terça-feira, 6 de agosto de 2019

Um agradecimento ao amigo-barbeiro

O barbeiro do Sr. Otávio

e a sua despedida por motivo de transferência para outra cidade.
Este barbeiro, muito amigo, vinha há anos fazendo a barba de nosso pai,
que mesmo enfermo,
vai comemorar 95 anos de vida no próximo dia 20 de agosto/2019.

Breve diálogo entre a raposa e o pequeno príncipe, parte do livro “O Pequeno Príncipe – de Saint-Exupery.

- Quem és tu? Perguntou ao pequeno príncipe.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho.
- Eu não posso brincar contigo, você ainda não me cativou...

- Que quer dizer “cativar”?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços”.
- Criar laços? Perguntou o pequeno príncipe.
- Exatamente, disse a raposa.

- Se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro.
Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Mas os teus me chamarão para fora da toca.

- Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o pequeno príncipe:
- Por favor... cativa-me, disse ela.
- Bem quisera, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa.
- Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu me queres como amigo, cativa-me!

- Que preciso fazer? Perguntou o pequeno príncipe.
- É preciso ter paciência, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva... Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

- No dia seguinte voltarás, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada, disse a raposa:

- DESCOBRIREI O PREÇO DA FELICIDADE!

- Mas, se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o meu coração... é preciso ter rituais, finalizou a raposa.

Nosso pai, como a raposa, vai precisar descobrir um novo barbeiro-amigo.

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