sexta-feira, 31 de maio de 2019

Lula fala sobre a importância da Formação

Quem não lê, mal fala, mal ouve e mal vê

Havia uma livraria no centro de São Paulo, que escreveu na parede a frase acima. Isto no tempo da ditadura militar. Não me recordo o nome da livraria, mas não esqueço que uma vez comprei um livro e esqueci de assinar o cheque (naquele tempo ainda não existia cartões). Eles telefonaram-me pedindo para passar lá e assinar.

Até os anos sessenta, era muito comum no Brasil nem os pais, nem os filhos terem escolaridade completa - primário, ginasial, colegial e universitário. A partir dos anos setenta, o investimento nas escolas públicas e nas condições de os jovens terem acesso à educação foi crescendo aceleradamente.

A família de Lula faz parte deste exemplo de falta de oportunidade para ESTUDAR. No entanto, a vida estimulou Lula a aprender com a prática e com a troca de informações e experiências. Lula transformou-se, sem ter frequentado banco de escola, no melhor presidente da República que o Brasil já teve; no melhor sindicalista que o Brasil já viu e, ao aprender a ouvir os acadêmicos e os sábios, porém sem jamais esquecer dos seus colegas de trabalho nas fábricas e nos bairros, Lula aprendeu como governar democraticamente.

A CUT fez um processo de Conferências Regionais e um Conferência Nacional de Formação. Os formadores (educadores) da CUT enviaram um "convite especial" para Lula falar sobre sua formação... Como não podia comparecer, por ser preso político, Lula mandou uma carta aos participantes da Conferência Nacional, que está se realizando em Belo Horizonte - MG.

O governo atual, em vez de pregar a importância da formação e da vida escolar, defende o uso das ARMAS DE FOGO, estimulando a violência e a morte. Lula, ao contrário, prega o amor, a solidariedade, a importância de se combinar a teoria com a prática.

Esta carta carinhosa de LULA serve para todos os brasileiros e brasileiras, serve também a todos os trabalhadores do mundo.


"Companheiros e companheiras,

Quero que vocês saibam da minha emoção ao receber o convite para essa 4ª Conferência Nacional de Formação da CUT, e ao ouvir as palavras tão carinhosas contidas na carta que vocês leram para mim.

Duas coisas me mantêm forte aqui, nessa prisão onde nossos adversários me colocaram há mais de ano para me impedir de, junto com cada um e cada uma de vocês, continuar mostrando do que é capaz a classe trabalhadora quando tem a chance de governar um país. Essas duas coisas que me mantêm forte são o carinho e o espírito de luta do povo brasileiro.

Lembro que há muitos e muitos anos, encerrei uma assembleia dos metalúrgicos dizendo:

“Nunca mais ousem duvidar da capacidade de luta da classe trabalhadora”.

Esta frase nunca saiu da minha memória.
E é uma alegria muito grande saber que ela não saiu também da cabeça de cada trabalhador e cada trabalhadora deste país. Ela continua forte na memória de todos vocês, mesmo daqueles que ainda não tinha nascido naquela época, quando o movimento sindical brasileiro renascia com força e com vontade.

E por que essa frase continua ecoando na cabeça de vocês, os mais jovens, os que vieram depois? Porque o espírito de luta corre em nossas veias, ele está no nosso DNA, a gente já nasce com ele, e se não nasce a gente vai adquirindo na medida em que cresce e aprende a sobreviver, a enfrentar e a superar cada injustiça que a gente sofre neste que é um dos países mais desiguais do mundo.

Fiz minha formação no chão de fábrica, organizando sindicatos, comandando greves, no calor da luta, junto com os mais velhos entre vocês. Essa nossa experiência tem que ser transmitida aos mais jovens.

Eles precisam conhecer a história da Central Única dos Trabalhadores, precisam entender o que a criação da CUT significou num país onde até muito pouco tempo antes organização sindical era crime e greve dava cadeia.

Os mais jovens precisam aprender com a experiência das greves, das comissões de fábrica, das mobilizações, aprender com os nossos acertos e também com os nossos erros.

É preciso usar esse conhecimento acumulado para criar as novas formas de luta, num mundo diferente, digital, em que até o perfil da classe trabalhadora vai se modificando.

É preciso enfrentar essa nova realidade: os avanços tecnológicos que diminuem os postos de trabalho, a tentativa de rasgar a CLT e destruir os direitos trabalhistas, o desemprego recorde produzido pelas políticas desastradas e criminosas daqueles que hoje governam este país.

E para enfrentar essa realidade não tem outro caminho: é lutar, e lutar e lutar.

Nós trilhamos o caminho.

Sentimos na sola dos nossos pés, sabemos no calo das nossas mãos como é pesado esse caminho. Mas não existem atalhos, não existem calçados mais confortáveis.

O caminho é o da luta, é o da união da classe trabalhadora.
Agora, e sempre, é seguir na direção justa, para tornarmos a construir um Brasil melhor para nós, nossos filhos e nossos netos.

À luta, companheiras e companheiros.

Um forte abraço do

Lula"

30/05/2017

Um comentário:

  1. Muito bonita. Lula tem uma capacidade política somada a sua sensibilidade humana só encontrada em raros homens.

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