nome ao falar sobre as irregularidades encontradas pela força-tarefa. “Foi um alívio e achei que tudo ia voltar a ser como era antes, mas isso não aconteceu”, lembra o engenheiro, que continuou a se sentir escanteado no trabalho.

Em março de 2018, foi demitido “de maneira fria e calculista” pela OAS sem receber FGTS, férias proporcionais nem rescisão trabalhista, o que teria acontecido também com outros funcionários da construtora. Segundo ele, a cúpula da empresa “ficou chateada” com o depoimento de um dos delatores da empresa, o ex-diretor financeiro Mateus Coutinho de Sá Oliveira, dizendo que a empresa havia prometido indenizar os diretores que concordassem em fazer a delação premiada. “Os acionistas se sentiram traídos. Desde 2018 ninguém recebe mais nada”, diz.

Stremel Andrade diz que pediu uma compensação para se “reerguer”, movendo uma ação trabalhista contra a OAS no valor de R$ 4,4 milhões. São 50 salários por danos morais, R$ 385 mil por 138 dias de férias não gozadas e mais R$ 600 mil pela rescisão do contrato de trabalho – o que ainda não recebeu. Sem emprego, ele ainda sente o peso da condenação. “Não é mais a mesma coisa. Irmãos e os parentes mais próximos, tudo bem. Mas o restante da família tem um outro conceito de mim.”

Stremel Andrade ainda é réu em processo por improbidade administrativa em ação protocolada pela Advocacia-Geral da União (AGU), por mau uso do dinheiro público. “Como fui absolvido na ação do MPF, espero que isso conte nessa outra acusação. É uma agonia sem fim.”

A Pública entrou em contato com a OAS, que, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que “sobre os temas rescisórios, a empresa acredita que encaminhará soluções definitivas nas próximas semanas”. Sobre o depoimento de Sá Oliveira, mencionado por Stremel Andrade, disse que “jamais efetuou qualquer tipo de pagamento aos ex-executivos e afirma categoricamente que nunca celebrou tal acordo mencionado”. O advogado Pedro Ivo Gricoli Iokoi, responsável pela defesa de Sá Oliveira, também não quis conceder entrevista à Pública, afirmando que “Mateus é colaborador e possui cláusula de confidencialidade no acordo”.

De Vinhedo a Hong Kong

O relógio marcava 0h37 do dia 26 de novembro 2012 quando o visor do celular da doleira Nelma Kodama brilhou. Era uma ligação vinda de uma operadora do HSBC, na China.

– “Oi, aqui é a Carol, de Hong Kong DC”.
– “Sim, pode falar, aqui é Maria Dirce Penasso.”
– “Nós temos algumas perguntas para você, posso enviar um email para você dar uma olhada?”
– “Sobre qual das 961? Qual pagamento?”
– “São perguntas sobre algumas informações que precisamos, posso lhe enviar um email”
– “Ok, vamos fazer assim, porque aqui eu estou em outro país e agora é meia noite, ok? Todos os escritórios estão fechados, pode me fazer um favor, me envie um email, ok? E amanhã eu vejo o email e você me liga amanhã à noite, pode ser assim? Você entende? Porque está tudo fechado agora”.

O diálogo, em inglês, foi traduzido pela PF dois anos depois, ao investigar Maria Dirce Penasso, mãe da doleira, que era real interlocutora da conversa. “A Maria Dirce não fazia ideia dessas movimentações, era tudo em inglês. Ela, com a idade que tinha, sem saber falar outra língua, mal sabendo mexer nas funções básicas de um computador, jamais conseguiria movimentar o dinheiro de uma conta bancária em Hong Kong”, contou à Pública o advogado da dentista aposentada, Eduardo Pugliesi Lima.

O uso de seu nome pela filha em contas que movimentariam dinheiro da corrupção resultou em uma acusação do Ministério Público Federal (MPF) por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A mesma denúncia que foi feita contra a filha doleira e seu motorista particular, Cleverson Coelho de Oliveira, entre outros. Segundo o MPF, Maria Dirce teria consentido em ceder seu nome para abertura de uma conta em Hong Kong, na China, intitulada “Il Solo Tuo Limited”, e outra conta da “NGs Prosper Participações Ltda.”, uma empresa de fachada responsável pela administração de 60 apartamentos no hotel Go Inn, no Jaguaré, zona oeste da capital paulista. As duas contam serviriam para ocultar o dinheiro do esquema entre empreiteiras e a Petrobras.

No dia 22 de outubro de 2014, Maria Dirce Penasso foi condenada a dois anos, um mês e dez dias de prisão, tendo a pena sido transferida para prestação de serviço à comunidade. Além disso, Sergio Moro bloqueou os quase R$ 11 mil que estavam em sua conta quando ela teve a casa alvo de busca e apreensão. Na mesma sentença, sua filha, Nelma Kodama, foi condenada a 18 anos de prisão por Sergio Moro por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e por supostamente liderar uma organização criminosa. Considerada a primeira delatora da Lava Jato, Nelma teve sua pena reduzida para 15 anos em 2015. Em junho do ano seguinte ela passou ao regime semiaberto, com a utilização da tornozeleira eletrônica.

Em agosto de 2019, foi autorizada a retirar o aparelho ao ser beneficiada pelo indulto natalino editado por Michel Temer em 2017, que prevê o cumprimento de um quinto da pena para não reincidentes. Como Nelma já havia cumprido mais de três anos, a benesse foi concedida.
Nelma era ligada ao doleiro Alberto Youssef, um dos nomes mais conhecidos de toda a operação e um dos primeiros a aderir à delação premiada – ele foi condenado a mais de cem anos de prisão, em 12 processos, mas ficou apenas três no regime fechado. Além da relação profissional, os dois mantinham um vínculo sentimental. Por esse motivo, de acordo com o advogado de Maria Dirce, a mãe de Nelma conhecia Youssef, que frequentava sua casa. “Ela não sabia dessas transações que eles faziam. A Nelma visitava ela, mas a Dirce nunca ficou perguntando. A filha já era adulta, né? A mãe não ficava questionando sobre os afazeres dela”, diz o advogado.

Em dezembro de 2015, Maria Dirce foi absolvida pelo TRF4 de todas as acusações que constavam no processo em que havia sido condenada por Moro. “Quando chega em um tribunal, com outros três desembargadores, tudo muda, porque eles podem colocar outra visão. A Maria Dirce provou, através do imposto de renda, que tudo que ela tem foi conquistado pelos anos de trabalho como celetista. Não houve elevação da renda ou do patrimônio nos últimos anos”, conta Pugliesi Lima.

Maria Dirce não quis conversar com a Pública “para não reviver uma história que prefere esquecer”, de acordo com o advogado.

Duas condenações, uma absolvição

Também o ex-gerente administrativo André Catão de Miranda diz ter sido pego de surpresa por acusações que desconhecia. Ele e outras pessoas ligadas ao Posto da Torre foram presos em março de 2014 em decorrência do mesmo processo que condenou o dono do posto, o doleiro Carlos Habib Chater, apontado como líder e executor de crimes financeiros. Por realizar operações de câmbio e pagamentos a mando do patrão, consideradas irregulares pelo MPF, ele foi detido em Brasília e transferido para a Casa de Custódia de São José dos Pinhais, no Paraná, onde ficou preso provisoriamente por sete meses.

“Foi um tremendo desrespeito. Os dias passavam e ele lá dentro da prisão”, critica o advogado Marcelo de Moura, defensor de Miranda. “Ele era um funcionário subalterno, que recebia ordens e, se eventualmente algum ato ilícito foi praticado, aconteceu com o total desconhecimento [dele]. Ele cuidava da parte financeira, mas exclusivamente da atividade-fim, que era venda de combustível”, afirma Moura.

Para o MPF, no entanto, o gerente do posto de gasolina era responsável por fazer pagamentos em uma extensa rede de lavagem de dinheiro, que envolvia, além de seu patrão, os doleiros Alberto Youssef, Raul Henrique Srour e Nelma Kodama e um suposto traficante de drogas, René Luiz Pereira. Duas ações penais foram movidas contra o gerente, uma delas por tráfico de drogas. Nesse caso, segundo o MPF, Chater teria utilizado, com a cumplicidade de seu gerente, a estrutura do Posto da Torre para lavar US$ 124 mil provenientes da venda de cocaína na Europa.

Nos depoimentos que prestou na 13ª Vara de Curitiba, Miranda disse ter feito os pagamentos por determinação do patrão. Mas, em outubro de 2014, Sergio Moro o condenou a quatro anos de reclusão em regime semiaberto. Menos de um ano depois da condenação, em setembro de 2015, o TRF4 absolveu André e manteve as punições de René Luiz Pereira (14 anos de prisão) e Carlos Habib Chater (cinco anos). Os desembargadores Leandro Paulsen e Victor Luís dos Santos Laus apresentaram voto favorável à absolvição, enquanto o relator João Pedro Gebran Neto votou pela manutenção da condenação em primeira instância.

Segundo Paulsen, “André era um empregado de Habib, não havendo nenhum elemento que aponte qualquer enriquecimento”, disse. “O Ministério Público Federal não trouxe elementos (quebra de sigilo financeiro, fiscal, prova testemunhal ou documental) demonstrando que o réu (André) auferia recursos derivados de atividade ilícita. Também parece contrariar a lógica afirmar que Miranda coordenava todo o núcleo de operações financeiras ilícitas de Carlos Habib sem a obtenção de qualquer contrapartida específica para tanto”, afirmou o desembargador.

Apesar de absolvido, a condenação mudou a vida de Miranda para sempre, de acordo com o seu advogado: “O reparo nunca é suficiente para voltar ao ponto anterior de uma pessoa que não tinha envolvimento nenhum com atividade criminosa e é surpreendida com uma prisão, que acaba por perdurar durante sete meses. Essas máculas não podem ser reparadas, tanto do ponto de vista financeiro quanto emocional”.

Além disso, em outubro de 2018, Sergio Moro, voltou a condená-lo, dessa vez a dois anos e seis meses em regime aberto pelo crime de pertencimento a organização criminosa. De acordo com o ex-juiz, Miranda “fazia pagamentos, recebimentos e lançamentos no Sismoney, ou seja, na contabilidade informal. Não era meramente um gerente financeiro regular do Posto, mas pessoa de confiança de Carlos Habib Chater. Não se pode afirmar que não tinha conhecimento da utilização da estrutura do Posto da Torre para a prática dos crimes financeiros e dos quais aliás participava”.

A pena foi revertida para serviços comunitários, mas Miranda “ficou revoltado”, diz o seu advogado. “Ele já tem as marcas de uma prisão ilegal. Após a absolvição, ele estava reestruturando a vida aos poucos. Uma notícia pesada como essa gera a sensação de que uma nova injustiça precisa ser combatida.”

Após a primeira condenação, Miranda morou em Uberlândia e atualmente trabalha em uma empresa da família, em Brasília. A nova condenação, diz o advogado, significa uma pá de cal nos planos do ex-gerente. “O André é o tipo de cidadão que poderia atravessar a vida inteira sem entrar em uma delegacia, muito menos ser preso. As investigações mostraram que ele não tinha aparelho de comunicação restrita, possuía um apartamento adquirido com recurso próprio, utilizando fundo de garantia, e não tinha automóvel. Ele entrou no bolo de uma investigação precipitada, que geraram prisões e condenações injustas”, critica.

O recurso no TRF4 já foi protocolado e a defesa espera o julgamento, que ainda não tem data marcada. Na avaliação de Moura, a Lava Jato extrapolou limites jurídicos. “Acho que se elegeu a corrupção, que é um mal a ser combatido, como um tema que extrapola a legalidade. É como se as armas utilizadas contra a corrupção pudessem ser ilegais.”

Com ele concorda Maria Carolina Amorim, coordenadora do escritório do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) em Pernambuco. “Antes de se ver condenado, o réu é exposto pela imprensa de forma irreparável, em razão da permissividade que o Judiciário tem tido com os seus funcionários que vazam informações. Em caso de condenação, tal dano é ainda maior, motivo pelo qual deve-se exigir mais responsabilidade do julgador”, diz Maria Carolina.

Outros casos

Além dos já citados Fernando Stremel, Maria Dirce e André Catão de Miranda, há outras 12 pessoas – entre elas o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que teve duas condenações anuladas pelo TRF4. A primeira, de setembro de 2015, em que foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, foi revogada em 2017. Em outra ação penal, envolvendo a empresa Engevix, a condenação a nove anos de prisão foi anulada por insuficiência de provas. Em contato com a Pública, o advogado Luiz Flávio D’Urso afirmou que Vaccari “se vê injustiçado, pois somente fez o que lhe competia como tesoureiro do partido: pedia doações legais para o PT, sempre por depósito bancário e com recibo, jamais recebeu recursos em espécie. Ele foi um símbolo, um troféu”, afirmou o advogado.

Veja os outros casos em que as sentenças de Moro foram revistas pelo TRF4:

Mateus Coutinho de Sá Oliveira: condenado a 11 anos de prisão em agosto de 2015, aderiu à delação premiada e foi absolvido um ano depois. Ele era diretor financeiro da OAS e foi apontado pelo MPF como um dos responsáveis pelo departamento de propinas da empreiteira.

André Luiz Vargas Ilário: ex-deputado federal (PT) foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão em regime fechado por lavagem de dinheiro e absolvido no ano passado pelo TRF4. Foi condenado em outras duas ações da Lava Jato: seis anos em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma empresa fornecedora de softwares, e 14 anos e quatro meses de prisão, em 2015, também por lavagem de dinheiro. As condenações foram mantidas em segunda instância, mas, como ele já havia cumprido parte da pena quando foi preso preventivamente, está em liberdade condicional e com algumas restrições.

Leon Vargas Ilário: foi absolvido junto com irmão, André Vargas, no mesmo processo por lavagem de dinheiro. Em outubro do ano passado, na ação penal envolvendo o esquema de softwares, que também afetou o ex-deputado André Vargas, Leon teve a pena reduzida pelo TRF4 de cinco anos, para quatro anos, nove meses e 18 dias em regime semiaberto.

Fernando Schahin: executivo do Grupo Schahin, recebeu condenação, em setembro de 2016, de cinco anos e quatro meses de prisão, por corrupção ativa, envolvendo benefícios em uma licitação da Petrobras para operação do navio-sonda Vitória 10.000 e empréstimos concedidos ao pecuarista José Carlos Bumlai. Foi absolvido em maio de 2018. Em outro processo, que também aponta irregularidades na construção e operação dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000, Fernando teve a pena reduzida para pouco mais de cinco anos.

Agosthilde Mônaco: assessor do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, foi absolvido da condenação de 2017 pelo crime de lavagem de dinheiro proveniente de contratos dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000. Foi, no entanto, denunciado outra vez pelo MPF, dessa vez por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na negociação da compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras. O processo se encontra na fase de oitiva de testemunhas.

José Carlos Costa Marques Bumlai: pecuarista e empresário apontado pelo MPF como responsável pela realização de reformas no sítio de Atibaia. Foi condenado a uma pena de três anos e nove meses de reclusão na primeira instância, mas absolvido pela Oitava Turma por ausência de provas em novembro do ano passado. Ele foi condenado também, dessa vez a nove anos e dez meses de prisão, por gestão fraudulenta de instituição financeira e corrupção, no mesmo caso que envolve o Banco Schahin e navios-sonda da Petrobras. Cumprindo prisão domiciliar, foi beneficiado com a retirada da tornozeleira eletrônica após novo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre prisão em segunda instância, em novembro do ano passado.

Emyr Diniz Costa Júnior: diretor de contratos da construtora Norberto Odebrecht. Supervisionou a obra de reforma do sítio de Atibaia, que tem como principal alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Emyr foi condenado a três anos de reclusão por Sergio Moro, mas foi absolvido pelo TRF4, no dia 27 de novembro de 2019, por ausência de provas.

Roberto Teixeira: advogado e amigo do ex-presidente Lula, também foi acusado de envolvimento no processo do sítio de Atibaia. Ele teria ocultado documentos que demonstrariam a ligação da OAS com a reforma, além de orientar engenheiros da empreiteira a celebrar contratos fraudulentos com Fernando Bittar, um dos proprietários do sítio. Teixeira foi condenado a dois anos de reclusão na primeira instância, mas foi absolvido por ausência de provas.

Paulo Roberto Valente Gordilho: diretor técnico da OAS, era o encarregado da reforma do sitio de Atibaia. Foi condenado a um ano de reclusão por Sergio Moro, mas foi absolvido pelo TRF4 por ausência de provas.

Isabel Izquierdo Mendiburo Degenring Botelho: agente do banco Société Générale no Brasil, foi acusada de auxiliar a abertura de contas em offshores pelo mundo de ex-diretores da Petrobras, caracterizando crime de lavagem de dinheiro. Foi condenada a três anos e oito meses de prisão em novembro de 2018, mas foi absolvida na segunda instância um ano depois.

Álvaro José Galliez Novis: doleiro condenado a quatro anos e sete meses por lavagem de dinheiro em março de 2018, na mesma ação penal que envolveu o ex-presidente do Banco Central Aldemir Bendine. Em agosto do ano passado, foi beneficiado pelo habeas corpus deferido pela Segunda Turma do STF, em agosto do ano passado, que anulou a sentença confirmada pelo TRF4 em maio de 2019.

Título: condenados por moro absolvidos pelo tribunal Agência Pública
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

China cresce, USA patina e Brasil padece

China cresce 6%;

Estados Unidos recua na produção industrial

e Brasil constata desmonte do setor industrial

O povo padece procurando emprego, reclamando do custo de vida, da saúde caríssima, com plano de saúde que mata de susto os pacientes, o povo continua com medo dos assaltantes, dos bandidos e de alguns policiais...

O Brasil está com medo...

E temos eleições municipais em mais de cinco mil municípios. Quem tiver mais dinheiro elege mais gente. Gente que vai apoiar os latifundiários, gente que vai apoiar os incendiários da Amazônia, gente que mata agricultores e sindicalistas, gente que vai aprovar os projetos de leis que defendem os interesses dos patrões...

E temos as eleições nos Estados Unidos...

Uma outra mulher é candidata contra Trump, mas também pode ser um homem do partido democrata, contra Trump que é republicano, que também gosta de mandar matar gente, invadir países e não cumprir acordos.

Manda quem pode e obedece quem tem juízo???

Onde fica a Democracia?
E a liberdade de os países escolherem seus caminhos democraticamente?


Enquanto o mundo se perde em guerras e em eleições, a China trabalha como as formiguinhas...
Nem só de pão vive o homem, mas ninguém consegue sobreviver sem ele. Sem emprego, trabalho e renda ninguém sobrevive. Sem escolaridade de qualidade não há modernização nem competitividade internacional.

A China está ocupando todos os espaços econômicos internacionais. Seus produtos têm preços e isenções tributárias que concorrem com todos os países, promovendo uma espécie de dumping mundial. Enquanto os Estados Unidos gastam bilhões de dólares por ano em guerras inúteis, enquanto a Rússia se credencia como alternativa militar aos Estados Unidos, a China se credencia como provedora do mundo, sem falar em política, sem fazer guerra militar, nem pregar o fim do mundo...

Vamos nos unir para refletir sobre estas questões acima...
Vamos resistir à destruição da Terra, das águas e dos animais.

A Terra é nossa Pátria!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Neoliberalismo sem democracia, ou com "big stick"


Faça o que eu digo, não faça o que eu faço...

Nos filmes americanos sobre como as pessoas ficaram ricas, é comum ouvir que para ser rico na atualidade, os antepassados tiveram que matar índios, matar muitos alemães nas duas guerras mundiais, matar muitos mexicanos e matar também muitos latino-americanos , além de fazer algumas mutretas e roubos, é claro...

O império americano, além de se impor pela violência, precisou dar uma dimensão globalizada ao cinema, à música e até a ida à LUA...
Como pai do neoliberalismo econômico, sem espaço para a democracia nem para a liberdade, os governantes americanos, incluindo os empresários, patrocinam teóricos e estudiosos para elaborarem teorias que justifiquem e engrandeçam a economia, como questão fundamental para a humanidade.

Vejam este exemplo:

Brasil tem maior concentração de renda do mundo entre o 1 ...
https://brasil.elpais.com › Planeta Futuro › Internacional

14 de dez. de 2017 - Quase 30% da renda do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos habitantes do ... 2018, coordenada, entre outros, pelo economista francês Thomas Piketty. ... Medeiros, Pedro Ferreira de Souza e Fábio Castro a partir de 2014. ... de riqueza e renda) aponta que o 1% mais rico do Brasil detinha 27,8% da ...

O livro acima é muito interessante e merece ser estudado por todos.
O artigo abaixo, de Monica de Bolle, também merece ser bem analisado.


Ah, o liberalismo...


Como qualquer outra filosofia ou pensamento, o liberalismo deve evoluir e mudar com o passar do tempo

Monica De Bolle*, O Estado de S.Paulo
15 de janeiro de 2020 | 04h00
Não há nada mais libertador do que possuir algum conhecimento sobre a história econômica. Ela ajuda a remover amarras ideológicas, pensamentos pré-fabricados, noções equivocadas.

Em um mundo em que dogma e fé reinam supremos sobre a ciência e fatos,
a história está lá, registrada, para revelar que nenhum modelo econômico atravessa a história intocado pela mudança social.
Se atravessa assim é porque o trabalho de reavaliar conceitos em épocas de profundas mudanças não está sendo feito, e isso em nome de algo. É preciso perguntar então: em nome do quê? A resposta depende do país e das circunstâncias.

Tomemos o caso brasileiro.
Reina no País visão pueril do liberalismo, uma visão vitoriana, digamos.
A Inglaterra do século 19 é a referência histórica para parte desse puritanismo, ainda que os que defendem a visão vitoriana não o façam conscientemente.
A Inglaterra vitoriana é o exemplo mais puro do laissez-faire, da atuação da mão invisível dos mercados, o berço do liberalismo em sua forma castiça. Ao menos, essa é a maneira como muitos enxergam o país em que a filosofia de Adam Smith, de David Ricardo, de John Stuart Mill foi testada com estrondoso sucesso.

A história econômica sustenta a tese?
Ou teria a ilha(Inglaterra) flertado com o protecionismo e o nacionalismo econômico no alvorecer do liberalismo?

A história econômica mostra que o que houve foi muito mais do que um flerte.
A Inglaterra abraçou o protecionismo com vigor por 31 anos, de 1815 a 1846. O enredo é fascinante.
Em 1815, a economia britânica se recuperava das guerras napoleônicas.
Durante a guerra, barreiras de todo tipo foram erguidas para evitar que a ilha sucumbisse ao continente; entre elas, uma proteção maciça ao comércio de grãos e outros produtos agrícolas. Tarifas elevadas aplicadas a esses produtos conferiram ganhos aos produtores e donos das terras, já que os preços subiram significativamente.

Quando a guerra acabou, a pressão para que o protecionismo não fosse eliminado foi enorme e o Partido Conservador, representante dos grandes latifundiários, sucumbiu. As Leis dos Cereais entraram em vigor em 1815 e se mantiveram vigentes por três décadas. Durante esse período, o mercado britânico para determinados grãos ficou completamente fechado, para espanto dos seguidores de Smith e Ricardo.

Economias essencialmente agrárias e periféricas, como os EUA e o Zollverein – o conjunto de regiões que viriam a formar a Alemanha, mas que então funcionavam sob uma união aduaneira – já não podiam exportar para o centro da economia global.

Seguindo o pensamento de Alexander Hamilton e Friedrich List, sabemos que os países emergentes da época não viram outra saída para o próprio desenvolvimento senão abandonar o livre-comércio e adotar práticas de substituição de importações para se industrializar.

Quando o Partido Conservador britânico rachou em 1846, produzindo a revogação das Leis dos Cereais, os EUA e as regiões do Zollverein haviam conseguido erguer algumas indústrias internacionalmente competitivas, como a têxtil. Assim,

quando a Inglaterra resolveu pôr fim à sua era protecionista, seu setor de manufaturas já não tinha mais o monopólio global em diversos produtos.

Essa situação haveria de se agravar nas próximas duas décadas, época em que os preços dos grãos e cereais também seriam impactados negativamente. Ou seja, não só a indústria britânica estaria em situação menos privilegiada do que antes da adoção das Leis dos Cereais, como também os setores agrícolas estariam sofrendo com os preços em declínio. Não é surpresa, portanto, que às vésperas da unificação alemã, em 1871, o debate sobre as vantagens do protecionismo na terra de David Ricardo estivesse novamente a pleno vapor.

Há várias maneiras de interpretar as escolhas do Reino Unido no século 19.

Uma delas é afirmar que o protecionismo acabou dando impulso à industrialização na periferia à época, prejudicando a Inglaterra, o que é em parte verdade. Contudo, a industrialização desses países ocorreria mais cedo ou mais tarde com ou sem as Leis dos Cereais. Outra maneira, mais controvertida, é afirmar que a ilha do liberalismo castiço errou ao abandonar o protecionismo agrícola.

Afinal, se tivesse mantido as restrições ao comércio teria ao menos preservado uma parte de sua economia. Não tenho lado nem tese nessa história. Conto-a apenas para que os leitores tenham claro que o liberalismo teórico, sobretudo o puritano, é muito diferente na prática.

Conto-a para ilustrar de forma indireta o equívoco cometido por muitos no Brasil de amarrarem-se a ideias sem entender o contexto em que as medidas por elas suscitadas haverão de ter lugar e sem compreender que,

como qualquer outra filosofia ou pensamento, o liberalismo (também) deve evoluir e mudar com o passar do tempo.

* ECONOMISTA, PESQUISADORA DO PETERSON INSTITUTE FOR INTERNATIONAL ECONOMICS E PROFESSORA DA SAIS/JOHNS HOPKINS UNIVERSITY


Ah, o liberalismo...
Como qualquer outra filosofia ou pensamento, o liberalismo deve evoluir e mudar com o passar do tempo

Monica De Bolle*, O Estado de S.Paulo
15 de janeiro de 2020 | 04h00
Não há nada mais libertador do que possuir algum conhecimento sobre a história econômica. Ela ajuda a remover amarras ideológicas, pensamentos pré-fabricados, noções equivocadas.

Em um mundo em que dogma e fé reinam supremos sobre a ciência e fatos,
a história está lá, registrada, para revelar que nenhum modelo econômico atravessa a história intocado pela mudança social.
Se atravessa assim é porque o trabalho de reavaliar conceitos em épocas de profundas mudanças não está sendo feito, e isso em nome de algo. É preciso perguntar então: em nome do quê? A resposta depende do país e das circunstâncias.

Tomemos o caso brasileiro.
Reina no País visão pueril do liberalismo, uma visão vitoriana, digamos.
A Inglaterra do século 19 é a referência histórica para parte desse puritanismo, ainda que os que defendem a visão vitoriana não o façam conscientemente.
A Inglaterra vitoriana é o exemplo mais puro do laissez-faire, da atuação da mão invisível dos mercados, o berço do liberalismo em sua forma castiça. Ao menos, essa é a maneira como muitos enxergam o país em que a filosofia de Adam Smith, de David Ricardo, de John Stuart Mill foi testada com estrondoso sucesso.

A história econômica sustenta a tese?
Ou teria a ilha(Inglaterra) flertado com o protecionismo e o nacionalismo econômico no alvorecer do liberalismo?

A história econômica mostra que o que houve foi muito mais do que um flerte.
A Inglaterra abraçou o protecionismo com vigor por 31 anos, de 1815 a 1846. O enredo é fascinante.
Em 1815, a economia britânica se recuperava das guerras napoleônicas.
Durante a guerra, barreiras de todo tipo foram erguidas para evitar que a ilha sucumbisse ao continente; entre elas, uma proteção maciça ao comércio de grãos e outros produtos agrícolas. Tarifas elevadas aplicadas a esses produtos conferiram ganhos aos produtores e donos das terras, já que os preços subiram significativamente.

Quando a guerra acabou, a pressão para que o protecionismo não fosse eliminado foi enorme e o Partido Conservador, representante dos grandes latifundiários, sucumbiu. As Leis dos Cereais entraram em vigor em 1815 e se mantiveram vigentes por três décadas. Durante esse período, o mercado britânico para determinados grãos ficou completamente fechado, para espanto dos seguidores de Smith e Ricardo.

Economias essencialmente agrárias e periféricas, como os EUA e o Zollverein – o conjunto de regiões que viriam a formar a Alemanha, mas que então funcionavam sob uma união aduaneira – já não podiam exportar para o centro da economia global.

Seguindo o pensamento de Alexander Hamilton e Friedrich List, sabemos que os países emergentes da época não viram outra saída para o próprio desenvolvimento senão abandonar o livre-comércio e adotar práticas de substituição de importações para se industrializar.

Quando o Partido Conservador britânico rachou em 1846, produzindo a revogação das Leis dos Cereais, os EUA e as regiões do Zollverein haviam conseguido erguer algumas indústrias internacionalmente competitivas, como a têxtil. Assim,

quando a Inglaterra resolveu pôr fim à sua era protecionista, seu setor de manufaturas já não tinha mais o monopólio global em diversos produtos.

Essa situação haveria de se agravar nas próximas duas décadas, época em que os preços dos grãos e cereais também seriam impactados negativamente. Ou seja, não só a indústria britânica estaria em situação menos privilegiada do que antes da adoção das Leis dos Cereais, como também os setores agrícolas estariam sofrendo com os preços em declínio. Não é surpresa, portanto, que às vésperas da unificação alemã, em 1871, o debate sobre as vantagens do protecionismo na terra de David Ricardo estivesse novamente a pleno vapor.

Há várias maneiras de interpretar as escolhas do Reino Unido no século 19.

Uma delas é afirmar que o protecionismo acabou dando impulso à industrialização na periferia à época, prejudicando a Inglaterra, o que é em parte verdade. Contudo, a industrialização desses países ocorreria mais cedo ou mais tarde com ou sem as Leis dos Cereais. Outra maneira, mais controvertida, é afirmar que a ilha do liberalismo castiço errou ao abandonar o protecionismo agrícola.

Afinal, se tivesse mantido as restrições ao comércio teria ao menos preservado uma parte de sua economia. Não tenho lado nem tese nessa história. Conto-a apenas para que os leitores tenham claro que o liberalismo teórico, sobretudo o puritano, é muito diferente na prática.

Conto-a para ilustrar de forma indireta o equívoco cometido por muitos no Brasil de amarrarem-se a ideias sem entender o contexto em que as medidas por elas suscitadas haverão de ter lugar e sem compreender que,

como qualquer outra filosofia ou pensamento, o liberalismo deve evoluir e mudar com o passar do tempo.

* ECONOMISTA, PESQUISADORA DO PETERSON INSTITUTE FOR INTERNATIONAL ECONOMICS E PROFESSORA DA SAIS/JOHNS HOPKINS UNIVERSITY

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Terrorismo de Estado e dos Patrões

O quê é "Terrorismo de Estado"?

Ouvindo as "informações e desinformações" apresentadas pela Globo, particularmente quando a Globo ainda insiste em manter a versão americana de que Bush teve que invadir o Iraque contra Sadam Russein porque este tinha bombas atômicas e outras mais e que seriam utilizadas contra os Estados Unidos...

Fiquei pensando... A Globo é ignorante ou é servil intencionalmente?

Dei uma olhada no noticiário da imprensa e também vi que parcela dos procuradores ainda insistem em condenar Lula. Se já passaram as eleições e a direita já elegeu seu louquinho, não há mais necessidade de ficar provocando Lula. Este pessoal conservador e oportunista ainda não se deu conta de que foram usados pela direita e pelos fascistas... Descartáveis, insistem em achar que são "o novo poder de fato".

Ao chegar em casa vi outra notícia criminosa:

"Petrobrás quer fechar refinaria no Paraná e demitir mais de mil funcionários"

A Petrobrás já foi um dos melhores empregos no Brasil
A Petrobrás já foi uma das melhores empresas do mundo!
a Petrobrás conseguiu fazer o "pré-sal", uma das coisas mais importantes no mundo...

E este governo mercenário quer fechar a refinaria e entregar mais uma parte da empresa para o setor privado.

Que desmoralização do Brasil.

Os empregados da Petrobrás vão reagir.

Mas o maior interessado na Petrobrás devem ser os brasileiros e brasileiras...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Trump joga na confusão

Imprensa mais confunde que esclarece

Ainda não vi um artigo bem feito sobre o assassinato do general do Irã

O que se aprende é que não há limites para se matar...

O mundo vai se fechando para diminuir os riscos de novos atentados.

Ao afetar a segurança, afeta também a economia e o custo de vida.

A tendência é aumentar o desemprego e a inflação.

Já estamos em 2020

Quando teremos eleições no Brasil, nos Estados Unidos e outros EMOCR
Vamos aguardar os desdobramentos da guerra não declarada

Vamos economizar, estocar comida, quando possível.

Vamos fazer nossa parte na defesa da D

Neoliberalismo no mundo

Desemprego, concentraÇao de renda, etc

Tentei copiar a foto da mãe com os filhos, mas só consegui copiar a apresentação da família.

Crises como está provocaram as grandes guerras mundiais.

Que vai acontecer em 2020?..


A fotografia Migrant Mother, de Dorothea Lange, apontada pela revista Life como uma das 100 Fotografias que Mudaram o Mundo.[1] Uma das fotos estadunidenses mais famosas da década de 1930, mostra Florence Owens Thompson, mãe de sete crianças, de 32 anos de idade, em Nipono, Califórnia, março de 1936, em busca de um emprego ou de ajuda social para sustentar sua família. Seu marido havia perdido seu emprego em 1931, e morrera no mesmo ano.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O Brasil e a América Latina continuam à venda

No começo foram os comerciantes e os religiosos

Depois vieram os militares e os mercenários para garantir a ordem;

Depois vieram os demarcadores de terras, juntamente com os advogados e escrivães para regulamentarem o acesso às terras.

Depois o que era das comunidades indígenas, coletivamente, passou a ser dos brancos que matavam e dividiam as terras entre si, individualizando as propriedades, proibindo até os animais, as aves e os peixes de circularem livremente;

Depois vieram os músicos, os pintores, os padres tudo isto para colher o conhecimento pagão ou nativo e transformá-los em criadores de uma nova arte dominada pelos brancos armados;

Depois de consolidado o poder armado, veio a hora de consolidar todos os temas acima, deixando a força das armas apenas como medida intimidadora;

No Brasil e na América Latina as multinacionais criaram seus escritórios e suas fabricas, suas indústrias, suas agriculturas e suas regras de dominação.

Hoje nos jornal Valor temos três notícias significas desta relação de dominação...

1 - Delta compra 20% da LATAM, POR 1,9 BILHÃO...

2 - Sinais do Fim da Era de Domínio dos Estados Unidos no Oriente Médio...

3 - Rússia, Irã e China ocupam os espaços abandonados pelos Estados Unidos.

Como dizem os especialistas:

Ante o silêncio da Europa, é importante lembrar que

"as turbulências no Oriente Médio e na Europa,

no fim acabam atravessando o Oceano Atlântico".



Alguns impérios duram pouco
, como o da Polônia e da Sérvia,

outros duram séculos,
como o de Roma, de Londres e dos Estados Unidos.

Mas, todos passaram...

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

FOLHA – Folhas, de 1960 a 2021 – Mudando o Brasil

A Folha, os empresários, os trabalhadores e o Brasil

O jornal Folha deste primeiro dia do ano 2020, timidamente, lá no caderno “folhacorrida”, apresenta uma longa matéria sobre a sua evolução desde sua fundação. É um artigo muito bom de ANA ESTELA DE SOUSA PINTO, muito bem feita, bem estruturada e estimuladora. Tentei copia-la para que todos tivessem acesso, mas o texto abaixo, com seus prós e seus contras, impediu a reprodução...

Todos perdemos.


Para compartilhar esse conteúdo, por favor utilize o link https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/01/folhas-da-manha-da-tarde-e-da-noite-se-uniram-sob-um-so-titulo-folha-de-spaulo-ha-60-anos.shtml ou as ferramentas oferecidas na página. Textos, fotos, artes e vídeos da Folha estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não reproduza o conteúdo do jornal em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização da Folhapress (pesquisa@folhapress.com.br). As regras têm como objetivo proteger o investimento que a Folha faz na qualidade de seu jornalismo. Se precisa copiar trecho de texto da Folha para uso privado, por favor logue-se como assinante ou cadastrado.

Uma coleção de fatos históricos,
apesar de faltarem informações relevantes


Em 1921 foi criada a primeira Folha “da Noite”.
São Paulo tinha apenas 580 mil habitantes. Menor que a quase totalidade dos bairros atuais.

Detalhe que não aparece:
A primeira guerra mundial tinha acabado em 1918, mudando o mapa do mundo...

Em 1925, foi criada a Folha “da Manhã”.
O radio ainda não se difundira e edições verpertinas eram a forma de atualizar os matutinos.

Detalhe que não aparece:
São Paulo já avançava na industrialização e nas exportações, vivendo a Belle Epoque e a “SEMANA DE 22”, que rompia com o tradicionalismo e abria-se para a modernidade.

VEIO A CRISE DE 1929 e a Revolução de 1930. A empresa proprietária posiciona-se contra a política de Getúlio Vargas e é invadida e depredada por simpatizantes de Getúlio. Já pensando em valorizar o capitalismo internacional, o jornal é comprado por um fazendeiro e comerciante...

A população de São Paulo aumentava em saltos, e já tinha pulado para 1,5 milhão de pessoas em 1940.

A terceira fase acompanhou a expansão industrial que se seguiu à SEGUNDA GUERRA MUNDIAL. A empresa jornalística trocou de mãos em 1945 e, quatro anos depois, lançou seu terceiro título, Folha “da Tarde”.

O Brasil, como grande aliado dos Estados Unidos, viu em JK, Juscelino Kubitschek, o símbolo do crescimento econômico com inclusão social. Eram os “50 anos em 5”...

A economia exigia agilidade e baixo custo... O primeiro passo foi cortar gente e ineficiências... O segundo passo foi o que completa hoje 60 anos: unificar o título, surgindo a Folha de S.Paulo.

A Folha queria se tornar menos provinciana...


Em 1961, adotou o slogan “Um jornal a serviço do Brasil”. O fantasma de Jânio Quadros já afetava a economia...

Em 1962, a empresa foi vendida aos empresários Octavio Frias e Carlos Caldeira Filho.
João Goulart era o presidente e os Estados Unidos já articulava um golpe de Estado no Brasil e outros na América Latina. Era a divisão do mundo em países controlados pelos Estados Unidos ou pela União Soviética...

Embora a brilhante jornalista autora da matéria tenha seguido o calendário até 2019, o jornal não cita nas linhas de tempo nem em artigos assuntos de extrema importância tanto para a Folha, como para os proprietários do jornal como o Brasil e o Mundo:

Negativas:
1 – Não aparece o apoio formal do jornal ao Golpe de Estado de 1964;
2 – Não aparece o apoio informal da Folha da Tarde aos torturadores e matadores do DOI-CODE e Operação Bandeirantes, AI-5 em 1968;

Positivas:

- Brilhante campanha das Diretas Já!
- Constituinte 1988;
- Eleições presidenciais Lula x Collor em 1989;
- Começo de adesão ao neoliberalismo no governo Collor,;
- Aliança conservadora contra o crescimento do PT.
- Campanha do Impeachment de Collor

Negativas:

- Campanha ostensiva para FHC em 1994 e 1998;
- Campanha contra Lula fica evidente.

Em 1999 lança o jornal AGORA, que não deu certo...
A Folha passa a ser colorida. E depois digital.

Apesar da Folha, LULA foi eleito presidente em 2002.

O jornal aumentou a pressão sobre Lula e seu governo, não conseguindo impedir o reconhecimento internacional de que Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve.

Em 2006, Lula se reelege, mesmo com pressão da direita, dos conservadores e da imprensa. Surge o “mensalão”, como pretexto para novo golpe de Estado contra o povo brasileiro.

Em 2010, Lula apoia e faz campanha para a primeira mulher como presidente do Brasil, Dilma ganha e faz um primeiro mandato mediano... as condições foram aumentando para justificar o golpe de Estado contra o PT...

O governo Dilma não soube se organizar para defender sua gestão, como fez Lula contra o mensalão.


Em 2014, contra a vontade de amplos setores do PT e da sociedade, Lula insiste em repetir o mandato com Dilma Rousseff. Mesmo a crise aumentando, Dilma é reeleita com quase “empate técnico”.

A direita lança a palavra de ordem:

Não governará e será derrubada com novo golpe de Estado. A Folha teve importante papel coordenador do golpe de Estado.
A direita internacional tenta repetir 1964, quando espalhou ditaduras por quase toda América Latina...

Em 2015 Dilma foi derrubada, o PMDB fez papel de “laranja” da direita golpista, o vice-presidente, mais uma vez, assumiu e criou as condições para eleger a extrema direita, personificada num louco chamado Jair Bolsonaro. A imprensa, liderada pela Folha e pela Rede Globo, juntamente com os golpistas no Judiciário, foram fundamentais para a direitização do aparelho de Estado.

O Brasil preferiu o retrocesso e a destruição de suas riquezas econômicas, políticas e sociais.
O Brasil passou a ser governado pela primeira vez por EVANGÉLICOS PENTECOSTAIS e paramilitares...

Como a Folha, em nasci em 1953, vivi todas as lutas políticas de 1960 para cá. Atuei nos movimentos sociais, no movimento estudantil e religioso, vim para o movimento sindical onde tive papel relevante e, como aluno da FGV em São Paulo, apoiei Suplicy para deputado estadual e Angarita para federal pelo MDB da época.

Sou assinante e leitor da Folha desde 1970 até hoje. Tivemos juntos na campanha das Diretas, juntos em muitas eleições, juntas na retomada do movimento sindical e na criação da CUT.

Porém, o fato de estarmos sempre juntos, não significa que eu não possa propor à Folha que registre no tempo as posições políticas tanto do jornal, como de seus opositores.

Vamos fazer uma grande campanha nacional
para que os brasileiros e brasileiras elejam prefeitos e prefeitas progressistas, honestos e comprometidos com o povo e com o Brasil.

A Folha pode ser o New York Times brasileiro ou até mais progressista, capitalista e pluralista que o velho e importante NYTimes...