quinta-feira, 2 de abril de 2020

Inimigo invisível e inimigos visíveis

Todos sabiam que existia um inimigo invisível e que ele estava vindo, como uma nuvem...

Quando o inimigo invisível chegava, chegava também a morte, rápida e terrível.

Como combater este inimigo invisível?

Quem são seus porta-vozes?


Tudo depende dos homens... das instituições governadas pelos homens... das empresas e instituições todas elas administradas pelos homens.

Estes estão perdidos, confusos, impotentes, ante um inimigo invisível...

Assim, vamos sentindo a presença das consequências das ações do inimigo invisível:

1 - doenças graves e mortes rápidas;

2 - quarentenas, clausuras como forma de diminuir o contágio do virus - o inimigo invisível.

3 - comércio fechado, aeroportos fechados, lazer fechado, escolas fechadas, empresas fechadas...

4 - é como se uma peste tomasse conta das cidades e estas ficassem fantasmas e intactas... não tem nem roubos...

5 - por enquanto, matam mais os mais ricos do que os mais pobres... mas o inimigo não é um hobby wood. É um assassino invisível...

Por enquanto, TODOS ESTAMOS PERDENDO.

Será que Chico Buarque descobre uma outra GENI?

Será que, se Trump, Bolsonaro e os outros maluquinhos que estão nos governos, será que, pedirem desculpas, será que o inimigo invisível vai embora?


Já que todos estamos perdendo, só conseguiremos derrotar o inimigo invisível, trabalhando juntos, ouvindo os estudiosos, os cientistas, as pessoas de bom senso. Ao mesmo tempo, unindo as comunidades, chamando os trabalhadores, os patrões e seus governos, os padres e os pastores, os artistas e os cantores. Enfim cada um dando a sua contribuição.

Nada será como antes...

Um novo mundo está se materializando. Não será o fim do capitalismo nem a vitória do comunismo.

Será a vitória do ser humano como espécie COLETIVA, mas sem perder sua INDIVIDUALIDADE.

O novo homem e a nova mulher terão mais autonomia do que tem agora, mas também terão mais responsabilidades.

Se com o descobrimento da América a Terra deixou de ser desconhecida, com a necessidade de o ser humano ter que aprender a lidar com riscos de epidemias globalizadas, ou eles atuam conjuntamente ou desaparecerão da Terra. Ricos e pobres...

Teremos que aprender a respeitar as regras básicas de educação, escolaridade, respeito as diferenças étnicas, religiosas e de gênero.

Um só mundo, com milhares de diferenças... como os peixes, as flores, os pássaros e as borboletas....

E deixará de existir a democracia representativa, será necessário praticar a democracia participativa. Como na Grécia antiga. Naquela época eram os guerreiros de lutas físicas, agora será a prioridade da inteligência, do conhecimento e ação conjunta.

A América mudou o mundo. O inimigo invisível vai mudar as pessoas...

Palavras da salvação... 

 

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Passamos de 750.000 acessos ao blog

É bom ou é pouco?

Este blog é mais lido no exterior do que no Brasil.
Hoje passamos de 750.088 acessos, por pessoas de mais de 128 países de todos os continentes.

Dentre os países, o que mais acompanha o blog são os Estados Unidos, não sei se isto é bom ou é ruim. Mas eu gosto de ser lido pelos americanos.

I love Paris, but I love USA too...

Adoro saber que tem gente na África que nos acompanha. Como tem gente na Letônia, nos Emirados Árabes, na Indonésia ou em Cingapura... Tem gente até no Vietnã e no Camboja!

E como não lembrar dos uruguaios, dos argentinos, dos holandeses, franceses e alemães?

Mas, os nossos maiores leitores atuais são os chineses... da China, de Hong Kong e de Changai...

Tem também os russos, ressabiados, tentando entender nossa diversidade...

E os muçulmanos? Fico sempre em dúvidas se a maioria que nos lê é mais universal ou mais "terrorista"?

Já no Brasil, além dos paulistas, temos os cariocas, baianos e pernambucanos...Tem a turma do futebol, a turma das fotografias e também das poesias.

Não posso esquecer do Japão!

Esposa japonesa, filha mestiça cheia de charme, cunhados e sobrinhos japoneses ou mestiços. E, se Deus quiser, iremos mais uma vez visitar as flores do Japão.

Eu gostaria muito que o Facebook acabasse com esta história de por limite de amigos em 5 mil amigos. Eu quero ter milhões de amigos!

E como agora meu leitor em primeiro lugar são os chineses, eu quero ter um bilhão de amigos...

E vamos ver qual será o "Novo Mundo" que surgirá depois deste virus que parou o mundo e obrigou os poderosos a pedir ajuda.

O Renascimento foi lindo e fundamental, mas, com certeza, o descobrimento da América foi decisivo para mudar os hábitos alimentares, estimular a mistura das raças, fazendo aparecer as coisas lindas dos negros e negras, como a música, o esporte e a sensualidade...

E os chineses passaram pela América antes de Colombo e antes dos ingleses. Já pensaram se as Américas fossem dos chineses? O mundo estaria cheio de gente com os olhos puxadinhos e estudando Confúcio...

Mas é preciso amar. O que será do mundo sem o amor, a tolerância, a equidade e a fraternidade?

Que venham mais milhões de acessos ao nosso querido blog.



Estados Unidos jogam sujo com a China?

Ingratidão ou Mau perdedor?
 1 - Nesta noite a CNN Brasil passou um programa especial com militares de altas patentes sendo entrevistados sobre o virus, as pesquisas já existentes nos Estados Unidos desde o EBOLA e o manual de procedimentos de propriedade do governo americano mas disponibilizados nas redes sociais. Muito boa a entrevista...
Além de mostrar que o estudo não foi utilizado por Trump, mostrava também que os Estados Unidos perderam a capacidade produtiva interna para garantir a saúde e a vida dos americanos.
Ao ser perguntado porque não se faziam os equipamentos nos Estados Unidos, um dos militares tristemente respondeu: Agora é tudo feito lá fora, principalmente na China.
E a entrevistadora repetia, mas antes eram os Estados Unidos que salvava o mundo... E agora dependemos da China?
2 – Hoje, na Folha, Mônica Bergamo informa:
“Quem pode, pode
A informação de que os USA estão enviando 23 AVIÕES para voltar com TONELADAS de equipamentos e produtos hospitalares da CHINA nesta semana acendeu a luz amarela em especialistas brasileiros que tentam comprar insumos de empresas do país asiático.”
3 – Já o Estadão, resolveu chutar o balde e entrar no jogo sujo dos Trumps e Bolsonaros da vida. Vejam que matéria provocativa o Estadão divulgou... Pode até ter uma parte de verdade, mas o jornal tem formas e formas de divulgar...
“China ocultou extensão do surto de coronavírus, diz a inteligência dos EUA
Informações públicas da China sobre casos e mortes decorrentes da covid-19 teriam sido disponibilizadas intencionalmente incompletas
Redação, O Estado de S.Paulo
01 de abril de 2020 | 12h56
Autoridades de inteligência dos Estados Unidos afirmaram à agência Bloomberg que a China ocultou a extensão do surto de coronavírus, subnotificando o total de casos e as mortes causadas pela doença. A conclusão é de um relatório enviado em segredo à Casa Branca. 

Os funcionários pediram para não serem identificados porque o relatório é confidencial. Eles também não detalharam o o conteúdo, mas afirmaram que as informações públicas da China sobre casos e mortes decorrentes da covid-19 sejam intencionalmente incompletas. Duas autoridades disseram ainda que o relatório conclui que os números da China são falsos. 

O surto da covid-19 começou em Wuhan, na província chinesa de Hubei, no final de 2019. Desde entao, o país relatou cerca de 82 mil casos e 3.300 mortes. Os EUA, o país mais atingido, declararam 189 mil casos e mais de 4 mil mortes.

A Bloomberg relata que havia ceticismo nos números chineses e que o governo daquele país revisou sua metodologia de contagem de casos. Durante semanas, os chineses excluíram as pessoas sem sintomas e somente na terça-feira, 31, adicionou mais de 1.500 casos assintomáticos ao total. 


O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, tem pedido que o país e outras nações sejam transparentes. Ele já acusou a China de encobrir a extensão do problema e de ser lenta em compartilhar informações.”

terça-feira, 31 de março de 2020

Virus e Desemprego: Ajudar sozinhos ou separados?

Causas diferentes, problemas iguais

O brasileiro e a brasileira:

- por viver num país ainda em transição entre a pobreza e a classe média,
- ou como os economistas gostam de dizer: entre o subdesenvolvimento e o G20, os mais ricos do mundo;
- por ter uma média de escolaridade ainda baixa se compararmos com Argentina, Austrália e Europa;
- por estar habituado a conviver com desigualdades extremas – renda, escolaridade, saúde, moradia, aposentadoria, acesso aos serviços terceirizados como internet e outras modernidades...

Estes brasileiros e brasileiras, como dizia Sarney:

- ainda pensa que o quem tem é mais mérito dele do que da estrutura social que lhe da retaguarda;
- muitos consideram que a sua qualidade de vida se deve ao apoio do pastor e da sua Igreja;
- muitos usam o SUS – Sistema Único de Saúde, achando que não é mais do que obrigação do governo oferecer saúde para todos;
- no entanto, muitos prefeririam usar os “Convênios Médicos”, gastando uma fortuna e muitas vezes sendo mal atendidos;
- a grande maioria dos brasileiros e brasileiras, embora tenham estudado em boas escolas públicas, hoje colocam seus filhos em escola privada, principalmente se tiver ensino de inglês;
- uma boa parcela dos brasileiros e brasileiras já vai e volta para o trabalho de carro particular, abrindo mão de exigir transporte público de qualidade;
- no caso das grandes cidades, muitos brasileiros e brasileiras vão trabalhar ou estudar de METRÔ;
- por verem o quanto o metrô é facilitador do acesso ao trabalho, à escola ou as atividades de lazer e cultura, os brasileiros vivem se perguntando porque no Brasil NÃO TEM um bom sistema ferroviário que interligue as cidades e os estados...

Os brasileiros e brasileiras nos últimos trinta anos ouviram falar milhares e milhares de vezes que:

-  o ‘serviço público” não presta porque os funcionários  públicos estão mais voltados para eles mesmos do que para servir ao povo que lhes paga o salário;
- também ouvir falar em todos os espaços públicos e privados que o Brasil está ruim porque os políticos não prestam, são corruptos e gostam de aumentar seus salários enquanto o salário mínimo fica uma miséria...
- teve diretas já, teve constituinte, teve eleição de FHC e de Lula; teve até a eleição de uma mulher para presidente e depois elegeram um doido varrido, tudo isto com o desejo de ver o Brasil dar certo. E a impressão é que não está dando certo...

Temos um presidente que não ouve o  clamor do povo, que se pensava que o presidente só fizesse o que os empresários mandassem e que o presidente, por ser servil aos Estados Unidos fosse ter privilégios que facilitassem a vida dos brasileiros nos Estados Unidos...

- e nada disso está servindo para nada, só estamos piorando...
- e ainda temos que viver umas semanas, ou meses em QUARENTENA, clausura, home office ou clausura domiciliar, ouvindo ou lendo milhões de noticias sobre mortos e doentes no Brasil e no mundo...

Como fazer o Brasil dar certo?
Como sair desta urucubaca?

Será na base do “salve-se quem puder”?
Será juntando-se com os colegas de Igreja, excluindo as demais?

- Será exigindo e botando como condição indispensável que se destitua o presidente?
- Será criando grupos de empresários que concordem em doar milhões de reais para o governo federal, o mesmo do presidente nervosinho?

- Será criando grupos de voluntários que ajudem associações de moradores mais pobres e sem emprego?
- Será que, estes voluntários e estes moradores também não têm suas crenças religiosas, políticas e sociais?

- Se a crise com o virus e com a economia paralisada no mundo todo , ao atingir também os Estados Unidos e a vida dos americanos, obrigou o presidente dos Estados Unidos a parar de agredir e se voltar para dentro dos Estados Unidos, priorizando salvar a vida dos americanos e salvando a economia?
- Se a Alemanha, com toda a humildade da primeira ministra, Angela Merkel,  e também do seu ministro da Fazenda que enfatiza que em primeiro lugar temos que salvar as vidas e só depois priorizar a economia, será que isto não reflete no governo brasileiro, ou no próprio povo brasileiro?

Os grandes empresários estão tomando coragem...

Hoje vi algumas notícias no jornal Valor que me motivaram a escrever estas reflexões. Por exemplo,

- A VALE comprou e doou 5 milhões de testes para saber se as pessoas estão contaminadas ou não;
-  Donos da VOTORANTIM doaram 50 milhões;
- Itaú ajuda na construção do novo Hospital da Fiocruz;
- Natura passa a produzir álcool gel.

Ontem eu li que as Centrais Sindicais e seus sindicatos filiados estão oferecendo:

- Aaos prefeitos, governadores e governo federal, mais de 5 mil espaços para leitos hospitalares, sejam nas sedes das entidades, nos espaços esportivos ou no clubes de praia ou de campo.
- As centrais sindicais também estão se oferecendo para mobilizar todos os seus militantes para que ajudem na coleta e distribuição de ajuda aos necessitados.
- As centrais sindicais também estão se disponibilizando a sentarem com os empresários e construirem formas de preservar a saúde dos trabalhadores, mantendo a produção necessária, disponibilizando os demais trabalhadores a ficarem em casa e, dentro do possível, também ajudarem no combate ao virus e no combate ao desemprego...

FIAT LUX?
Fêz-se a luz?

Ah, tenho lido diariamente que os artistas e agora os jogadores milionários decidiram doar milhões de dólares e reais em solidariedade!

Outro dia li uma nota ironizando que os jogadores ganhavam muito e que os pesquisadores ganham pouco... Tem jogadores abrindo mão de 70% de seus rendimentos para ajudar no combate ao virus. É mole?

Eu convivi com Mario Covas, Montoro, Lula, Olívio Dutra, Chico Mendes, Jair Meneguelli, Gushiken, Augusto Campos, Arnaldo Gonçalves, Lélia Abramos e tantas outras personalidades e, naquela época, se juntar para construir uma “unidade de ação” era comum.

 Hoje em dia, fico com a impressão que há uma resistência a se unir num mesmo espaço. ..
Será que as pessoas ficam com medo de uns ficarem acusando os outros?

Será que os erros cometidos no passado recente são impeditivos de se reunir em defesa do POVO BRASILEIRO e, por consequência, EM DEFESA DO BRASIL PARA TODOS?

Se Dom Paulo Evaristo Arns estivesse vivo, eu o indicaria para ser o coordenador de uma iniciativa desta. Todos juntos pelo povo brasileiro. Todos juntos pelo Brasil para todos.

Na ausência de Dom Paulo, será que não poderíamos lançar a campanha dizendo que, em homenagem a Dom Paulo Evaristo Arns, ele, in memorium, seria o coordenador da campanha?

Pensando em Dom Paulo, convidaríamos representantes dos mais diversos setores da sociedade e faríamos uma carta de princípios e de unidade de ação.

Todos em defesa do povo brasileiro  e todos em defesa do Brasil para todos!



segunda-feira, 30 de março de 2020

O virus, a loucura da Folha e a sabedoria de Miriam Chnaiderman

O saber para muitos ou apenas para quem pode pagar...

“Só empatia junto com a solidariedade é capaz de nos mover e nos ajudar a superar todas as restrições que estão sendo impostas...  A gente não escolheu isso.

As pessoas se sentem violentadas de não terem escolhido de não terem escolhido não sair de casa. Mas a gente está fazendo isso, acima de tudo, pelo outro.”

Nesta segunda-feira, quando fui pegar o jornal vi que tinha uma longa entrevista com a psicanalista Miriam Chnaiderman, uma página inteira, era a entrevista da 2ª. Passei o jornal para minha esposa, que também é psicanalista e foi aluna de Miriam Chnaiderman no Sedes.

Miriam Chnaiderman, para quem não sabe, é um símbolo de autoridade como professora, escritora, psicanalista e palestrante. Eu, que sempre achei que as pessoas precisam estudar economia, psicanálise e comunicação, sempre leio o que aparece sobre a psicanalista.

Neste mundo de quarentena, depois de duas semanas de reclusão, deixei para tentar reproduzir a íntegra da entrevista no meu blog, como contribuição para que os sindicalistas e movimentos sociais, particularmente os que não vivem em São Paulo pudessem ter acesso a uma grande contribuição de um importante jornal como a Folha.

É evidente que nestes tempos bicudos de virus invisíveis matando as pessoas no mundo todo, de crise econômica e social, onde o pessoal de centro e de esquerda perderam a liderança para os neoliberais e conservadores em geral, quanto mais a gente possibilitar que militantes sociais aprendam mais e atuem na construção de um mundo melhor, cada tijolinho deste, pode servir de uma construção de uma escola, um hospital ou uma casa para morar...

No entanto, quando iniciei o computador e tentei baixar a entrevista, em vez do belo e longo texto, apareceu a mão do capitalismo, a mão do “dinheiro em primeiro lugar”, leiam o texto que a Folha me mandou mesmo eu sendo assinante do jornal há mais de vinte anos...

“Para compartilhar esse conteúdo, por favor utilize o link https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2020/03/quem-elogia-tortura-admira-torturador-nao-se-coloca-no-lugar-do-outro-diz-miriam-chnaiderman.shtml ou as ferramentas oferecidas na página. Textos, fotos, artes e vídeos da Folha estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não reproduza o conteúdo do jornal em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização da Folhapress (pesquisa@folhapress.com.br). As regras têm como objetivo proteger o investimento que a Folha faz na qualidade de seu jornalismo. Se precisa copiar trecho de texto da Folha para uso privado, por favor logue-se como assinante ou cadastrado.”

Mesmo a Folha escrevendo na última linha que “se precisa copiar trecho de texto da Folhapara uso privado, por favor logue-se como assinante ou cadastrado”, tentei várias vezes e não consegui copiar. Aparecia sempre o mesmo recado capitalista.

Nem para usar o texto como campanha de solidariedade contra o virus?

Lendo a Folha, senti-me como os doentes pobres ou remediados que gostariam de fazer uma “boa análise” mas, como não tem dinheiro, são obrigados a procurar as análises alternativas, as Igrejas, principalmente as pentecostais que conseguem “trazer Deus para combater o Satanás, desde que eu pague os dízimos”. E o valor do dízimo é proporcional ao que você ganha e não quanto custa a seção, conforme a fama do psicanalista.


A Folha, que já foi nossa guia na campanha das “Diretas Já!”, está cada vez mais capitalista, e, cada vez menos, guia do povo brasileiro... Este pode ficar com as epidemias de dengue e tantas outras raras como a coronavirus... O pior é que eu não consigo ficar sem assinar a Folha... Acho que sou masoquista e preciso procurar um analista barato, nem que seja de Bajé, como diz Veríssimo.

domingo, 29 de março de 2020

Festa de aniversário com churrasco pode?

Não sabemos se é ignorância ou provocação

Talvez motivados pelos desvarios do presidente, algumas pessoas começam a organizar festas de aniversários com churrasco, crianças, idosos e jovens.

O pessoal que mora em condomínio também já começa a ver "festinhas no ap." com 20 ou 30 pessoas, pode?

Quem mora em casa, além de já ter gente fazendo churrasco para "famílias", pondo em risco a contaminação com o virus, começam a estacionar carros na frente das casas dos vizinhos, dificultando entradas e saídas, etc.

No nosso bairro, Vila Madalena, já houve até ameaça de agressão porque uma vizinha foi reclamar que algumas pessoas num carro estavam jogando latas de cervejas na rua. Não ensacavam como lixo nem nada, simplesmente jogavam as latas. E tinha até gente fazendo "xixi" na rua. Também pode?

É importante que os poderes públicos e a imprensa orientem os moradores e os festeiros.

Quanto maior o risco de contaminação, maior é o risco de agressões, grosserias e violências. O ideal é resolver sem precisar chamar a polícia, mas, se for o caso temos sim que priorizar a saúde da comunidade...

O pessoal da saúde está alertando que o mês de abril vai ser mais perigoso que o de março. E os mortos já começaram a aparecer no Nordeste e Centro Oeste.

Precisamos ser solidários, educados e compreensivos. Mas o povo brasileiro deve estar em primeiro lugar. Não podemos transformar orientações médicas em disputas políticas.

Paz na Terra aos homens e mulheres de boa vontade. Faça parte!

sábado, 28 de março de 2020

O Brasil não conhece o Brasil, a China também não

 Como entender o Brasil?

Depois de o jornal Valor publicar uma resposta do chefe do Itamaraty ao ensaio de Philip Yang sobre a China - eu não comentei antes por considerar a resposta governista muito fraca - fui surpreendido com novo texto/artigo sobre o Brasil e a China. O autor desta vez é do diplomata que morou 12 anos na China Marcos Caramuru de Paiva. 

Marcos Caramuru de Paiva:

Como entender a China

Fatores principais que impulsionaram o país asiático foram alto nível de poupança, empreendedorismo e bom governo

Por Marcos Caramuru de Paiva — Para o Valor
27/03/2020 05h01 

Nos meus 12 anos de vida na China, ouvi frequentemente a pergunta: por que o Brasil, tão rico em recursos, não deslanchou? Sempre enxerguei nos que me indagavam a expectativa de que eu lhes oferecesse uma resposta direta e simples. Impossível.

Os chineses são de uma objetividade arrasadora.

Frequentemente procuram explicações concisas para dúvidas que não comportam concisão. Além disso, como vivem numa sociedade com elevadíssima uniformidade de valores e abraçam a ideia confucionista de que no governo comanda uma elite - se ela não operar satisfatoriamente, muda-se a elite -, têm dificuldade de entender a diversidade em outras realidades e explicar por que razão outros países não conseguem ter o êxito do seu.

Encontrei a mesma pergunta, em diferente versão, num artigo denso e bem estruturado, assinado por meu colega Philip Yang, publicado no Valor (“O que o Brasil Quer da China?”, 14/2).

A indagação central dele é: “O que terá impulsionado o crescimento econômico tão excepcional da China e tão pífio do Brasil” nas últimas décadas?

Se tivesse a concisão chinesa, responderia que os três fatores principais que impulsionaram a China foram alto nível de poupança, empreendedorismo e bom governo. No Brasil, o primeiro e o terceiro fator deixaram a desejar.

Não creio, contudo, que um comentário simples seja esclarecedor neste caso. Tampouco tenciono oferecer resposta a Philip Yang. Desejo apenas ressaltar cinco de muitos pontos que, em meu juízo, ajudam a entender a China e como ela se diferencia de nós. Em seguida, comentarei brevissimamente o outro tema tratado por Philip: a cooperação China-Brasil.

Eis os cinco pontos:

1 - A China opera de baixo para cima

O processo de transformação na China está, em larga medida, na mão dos gestores locais. É essencialmente deles a tarefa de mudar a realidade. Administrar bem uma prefeitura é requisito central para ascender na vida político-partidária. Por isso, os prefeitos estão sempre atentos ao que fazem outros prefeitos, literalmente seus concorrentes. Quem toma a iniciativa de uma obra ou de um projeto é, via de regra, a autoridade local. Em alguns casos, há autorizações de instâncias superiores, mas a iniciativa local está na essência da gestão pública.

Os governos provinciais não têm, como os Estados no Brasil, o papel de executores de projetos. Eles guardam uma visão mais ampla da realidade. Entram, aqui e ali, em parceria com as municipalidades, mas não põem a mão na massa.

Os tributos na China são coletados pela subprefeitura: o bairro. Este retém a parcela que lhe cabe e remete o restante aos níveis superiores. Além disso, é da municipalidade a receita da venda da terra para empresas e construtoras. Ou seja, as municipalidades têm um elevado grau de independência financeira.

2 - A China acredita em competição entre empresas públicas

As estatais exercem um papel central na economia, mas o Estado não tem a prática de criar estatais monopolistas. Os bancos concorrem entre si, as empresas de petróleo também e assim por diante. Quando a China resolveu iniciar uma indústria aeronáutica, fundou duas empresas: a AVIC1 e a AVIC2.

As estatais podem ter ramificações em diferentes províncias e as ramificações de uma mesma empresa podem concorrer para a execução de projetos. Além disso, muitas vezes é uma ramificação de uma grande empresa - não a sede - que encontra e opera oportunidades no exterior.

Paradoxalmente, não há grande objeção à formação de monopólios ou oligopólios no setor privado.

3 - A China não teme o risco

O Ocidente tornou-se obcecado com avaliação de risco e mapeamento das realidades. Os chineses têm maior flexibilidade. As empresas entram em muitos projetos mais focadas no negócio do que atentas ao risco. A poupança elevada dá espaço para isso.
O governo, por sua vez, deixa novas iniciativas florescerem livremente, para apenas regulá-las mais adiante. A regulação não se antecipa à experiência.
Veja-se o caso recente das fintechs: os reguladores adotaram uma atitude bastante liberal, deixando que abrissem sem ou com baixo controle. Mais de 3 mil fintechs chegaram a operar. Muitas delas entraram em colapso ou tiveram uma gestão fraudulenta, prejudicial aos poupadores que nelas investiram. O número reduziu-se a algo em torno de 700.

O governo, então, passou a um processo de monitoramento caso a caso, de modo a disciplinar o negócio. Mais recentemente, distanciou o poupador individual das fintechs - os investidores devem ser fundos e instituições financeiras - e está buscando conduzir os bancos locais de menor dimensão a realizar o trabalho originalmente executado pelas plataformas P2P.

4 - O setor público lança usualmente iniciativas pilotos antes de tomar rumos definitivos

A ideia de experiência piloto é central nas políticas públicas. Se funcionar bem, será replicada. Exemplo: há alguns anos, o governo resolveu autorizar uma nova zona de livre-comércio em Xangai, que operasse sem as regras de controle de capital vigentes no país. Tiradas as conclusões da experiência, ela foi introduzida em diversas outras cidades.

Experiências pilotos não funcionam em países onde as políticas costumam precisar de aprovação legislativa e onde experimentos governamentais são rejeitados por princípio. Os chineses entendem que nem sempre é possível ex ante conhecer o impacto de políticas e ações governamentais. Convivem bem com isso.

5 - A China soube fazer uma releitura do marxismo-leninismo, adaptá-lo aos tempos modernos

O país acredita dispor de um modelo em execução, sem respostas para todos os desafios, mas com uma mistura inovadora de disciplina e liberdade. Acima de tudo, a China se vê destinada a um papel de liderança global. Para isso, precisa ousar.
Há tempos, ouvi de um acadêmico renomado chinês que a América Latina não formulou um projeto próprio. Buscou copiar o mundo desenvolvido. A política de substituição de importações, em sua visão, é um exemplo clássico disso.

Os chineses, por sua vez, identificaram suas vantagens comparativas e seu potencial para produzir uma realidade nova. O comentário é um tanto reducionista, mas carrega algo de verdadeiro.

O fim dos anos 1970 foi o período em que a China começou sua transformação. No Brasil, nesse mesmo período, iniciou-se a modernização da agricultura com a abertura de fronteiras no Centro-Oeste. É interessante observar como, de um lado, o exitoso agronegócio brasileiro e, de outro, a China moderna acabaram criando uma conexão. Ela não foi projetada. A realidade a construiu.

O Brasil foi o primeiro país do mundo com quem a China estabeleceu uma parceria estratégica, em 1993. A modernização da China e o fortalecimento de seus interesses na esfera mundial, assim como os sucessivos solavancos da vida econômica brasileira foram levando a parceria a se tornar mais uma referência do que uma realidade.
Nosso relacionamento bilateral é focado em pontos pragmáticos: comércio e investimentos. Guarda relevância para os dois países: exportamos bens essenciais para a China, a China investe em segmentos essenciais para nós, como o setor elétrico. Detém o controle de uma empresa energética com o peso da CPFL.

É claro que podemos fazer mais e melhor, atentos, sobretudo, aos segmentos inovadores como tecnologia digital, cidades inteligentes, inteligência artificial.

Como na China o Estado costuma desenvolver uma visão do futuro e tem a capacidade de transformar pensamento em ação, muitos tendem a crer que na nossa relação bilateral requer mais planejamento. Difícil para o um país como o nosso, com pequeno espaço para refletir sobre o longo prazo. De baixa prioridade para a China, que administra uma teia de relações internacionais bem mais complexa do que a nossa.

O que precisamos é saber operar bem uma agenda tão densa como possível, moderna e dinâmica, com expectativas realistas de resultados. Manter com as autoridades chinesas um diálogo frequente, razoavelmente estruturado, aberto e isento de visões pré-concebidas ou de influência ideológica.

Marcos Caramuru de Paiva é ex-embaixador em Pequim, sócio e gestor da Kemu Consultoria


O virus e seus reflexos diversos

E se a crise com o virus demorar para acabar?

Todos estamos fazendo sacrifícios, mas, somos capazes de conviver por quanto tempo fazendo sacrifícios?  How long....?  Quanto tempo?

Olhamos os noticiários nos jornais, rádios e TVs e, em vez de aliviados, estamos ficando confusos. Por que será?

As mortes estão chegando perto de nós...

1 - Já recebemos mensagens contando deste ou daquele amigo ou amiga que faleceu por causa do virus;

2 - Como pode ter morrido em função do virus a nossa querida regente do Coral da Osesp? Com aquela presença marcante, baixinha, sorridente e tão perseverante? E o outro músico, regente experiente, também foi vítima do virus. Por que não foram socorridos antes?

3 - Hoje a notícia é do treinador de esgrima, o russo-brasileiro, que foi aos Estados Unidos e voltou contaminado. Foi isto?

4 - E o contaminado residente num condomínio no Brás. Como ficam os espaços coletivos do condomínio? De repente, os espaços objetos de tanta propaganda das construtoras ficaram inviáveis, indisponíveis, e os moradores terão que ficar reclusos nos seus 30 ou 40 metros quadrados. Engaiolados?

5 - E os cachorros e gatos, os pets, nova moda para a nova classe média que, em vez de filhos, têm gatos e cachorros com nome de gente e são chamados de filhinhos e filhinhas. Inclusive custam mensalmente bem mais do que qualquer criança moradora da periferia ou de favelas?

6 - E o lazer que praticamos nos parques está suspenso; os cinemas que distraem os idosos, estão vazios e os idosos tristes e encabrunhados, proibidos de ir à padaria e ao supermercado?

7 - E os avós que não podem chegar perto dos netos? Como os netos estão sentindo isto? Que praga é esta? Será castigo divino?

8 - Por falar em divino, como utilizar sem comprometer a saúde, os espaços dos templos religiosos? Em vez de grandes concentrações, serem espaços para abastecer e cuidar das pessoas solitárias ou carentes?

9 - Como utilizar os espaços físicos ociosos como clubes, salões esportivos, salões de entidades sindicais, etc?

10 - Como ajudar as comunidades a se organizarem? A Folha tem mostrado as iniciativas do pessoal da favela Paraisópolis, em São Paulo.

11 - Como podemos ser solidários com o pessoal que está trabalhando enquanto a maioria da população está de quarentena, ou reclusão forçada?  Este pessoal também tem famílias e pets, tem jardins e precisam de repouso.

12 – Além da ameaça do virus, temos a ameaça da falta de dinheiro. Uns por que estão desempregados, outros por que são trabalhadores avulsos, autônomos ou terceirizados e só entra dinheiro na conta quando tem trabalho realizado – se não tem trabalho não tem dinheiro – este drama tende a se alastrar e ser mais destruidor do que o próprio virus...

13 – Qual é o papel do governo em relação a renegociação das dívidas – tanto das pessoas como das empresas?

14 – Como garantir o reabastecimento do comércio? Já convivemos com a falta de muitos produtos básicos como álcool, papel higiênico e toalhas?

15 – Um apelo muito comum que todos estão fazendo: Políticos e governos NÃO devem atrapalhar o trabalho dos profissionais...  Chega de entrevistas que servem mais como marketing eleitoral do que providências relevantes contra o virus.

16 – Que sejam evitadas disputas entre ministério público, prefeitos, governadores e presidência. Que o judiciário tenha bom senso e não atrapalhe.

17 – Que a programação na televisão tenha mais filmes e programas leves, em vez de tanta violência.

18 – A morte e as contaminações estão chegando ao interior de São Paulo e outros Estados. Onde estaremos seguros? Se formos para sítios ou cidades pequenas, teremos mais chances de não ser contaminados?

19 – Ainda não li ou vi nenhum estudo que convença sobre o por que tem muito mais morte no estado de São Paulo do que nos demais Estados?

20 – Estas perguntas podem nos ajudar a diminuir a tensão no relacionamento com outras pessoas. Excesso de limpeza, trombadas em espaços pequenos, ficar o tempo todo carregando o celular para ver milhares de coisas boas e bobagens que nos enviam?

Duas ou três semanas de clausura, home office, solidão, passividade diante da tv, divergências políticas e religiosas, falta de dinheiro e de mantimentos em casa. E as pessoas começam a brigar entre si...

Estamos ficando todos loucos, como virus ou sem.


O que é pior? E se a epidemia demorar? 

quinta-feira, 26 de março de 2020

O virus que mudou a história atual

Nada será como antes...

E o ser humano que se sentia capaz de tudo, de repente foi derrotado por um inimigo invisível, obrigando os países a parar para cuidar de seu povo.

Nada será como antes?

Vejam alguns exemplos de países em tempos diferentes e que tiveram papel importante na história.

1 - Por que conhecemos tão pouco da história da India?
Por que há tão poucos livros em português sobre este país tão distante e tão perto,  ao meso tempo?
Comprei um livro sobre a História da Índia, de autoria de John Keay,  historiador, escritor e especialista em Sul da Ásia. A edição é em inglês e eu vou lendo aos poucos...

Vejam que interessante esta introdução com fatos de 3 mil anos antes de Cristo.

“In Hindu tradition, as in Jewishi and Chistian tradition, history of a manageable antiquity is sometimes said to start with the Flood. Flushing away the obscurities of an old order, the Flood serves a universal purpose in that is establishes its sole survivor as the founder of a new and homogeneous society in which all share descent from a common ancestor.  

A new beginning is signalled; a lot of begetting follows.

In the Bible the Flood is the result of divine displeasure. Enraged by man’s disobedience and wickedness, God decides to cancel his noblest creation; only the righteous Noah and his dependants are deemed worthy  of survival nd so of giving mankind a second chance.
Very different, on the face of it, is the Indian deluge.

According to the earliest of several of several accounts, the Flood which afflicted India’s people was a natural occurrence. Manu, Noah’s equivalent, survived it thanks to a simple act of kindness.

Se no período entre três mil anos antes de Cristo e dois mil e quinhentos anos, a índia já tinha suas historias, e sabemos tão pouco sobre os acontecimentos, o mesmo acontece em quase todas as regiões naquela época.

Estudamos nas escolas um pouco sobre o Egito e a escravidão dos hebreus (judeus) possibilitando o surgimento de Moisés...  o Império Romano, a Grécia antiga, o Cristianismo e assim vão se consolidando as bases para a História do Mundo Ocidental.

2 – Antes de Mao, a China já tinha Confúcio...

Da mesma forma que sabemos muito pouco da História da Índia, também sabemos pouco da História da China. Enquanto a Europa engatinhava, disputando cada palmo de terra e de mar, a China, como a Índia, já vinha de milênios de história e tradições.

Sobre a importância da influência da China no mundo ocidental, nada melhor do que ler o livro com as histórias de Marco Polo na China. Não é por acaso que o título do livro é: O Livro das Maravilhas...

“O livro de Marco Polo apresenta-se ao leitor de hoje não somente como uma geografia completa de seu tempo, como também um testemunho único que exibe aos olhos de uma Europa em crise as incomparáveis riquezas e o grau de civilização da Ásia.

Marco Polo encerra a era dos geógrafos do lendário para inaugurar a dos exploradores e colonizadores dos tempos modernos.”

Será que Marco Polo tinha consciência da importância histórica, econômica e social  dos seus conhecimentos e experiências relatados no livro? Provavelmente não.

3 – Tão perto e tão longe é o caso da História da Espanha.

Quais os motivos que levaram a formação de um dos maiores impérios da Terra mas que, tão rápido como foi construído, desmoronou, perdendo toda a sua grandeza e relevância.  
O melhor livro que conheço sobre este período de ouro da Espanha, continua sendo o escrito por J. H. Elliott, editado pela Pinguin, e bem que poderia ser editado no Brasil. Tem como título “Imperial Spain – 
1469 – 1716”

“At its greatest Spain was master of Europe: its government was respected, its armies were feared and its conquistadores carved out a vast empire. Yet this splendid power was rapidly to lose its impetus and creative dynamism. How did this happen in such a short space of time? Taking in rebellions, religious conflict and financial disaster.

Elliott’s masterly social and economic analysis studies the various factors that precipitated the end of an empire. “

4 – Ainda mais perto e mais ameaçador
 Novamente voltando para as publicações da Penguin, há o bom livro de Hugh Brogan, com o título “The Penguin History of the United States of America”  onde o autor procura mostrar  como o “espírito imperialista e conquistador da Inglaterra” contribuiu na formação dos Estados Unidos como grande país, grande nação e global império...

5 – E o Brasil, para onde vai o Brasil?

Historicamente o Brasil tem aplicado o slogan da Rússia com Lenin e Stalin, “um passo a frente e dois para trás...”
Por tabela, sempre foi dominado pela Inglaterra, com a perda da hegemonia inglesa, passou ao controle dos Estados Unidos.

E, quando tudo parecia que continuaria crescendo e criando condições para ter um papel relevante no cenário mundial, acabou de eleger mais um louco para presidente e, pelo andar da carruagem, dos últimos cinco presidentes eleitos, Bolsonaro tende a ser o terceiro a ser derrubado.

A profecia tende a ser de “um passo para frente e TRES passos para trás”...
Ou tomaremos vergonha na cara e conquistaremos nossa autonomia, nossa independência e nossa dignidade?


Só o tempo dirá... Talvez este virus  desconhecido, que está atormentando o mundo, possibilite o Brasil por profundas mudanças estruturais que nos leve ao país do futuro.

A Carta de Renúncia está chegando...

 Renúncia é melhor que Impeachment

Para quem não sabe, Maria Cristina Fernandes é a melhor jornalista do Valor e uma das melhores do Brasil. 

Vivemos mais uma grave crise de governabilidade no Brasil. Temos um pouco de legalidade e nenhuma legitimidade. Até os pentecostais estão calados... 

Qual deve ser a prioridade: Salvar o Brasil e seu povo, ou salvar o mandato de louco paranoico? Substituir um paranoico por um psicopata também não resolve. 

O ideal é uma renúncia coletiva com a convocação de uma nova eleição presidencial como os argentinos fizeram na época de De la Rua... Assim Mourão não assume. É preciso construir uma solução provisória onde alguém tipo Maia possa assumir até baixar a poeira da pandemia, salvando o povo brasileiro, nossa economia e nossa autoestima...

Ser pobre, democrata e com dignidade, é bem melhor do que pobre, vassalo de Trump, o povo morrendo, a economia parada e ainda ter que ouvir um monte de besteira deste presidente maluco...

Vejam a bela matéria ou o belo artigo de Cristina. 


A carta da renúncia

A costura de uma renúncia, como saída, 
passa pela anistia aos filhos

Valor - 26/03/2020 05h00  - Por Maria Cristina Fernandes

A tese do afastamento do presidente viralizou nas instituições. O combate à pandemia já havia unido o país, do plenário virtual do Congresso Nacional ao toque de recolher das favelas. Com o pronunciamento em rede nacional, o presidente conseguiu convencer os recalcitrantes de que hoje é um empecilho para a batalha pela saúde da nação.

Se contorná-lo já não basta, ainda não se sabe como será possível tirá-lo do caminho e, mais ainda, que rumo dar ao poder em tempos de pandemia. A seguir a cartilha do presidiário Eduardo Cunha, seu afastamento apenas se dará quando se encontrar esta solução. E esta não se resume a Hamilton Mourão.

Ao desafiar a unanimidade nacional, no uniforme de vítima de poderes que não lhe deixam agir para salvar a economia, Bolsonaro já sabia que não teria o endosso das Forças Armadas para uma aventura que extrapole a Constituição. Era o que precisaria fazer para flexibilizar as regras de confinamento adotadas nos Estados.

Duas horas antes do pronunciamento presidencial, o Exército colocou em suas redes sociais o vídeo do comandante Edson Leal Pujol mostrando que a farda hoje está a serviço da mobilização nacional contra o coronavírus.

Saída a ser costurada passa pela anistia aos filhos

Pujol falou como comandante de uma corporação que tem a massa de seus recrutas originários das comunidades mais pobres do país, hoje o foco de disseminação mais preocupante para as autoridades sanitárias. Disse que agirá sob a coordenação do Ministério da Defesa. Em nenhum momento pronunciou o presidente.

Moveu-se pela percepção de que uma tropa aquartelada hoje é mais segura que uma tropa solta. Na mão inversa do trem desgovernado do discurso presidencial daquela noite.

Quando já estava claro que descartara o papel de guarda pretoriana, Pujol reforçou a importância do combate ao coronavírus: “Talvez seja a missão mais importante de nossa geração”. Vinte e quatro horas depois, o vídeo ultrapassava 500 mil visualizações, mais do que o dobro do efetivo do Exército.

O distanciamento contaminou os ministros militares com assento no Palácio do Planalto. “Não quero ter minha digital nisso”, comentou um deles ao perceber o rumo provocativo que o pronunciamento da noite de quarta-feira teria. Deixou o Palácio antes da gravação, conduzida sob o comando dos filhos e da milícia digital do bolsonarismo.

A insistência do presidente na tese esticou a corda com os governadores e com o Congresso, que amanheceu na quarta-feira colocando pilha na saída do ministro Luiz Henrique Mandetta. A pressão atingiu o pico do dia com o rompimento do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), com o presidente. Aliado de primeira hora de Bolsonaro, presença mais frequente, entre seus pares, nas solenidades do Palácio do Planalto, Caiado foi um dos principais padrinhos de Mandetta, um deputado do Mato Grosso do Sul que não disputou em outubro de 2018 porque temia não se reeleger.
O ministro negaria a demissão num entrevista em que citou Caiado, mas não Bolsonaro.

O Congresso mantinha a aposta na saída de Mandetta como mais um tapume no isolamento do presidente quando João Doria, na reunião de governadores com o presidente, partiu para o confronto. O discurso de palanque do governador de São Paulo não é unanimidade entre os envolvidos em busca de uma solução de consenso, especialmente os da farda, mas sua ação deliberada para levar os governadores a recusar interlocução com o presidente, caiu como uma luva para a estratégia de levar Bolsonaro ao limite do isolamento.

Para viabilizar o enfrentamento dos governadores, o Congresso busca meios de manter o acesso dos Estados a recursos com os quais possam manter suas políticas de combate à doença, hoje confrontadas pelo Planalto. O pronunciamento acabou por frear a proposta de emenda constitucional com a qual se pretendia criar um orçamento paralelo para viabilizar as ações de Bolsonaro no combate à pandemia e calar a tecla com a qual o presidente se diz impedido de agir pelo Congresso. Cogitou-se até incluir nesta PEC instrumentos com os quais Bolsonaro poderia ter mais poderes sobre o confinamento e o confisco de insumos hospitalares, como meio de evitar o Estado de Sítio.

Ainda que Bolsonaro hoje não tenha nem 10% dos votos em plenário, um processo de impeachment ainda é de difícil de viabilidade. Motivos não faltariam.

Os parlamentares dizem que Bolsonaro, assim como a ex-presidente Dilma Rousseff, já não governa. Se uma caiu sob alegação de que teria infringido a Lei de Responsabilidade Fiscal, o outro teria infrações em série contra uma “lei de responsabilidade social”. Permanece sem solução, porém, o déficit de legitimidade de um impeachment em plenário virtual.

Vem daí a solução que ganha corpo, até nos meios militares, de uma saída do presidente por renúncia.

O problema é convencê-lo. A troco de que entregaria um mandato conquistado nas urnas? O bem mais valioso que o presidente tem hoje é a liberdade dos filhos. Esta é a moeda em jogo. Renúncia em troca de anistia à toda tabuada: 01, 02 e 03. Foi assim que Boris Yeltsin, na Rússia, foi convencido a sair, alegam os defensores da solução.

Não faltam pedras no caminho.

A primeira é que não há anistia para uma condenação inexistente. A segunda é que ao fazê-lo, a legião de condenados da Lava-Jato entraria na fila da isonomia, sob a alcunha de um “Pacto de Moncloa” tupiniquim. A terceira é que o Judiciário, agastado com o bordão que viabilizou o impeachment de Dilma (“Com Supremo com tudo”), resistiria a embarcar. E finalmente, a quarta: Quem teria hoje autoridade para convencer o presidente? Cogita-se, à sua revelia, dos generais envolvidos na intervenção do Rio, PhDs em milícia.

A única razão para se continuar nesta pedreira é que, por ora, não há outra saída. Na hipótese de se viabilizar, o capitão pode estar a caminho de encerrar sua carreira política como começou.

Condenado por ter atentado contra o decoro, a disciplina e a ética da carreira militar, Bolsonaro foi absolvido em segunda instância. Em “O cadete e o capitão” (Todavia, 2019), Luiz Maklouff, esboça a tese de que a absolvição foi a saída encontrada para o capitão deixar a corporação. Em seguida, o Bolsonaro disputaria seu primeiro mandato como vereador no Rio.

Trinta e quatro anos depois, a borracha está de volta para esfumaçar o passado. Desta vez, com o intuito de tirá-lo da política.


Maria Cristina Fernandes é jornalista do “Valor”. Escreve às quintas-feiras
E-mail: mcristina.fernandes@valor.com.br

quarta-feira, 25 de março de 2020

SP contra Bolsonaro

Articulações tem nome e endereço...

 

A crise intensificou a paranoia do presidente do Brasil. E este, sentindo-se desautorizado, desacreditado e traído pelo governador de São Paulo, que dependeu de Bolsonaro para ser eleito, provocando uma ampliação da crise, deixando de ser uma crise de pandemia com um inimigo invisível para também ter uma profunda guerra política onde os adversários tem nome e endereços bem conhecidos..

Vejam este caso em São Paulo...

‘Primeiro tem que preservar a vida, depois a economia’, diz Meirelles


Jornal Valor – 25/03/2020 – Malu Delgado

Como secretário da Fazenda do Estado mais rico do Brasil, Henrique Meirelles tem trabalhado cerca de 18 horas por dia em São Paulo.

Ainda não fez o teste da covid-19, e diz que está se sentindo bem, isolado, tomando as devidas precauções. Em entrevista ao Valor, via Skype, ele nega que a tese do Estado mínimo tenha caído por terra nesta crise do coronavírus e defende a necessidade de manutenção da austeridade fiscal e do teto e gastos.

Porém, o também liberal, assim como o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirma, sem titubear, que a prioridade, agora, é a saúde pública e a preservação de vidas. Por isso, o governo federal precisa, sim, aumentar gastos, investir o colchão do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Meirelles defende uma ampla coordenação nacional, em três eixos; saúde, economia e abastecimento. Caberia a Jair Bolsonaro fazer essa coordenação, o que ainda não ocorreu, reconhece Meirelles.

O secretário tem participado de reuniões frenéticas, com todos os titulares da Fazenda estaduais, e está sendo definida a regra de distribuição dos recursos federais, para se evitar guerra fiscal e confrontos.

“Estamos todos no mesmo barco”, sustenta, pedindo um entendimento nacional.

A entrevista foi interrompida em três momentos para Meirelles participar de reuniões de emergência.

Uma delas tinha como objetivo fazer um detalhado remanejamento do orçamentário estadual, definindo cortes de custeio em todas as áreas da administração. O resultado é que R$ 2,5 bilhões de despesas de custeio serão cortadas para investir no combate à pandemia. 

Além disso, o Estado vai aplicar na saúde mais de R$ 7 bilhões que economizará com a suspensão do pagamento de parcelas da dúvida com a União. A queda de receita no Estado, estima Meirelles, poderá chegar a 15%, mas o momento é tão imprevisível que ele evita números.

O governo federal, prega o ex-ministro, tem que pagar salários de trabalhadores formais e, no caso dos informais, deve dar um auxílio mensal. Ele acha razoável a União bancar até 80% de salários de trabalhadores formais em setores econômicos que não podem ser desestabilizados.

Sobre o corte de salários e redução de jornada, acha que não podem ultrapassar 30%. Os vulneráveis precisam da rede de proteção social, aos moldes do Bolsa Família, com pagamento mensal, defende. São situações distintas e é preciso que o governo enderece cada uma deles com o diagnóstico correto, números transparentes e ações eficazes, sentencia o ex-presidente do Banco Central.

Nota do Editor do Blog: 

"Estamos todos no mesmo barco", todos concordamos, mas as soluções podem ser diferentes ou iguais, conseguidas em comum acordo, ou por imposições. Ou ainda dando rasteiras em aliados, como tem sido a prática da política no Brasil. 

Precisamos aprender a praticar a Democracia. E democracia, só se aprende praticando.